 |
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
|
Na igreja de Monjardin guarda-se uma preciosa cruz do século XII, quiçá a mais antiga de quantas cruzes paroquiais possui a Navarra.
Como não podia deixar de ser, sua origem se acha revestida de legendas.
A cruz apareceu ao Rei Sancho Garcés, quando conquistou dos mouros o castelo de Monjardin.
O monarca a ocultou, para evitar que os mouros a profanassem. Assim esteve muito tempo.
Ao norte de Monjardin há um lugar denominado Egusquiza (nome que significa “lugar do sol”), onde está situado o palácio dos Medranos, ricos homens de Navarra.
Certo dia um pastor desta casa apascentava seu rebanho no sopé do monte.
Quando se dispunha a conduzir o rebanho a pastos melhores, viu que uma cabra permanecia quieta em seu lugar, ao pé de uma árvore.
Chamou-a ao rebanho com insistência. Não lhe fazendo caso, ele armou sua funda e disparou uma pedra, que sacudiu o arbusto.
A cabra saiu correndo, espantada. O pastor achou que ali devia estar um grande pássaro, por causa do ruído feito e pelo mover-se das folhas.
Mal chegou correndo, viu entre os ramos a Santa Cruz. A pedra de sua funda havia acertado um dos braços dela.
Ficou enormemente perturbado. Arrependido e contrito pelo golpe que havia lhe acertado, exclamou, derramando abundantes lágrimas:
— Pudera Deus que, antes de eu atirar a pedra, me houvesse tirado o braço.
Nem bem acabou de pronunciar essas palavras, quando viu com assombro que seu braço direito estava imóvel.