quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), Jacques-Joseph Tissot (1836-1902), pintor francês.

Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.


domingo, 28 de dezembro de 2014

Reis Magos e pastores: santa harmonia social aos pés do Menino-Deus



Os medievais tinham uma devoção encantada pelos Reis Magos. Essa devoção tem seu fundamento nos Evangelhos, mas eles a desenvolveram com uma força que chega até nossos dias.

A catedral de Colônia exibe a urna que conteria os restos dos três reis, venerados como santos.

Quis a Providência que o Menino Jesus recebesse a visita de três sábios — que segundo uma venerável tradição eram também reis — e alguns pastores.

Precisamente os dois extremos da escala humana dos valores.

Pois o rei está de direito no ápice do prestígio social, da autoridade política e do poder econômico, e o sábio é a mais alta expressão da capacidade intelectual.

Na escala dos valores o pastor se encontra, em matéria de prestígio, poder e ciência, no grau mínimo, no rés-do-chão.

Ora, a graça divina, que chamou ao presépio os Reis Magos do fundo de seus longínquos países, chamou também os pastores do fundo de sua ignorância.

A graça nada faz de errado ou incompleto. Se ela os chamou e lhes mostrou como ir, há de lhes ter ensinado também como apresentar-se ante o Filho de Deus.

E como se apresentaram eles? Bem caracteristicamente como eram.

Os pastores lá foram levando seu gado, sem passar antes por Belém para uma “toilette” que disfarçasse sua condição humilde.

Os Magos se apresentaram com seus tesouros — ouro, incenso e mirra — sem procurar ocultar sua grandeza que destoava do ambiente supremamente humilde em que se encontrava o Divino Infante.

A piedade cristã, expressa numa iconografia abundantíssima, entendeu durante séculos, e ainda entende, que os Reis Magos se dirigiram para a gruta com todas as suas insígnias.

Quer isto dizer que ao pé do presépio cada qual se deve apresentar tal qual é, sem disfarces nem atenuações.

Pois há lugar para todos, grandes e pequenos, fortes e fracos, sábios e ignorantes.

É questão apenas, para cada qual, de conhecer-se, para saber onde se pôr junto de Jesus.




Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Catolicismo, dezembro/1955



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domingo, 23 de novembro de 2014

Nossa Senhora da Vitória:
abriu as portas de Málaga aos exércitos católicos

Luis Dufaur



Em 1487 iniciou o rei católico Fernando o sítio de Málaga com um exército imponente. Uma vez estabelecido na proximidade, procurou persuadir seus habitantes a que lhe entregassem a praça, para evitar as destruições de um sítio.

O tirano que dominava a cidade, Hamet el Zegrí, mandou degolar os que participavam das tratativas, e então o Rei intimou a cidade a se render, mas ela se recusou.

Deu início então ao sítio, instalando diante dos muros de Málaga seus efetivos, e em meio a eles uma espécie de templo, onde mandou pôr uma imagem da Virgem, que sempre levava consigo.

Começou uma luta duríssima, em que a artilharia tinha muita parte.

domingo, 26 de outubro de 2014

Nossa Senhora do Grand Retour:
o milagre, o esquecimento e a promessa

Notre Dame du Grand Retour, na igreja de Boulogne-Billancourt, região parisiense.
Notre Dame du Grand Retour, na igreja de Boulogne-Billancourt, região parisiense.
Luis Dufaur



Por volta do ano 638, sob o reinado do bom rei Dagoberto (604-639), uma imagem de Nossa Senhora “trazida pelos anjos”, segundo tradição imemorial, veio aportar na praia do estuário do rio Liane, em Boulogne-sur-Mer, na região que depois foi denominada Pas-de-Calais, na França.

De onde vinha? Ninguém sabia.

Talvez – segundo se dizia – tivesse sido embarcada no Oriente, onde cristãos perseguidos a teriam confiado às ondas do mar antes de cair nas mãos de ferozes perseguidores.

A cronografia levanta incertezas. Mas o certo é que a misteriosa imagem foi cultuada pelos habitantes da região.

Esculpida em carvalho, ela representava Nossa Senhora de pé, envolta num halo de paz e luz que emanava dela, segurando o Menino Jesus em seu braço esquerdo.

E sua voz se fez ouvir:

“Eu sou a advogada dos pecadores, o manancial da graça, a fonte da piedade, e desejo que uma luz divina desça sobre vós e sobre vossa cidade. Meus amigos, façam edificar uma igreja em meu nome”, narram os manuscritos da época.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nossa Senhora de Las Lajas:
uma história medieval fora da Idade Média!

Nossa Senhora de Las Lajas, Ipiales, Colômbia
Nossa Senhora de Las Lajas, Ipiales, Colômbia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A história que vamos reproduzir embaixo não é da Idade Média, mas bem poderia sê-lo. Pois, a Idade Média não é apenas uma era histórica, mas também uma categoria moral, religiosa, social, cultural e de devoção a Nossa Senhora!

Las Lajas quer dizer, em português, As Lajes. A pintura ao lado está impressa num rochedo existente numa gruta localizada ao sul do território colombiano, junto à fronteira do Equador.

São reproduzidas nesta contracapa as duas figuras principais. É um como que quadro. Tem todas as características de ter sido pintado mediante o concurso de um anjo.

Qual é a beleza da referida pintura?

Devemos distinguir nela dois aspectos: as pessoas de Nossa Senhora e Nosso Senhor, e o colorido.

O colorido todo expressa uma idéia de realeza muito pronunciada. As cores de fundo do quadro são faustosas.

Por outro lado, esse vermelho – que tende para o vinho – do traje de Nossa Senhora é uma cor quente, rica, sendo toda essa vestimenta bordada a ouro, o que reforça também a impressão de um traje de rainha.

O santuário de Nossa Senhora de Las Lajas, em Ipiales, Colômbia
O santuário de Nossa Senhora de Las Lajas, em Ipiales, Colômbia
* * *

Quanto às pessoas de Nossa Senhora e do Menino Jesus, chama a atenção primeiramente a grande coroa na cabeça da Mãe de Deus, que não figurava na pintura original.

Tão grande que se diria exagerada, se não estivesse tão bem calculada. Não fica pesada demais, mas é a maior que poderia ser. É impossível imaginar uma coroa maior do que essa para a figura que a porta.

Detalhe curioso é a cabeleira da Virgem Santíssima. Os cabelos d’Ela estão soltos, mas de tal maneira que parecem um manto real.

Há um bom gosto, uma noção de majestade e uma arte na disposição desses cabelos, que é uma coisa extraordinária.

Na fisionomia de Nossa Senhora, merece ser ressaltada a altaneria da cabeça. Ela olha de cima, de um modo sério e investigador, de quem deseja ser obedecida.

É fisionomia de Mãe, mas de uma Mãe que foi pintada numa hora em que não está sorrindo.

Ela não está fixando o olhar com expressão de ameaça ou reprimenda, mas está com a disposição de alguém que, se notar qualquer coisa de errado, passa um pito ou faz uma advertência. É uma realeza exercida com força.

Por outro lado, o Menino Deus está portando uma coroa – igualmente acrescentada à pintura original – também muito grande para a sua cabeça, mas não desproporcionada.

Interior do santuário com a imagem miraculosa no fundo
Interior do santuário com a imagem miraculosa no fundo
Ele está muito amavelmente voltado para quem reza. Ao invés do quadro clássico – o Menino Jesus sério e Nossa Senhora risonha – nota-se o contrário: Ele se distrai com o laço voltando-se para o pecador, enquanto sua Mãe está séria.

O que representa uma troca de posições, parecendo inverter-se o papel da Medianeira. Na realidade, o pensamento que aí está expresso é muito profundo:

Ele é misericordioso porque está sentado no trono da misericórdia – nos braços de Nossa Senhora. Se assim não fosse, Ele não exprimiria tal misericórdia extraordinária, essa alegria de dar e sorrir.

* * *

No total, o que há de mais interessante no quadro é que, depois de se ter olhado para o Divino Infante e Sua Mãe Santíssima, percebe-se como a maternidade d’Ela está expressa na pintura.

Parece que Ela não está prestando uma atenção próxima no Menino, mas há uma intimidade enorme entre os dois. Nossa Senhora O sustém, como uma mãe carrega um filho inteiramente chegado a Ela, para deixar claro seu sentimento materno. Senso materno, por conseguinte, voltado para o pecador, de quem Ela também é Mãe.

Nossa Senhora Rainha e Mãe: é o que expressa admiravelmente esse quadro, que eu considero verdadeiramente uma obra-prima no gênero.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência em 19.10.1974. Sem revisão do autor).


Origem do quadro de Nossa Senhora de Las Lajas

A índia Maria Mueses com Rosa, sua filha cega miraculosamente curada
A índia Maria Mueses com Rosa,
sua filha cega miraculosamente curada
No século XVIII, depois de vários fatos sobrenaturais ocorridos numa gruta nas ladeiras de Las Lajas, a índia Maria Mueses de Quiñones, (ao lado, uma imagem sua, carregando sua filha Rosa) descendente dos caciques de Potosí, encontra sua filhinha de joelhos venerando um quadro da Virgem, tendo nos braços o Menino Jesus e ladeada por São Francisco e São Domingos. A festa se comemora no 16 de setembro

Informados do ocorrido, os habitantes do local acorreram para venerar a Virgem, logo denominada de Las Lajas. Em fins do século XIX, foi construído um magnífico Santuário em estilo gótico no local.

Detenha-se o leitor na consideração desta fisionomia da Santíssima Virgem. Porte majestoso, régio, ao mesmo tempo maternal, acessível.

Fronte reluzente de uma superior inteligência. Nariz encantador com traçado firme. Lábios bem talhados que denotam decisão. Cabelos negros característicos de uma latino-americana.

Sobrancelhas altas, emoldurando olhos igualmente negros, penetrantes, que parecem sondar as regiões recônditas da alma de quem os fita. Mas ao mesmo tempo, revelam a grandeza dAquela que é Esposa do Divino Espírito Santo.

Nossa Senhora de Las Lajas, Ipiales, Colômbia
Nossa Senhora de Las Lajas, Ipiales, Colômbia
Tudo aí é bem proporcionado, manifestando um superior equilíbrio. E o Menino Jesus segura um cordão, parecendo distrair-se com ele a fim de que as atenções se voltem com mais empenho para a Medianeira de todas as graças.

Quem teria pintado com tanta maestria este quadro? Em que museu famoso estará ele exposto?

Pintou-o não um artista comum, mas celeste mão, talvez de um Anjo, tendo sido a milagrosa obra de arte descoberta em meados de século XVIII.

E como tela escolheu lajes brutas de um desfiladeiro ignoto da Colômbia, nas cercanias da cidade de Ipiales, penetrando-as com misteriosa tinta que, ainda que se raspe ou talhe profundamente a pedra, lá se encontram sempre as mesmas cores e matizes.

Este é o milagre estupendo, permanente, que se pode observar em Las Lajas, o Santuário onde se encontra a referida obra prima do celeste Autor.



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domingo, 31 de agosto de 2014

A maravilhosa prédica de Santo Antônio de Pádua diante do Consistório

Santo Antônio de Pádua. Benozzo Gozzoli (1421-1497).
O maravilhoso vaso do Espírito Santo, monsior Santo Antônio de Pádua, um dos discípulos escolhidos e companheiros de São Francisco, ao qual São Francisco chamava seu vigário.

Pregando uma vez em Consistório diante do Papa e dos cardeais (no qual Consistório havia homens de diversas nações, isto é, gregos, latinos, franceses, alemães, eslavos e ingleses e de outras diversas línguas do mundo); inflamado do Espírito Santo tão eficazmente, tão devotamente, tão sutilmente, tão docemente e tão claramente e intuitivamente expôs e falou a palavra de Deus.

E todos os que estavam em Consistório, conquanto usassem línguas diversas, claramente lhe entendiam as palavras distintamente como se ele tivesse falado na língua de cada um.

E todos estavam estupefatos e lhes parecia que se havia renovado o antigo milagre dos Apóstolos no tempo de Pentecostes, os quais falavam por virtude do Espírito Santo em todas as línguas.

E diziam juntos um para o outro com admiração:

“Não é de Espanha este que prega? E como ouvimos nós em seu falar o nosso idioma?”

domingo, 10 de agosto de 2014

Um milagre espiritual: a conversão de um príncipe

Luis Dufaur


É difícil para muitos, em nossos dias, compreender o temperamento apaixonado dos medievais, embora os desregramentos e pecados de hoje sejam em geral muito mais graves do que os de outrora.

Um caso interessante é o da família dos Plantagenetas, à qual pertencia Henrique II, duque de Anjou, que se tornou rei da Inglaterra.

Era seu contemporâneo de Luís VII, Rei da França, o qual se casou, ainda muito jovem, com Aliénor ou Eleonora, filha de Guilherme de Poitiers, duque da Aquitânia.

Com o falecimento prematuro de seu pai, Eleonora herdou o extenso e poderoso ducado da Aquitânia, cujas terras compreendiam quase todo o Sudoeste da França, do Poitou aos Pireneus.

Neta de Guilherme o Trovador, Eleonora era uma mulher brilhante, cheia de vida e de curiosidade, de espírito vivaz, inteligente e mundano.

Luís VII, ao contrário, era muito recatado e piedoso, tendo recebido sua educação do sábio abade Suger, que ergueu a primeira catedral gótica do reino em Saint-Denis.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Corpus Christi:
O milagre eucarístico de Lanciano
segundo o cientista que comprovou sua autenticidade

Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Luis Dufaur


O doutor Edoardo Linoli afirma que portou em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco, ao analisar anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos.

O fato miraculoso se remonta ao século VIII.

Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies após a consagração.

Nesse momento, o sacerdote viu como a sagrada hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou.

Professor de Anatomia e Histologia Patológica, de Química e Microscopia Clínica, e ex-chefe do Laboratório de Anatomia Patológica no Hospital de Arezzo, o doutor Linoli foi o único que analisou as relíquias do milagre de Lanciano. Seus resultados suscitaram um grande interesse no mundo científico.

domingo, 25 de maio de 2014

A Adoração das Quarenta Horas

No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento
No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico
que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento



Rei e Senhor do Universo, merece Jesus Cristo Nosso Senhor, real e verdadeiramente presente na Sagrada Eucaristia, que se Lhe prestem honras públicas, devidas a seus direitos sobre toda a criação.

Entre elas, a piedade católica, sancionada posteriormente por decretos pontifícios, excogitou a Adoração das 40 Horas, em que durante três dias o Santíssimo Sacramento é solenemente exposto, noite e dia, à pública adoração. Neste período, nenhum leigo deve entrar a rezar no presbitério.

Os Romanos Pontífices concederam inúmeras indulgências aos que publicamente façam atos de veneração ao divino Juiz e Rei Soberano, entre elas a de poder ganhar, em cada um dos três dias, uma indulgência plenária, fazendo uma visita a Sua Divina Majestade, tendo-se confessado e comungado, rezando diante do Santíssimo cinco Pater, Ave e Gloria, acrescentando mais um pelas intenções do Romano Pontífice. Outrossim, tantas vezes quantas se faça tal visita, podem-se ganhar quinze anos de indulgência.

A seguir, um resumo da história desta devoção, das principais normas litúrgicas e de algumas normas práticas, adequadas às dificuldades das capelas pequenas, nas quais um só sacerdote estará presente.

domingo, 11 de maio de 2014

O milagre eucarístico de Santarém


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Corria o ano de 1247, segundo uns cronistas, ou o de 1266, segundo outros.

Em Santarém, hoje cidade e então vila de Portugal, vivia uma pobre mulher a quem o marido muito ofendia, andando desencaminhado com outra.


Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa judia que, com os seus feitiços, desse fim à sua triste sorte.

Prometeu-lhe esta remédio eficaz, para o que necessitava de uma Hóstia Consagrada.

Depois de naturais hesitações, a mulher consentiu no sacrilégio.

Foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu comunhão.

Recebida a sagrada partícula, com cautela tirou-a da boca, embrulhando-a no véu.

Saiu logo da igreja e encaminhou-se para a casa da feiticeira.

Sem que ela notasse, do véu começou a escorrer Sangue. V

isto o fenômeno por várias pessoas, perguntaram que ferimentos tinha, que tanto sangue fazia jorrar.

Confusa em extremo, a mulher correu logo para casa e encerrou a Hóstia miraculosa numa de suas arcas.

À tarde voltou o marido. Alta noite, acordam os dois e vêem a casa toda resplandecente.

Da arca saíam misteriosos raios de luz.

Inteirado o homem do ato pecaminoso da mulher, passaram de joelhos o resto da noite, em adoração.

Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhada a notícia, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o milagre.

A Sagrada Partícula foi então levada processionalmente para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro duma custódia feita de cera.

Passado algum tempo, ao abrir-se o sacrário para expô-la à adoração dos fiéis, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços.

Com espanto se viu estar a Sagrada Partícula encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida.

Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada, onde ainda hoje se encontra. Santo Estêvão é hoje a Igreja do Santíssimo Milagre.







(Texto de postal distribuído em Santarém, o qual apresenta foto da âmbula com a Sagrada Partícula)


MILAGRES EUCARÍSTICOS - VEJA MAIS EM:




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