domingo, 26 de dezembro de 2010

Santuário de São Nicolau em Bari atrai multidões pedindo o milagre

São Nicolau, catedral de Burgos (Espanha)
continuação do post anterior

UM HOMEM, por amor de um filho que andava a aprender a ler, celebrava a festa de São Nicolau solenemente todos os anos, Uma vez, o pai preparou um festim para o rapaz e convidou muitos clérigos. O diabo chegou à porta vestido de peregrino, pedindo esmola; imediatamente, o pai disse ao filho que desse uma esmola ao peregrino.

O rapaz apressou-se; mas, como não o encontrou, foi atrás dele. Quando chegou a uma encruzilhada, o diabo apanhou o rapaz e estrangulou-o. Quando o pai soube, chorou copiosamente, tomou o corpo, colocou-o na cama e, no auge da sua dor, começou a clamar dizendo:

‒ Filho muito querido, que te aconteceu? São Nicolau é esta a paga da veneração que durante tanto tempo vos dediquei?

Dizendo estas e outras palavras, logo o rapaz, como se acordasse de um sono, abriu os olhos e ressuscitou.

UM HOMEM nobre pediu a São Nicolau que rogasse ao Senhor para lhe dar um filho, prometendo-lhe que o levaria à sua igreja e ofereceria uma taça de ouro, O filho nasceu, chegou à idade de ir à igreja e o pai mandou fazer uma taça, mas, como ela lhe agradou muito, destinou-a ao seu uso pessoal e mandou fazer outra igual.

Depois, indo a navegar para a igreja de São Nicolau, o pai mandou ao filho que lhe levasse água na taça que mandara fazer primeiro; mas, quando o rapaz queria tomar água na taça, caiu ao mar e logo desapareceu. Apesar disso, o pai foi cumprir o seu voto, mesmo chorando amargamente.

São Nicolau, alegria das crianças.
Depois, chegou junto do altar de São Nicolau e quando estava a oferecer a segunda taça, ela caiu do altar como que projetada.

Ergueu-a e pô-la de novo sobre o altar; mas foi de novo projetada para longe do altar; ergueu-a novamente sobre o altar e, pela terceira vez, a pousou, mas também, pela terceira vez, foi projetada ainda para mais longe.

Estando todos admirados com tão grande acontecimento, eis que chegou o rapaz, são e salvo, levando a primeira taça nas mãos e contou diante de todos que, quando caiu ao mar, logo São Nicolau chegou e o conservara ileso. E, assim, o pai cheio de contentamento ofereceu ambas as taças a São Nicolau.

UM HOMEM RICO teve um filho por intercessão de São Nicolau e deu-lhe o nome de Adeodato. Depois, construiu em sua casa uma capela dedicada ao Santo de Deus e todos os anos celebrava solenemente a sua festa. Aquele lugar estava situado junto da terra dos agarenos.

Uma vez, Adeodato foi capturado por agarenos e levado como escravo do seu rei.

No ano seguinte, quando o pai celebrava devotamente a festa de São Nicolau e o rapaz servia o rei segurando uma taça, lembrou-se da sua captura, das dores dos pais e da alegria que naquele dia havia na sua casa, e começou a soluçar mais alto.

Quando o rei, com ameaças, lhe arrancou a causa dos soluços, disse-lhe:

‒ Faça o que fizer o teu Nicolau, aqui ficarás conosco para sempre.

Túmulo de São Nicolau em Bari, Itália.
De repente, um fortíssimo vento abanou a casa e o rapaz foi arrebatado com a taça e colocado à porta da igreja onde seus pais celebravam a solenidade, tendo-se gerado em todos uma grande alegria.

Com todo, lê-se noutro lugar que o referido jovem saiu a pé da Normandia, e foi até ao outro lado do mar, sendo capturado por um sultão perante o qual era muitas vezes espancado.

No dia de São Nicolau, tendo sido espancado e atirado para um calabouço, chorava; mas, entretanto adormecera, cansado das pancadas, sonhando com a alegria que naquele dia costumava sentir. Quando acordou, estava na capela do pai.

(Fonte: Bem-aventurado Jacques de Voragine, “Légende Dorée”)

FIM

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domingo, 19 de dezembro de 2010

São Nicolau: bispo inflexível que obteve o impossível com seus milagres

São Nicolau ressuscita um jovem, Ambrogio Lorenzetti.
continuação do post anterior

COMO O SENHOR queria chamá-lo a Si, ele pediu-Lhe que lhe mandasse os seus anjos. Então, inclinou a cabeça, viu os anjos que se dirigiram a ele, e logo se deitou no chão, munindo-se com o crucifixo e, dizendo o Salmo “Em Ti, Senhor, esperei ...” até “nas tuas mãos”, e entregou o espírito, no ano do Senhor de 343, enquanto se ouvia a melodia dos coros celestes.

Foi sepultado num sepulcro de mármore; da cabeceira brotava uma fonte de azeite e dos pés uma fonte de água; e, até hoje, tem emanado dos seus membros um óleo sagrado que restituiu a saúde a muitos.

Sucedeu-lhe um homem bom que, por invejas, foi deposto da sua cátedra; desde que foi deposto, o azeite deixou de correr, voltando a fluir logo que para ela voltou a ser chamado.

Passado muito tempo, os turcos destruíram Mira, mas quarenta e dois soldados de Bari foram lá com quatro monges que lhes mostraram o túmulo de São Nicolau; abriram-no e levaram com toda a reverência os seus ossos, que nadavam em azeite, para a cidade de Bari, no ano do Senhor de 1087.

Um homem pediu emprestado a um judeu certa soma de dinheiro, Jurando sobre o altar de São Nicolau, por não poder ter fiador, que lha devolveria tão depressa pudesse. Como já tinha o dinheiro havia muito tempo, o judeu pediu-lho; mas apenas prometia que lhe havia de devolver. Citou-o por isso perante o juiz que obrigou o devedor a jurar.

Levara ele um bastão oco que enchera com o ouro miúdo, pois precisava dele para se apoiar. Querendo prestar o juramento entregou o bastão ao judeu para que o segurasse; e jurou que já lhe tinha dado mais do que lhe devia.

São Nicolau o bispo inflexível, modelo de Justiça e Caridade.
Feito o juramento, pediu o bastão e o judeu deu-lho, porque não sabia da astúcia, Mas, quando o que fizera a fraude regressava, ao passar numa encruzilhada adormeceu, perturbado; um carro que passava velozmente matou-o e partiu o bastão cheio de ouro e o ouro espalhou-se.

Quando o judeu ouviu isto, foi ao local para verificar o dolo e muitos lhe sugeriram que recolhesse o dinheiro; porém, ele recusou em absoluto, a não ser que o defunto voltasse à vida, por intercessão de São Nicolau, afirmando que receberia o batismo e se faria cristão, Como, de imediato, o defunto ressuscitou, o judeu foi batizado em nome de Cristo,

UM JUDEU que via o poder virtuoso de São Nicolau nos milagres que fazia, mandou esculpir uma imagem dele, colocou-a na sua casa, e quando saía para mais longe, confiava-lhe os seus haveres, dizendo-lhe, com ameaças, estas e outras palavras:

‒ Olha, Nicolau! Entrego-te todos os meus bens para que mos guardes; e, se o não fizeres castigar-te-ei com pancadas e chicotadas.

Ora, uma vez, enquanto estava ausente, os ladrões chegaram, roubaram tudo deixando apenas a imagem. Quando o judeu regressou, vendo-se espoliado, falou à imagem com estas ou semelhantes palavras:

‒ Senhor Nicolau, não te pus na minha casa para que guardasses os meus bens dos ladrões? Porque o não quiseste fazer e não os defendeste dos ladrões? Por isso, receberás tormentos horríveis e pagarás pelos ladrões; assim, compensar-te-ei com os teus tormentos e arrefecerei o meu furor com pancadas e chicotadas.

Agarrou na imagem, bateu-lhe e chicoteou-a terrivelmente. Foi uma coisa espantosa.

Entretanto, o Santo de Deus, como se estivesse realmente a apanhar as chicotadas, apareceu aos ladrões que estavam a dividir o roubo e disse-lhes estas ou semelhantes palavras:

São Nicolau amou os inocentes porque foi modelo de inocência
‒ Porque sou tão terrivelmente chicoteado em vez de vós? E por que razão, tão cruelmente espancado? Eis como o meu corpo está lívido e como fica vermelho do sangue derramado! Ponde-vos já a caminho e devolvei tudo o que tirastes, senão a ira de Deus onipotente enfurecer-se-á tanto contra vós que o vosso crime será conhecido por todos e cada um de vós será enforcado.

‒ Quem és tu que dizes tais coisas? ‒ perguntaram eles?

‒ Sou Nicolau, servo de Jesus Cristo, que aquele judeu, a quem roubastes esses bens, flagelou tão cruelmente.

Aterrados, os ladrões foram ter com o judeu, contaram-lhe o milagre e ouviram dele o que tinha feito à imagem, devolveram tudo quanto haviam roubado e voltaram ao caminho da retidão enquanto o judeu abraçava a fé do Salvador.

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domingo, 12 de dezembro de 2010

São Nicolau terror dos governantes injustos

São Nicolau, campeão da Justiça
continuação do post anterior

NESSE MESMO TEMPO, houve um povo que se rebelou contra o Império Romano; o Imperador enviou contra ele três generais ‒ Nepociano, Urso e Apoio ‒ que entraram num porto do Adriático por causa do vento contrário; São Nicolau convidou-os a comer consigo, querendo que poupassem a sua gente às rapinas que faziam.

Entretanto, o Santo ausentou-se e o cônsul, corrompido por dinheiro, mandou decapitar três militares inocentes. Quando o santo homem tal ouviu, pediu àqueles generais que se dirigissem até lá em passo rápido.

Chegando ao lugar onde iriam degolá-los, encontrou-os de joelhos e de rosto coberto no momento em que o carrasco já vibrava a espada sobre as suas cabeças.

Nicolau, inflamado pelo zelo, arremessou-se audaciosamente contra o comandante, afastou o gládio para longe da sua mão, desamarrou os inocentes e levou-os incólumes consigo; dirigiu-se sem demora ao pretório do cônsul e abriu, à força, as portas fechadas.

O cônsul acorreu imediatamente e saudou-o; mas o Santo, recusando o cumprimento, disse-lhe:

‒ Inimigo de Deus, prevaricador da lei, culpado de tamanho crime, como te atreves a olhar-me no rosto?

Depois censurou-o com muita dureza, mas a pedido dos três chefes, aceitou-o benignamente como penitente. Uma vez recebida a benção, os enviados imperiais puseram-se a caminho, submeteram os amotinados ao Império sem derramamento de sangue e, quando chegaram, foram magnificamente recebidos pelo Imperador.

Alguns, porém, invejosos da sua boa sorte, com pedidos e presentes sugeriram ao prefeito do Imperador que, perante ele, os acusasse do crime de lesa-majestade. Tendo sugerido isso ao Imperador, ele, cheio de um grande furor, ordenou que os encarcerassem e, sem qualquer interrogatório, naquela mesma noite os mandou matar.

Quando souberam isso por um guarda, rasgaram as suas vestes e começaram a gemer amargamente. Então, um deles, Nepociano, lembrando-se do modo como São Nicolau tinha livrado os três inocentes, exortou os outros a que suplicassem a sua ajuda. Tendo eles orado, naquela noite, São Nicolau apareceu ao Imperador Constantino e disse-lhe:

‒ Porque prendeste tão injustamente aqueles generais e os entregaste à morte, sem terem cometido crime algum? Levanta-te e ordena que os soltem o mais depressa possível. De contrário, pedirei a Deus que suscite uma guerra em que morras e sejas convertido em alimento das feras.

São Nicolau: terrível com os maus,
dadivoso com os bons. A seu lado, Santa Catarina
‒ Quem és tu ‒ disse-lhe o Imperador ‒, para entrares de noite no meu palácio e ousares dizer-me essas coisas?

‒ Sou Nicolau, bispo da cidade de Mira.

Mas também aterrorizou o prefeito da mesma maneira em sonhos, dizendo-lhe:

‒ O louco insensível! Porque consentiste na matança dos inocentes? Levanta-te depressa e esforça-te por libertá-los, se não o teu corpo ficará cheio de vermes e a tua casa em breve será destruída.

Ele replicou-lhe:

‒ Quem és tu para nos fazeres tais ameaças?

‒ Fica a saber ‒ respondeu ‒ que sou Nicolau, o bispo da cidade de Mira.

Por isso, ambos acordaram e imediatamente revelaram um ao outro os seus sonhos e, de contínuo, mandaram buscar aqueles encarcerados. Disse-lhes o Imperador:

‒ Que artes mágicas conheceis para nos enganardes com tais sonhos?

Responderam-lhe que não eram magos nem mereciam a sentença de morte. Volveu-lhes o Imperador:

‒ Conheceis um homem chamado Nicolau?

Quando eles ouviram este nome, estenderam as mãos para o céu pedindo a Deus que, pelos méritos de São Nicolau, os livrasse daquele perigo. Depois de saber por eles toda a sua vida e milagres, disse-lhes o Imperador:

‒ Ide, dai graças a Deus que vos libertou pelas suas orações e levai-lhe as nossas saudações, pedindo-lhe que nunca mais me ameace e que reze ao Senhor por mim e pelo meu Reino.

Poucos dias depois, aqueles homens foram ter com o servo de Deus e, prostrados a seus pés, logo humildemente lhe disseram:

‒ És verdadeiramente um servo de Deus e um fiel seguidor de Cristo.

Depois de lhe terem contado tudo em pormenor, ergueu as mãos ao céu e fez grandes ações de graças a Deus, mandando os prudentes generais regressar a suas casas.

continua no próximo post

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domingo, 5 de dezembro de 2010

São Nicolau padroeiro dos navegantes, inimigo do diabo e da idolatria

São Nicolau salva os marinheiros, Museu de San Marco, Florenca
continuação do post anterior

CERTO DIA, alguns marinheiros que estavam em perigo, dirigiram-lhe por entre lágrimas esta oração:

‒ Nicolau, servo de Deus, se é verdade o que ouvimos a teu respeito, faz que agora o experimentemos.

Imediatamente lhes apareceu alguém parecido com ele, que lhes disse:

‒ Eis-me aqui, pois me chamastes!

E começou a ajudá-los nos mastros, nos cabos e nos outros aparelhos da nau, e logo a tempestade cessou. Depois, quando foram à sua igreja, reconheceram-no, embora nunca o tivessem visto nem alguém lho indicasse. Então deram graças a Deus e a ele pela sua salvação; o Santo, porém, ensinou-os a atribuir o milagre à misericórdia divina e à fé que haviam demonstrado, mas não aos seus méritos.

HOUVE TEMPO em que toda a região de São Nicolau foi assolada por uma fome tão grande que todos ficaram sem alimentos. Quando o homem de Deus ouviu que estavam no porto uns barcos carregados de trigo, foi logo lá e pediu aos marinheiros que lhe dessem, ao menos, cem moios [antiga unidade de medida] por cada nave, para matar a fome aos que estavam em perigo. Eles responderam-lhe:

‒ Pai, a isso não nos atrevemos, porque temos de entregar nos armazéns do Imperador o que foi medido em Alexandria.

‒ Agora, fareis o que vos digo ‒ disse-lhes o Santo ‒, pois, em nome de Deus, vos prometo que não tereis nenhuma diminuição quando chegardes junto do recebedor.

São Nicolau, inimigo das falsas religiões, Lübeck, Annenmuseum.
Tendo feito como ele dizia e entregado aos servos do Imperador a mesma medida que tinham recebido em Alexandria, contaram o milagre e, com grande louvor, atribuíram-no a Deus por intermédio do seu servo.

O homem de Deus distribuiu o trigo segundo a indigência de cada um, de modo que miraculosamente, durante dois anos, não só bastou para viverem, mas foi suficiente para as sementeiras.

NAQUELA REGIÃO prestava-se culto aos ídolos e o povo honrava sobretudo a nefanda Diana, a ponto de, até ao tempo do homem de Deus, terem sido muitos os camponeses que serviram essa execrável religião, fazendo determinados ritos dos gentios debaixo de certa árvore consagrada à deusa.

O homem de Deus baniu esse rito para fora das suas fronteiras e mandou cortar a árvore. Irado com isto, o antigo adversário fabricou um óleo mágico ‒ que, contra a natureza, arde na água e nas pedras ‒ e, transformando-se numa mulher religiosa, foi ao encontro de uns navegantes que a ele se dirigiam; então lhes falou assim:

‒ Gostaria de ir convosco ao Santo de Deus, mas não posso. Por isso, peço-vos que leveis este óleo para a sua igreja e que, em minha memória, unjais com ele as suas paredes.

E logo desapareceu. Mas avistaram um barquinho com pessoas honestas, entre as quais havia um muitíssimo parecido com São Nicolau que lhes perguntou:

‒ Olhai! Que vos terá dito ou vos deu aquela mulher?

Então eles contaram-lhe tudo do princípio ao fim. Disse-lhes ele:

‒ Esta é a impudica Diana; e para que vejais que falei verdade, atirai esse óleo ao mar.

Mal eles o atiraram, acendeu-se um grande fogo e, contra a natureza, viu-se arder no mar durante muito tempo. Quando chegaram junto do servo de Deus, disseram:

‒ Na verdade, tu és aquele que nos apareceu no mar e nos livraste das insídias do diabo.

continua no próximo post

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domingo, 28 de novembro de 2010

São Nicolau, Bispo e Confessor: o maravilhoso e a virtude heróica

São Nicolau sagrado bispo
Em 1993, uma equipe de arqueólogos descobriu na ilha de Gemile, Turquia, um centro de peregrinações composto de quatro igrejas, um caminho processional e uma quarentena de prédios em torno do primeiro túmulo de São Nicolau (+ 326).

O conjunto foi arrasado pelo furor maometano, mas as relíquias do santo foram salvas e levadas a Myra, e hoje se veneram em Bari (Itália).

A história do santo bispo, que numa noite de Natal lançou pela janela os dotes a três moças pobres, possibilitando assim seu casamento, está na origem da tradição dos presentes natalinos.

A deturpação hodierna de São Nicolau deu no Papai Noel mas não desqualifica em nada essa bela tradição.

Enquanto o Natal se aproxima é proveitoso conhecermos mais da vida desse santo que marcou tão a fundo os costumes cristãos.

O Bem-aventurado Jacques de Voragine, arcebispo de Genova, escreveu uma história do Santo cheia de unção poética. A festa é o 6 de dezembro.

O NOME Nicolau vem de nichos, que significa “vitória”, e leos, que quer dizer “povo”; por isso, Nicholaus é como que “vitória do povo”, isto é, sobre os vícios que são mais vulgares e mais vis; ou quer dizer vitória do povo porque, com a sua vida e a sua doutrina, ensinou muitos povos a vencer os vícios e os pecados. Ou Nuholaus vem de nichos, que é “vitó¬ria”, e laus, “louvor vitorioso”. Ou ainda, de nitor (brancura) e leos (povo), como se significasse “bran¬cura do povo”, pois teve em si tudo o que faz a bran¬cura e a limpeza. De facto, segundo Santo Ambrósio, a palavra divina limpa, a verdadeira confissão limpa, a santa meditação limpa e a boa obra limpa. A sua história foi escrita pelos doutores Argólicos; segundo Santo Isidoro, Argos é uma cidade da Grécia e, por isso, os Argólicos também se chamam gregos. Lê-se noutro lugar que o patriarca Metódio a escreveu em grego e só depois, João, o Diácono, a traduziu para latim, fazendo-lhe muitos acréscimos.


São Nicolau nasceu na cidade de Patras, de pais santos e ricos. O pai, Epifânio, e a mãe, Joana, geraram-no na primeira flor da juventude e viveram a partir de então em continência, levando uma vida de celibatários.

DIZ-SE QUE no primeiro dia em que o lavavam se pôs de pé na bacia; além disso, às quartas e sex¬tas-feiras só mamava uma vez. Chegando à juventude, evitava as lascívias dos outros jovens, preferindo entrar nas igrejas e decorar o que lá podia ouvir acerca da Sagrada Escritura. Quando seus pais morreram, começou a pensar em como haveria de gastar as suas enormes riquezas, não para os louvores dos homens, mas para a glória de Deus.

Então, certo nobre seu vizinho pensou prostituir as suas três filhas virgens por falta de recursos, para, com o infame comércio delas, se poder sustentar. Quando o santo homem soube, ficou horrorizado com o crime e atirou uma quantidade de ouro envolvida num pano através de uma das janelas da casa onde ele morava e regressou à sua às escondidas.

Sao Nicolau salva as moças numa noite de Natal, Lübeck, Annenmuseum
Quando chegou a manhã, o homem encontrou aquela quantidade de ouro e, dando graças a Deus, celebrou o casamento da filha mais velha. Não muito tempo depois, o servo de Deus voltou a realizar obra semelhante. Voltando a encontrar o ouro e dando muitas graças, aquele homem decidiu vigiar para saber quem socorria a sua miséria. Passados alguns dias, Nicolau atirou o dobro do ouro para a casa do vizinho, que acordou com o barulho e seguiu São Nicolau que fugia, dizendo-lhe em alta voz:

‒ Pára, por favor, e não escondas o teu rosto do meu!

E, correndo mais depressa que Nicolau, reconhe¬ceu-o. Logo se prostrou e queria beijar-lhe os pés, mas ele, evitando-o, exigiu que nunca tornasse público aquele fato.

DEPOIS DISTO, tendo morrido o bispo da cidade de Mira, combinaram os bispos nomeá-lo para aquela igreja. Havia entre eles um de grande autoridade de quem todos dependiam para aquela eleição. Depois de ter aconselhado todos a fazerem jejum e orarem, ouviu naquela noite uma voz a dizer-lhe que de manhã cedo observasse as portas da igreja e quando visse chegar o primeiro homem cujo nome fosse Nicolau, olhasse bem para ele, para consagrá-lo bispo.

Revelou isto aos outros, aconselhando-os a insistirem na oração enquanto ia observar as portas da igreja. Admirou-se muito ao ver que, àquela hora matinal, o homem enviado por Deus antes de todos os outros era Nicolau; chamando-o a si, o bispo disse-lhe:

‒ Como te chamas?

Ele, com uma simplicidade de pomba, respon¬deu de cabeça inclinada:

‒ Nicolau, servo de vossa santidade.

Levaram-no para a igreja e, embora ele a isso muito se opusesse, colocaram-no na cátedra episcopal.

MAS ELE em tudo continuava a observar a humildade e a seriedade da sua conduta anterior: passava as noites em oração, mortificava o corpo, fugia do convívio com mulheres; era humilde com quantos recebia, eficaz no falar, entusiasta no exortar e severo no corrigir. Também se conta como se lê numa crônica que São Nicolau participou no Concílio de Nicéia.

continua no próximo post

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domingo, 17 de outubro de 2010

O Anjo do Senhor: mais uma oração do tempo das cruzadas


Outrora, ao som das Ave-Marias, todos se ajoelhavam para rezar o “Anjo do Senhor”. São Carlos Borromeu não se acanhava de descer da carruagem para recitá-lo de joelhos na rua, muitas vezes na lama.

A recitação do Angelus data do tempo das cruzadas, e foi prescrita pelo Papa Urbano II em memória da Anunciação de Maria — cuja festa é celebrada a 25 de março — verdadeiro início dos novos tempos de graça e reconciliação da humanidade com Deus.

Em alguns países (Itália e Alemanha) começaram os fiéis a recitá-lo também de manhã. A forma atual do “Anjo do Senhor” valia por uma profissão de fé.

Quem não o rezasse ao toque das Ave-Marias ficava suspeito de ser protestante ou herege.

(S. Afonso de Ligório, “Glórias de Maria”; C. Benigno Lyra, “Rosas de todo o ano”)

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A viagem de S.S.Bento XVI e a conversão dos anglicanos

Fervor popular pelo catolicismo desarmou boatos midiáticos
Em virtude das excecionais condições em que acontece a visita de S.S.Bento XVI ao Reino Unido, reproduzimos um post relativo à eventual futura conversão do país anunciada em La Salette, tirada do blog "A Aparição de La Salette e suas profecias". 

Recepção na Escócia: rainha, personalidades e crianças

Quando Maximin, vidente de La Salette, redigiu o Segredo que lhe confiou Nossa Senhora em 1851 escreveu: “um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio desta nação todos os outros países se converterão”.

Na redação de seu Segredo feita em 1853 Maximin registrou que esse país protestante seria a Inglaterra.

Dita conversão seria um dos sinais da proximidade dos terríveis castigos que purificariam o mundo preparando o advento do Reino de Maria.

Esta previsão adquiriu cogente atualidade após a notícia oficial que a Igreja Católica se apresta a receber grandes blocos de anglicanos ‒ sobre tudo ingleses ‒ agastados com a nomeação de “sacerdotisas”, “bispos” e “bispas” homossexuais.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Cardiff, outubro de 2009
As notícias da mídia inglesa especulam que poderiam ser milhões. Entre eles tal vez 30-50 “bispos” e 1.000 “sacerdotes” (os anglicanos não têm o sacramento da Ordem, e esses títulos não têm o significado que têm no Catolicismo).

Para o influente diário de Londres “The Times”, no fim do processo a igreja anglicana poderia ficar reduzida a uma insignificância residual.

A simples perspectiva da conversão de grande número de anglicanos ao catolicismo causou, obviamente, forte mal-estar nos ambients anti-católicos, em certa mídia e nos ambientes "progressistas" intoxicados por um falso ecumenismo. 

O fato tem projeção política, social e cultural. O anglicanismo é a religião oficial de Estado e a rainha Elisabeth II é a chefe nominal dela.

Uma lei proíbe os católicos herdarem o trono. Porém, houve casos recentes de príncipes e princesas da casa real inglesa que se tornaram católicos.
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Lancaster, outubro de 2009

Segundo boatos nunca confirmados, mas também nunca infirmados, a rainha teria, ela própria, ocultas simpatias pelo catolicismo e participa do desgosto de inúmeros anglicanos com a decomposição moral do “clero” dessa denominação.


Há sérias iniciativas parlamentares visando remover a lei que proíbe um príncipe católico herdar o trono.

A passagem em massa de anglicanos para o catolicismo fez lembrar não só La Salette mas outras profecias particulares relativas à conversão da Inglaterra.

A visão de São Domingos Sávio

Além do segredo de La Salette a mais famosa é o “sonho” de São Domingos Sávio. Em verdade, tratou-se de um êxtase que o menino santo chamou de “distração”.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Darlington, outubro de 2009
Este “sonho” é especialmente digno de nota, pois envolve também a São João Bosco e ao Beato Pio IX. A vida e a obra dos três foi objeto dos severos crivos dos processos de beatificação e canonização. Neles, escritos e falas dos três foram analisados com lupa pelos advogados vaticanos que os declararam isentos de todo erro contra a fé ou contra a moral.

A visão num êxtase de São Domingos Sávio foi descrita pelo próprio São João Bosco no capítulo XX do livro “Vita del giovanetto Savio Domenico” (“Vida do jovem Domingos Sávio”) .

Don Bosco conta que estando perto de São Domingos Sávio agonizante perguntou-lhe o que ele diria ao Papa se pudesse falar-lhe. De ali nasceu o seguinte diálogo entre os dois santos:

“‒ Se eu pudesse falar ao Papa, quereria lhe dizer que em meio às tribulações que o aguardam não deixe de trabalhar com especial solicitude pela Inglaterra; Deus prepara um grande triunfo do catolicismo naquele reino.

“‒ No que é que V. baseia essas palavras?

“‒ Vou contar-lhe, mas não mencione isso aos outros, pois podem achar ridículo. Mas se o Sr. vai a Roma, diga-o a Pio IX por mim. (...)

“Certa manhã, durante minha ação de graças após a comunhão, voltei a ter uma distração, que me pareceu estranha; eu achei ver uma grande parte de um país envolvida em grossas brumas, e estava cheia com uma multidão de pessoas. Estavam se movendo, mas como homens que, tendo perdido seu caminho, não estavam certos onde pisavam.

Beato Papa Pio IX
“Alguém próximo disse: ‘Esta é a Inglaterra.’

“Eu estava para fazer algumas perguntas a respeito disso quando vi Sua Santidade Pio IX, representado da mesma maneira que vi nas figuras.

“Ele estava majestosamente vestido, e estava carregando uma tocha brilhante com a qual ele se aproximou da multidão, como que para iluminar sua escuridão.

“À medida que se aproximava, a luz da tocha parecia dispersar a névoa, e as pessoas foram trazidas à plena luz do dia.

“Esta tocha,” disse meu informante, “é a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.

No Boletim Salesiano (Turim, abril de 1924, nº 4), ainda encontramos as seguintes confidências ouvidas por São João Bosco da boca do menino santo:

‒ “Quantas almas aguardam nossa ajuda na Inglaterra! Oh se eu tivesse força e virtude, quereria ir para lá aqui na hora e conquistá-las todas para o Senhor com pregações e com o bom exemplo”.

No mesmo boletim (1° de março de 1950, nº 5), ainda lemos:

“No dia seguinte, ele fez todos os exercícios pela boa morte, despediu-se dos companheiros, um por um, pagou uma dívida de dois tostões que tinha com um deles, falou aos sócios da Companhia da Imaculada, e por fim saudou a Don Bosco dizendo:

‒ “O Sr. indo a Roma lembre do recado para o Papa pela Inglaterra. Reze por mim para que eu possa ter uma boa morte e adeus até o Paraíso...”

Don Bosco cumpriu o combinado, e assim narrou:

“No ano de 1858 quando eu fui a Roma, contei essas coisas ao Sumo Pontífice, que ouviu com bondade e aprazimento.

“‒ Isto, disse o Papa, me confirma no propósito de trabalhar energicamente em favor da Inglaterra, pela qual eu já engajo as minhas mais vivas solicitudes. Esse relato, para não dizer mais, chega-me como o conselho de uma boa alma.”

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E São Domingos Sávio não foi nem o único nem o primeiro santo que recebeu luzes proféticas sobre a conversão futura da Inglaterra e dos grandes fatos que adviriam en conseqüência do retorno inglês à Fé católica, única verdadeira.

Sobre essas visões, há interessantes posts no blog "A aparição de La Salette e suas profecias".

Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI

A PEREGRINAÇÃO DAS RELÍQUIAS DE SANTA TERESINHA
E A CONVERSÃO DA INGLATERRA



Fotos de 'catholicrelics.co.uk'

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domingo, 22 de agosto de 2010

A cartuxa de Montalegre

Cartuxa de Montalegre, Catalunha, EspanhaDois jovens estudantes, Juan de Nea e Tomás de Zarzana, voltavam de Barcelona, onde estudavam, para sua cidade natal. Próximo de Barcelona, pararam num formoso lugar, onde depois se instalou a Cartuxa de Montalegre, que hoje está em ruínas.

Pararam e contemplaram a paisagem, que naquele lugar é uma maravilha. Tomás de Zarzana disse que quando chegasse a ser Papa, fundaria naquele local uma Cartuxa, já que parecia um panorama ideal para a oração e meditação. Juan de Nea respondeu-lhe, brincando, que se faria monge dessa Cartuxa.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Suposto atentado a bomba a Lourdes revela quanto o mal está incomodado

A polícia agiu celeremente
Por volta de 30.000 peregrinos foram evacuados de emergência no meio-dia de domingo, festa da Assunção, do Santuário de Lourdes, após um falso alarme de bomba.

Na data, o santuário estava particularmente concorrido pela importância da Assunção de Nossa Senhora e pelo fato de ser domingo, no meio das férias.

“O alarme foi recebido na delegacia e anunciava que quatro bombas iriam explodir às 15:00 hs (18:00 hs horário de Brasília) nos Santuários”, segundo o responsável do serviço de imprensa dos santuários, Pierre Adias.

Pierre Bidal, préfét (cargo análogo ao de governador) do departamento de Hauts Pyrénées, onde fica Lourdes, explicou que o telefonema foi feito desde uma cabine próxima do santuário por “um homem com forte pronúncia mediterrânea (do sul da França), que parecia bastante determinado”, informou o diário francês “Le Figaro”.

A polícia nada achou
“Creio que num santuário como Lourdes, com todo o simbolismo que está envolvido, é supremamente importante levar a sério a hipótese, sobre tudo pelo fato que este tipo de alarmes são extraordinariamente escassas”, explicou Bidal à imprensa.

Os peregrinos foram convidados a sair do Santuário com mensagens em seis línguas. A evacuação ocorreu em perfeita calma, e não foi registrado nenhum incidente nem feridos.

Aliás, um dos imponderáveis de Lourdes é a calma sobrenatural que se respira no local. Em outros locais marcados por falsas religiões ou pela imoralidade, como em Meca ou no Love Parade de Berlim, circunstâncias análogas geram pânicos irracionais com dezenas e até centenas de mortos.


domingo, 15 de agosto de 2010

Assunção de Nossa Senhora: verdade de Fé promovida na Idade Média

Assunção, detalhe iluminura s. XV.
Columbia University, UTS MS 049

“A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”

Com essas imorredouras palavras, o Santo Padre Pio XII definiu o dogma da Assunção da Santíssima Virgem ao Céu em corpo e alma, solenemente proclamado no dia 1º de novembro de 1950, pela Constituição dogmática “Munificentissimus Deus”.

A solene proclamação desse augusto dogma veio coroar séculos de devoção a Nossa Senhora enquanto tendo sido levada aos Céus em corpo ressurreto e alma.

domingo, 4 de julho de 2010

Beato Carlos Magno: imperador cultuado em diversas dioceses

Em Carlos Magno, rei dos francos o Papa São Leão III instituiu o Sacro Império Romano Alemão.

O histórico fato aconteceu na noite de Natal do ano 800. Na basílica de São Pedro, no Vaticano, conserva-se no chão a pedra sobre a qual deu-se a coroação.

São Leão III instituiu o Sacro Império Romano Alemão no Natal de 800
Carlos Magno é cultuado como Bem-Aventurado em diversas dioceses antigas e prestigiosas da Europa.

Nessas dioceses as imagens do Beato Carlos Magno se encontram nos altares. No dia de sua festa, há missa e ofício próprios.

Por isso, o avalizado Dom Guéranger, no seu famosíssimo Année Liturgique inclui a seguinte oração litúrgica ao grande Beato Carlos Magno.

Salve, ó Carlos, bem-amado de Deus, Apóstolo de Cristo, defesa de sua Igreja, protetor da justiça, guardião dos costumes, terror dos inimigos do nome cristão!

O diadema maculado dos Césares, mas purificado pelas mãos de Leão, coroa a vossa fronte augusta; o globo do Império repousa em vossa forte mão; a espada dos combates do Senhor, sempre vitoriosa, está suspensa em vosso cinturão; e a unção imperial veio se unir à unção real, com a qual a mão do Pontífice já tinha consagrado vosso braço poderoso.

Transformado na figura de Cristo na Sua Realeza temporal, quiseste que Ele reinasse em vós e por meio de vós.


Carlos Magno, mosaico no exterior de São Pedro, Roma
Ele vos recompensa agora do amor que tivestes por Ele, do zelo que mostrastes pela sua glória, do respeito e da confiança que testemunhastes à sua Igreja. Em troca de uma realeza terrena, caduca e perecível, recebestes uma realeza imortal no seio da qual tantos milhões de almas, arrancadas por vós da idolatria, vos honram como instrumento de sua salvação.

Nesses dias em que celebramos o nascimento de Nosso Senhor por Nossa Senhora, vós lhe apresentais o templo gracioso e magnífico que construístes em sua honra [Aix-la-Chapelle], e que ainda hoje é objeto de nossa admiração.
Foi nesse santo lugar que vossas mãos piedosas colocaram os panos de seu Divino Filho.

domingo, 20 de junho de 2010

O milagre do castelo de Lourdes

Vista do castelo desde o santuário de Lourdes

No pináculo de um rochedo, protegendo, como um guerreiro, a pequena cidade onde Nossa Senhora quis se manifestar, ergue-se altaneiro o castelo-fortaleza de Lourdes, numa posição de domínio sobre o verdejante vale que se estende a seus pés.

Como fundo de quadro, nos confins do horizonte, parecendo desafiar o castelo-fortaleza, sobressaem grandiosas montanhas nevadas - contrafortes dos Pirineus.

Em estilo românico, com grossas e altas paredes de pedra, poucas e estreitas janelas, possante torre. Nesta se localiza o donjon, ou torre de menagem.

O castelo está situado próximo da gruta de Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu a Santa Bernadette, como a progegé-la.

Ele é certamente o símbolo mais expressivo da vitória dos católicos contra os mouros, na França.

E, mais incrível ainda, foi uma vitória miraculosa, obtida por Nossa Senhora para Carlos Magno, mais de mil anos antes de que Ela começasse a fazer milagros em série na Gruta.

Vejamos esse milagre.

O imperador Carlos Magno manda tomar a fortaleza moura de Lourdes, vitral na capela do casteloA primitiva fortaleza, existente no local do castelo, era dominada por um chefe sarraceno chamado Mirat.

Em 778, Carlos Magno, o invencível Imperador cristão, com seus francos a cercou e tentou conquistá-la pela fome.

O misterioso prodígio: uma águia traz um peixe aos mouros que passavam fome, vitral na capela do casteloAconteceu, entretanto, que uma águia, sobrevoando a fortaleza, deixou cair no seu interior uma truta que acabara de pescar no lago vizinho.

Mirat mandou levar o peixe a Carlos Magno com uma mensagem, mostrando que uma praça tão abastecida de víveres poderia resistir ainda por muito tempo.

Carlos Magno enviou, então, ao comandante mouro um de seus embaixadores, o santo bispo de Puy.

O corajoso prelado enfrentou ou infiel. E lhe propôs que se ele, Mirat, julgava rebaixar-se capitulando nas mãos do mais ilustre dos homens - isto é, Carlos Magno, o chefe dos francos ­- o infiel poderia, sem nenhuma vergonha, render-se à Virgem, Nossa Senhora de Puy-en-Velay, famosa imagem venerada no centro da França.

domingo, 16 de maio de 2010

Nossa Senhora de Avioth: reanimadora das crianças mortas sem batismo

Nossa Senhora de Avioth: ranimava as crianças mortas sem batismo
A fé pode mover montanhas, e Nossa Senhora não fica alheia aos esforços das pessoas cheias de fé. É o que nos mostra a história desta devoção mariana na França

O contraste não poderia ser mais notório: uma igreja enorme, para uma cidadezinha muito pequena. Os 125 habitantes de Avioth, vila francesa a poucos quilômetros da fronteira com a Bélgica, podem entrar todos juntos na igreja e ainda sobra muito, mas muito espaço mesmo.

A primeira pergunta que ocorre ao espírito é se a cidadezinha já foi bem maior e, sei lá por que motivos, hoje mora pouca gente no local. Mas não é isso. A resposta está ligada à história da imagem de Nossa Senhora de Avioth.

No ano de 1100 os lavradores descobriram uma imagem num matagal de espinhos, no local chamado “d’avyo”, que com o tempo se transformou em Avioth.

Passada a surpresa, decidiram levá-la à igreja de Saint Brice, a dois quilômetros dali. Mas na manhã seguinte a imagem tinha voltado ao exato local de onde a tinham tirado. Resultado: decidiram deixá-la no lugar e venerá-la ali mesmo.

Análises mostram que a imagem foi esculpida em madeira, antiga de uns 900 anos. Nossa Senhora tem um cetro na mão e segura o Menino Jesus.

Houve vários milagres no início, e as peregrinações começaram a afluir em número crescente. Talvez o peregrino mais célebre tenha sido São Bernardo de Claraval, fundador dos monges cistercienses e pregador da II cruzada contra os muçulmanos.

domingo, 18 de abril de 2010

Santo Antônio e o dissoluto-futuro mártir

Sempre que encontrava na rua um certo homem de vida dissoluta, Santo Antonio de Pádua tirava o chapéu, fazia uma genuflexão e o saudava respeitosamente.

Aborrecido com a cena que assim se repetia, o crápula um dia tirou da bainha a espada e gritou para o Santo:

— Pare com essa palhaçada, ou então vou lhe mostrar a força desta arma!
Com profundo respeito, Santo Antonio respondeu:

— Glorioso mártir do Senhor, lembre-se de mim quando estiver sendo atormentado.

A resposta foi uma gargalhada, pois o comentário parecia provir de um louco.

Anos depois, em viagem comercial à Palestina, foi tocado pela graça divina, converteu-se e passou a pregar a fé cristã aos sarracenos, sendo então martirizado.

(Fonte: NAIR LACERDA - Grandes Anedotas da História - Cultrix, SP, 1977, 301 p.)

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domingo, 4 de abril de 2010

As dores da Paixão compraram o triunfo da Igreja

Durante sua Paixão, Nosso Senhor fez esta pergunta, e foi um dos maiores sofrimentos d’Ele: Quae utilitas in sanguine meo? (“Que utilidade houve no meu sangue?”)

Em última análise, “do que adianta o meu sangue?”

Ele pensou em tantas almas que haveriam de pisar no sangue d’Ele.

Levianamente, estupidamente, por uma ninharia, por uma bagatela.

Por uma risada de criada, como no caso de São Pedro.

Por trinta dinheiros, como Judas.

Por preguiça, por vontade de dormir, como os outros Apóstolos.

Por medo, por oportunismo, por sensualidade, por quantas coisas as almas haveriam de rejeitá-lo!

Nosso Senhor teve em vista a nossa época, e Nossa Senhora também.

Ele teve em vista todas as traições de nossos tempos, todos os abandonos, tudo quanto as almas sacerdotais O fizeram sofrer.

Se o pecado de qualquer homem tanto fez Nosso Senhor sofrer, quanto o faria sofrer o pecado dos próprios membros da Santa Igreja?

David, no Livro dos Salmos, tem esta queixa em relação a um que lhe fez mal:


“Se o ultraje viesse de um inimigo, eu o teria suportado; se a agressão partisse de quem me odeia, dele me esconderia. Mas eras tu, meu companheiro, meu íntimo amigo, com quem me entretinha em doces colóquios; com quem, por entre a multidão, íamos à casa de Deus”. (Sl 54, 13-15).

Tudo de nossa época foi visto por Ele, mas visto também com amor.

Pelo fruto desse sangue infinitamente precioso, haveria de brotar uma graça especial para alguns que são tão ruins quanto os outros — e às vezes piores do que os outros, mas que, por essa graça especial, foram chamados para serem fiéis nessa hora de infidelidade – para serem aqueles que estão junto à cruz, como São João Evangelista, junto à ortodoxia, junto à verdadeira doutrina, na hora em que todo o mundo a abandona.

São aqueles que compreendem o martírio da Igreja, a tragédia da Igreja corroída internamente pelo progressismo e entregue aos seus piores adversários.

domingo, 7 de março de 2010

Desde o Céu os Santos vêm o que acontece e interferem na nossa terra

Para os medievais, esta terra não tinha um teto fechado e um chão de chumbo que confina os homens.
Pelo contrário, para cima eles tinham certeza que o mundo das almas que se salvaram agia e participava nesta nossa vida. 

E que era possível pela oração se comunicar com esse mundo imerso na glória divina. E vice-versa, acreditavam e experimentavam também que o inferno se agita e vive espalhando caos.

Não era uma mera crendice. Esses horizontes superiores e inferiores têm plena justificação na mais estrita teologia católica. 

Eis como explica essa interação o famoso teólogo dominicano Reginald Garrigou Lagrange:


Os bem-aventurados vêem também em Deus, in verbo, a humanidade santa que o Filho único assumiu para sempre a fim de nos salvar.

Contemplam nela a graça da união hipostática, a plenitude da graça, da glória e da caridade da alma santa de Jesus, o valor infinito dos seus atos, o valor infinito de cada Missa, a vitalidade sobrenatural de todo o corpo místico da Igreja triunfante, padecente e militante.

Contemplam admirados as prerrogativas de Cristo como Sacerdote eterno, como Juiz dos vivos e dos mortos, como Rei universal de todas as criaturas e como Pai dos pobres.

Pela própria visão beatífica, os santos contemplam em Deus a eminente dignidade da sua Mãe, a plenitude de graça, as virtudes, os dons, a mediadora universal e a co-redentora.

E como a bem-aventurança encerra um estado perfeito que pressupõe todos os bens legítimos, cada santo no Céu conhece em Deus os restantes dos bem-aventurados. Sobretudo aqueles que conheceu anteriormente, e que amou sobrenaturalmente.

Do mesmo modo, cada santo vê através de idéias criadas — quer em Deus, quer fora d’Ele — aqueles que ainda vivem na Terra ou que estão no Purgatório, e que se encontram ligados a ele por determinada relação.

Por exemplo, o fundador de uma Ordem está a par de tudo o que diz respeito à família religiosa, e sabe das orações que os seus filhos lhe dirigem.

Um pai e uma mãe conhecem as necessidades espirituais dos filhos que ainda vivem na Terra. Um amigo, chegado ao fim da viagem, encontra-se preparado para facilitar a viagem dos amigos que se dirigem a ele.

São Cipriano diz: "Todos aqueles de nós que chegaram à pátria esperam pelos outros, desejam-lhes ardentemente a mesma felicidade, e mostram-se cheios de solicitude para com eles".

(Fonte: Pe. Garrigou-Lagrange, "O Homem e a Eternidade" - Lisboa)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

São Lopo, arcebispo de Sens

São Lopo, nasceu em Orléans num berço de sangue real. Resplandeciam nele todas as virtudes quando foi escolhido para arcebispo de Sens.

Ele doava quase tudo aos pobres, e um certo dia em que ele tinha invitado muitas pessoas para comerem, no meio da refeição verificou-se que não havia vinho para todos; ele disse ao funcionário que lhe avisava da falta:

“Eu acredito que Deus que alimenta os passarinhos, virá em auxílio de nossa caridade.” No ato apresentou-se um mensageiro que anunciou trazer cem garrafas de vinho e que estavam na porta.

Os cortesãos difamavam-no vivamente dizendo que ele amava sem medida uma moça virgem serva de Deus. Na presença de seus detratores, ele abraçou essa virgem dizendo: “As palavras alheias não atingem aquele cuja consciência nada lhe reprocha” Com efeito, como ele sabia que essa virgem amava Deus ardorosamente, ele a amava com uma intenção muito pura.

Clotário, rei dos francos, entrou na Borgonha e enviou seu senescal até Sens com a missão de sitiar a cidade. São Lopo entrou na catedral de São Estevão e fez revoar os sinos. Ouvindo o som, os inimigos ficaram tomados de um pânico tão grande que acharam que o único modo de se salvarem da morte, era fugir.

Por fim, após tomar conta de toda a Borgonha, o rei enviou mais um senescal a Sens. Porém, São Lopo não foi a vê-lo levando presentes. O senescal, então, ficou louco de raiva e difamou-o ante o rei que acabou enviando-o para o exílio. No exílio, São Lopo brilhou pela sua doutrina e por seus milagres.

Entrementes, os habitantes de Sens mataram um bispo usurpador da cátedra de São Lopo e pediram ao rei que chamasse de volta o santo exilado. Quando o rei viu chegar um homem tão mortificado, Deus permitiu que ele mudasse de opinião a seu respeito, a ponto de se prosternar aos pés do santo bispo pedindo perdão. O rei encheu-o de presentes e restabeleceu-o na sua diocese.

Voltando uma vez por Paris, um grande número de prisioneiros viu que as portas de suas cárceres se abriam e que eles ficavam livres de seus grilhões, indo todos logo a vê-lo em reconhecimento.

Um domingo, enquanto celebrava a Missa, uma pedra preciosa caiu do céu no seu santo cálice. O rei guardou-a junto com outras relíquias.

O rei Clotário ouvindo os sons admiravelmente doces do sino da catedral Santo Estevão de Sens, ordenou que fosse transportado a Paris, para ouví-lo com mais freqüência. Mas isso desgostou a São Lopo, e ela perdeu o badalo assim que saiu de Sens. Sabendo disto, o rei mandou que fosse restituída imediatamente à cidade.