domingo, 31 de maio de 2020

São Gregório Magno: o leão que acordava os bispos moles

São Gregório Magno, Menlo Park, Califórnia.
São Gregório Magno, Menlo Park, Califórnia.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







São Gregório Magno foi papa entre 3 de setembro de 590 e sua morte, em 12 de março de 604. Também ficou conhecido como Gregório, o Dialogador na Ortodoxia por causa de seus “Diálogos” muito diversos dos atuais que procuram o relativismo e o meio termo.

Ele foi um herói da ortodoxia, quer dizer do ensinamento reto, no qual foi um leão. Tal foi a força de seu pensamento que até o heresiarca João Calvino no século XVI teve que se render diante de seus feitos e declarar em seus péssimos escritos antipapistas ou “Institutos” que São Gregório teria sido o “último bom papa”.

São Gregório Magno é Doutor e Padre da Igreja.

Foi o primeiro papa a ter sido monge antes do pontificado e sua obra no Papado, contrariamente à crise atual, foi de um rigor e de uma mansidão que corrigiu todos os abusos ou fraquezas que encontrou.

Nasceu por volta do ano 540 em Roma e seus pais o batizaram Gregorius, que em grego significa “vigilante”, em inglês 'watchful'. O nome deriva de outro semelhante que significa “despertado do sono” ou “acordar alguém”.

São Gregório Magno, milagre eucarístico
São Gregório Magno, milagre eucarístico
E o nome resultou apropriado pois acordou do sono os católicos amolecidos e dorminhocos, notadamente aos bispos mundanizados.

Sua família era altamente distinta e ligada a reis e pontífices. Ele morava na mesma rua – atualmente chamada de “Via di San Gregorio” - onde estavam os palácios dos imperadores romanos, no Monte Palatino.

A partir de 542, a chamada “Praga de Justiniano” arrasou as províncias imperiais, provocando fome, pânico generalizado e, por vezes, revoltas populares.

Sem dúvida foi muito mais danosa que o nosso coronavírus pela carência da medicina. Em algumas regiões, até um terço da população morreu, provocando profundos traumas emocionais e espirituais nos sobreviventes.

Mas Gregório não era de sair em pânico diante das complicações.

Ele recebeu uma educação de elite se destacando em todas as ciências e artes. Chegou a ser prefeito de Roma, o mais alto posto civil na cidade, com apenas 33 anos de idade.

Mas ele não se conformava com a mediocridade burocrática. Quando seu pai morreu, converteu a villa da família num mosteiro dedicado a Santo André, hoje rebatizado San Gregorio Magno al Celio.

Gregório compreendia a grandeza da solidão e fazia jus a seu nome porque “naquele silêncio do coração, enquanto permanecemos vigilantes no interior através da contemplação, estamos como que dormindo para tudo que está no exterior”.

Para Gregório monge é aquele que está numa “busca ardente pela visão de nosso Criador”.

São Gregório Magno, seu trono na abadia de Monte Celio
São Gregório Magno, seu trono na abadia de Monte Celio
Em 579, o Papa Pelágio II escolheu Gregório como embaixador papal na corte imperial em Constantinopla, equivalente à função moderna do Núncio apostólico, o mais alto posto diplomático da época que ocuparia até 586.

Gregório passou se relacionou com a elite bizantina da capital e tornou-se tão popular na classe mais alta que se tornou “um pai espiritual para um grande e importante segmento da aristocracia de Constantinopla”.

Gregório disputou com o patriarca Eutíquio que já defendia os erros que dariam no cisma e os fez com tanta sabedoria e fogo na presença do imperador Tibério II que esse ordenou queimar todas as obras de Eutíquio.

Gregório voltou para Roma em 585 para viver em seu mosteiro no Monte Célio, mas em 590, foi eleito por aclamação para suceder a Pelágio II, morto em mais uma epidemia de peste que assolou a cidade.

No trono de São Pedro sua primeira preocupação foi exaltar a vida contemplativa dos monges.

São Gregório enviou a Santo Agostinho de Cantuária, seu sucessor no Mosteiro de Santo André a evangelizar os anglo-saxões das ilhas britânicas.

Ele foi o primeiro a fazer uso frequente do termo “Servo dos Servos de Deus” (Servus Servorum Dei) como título papal conservado até hoje mas tal vez não tão posto seriamente na prática.

Mas a situação era muito difícil.

Os bispos da França estavam sob forte influência de famílias ricas e politicamente poderosas; na Espanha, os bispos pouco ligavam para Roma; na Itália estavam envolvidos nas intrigas e guerras locais.

São Gregório Magno,  igreja de Nossa Senhora da Assunção e São Gregório, Londres
São Gregório Magno, Nossa Senhora da Assunção e São Gregório, Londres
Em 590, a Itália romana encontrava-se em ruínas. Roma estava lotada com refugiados de todos os tipos, vivendo nas ruas sem nenhuma condição de saúde ou alimentação. Todos, inclusive os nobres e importantes, tinham pouco para comer.

O Santo Papa Gregório administrou os recursos da Igreja com tanto talento e rigor contável que seus métodos foram imitados durante séculos.

Substituiu os administradores moles e o bom clero foi muito bem provido. A Teologia da Libertação hoje o execraria como um homem do agronegócio porque pôs a produzir as terras da Igreja com metas e estrutura administrativa.

Então os cereais, vinho, queijo, carne, peixe e azeite começaram a chegar a Roma em grandes quantidades. Ele doava tudo em forma de esmolas.

Ele criou um pequeno exército de voluntários, principalmente monges, que levavam comida quente aos pobres diariamente. Ele só jantava depois de assegurar que todos os indigentes haviam sido alimentados.

Aos necessitados de famílias nobres, Gregório enviava na forma de presentes refeições que ele mesmo preparava, preservando-os da indignidade de receber caridade.

Por conta disto tudo, Gregório conquistou completamente as mentes e corações dos romanos, e o papado se estabeleceu desde então como o poder mais influente na Itália.

Em seus escritos ficaram abundantes exemplos do fogo que o animava.

Citamos um a seguir, apertando os bispos que cumprem relaxadamente seus deveres, extraído de “Regra Pastoral” (fim do capítulo 2), coleção de conselhos aos eclesiásticos, por certo grandemente válidos e necessários nos dias de hoje:

Com efeito, ninguém faz mais mal à Igreja do que um homem que, conduzindo-se de maneira indigna, tem renome de santidade ou ocupa um cargo santo.

Porque ninguém ousa denunciar a infâmia desse culpado e é com força que o crime se apresenta como exemplo quando seu autor é honrado em razão do respeito devido à função que ocupa.

Como fugiria dessas pessoas indignas o peso esmagador dessa falta se sua alma prestasse atenção a esta sentença da Verdade:

“Quem escandalizar um desses pequenos que creem em mim, seria melhor que se lhe amarrasse ao pescoço a mó que um asno gira e que se o atirasse ao fundo do mar”?

Ora, “a mó que o asno gira” designa o trabalho e os caminhos tortuosos da vida mundana.

Quanto “ao fundo do mar”, significa a suprema condenação.

Quem desceu ao ponto de ostentar santidade ou que, por palavras ou exemplos, é causa da perdição de alguém, seria melhor que levasse uma vida licenciosa sob hábito secular, encadeado à morte, antes do que ser visto pelos outros como modelo de pecado por causa das funções sagradas que exerce.

Porque se ao menos se perdesse sozinho, a tortura de seu inferno lhe teria sido menos grave.



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sábado, 23 de maio de 2020

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora aparece na batalha de Lepanto contra os islamitas, Paolo Veronese (1528 — 1588).
Maria Auxiliadora aparece na batalha de Lepanto
contra os islâmicos, Paolo Veronese (1528 — 1588).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos, como também fazem hoje, ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes. Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

domingo, 17 de maio de 2020

Santuário dos Eremitas: onde Cristo apareceu celebrando a Missa

Abadia de Einsiedeln: local do milagre
Abadia de Einsiedeln: local do milagre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em setembro de 948, o abade de Einsiedeln, Eberhaad, pediu a São Conrado, Bispo de Constância, que se dignasse fazer a consagração da igreja de sua Abadia.

O Prelado atendendo a solicitação, dirigiu-se ao Convento, acompanhado do Santo Bispo de Augsbourg, Ulric, e de uma comissão de cavalheiros da sociedade.

No dia fixado para a cerimônia, São Conrado e alguns religiosos se dirigiram a igreja, alta noite, e se puseram em oração.

De repente, viram que a igreja se iluminara de uma luz celeste e que o próprio Jesus Cristo, acolitado pelos quatro evangelistas, celebrava no altar o oficio da Dedicação.

domingo, 3 de maio de 2020

Santo frade tetraplégico compôs a sublime Salve Rainha

Luis Dufaur
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No dia 18 de julho de 1013 em Altshausen, na Alemanha nasceu Hermann Contractus, ou Hermano Contraído ou Aleijado, um menino tão disforme, incapaz de caminhar ou de se movimentar.

Consequentemente incapacitado para qualquer estudo, nasceu no dia 18 de julho de 1013 em Altshausen, na Alemanha.

Hoje em dia tudo é pretexto para o aborto, sobretudo quando o feto apresenta anomalias congênitas tidas como insanáveis.

O que dizer então de um menino tetraplégico, com os membros e o tronco totalmente paralisados? Que mãe em nossos dias tem coragem e fé suficientes para permitir que ele nasça?