domingo, 17 de dezembro de 2017

Por que se celebra a noite de Natal com a “Missa do Galo”?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
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“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Nossa Senhora de Riom e o sorriso medieval

Luis Dufaur
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Pode-se dizer que cada século ou era histórica tem um rosto ou uma expressão fisionômica e de alma que o diferencia dos demais.

E a Idade Média, na sua longa duração e na sua riquíssima variedade de eventos nunca perdeu um traço distintivo. E esse foi o sorriso.

E um sorriso leve e espiritual que só a Idade Média foi capaz de fazer e comunicar.

E nos difícil ver essa atitude de alma em nossos tempos.

Entretanto, ela ficou impresa em inúmeros testemunhos medievais.

Um desses é a estátua de “La Vierge à l’Oiseau” (Nossa Senhora com o Menino Jesus e Este com um pequeno pássaro), no exterior da igreja Nossa Senhora de Marthuret, em Riom (França).



“A primeira impressão que causa essa imagem é da relação de alma extraordinária entre os dois (o Menino Jesus e Nossa Senhora), de maneira tal que mais do que fotografar só uma alma, se fotografa as duas.

O que está extraordinariamente bem apanhado na escultura, é esta relação de alma entre os dois.

Relação de alma que tem isso de extraordinário que pega um desses momentos de familiaridade entre Mãe e Filho, em que a mãe brinca um pouquinho com o filho e este brinca um pouco com a mãe.

Sem o que a relação mãe e filho não pode ser compreendida.

Se ela nunca desfechasse num sorriso e numa brincadeira, não seria possível haver relação mãe-filho.

Por que razão?

Porque o Menino tem qualquer coisa de débil que faz sorrir a Mãe.

Mas, por outro lado, a debilidade dEle pede que a Mãe apareça, para estar na proporção dEle, de vez em quando sorrindo.

domingo, 19 de novembro de 2017

São Remígio e o bispo pecador

São Remígio com o rei Clóvis
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Muito tempo depois, Guénebauld, homem de grande prudência, que tinha casado com a sobrinha de São Remi, de acordo com a mulher, decidiram separar suas vidas para entrar em religião.

Guénebauld foi sagrado bispo de Laon por São Remi.

Porém, como Guénebauld permitia que sua mulher o visitasse com muita frequência para receber dele ensinamentos, nesses encontros seu espírito deixou-se inflamar pela concupiscência e os dois caíram no pecado.

domingo, 5 de novembro de 2017

Milagres de São Remígio na conversão da França

São Remi, basílica de Reims
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O nome Remígio vem de remi que significa apaziguando e gios, terra, no sentido de apaziguando os habitantes da terra.

Também pode se dizer que Remígio vem de remi, pasto, e gyon combate, quer dizer o pastor que combate.

Ele nutriu seu rebanho com a palavra de pregação, com o exemplo da conversão e com os sufrágios de sua oração.

Há três tipos de armas: as defensivas como o escudo, as ofensivas como a espada e as protetoras como a couraça ou o elmo.

Ele lutou, pois contra o diabo com o escudo da fé, a espada da palavra de Deus e a armadura da esperança.

Sua vida foi escrita por Hincmar, arcebispo de Reims.

A nascença de Remi, doutor ilustre e confessor glorioso do Senhor, foi predita por um ermitão, da maneira seguinte:

Os vândalos devastavam toda a França, e um santo recluso e cego elevava frequentes prezes ao Senhor pela paz da Igreja francesa, quando um anjo lhe apareceu e disse:

“Sabei que a mulher chamada Cilinie dará a luz um filho de nome Remi; ele libertará seu país da incursão dos ruins”.

domingo, 22 de outubro de 2017

O prodígio eucarístico de Ettiswil (Suíça, 1447)

Ettiswil: achado do Ssmo Sacramento, século XVII, anônimo italiano ,Musée du Hiéron, Paray-le-Monial
Ettiswil: achado do Ssmo Sacramento, século XVII,
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Em Ettiswil, Suíça, existe um Santuário dedicado a um milagre eucarístico acontecido em 1447.

Anna Vögtli pertencia a uma seita satânica e conseguiu subtrair a píxide que continha a hóstia magna da igreja paroquial usada na Adoração do Santíssimo Sacramento.

A Hóstia foi encontrada perto de uma cerca, entre arbustos e urtigas, exposta ao ar, cercada por um luz brilhante e dividida em 7 peças unidas entre elas de maneira a ter a forma de uma flor.

O documento mais importante que descreve o Milagre é o “Protocolo da Justiça” constituído em 16 de julho de 1447 por Hermann von Rüsseg, Senhor de Büron.

A tradução diz:

“Na quarta-feira, 23 de maio de 1447, o Ssmo. Sacramento foi roubado da igreja paroquial de Ettiswil.

“Pouco depois foi encontrado por uma jovem guardiã de porcos, chamada Margarida Schulmeister, não longe da igreja paroquial perto de um cerca, jogado no chão, no meio das urtigas; parecia uma flor brilhante”.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A solução está em Aparecida e não em Brasília

Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida
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No Terceiro Centenário de Nossa Senhora Aparecida


Existem devoções nacionais a Nossa Senhora, como é o caso de Aparecida, da mesma maneira que há grandes invocações que têm uma realeza entre as invocações de Nossa Senhora, como é o caso de Nossa Senhora do Rosário.

Quase não existe um país da Terra que não tenha uma grande devoção a Nossa Senhora e de que Ela não seja, debaixo de algum título, a Padroeira.

Também existem as invocações a Nossa Senhora das regiões e das cidades, como é, por exemplo, Nossa Senhora da Penha, em São Paulo.

E, às vezes, ainda há imagens de Nossa Senhora particularmente invocadas numa paróquia, numa parte de uma cidade, etc.

Há até famílias que têm uma devoção especial por alguma imagem de Nossa Senhora por alguma relação especial dEla com aquela família.

Por exemplo, na minha família paterna há devoção a Nossa Senhora da Piedade, é mais uma acomodação desse trato de Nossa Senhora com os homens, individualmente.

E depois, existe ainda, para cada um uma invocação especial de Nossa Senhora por alguma graça pessoal ou algum fato que liga a pessoa a essa imagem.

Nossa Senhora, com aquela índole materna que é característica dEla se faz grande com os grandes, e se faz pequena com os pequenos.

Se faz universal para as grandes coletividades e se faz regional para grupos humanos menores.

domingo, 8 de outubro de 2017

A devoção a São Jorge no Ocidente: trazida pelas Cruzadas

São Jorge, Paris
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A devoção a São Jorge veio do Oriente, no século XI, trazida pelos cruzados. São Jorge é o paladino da luta contra o inimigo primordial, a serpente maldita, Satanás. Ele é o herói na luta contra o próprio chefe dos inimigos de Cristo e de seu povo.

A devoção teve imenso papel na cruzada de Reconquista da Espanha e Portugal, países invadidos pelos muçulmanos. O milagre da Batalha de Alcoraz no Reino de Aragão marcou época.

Aragão ficou ligado à figura do santo cavaleiro que apareceu naquela batalha combatendo lado a lado contra o moraima muito superior em número e que ainda confessou ter visto o cavalheiro sobrenatural de brancas insígnias.

Desde então, o reino aragonês adotou como emblema a própria Cruz de São Jorge (cruz vermelha sobre fundo branco) e quatro cabeças de mouros.

O rei Pedro IV o Cerimonioso, por ocasião de um enfrentamento com o rei Pedro I de Castela, ordenou a seus exércitos levar bandeiras “com o sinal de São Jorge” (1356-1359). Até o dragão ‒ o drac ‒ apareceu nas roupagens de cerimônia.

domingo, 24 de setembro de 2017

A caixinha com os olhos


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O Rei Ricardo da Inglaterra, indo ao convento de Santo Emblay para entregar uma filha sua, enamorou-se de uma monja.

Enviou-lhe muitos presentes e jóias, com a pretensão de vencer sua vontade.

Mas como ela não se submetia, mandou avisar a abadessa que a entregasse, sob pena de destruir o convento.

Enviou então uns homens, para que a trouxessem à força. Quando os homens chegaram ao mosteiro, ela lhes perguntou por que o príncipe se havia enamorado dela mais do que das outras monjas.

Eles lhe responderam que era por causa da grande beleza de seus olhos.

Ela então, com decisão, arrancou os próprios olhos, dizendo aos homens:

"Soldados, levem os meus olhos, já que por eles o rei se enamorou. E deixem a mim, pois amo menos os meus olhos do que minha alma".

E em uma caixinha ela os mandou ao Rei. Envergonhado, este dirigiu-se ao mosteiro, para pedir perdão. Pôs a caixa com os olhos sobre o altar da Virgem, dizendo-lhe que não se iria embora até que os restituísse à santa monja.

O milagre se fez, e a Virgem restituiu à monja os olhos mais formosos do que antes, fazendo-se o Rei devoto de Maria e protetor do mosteiro.


domingo, 10 de setembro de 2017

Devoção medieval a Nossa Senhora

Santa Maria in Aracoeli, Roma
Santa Maria in Aracoeli, Roma
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“A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

“Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

“Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

“Imagine-se que no século XII um monge de Saint-Médard, Gautier de Coinci, relatou em trinta mil versos os milagres de Nossa Senhora.

“E que milagres primorosos, dignos da Légende Dorée!

“Lá, um monge ignorante que sabe recitar apenas duas palavras ─ AVE MARIA ─, e que por sua ignorância é desprezado.

“Ele morre, e de sua boca saem cinco rosas em honra às cinco letras do nome MARIA.

“Uma freira, tendo abandonado o convento para se entregar ao pecado, volta após longos anos e encontra a Virgem ─ a quem ela nunca cessara, até nos piores pecados, de dirigir cada dia uma oração ─ ocupando durante todo esse tempo o seu lugar no ofício, de forma que ninguém percebeu sua ausência.

domingo, 27 de agosto de 2017

Saudação 'Salve Maria': Ave Maria! Ave Bernardo!

São Bernardo
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Nada mais suave para os ouvidos de Maria do que a voz de seus filhos, dirigindo-lhe a saudação angélica.

Esta saudação faz estremecer-lhe o coração, como no dia da Anunciação.

O fato seguinte o prova com evidência, e se deu com São Bernardo, um dos mais ilustres servos de Maria.

No meio do século XII, existia nas florestas que separam as Flandres do Brabante uma ermida de religiosos beneditinos, célebre sob o nome de abadia de Afligem.

Bernardo, percorrendo a Alemanha para pregar a segunda Cruzada, foi descansar alguns dias no piedoso convento. Uma estátua de Maria estava no fundo do claustro, na grande galeria.

Com o divino filho nos braços, Maria parecia olhar com ternura para os religiosos que ali passavam. Bernardo dirigia-lhe a saudação angélica todas as vezes que passava diante dela:

— Ave, Maria! — dizia ele.

Um dia, ajoelhou-se aos pés da imagem, repetindo com efusão sua saudação favorita. No momento em que acabava de dizer “Ave, Maria!”, da imagem Maria respondeu:

— Ave, Bernardo! — Eu te saúdo, ó Bernardo!

domingo, 13 de agosto de 2017

Como foi a Assunção de Nossa Senhora.
Uma piedosa reconstituição

Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
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A festa da Assunção de Nossa Senhora foi constituída em dogma pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950. A festa é comemorada no dia 15 de agosto também sob os títulos de Nossa Senhora da Glória ou de Nossa Senhora da Guia.

Esse dogma era ardentemente desejado pelas almas católicas do mundo inteiro, porque coloca Nossa Senhora completamente fora de paralelo com qualquer outra mera criatura.

Justifica-se assim o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa. [“hiperdulia”: culto especial reservado à Virgem Maria, superior à “dulia”que se dedica aos santos e aos anjos].

Nossa Senhora passou por uma morte suavíssima que é qualificada com uma propriedade de linguagem muito bonita, como a “dormição de Nossa Senhora”.

“Dormição” indica que Ela teve uma morte tão suave, tão próxima da ressurreição que, apesar de ser uma verdadeira morte, entretanto mais parecia a um simples sono.

domingo, 30 de julho de 2017

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro: fortaleza para enfrentar a adversidade

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
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A imagem original de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro é um ícone venerado na igreja dos agostinianos em Roma, muito perto da Basílica de Santa Maria Maggiore, desde o fim do século XV.

Naquele século, ele chegou procedente da ilha de Creta no Mar Mediterrâneo.

É muito difícil atribui-lhe uma data de criação. Para alguns ele é dos séculos X ou XI, e para outros do início do século XV. Sua festa se comemora em 27 de junho.

No ícone contemplamos a Nossa Senhora com o Menino Jesus. Na iconografia católica, o Menino nos braços de Nossa Senhora costuma estar olhando para Ela ou para os fiéis que Lhe estão rezando ou recebendo favores.

Porém, o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro reproduz uma cena inusual.

sábado, 15 de julho de 2017

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo e a mais antiga devoção marial do mundo

Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
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A Ordem do Carmo foi fundada pelo Profeta Elias, tendo sido Santo Eliseu seu sucessor e sendo conhecida no Antigo Testamento como a “escola dos profetas”. Tal vez o próprio São João Batista tenha se ligado a ela.

Alguns acham que até Nosso Senhor Jesus Cristo os frequentou durante o período de sua vida no deserto.

O fato é que a Ordem do Carmo representa o primeiro filão da devoção marial no mundo, em virtude da famosa visão do profeta Elias de uma nuvenzinha que preanunciou uma imensa chuva após uma seca devastadora.

A nuvenzinha foi uma prefigura de Nossa Senhora, Mãe dAquele que atrairia um sem-fim de graças para o mundo.

domingo, 2 de julho de 2017

História de Nossa Senhora de Nazaré

Nossa Senhora de Nazaré, Leiria, Portugal. Segundo a tradição foi esculpida por São José
Nossa Senhora de Nazaré, Leiria, Portugal.
Segundo a tradição foi esculpida por São José
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Nossa Senhora de Nazaré surge de uma antiga tradição cristã do primeiro século, que conta que o próprio São José esculpiu uma imagem de Maria em madeira, em Nazaré na Galiléia e que São Lucas Evangelista a pintou.

Mais tarde, a imagem foi levada para o mosteiro de Cauliniana, na Espanha.

Depois, já no século VI, no ano de 711, foi levada para Portugal.

Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é escondida

Com a invasão dos Mouros em Portugal, o rei Rodrigo, último rei visigodo da Península Ibérica, fugiu levando as relíquias de São Brás, São Bartolomeu e a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, junto com sua família e com Frei Romano que sempre o acompanhou.

Antes de morrer, Frei Romano escondeu a imagem numa gruta. A imagem ficou ali por mais de 400 anos.

Ela foi descoberta em 1182, por pastores que andavam pela região.

Por causa da sua simplicidade, beleza e diferença dos padrões de imagens, Nossa Senhora de Nazaré voltou a ser venerada.

domingo, 18 de junho de 2017

Bebe a água de São Vicente!

São Vicente Ferrer O. P. (1350 — 1419)
São Vicente Ferrer O. P. (1350 — 1419)
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São Vicente Ferrer, santo espanhol canonizado em 1458 fazia tantos milagres que o prior proibiu-lhe continuar a faze-los, porque já era demais.

E São Vicente obedeceu. Mas um dia andando pela rua viu um operário que caia do alto de uma obra.

Imediatamente mandou-lhe parar no ar e foi correndo até o prior para lhe pedir com profunda humildade que intercedesse para salvar o homem.

O prior não acreditou na história. Saiu correndo para o local e descobriu o homem pairando no ar sem acabar de cair.

Então, reconheceu a santidade de frei Vicente e lhe permitiu acabar de salvar o homem.

               *              *             *

Certa feita, chegou até São Vicente Ferrer uma mulher que se lamentava de seu marido.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Corpus Christi: Fé combativa no Santíssimo Sacramento

Procissão de Corpus Christi em La Orotava, ilhas Canárias, Espanha.
Procissão de Corpus Christi em La Orotava, ilhas Canárias, Espanha.
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O Corpus Christi é a festa católica que glorifica especialmente a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. A festa da instituição do Santíssimo Sacramento é na Quinta-feira Santa, na Última Ceia.

Mas a Igreja percebeu a necessidade da comemorar separadamente o Corpus Christi.

E essa festa vem sendo acompanhada de graças tão insignes, e assim o será até o fim dos tempos em que num dia glorioso mais desditado será comemorada pela última vez antes do fim do mundo.

Protestantes e hereges negam a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Esse é um dos piores escândalos da história.

Os medievais tinham uma profunda fé na presença real, que dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeira e substancialmente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade nas espécies consagradas pelo sacerdote na Missa.

Portanto, é uma devoção enorme à Santa Missa e à adoração do Santíssimo Sacramento.

Lutero e os protestantes, hoje também os progressistas, negam boçalmente a presença real.

Essa negação foi um dos pontos de fratura dos protestantes que os católicos receberam como um dos piores ultrajes jamais feitos contra Nosso Senhor.

Qual foi a tática pastoral usada pela Igreja em face dessa negação?

domingo, 4 de junho de 2017

A morte de São Bento: em pé como um guerreiro que entrega a alma a Deus, contada pelo Papa São Gregório Magno

Morte de São Bento em 21 de março de 547 rodeado por discípulos (Iluminura de Monte Cassino, século XI)
Morte de São Bento em 21 de março de 547 rodeado por discípulos.
(Iluminura de Monte Cassino, século XI)
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“No mesmo ano em que havia de sair desta vida, anunciou o dia de sua santíssima morte a alguns discípulos que com ele viviam e a outros que viviam longe.

“Aos que estavam presentes, recomendou-lhes que guardassem silêncio sobre o que haviam ouvido, e, aos ausentes, indicou que sinal se lhes daria quando sua alma saísse do corpo.

“Seis dias antes da morte mandou abrir sua sepultura. Logo depois, atacado pela febre, começou a ressentir-se do seu ardor violento.

domingo, 21 de maio de 2017

Esplendor e gáudio dos bem-aventurados no Céu segundo Santos e Doutores

Coroação de Nossa Senhora no Céeu.
Fra Angelico, Galeriadegli Uffizi, Florença.
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Um dogma de nossa Fé – o Céu e a felicidade eterna –, cuja importância torna-se patente, é, no entanto pouco conhecido pelos fiéis e, de modo geral, insuficientemente explanado.

Explica-se, pois, que, às vezes, ouçam-se frases como esta:

“O Céu deve ser um local sem animação (a qual, na mentalidade do homem moderno, é com­ponente indispensável da felicidade), onde todos fi­cam eternamente parados, sentados em nuvens, ouvindo as infindáveis melodias dos coros angélicos...”

Essa distorcida noção do que seja a bem-aventurança celeste – infelizmente não rara até entre católicos–, revela uma ignorância crassa a res­peito do prêmio que Deus reserva a seus eleitos, e da própria natu­reza divina.

Todos os católicos bem formados devem desejar ardentemente alcançar o Céu e tê-lo sempre presente em suas cogitações.

domingo, 7 de maio de 2017

São Miguel Arcanjo: Príncipe da Milícia celeste, poderoso escudo contra a ação diabólica

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Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

A devoção ao Príncipe das Milícias Celestes atingiu um desenvolvimento extraordinário na Idade Média. Essa forma de devoção marca ainda todas as modalidades de culto ao chefe das legiões angélicas.

Entre os inúmeros santuários a ele dedicados destaca-se o do Monte Saint-Michel uma das maravilhas do mundo.

Entretanto, ele já era reverenciado no Antigo Testamento.

O Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

domingo, 23 de abril de 2017

Nossa Senhora de Aquisgrão (Aachen):
rainha soberana de uma calma completa


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Eis aí uma imagem propriamente lindíssima!

Nela o que mais me chama a atenção, não e tanto o belo vestido, ou a excelente escultura, mas sobretudo o estado temperamental que o artista sobre imprimir em Nossa Senhora.

Apresenta-se Ela como uma pessoa respeitável, no mais alto grau. É propriamente uma Rainha.

Mas ao mesmo tempo, sendo Ela é uma Soberana, sente-se n'Ela toda a bondade de uma mãe.

Não só pelo modo de carregar no braço o Menino Deus, mas no modo pelo qual Ela parece olhar para a pessoa que está apresentando a Ela uma súplica.

Tal olhar manifesta uma tal boa vontade, benevolência e uma disposição de atender, que impressiona da forma mais agradável.

domingo, 9 de abril de 2017

O jogral da Virgem


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Muitos peregrinos, vindos dos mais remotos confins da Cristandade, iam à romaria do Santuário de Nossa Senhora de Rocamadour.

Ele continua ali perto da auto-estrada que vai de Paris até Lourdes.

Na Idade Média ia gente de toda espécie, desde mendigos ou empestados até fidalgos e grandes dignitários da Igreja.

Frequentemente misturavam-se àquela turba alguns indivíduos aloucados, galhofeiros ou poetas, que tanto entoavam uma canção, acompanhando-a com qualquer instrumento, como embasbacavam o povo com malabarismos e trabalhos de saltimbancos.

domingo, 2 de abril de 2017

Santa Francisca Romana sobre o inferno e como se precaver contra as insídias diabólicas

Santa Francisca Romana (1384-1440) com um anjo protetor.
De nobre e rica estirpe, teve três filhos e fundou as Oblatas de Maria.
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Santa Francisca Romana (1384-1440), de nobre e rica família, casou-se muito jovem, teve três filhos, fundou as “Oblatas de Maria” e em março de 1433 também fundou o mosteiro em Tor de' Specchi, perto do Campidoglio (Roma).

Quando seu marido morreu, em 1436, ela se mudou para esse mesmo mosteiro e se tornou a prioresa.

Ernest Hello, em sua obra “Physionomies de saints”, escreve o seguinte sobre a santa:

“A vida de Francisca reside nas visões. Suas visões mais singulares, mais estupendas, mais características, são as visões do inferno. Inúmeros suplícios, variados como os crimes, lhe foram mostrados no conjunto e nas minúcias”.

“Santa Francisca Romana viu o ouro e a prata derretidos, acumulados pelos demônios nas gargantas dos avarentos”.

Ela descreveu o inferno, onde reina uma ordem às avessas, quer dizer a desordem como o princípio constitutivo da anti-ordem de satanás:

O que é uma pessoa passar uma hora com ouro ou prata derretidos e quentes dentro da garganta, sem anestésicos, sem os mil cuidados dos nossos hospitais?

Então, imaginem o que é passar a eternidade com ouro e prata derretidos na garganta. Querer engolir e não poder, queimaduras horrorosas, sensações atrozes.

Tudo isto Santa Francisca Romana viu como martírio dos avarentos.

“Viu as hierarquias de demônios, suas funções, seus suplícios e os crimes a que eles presidem”.

“Viu Lúcifer, consagrado ao orgulho, chefe geral dos orgulhosos, rei de todos os demônios e de todos os condenados. Esse rei é muito mais desgraçado do que todos os seus súditos”.

domingo, 26 de março de 2017

Na origem da “Salve Rainha”: hino da Primeira Cruzada completado por São Bernardo


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Quantas vezes dos lábios piedosos a todo momento, um pouco por toda parte, se levanta ao Céu a oração Salve Rainha! Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, Salve, etc., etc.

Mas, quantos sabem qual é a sua origem?

Sabem que foi adotada especificamente como um canto de guerra para os Cruzados?

Pois bem, eis a origem dela.

A iniciativa é atribuída ao bispo de Puy, Dom Adhemar de Monteuil, membro do Concílio de Clermont, onde foi resolvida a primeira Cruzada.

Adhemar participou da Cruzada na qualidade de legado apostólico e escolheu a Salve Rainha, ou Salve Regina em latim, para que se tornasse o canto de guerra dos cruzados.

A princípio, a antífona acabava por estas palavras: nobis post hoc exilium ostende (E depois deste desterro mostrai-nos Jesus, o bendito fruto do vosso ventre).

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A ‘Virgen Blanca’ de Toledo: sublime união de almas
entre a Santíssima Virgem e Jesus Menino

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A primeira impressão que me causa essa imagem é a de um extraordinário relacionamento de alma entre Nossa Senhora e o Menino Jesus.

Ela exprime um destes momentos de familiaridade entre mãe e filho em que Ela brinca com o Filho.

Se esse relacionamento nunca admitisse um sorriso, não haveria verdadeiro convívio entre mãe e filho.

Por que razão?

Porque o menino tem qualquer coisa de débil que pede um sorriso.

Do contrário, estabelecer-se-ia uma barreira entre os dois, tornando impossível um dos modos mais elevados de comunicação espiritual.

Uma certa brincadeira entre Mãe e Filho converge neste ponto: a alma d’Ele sente-se misericordiosa e benignamente atendida naquilo que possui de mais débil; e a alma d’Ela manifesta-se mais delicada, afável e flexível em relação a Ele.

domingo, 29 de janeiro de 2017

As aparições do Arcanjo no Mont Saint-Michel, França

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Segundo as crônicas, no ano 708 o Arcanjo São Miguel apareceu duas vezes a Santo Aubert –– Bispo de Avranches, cidade situada no fundo da baía — ordenando-lhe que erguesse uma capela em sua honra no rochedo que então se chamava Monte Tumba (ou Túmulo).

Inseguro quanto à realidade da visão, o bispo protelou a construção da capela.

Apareceu-lhe então pela terceira vez São Miguel, tocando-lhe a cabeça com o dedo, de tal modo que Aubert não pôde mais duvidar.

Esse sinal ficou marcado indelevelmente no crânio do santo, durante muito tempo exposto no tesouro da basílica de São Gervásio, de Avranches.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A alegria e a paz da festa da Assunção de Nossa Senhora
generalizou-se na Idade Média


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A festa da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria é celebrada no 15 de agosto. É uma das mais cheias de alegria, paz e pureza, sendo por isso muito repelida por Satanás e seus asseclas que preferem a aflição, a desordem e a impureza

Sabemos pela Tradição Apostólica ‒ isto é, o conjunto de ensinamentos orais transmitidos originariamente pelos Apóstolos e, depois deles, pelos seus discípulos ‒ que Nossa Senhora não teve uma morte como a dos homens concebidos no pecado original. Fala-se por isso de Dormição de Nossa Senhora.

Ela ocorreu entre 3 e 15 anos após a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo a maioria dos testemunhos e opiniões aconteceu em Jerusalém, mas segundo outros em Éfeso.

Os Apóstolos foram reunidos miraculosamente em torno da Mãe de Deus naquela ocasião.

Ainda segundo a tradição, o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo teria aparecido em corpo glorioso para levá-la aos Céus.