domingo, 24 de setembro de 2017

A caixinha com os olhos


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O Rei Ricardo da Inglaterra, indo ao convento de Santo Emblay para entregar uma filha sua, enamorou-se de uma monja.

Enviou-lhe muitos presentes e jóias, com a pretensão de vencer sua vontade.

Mas como ela não se submetia, mandou avisar a abadessa que a entregasse, sob pena de destruir o convento.

Enviou então uns homens, para que a trouxessem à força. Quando os homens chegaram ao mosteiro, ela lhes perguntou por que o príncipe se havia enamorado dela mais do que das outras monjas.

Eles lhe responderam que era por causa da grande beleza de seus olhos.

Ela então, com decisão, arrancou os próprios olhos, dizendo aos homens:

"Soldados, levem os meus olhos, já que por eles o rei se enamorou. E deixem a mim, pois amo menos os meus olhos do que minha alma".

E em uma caixinha ela os mandou ao Rei. Envergonhado, este dirigiu-se ao mosteiro, para pedir perdão. Pôs a caixa com os olhos sobre o altar da Virgem, dizendo-lhe que não se iria embora até que os restituísse à santa monja.

O milagre se fez, e a Virgem restituiu à monja os olhos mais formosos do que antes, fazendo-se o Rei devoto de Maria e protetor do mosteiro.


(V. Garcia de Diego, "Antologia de Leyendas de la Literatura Universal" - Labor, Madrid, 1953, p. 173)


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domingo, 10 de setembro de 2017

Devoção medieval a Nossa Senhora

Santa Maria in Aracoeli, Roma
Santa Maria in Aracoeli, Roma
Luis Dufaur
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“A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

“Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

“Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

“Imagine-se que no século XII um monge de Saint-Médard, Gautier de Coinci, relatou em trinta mil versos os milagres de Nossa Senhora.

“E que milagres primorosos, dignos da Légende Dorée!

“Lá, um monge ignorante que sabe recitar apenas duas palavras ─ AVE MARIA ─, e que por sua ignorância é desprezado.

“Ele morre, e de sua boca saem cinco rosas em honra às cinco letras do nome MARIA.

“Uma freira, tendo abandonado o convento para se entregar ao pecado, volta após longos anos e encontra a Virgem ─ a quem ela nunca cessara, até nos piores pecados, de dirigir cada dia uma oração ─ ocupando durante todo esse tempo o seu lugar no ofício, de forma que ninguém percebeu sua ausência.

Nossa Senhora com o Menino Jesus,
marfim no museu The Cloisters, Nova Iorque
“Um cavaleiro, em troca da fortuna, prometera ao demônio entregar-lhe sua mulher.

“Enquanto ele a conduzia, ela entrou por um momento numa capela da Virgem, e é então a Virgem que saiu da capela em seu lugar e puniu o demônio.

“Um outro cavaleiro, indo ao torneio, esqueceu-se do tempo e ficou rezando a Nossa Senhora numa Igreja.

“Nossa Senhora, enquanto isso, combatia em seu lugar sob sua armadura, e ganhava para ele o prêmio do torneio.

“Vale lembrar o famoso jogral de Nossa Senhora, de quem Ela enxugava o suor: o conto e o teatro se apoderaram desta história.

“Essa devoção à Virgem contribuiu sem dúvida para a formação do senso de honra, purificando e enobrecendo a rudeza desses cavaleiros, desses soldados, dessa gente de guerra ou do campo.

“Foram levados a tratar a mulher com mais respeito.

“A honra que daí decorre é uma espécie de galanteria da alma, que nos leva à defesa dos fracos, ao esquecimento de nossos interesses, à generosidade, ao respeito à palavra dada, quaisquer que sejam as consequências.”



(Henry Bordeaux, “Vie, mort et survie de Saint Louis, roi de France” – Librairie Plon, Paris, pp. 34-35)




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domingo, 27 de agosto de 2017

Saudação 'Salve Maria': Ave Maria! Ave Bernardo!

São Bernardo
Luis Dufaur
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Nada mais suave para os ouvidos de Maria do que a voz de seus filhos, dirigindo-lhe a saudação angélica.

Esta saudação faz estremecer-lhe o coração, como no dia da Anunciação.

O fato seguinte o prova com evidência, e se deu com São Bernardo, um dos mais ilustres servos de Maria.

No meio do século XII, existia nas florestas que separam as Flandres do Brabante uma ermida de religiosos beneditinos, célebre sob o nome de abadia de Afligem.

Bernardo, percorrendo a Alemanha para pregar a segunda Cruzada, foi descansar alguns dias no piedoso convento. Uma estátua de Maria estava no fundo do claustro, na grande galeria.

Com o divino filho nos braços, Maria parecia olhar com ternura para os religiosos que ali passavam. Bernardo dirigia-lhe a saudação angélica todas as vezes que passava diante dela:

— Ave, Maria! — dizia ele.

Um dia, ajoelhou-se aos pés da imagem, repetindo com efusão sua saudação favorita. No momento em que acabava de dizer “Ave, Maria!”, da imagem Maria respondeu:

— Ave, Bernardo! — Eu te saúdo, ó Bernardo!

São Bernardo leva preso o demônio
É impossível descrever a impressão que estas palavras produziram nos circunstantes, e em particular na alma de Bernardo.

Estremeceu, como Santa Isabel no dia da Visitação, quando Maria a saudou:

— “E donde me vem esta felicidade — exclamou Isabel — que a mãe de meu Senhor se digne visitar-me?” (São Lucas, 1,43).

Sem dúvida, a alma de Bernardo, ouvindo a voz de sua Mãe bem amada, derreteu-se de amor como a da esposa dos cânticos:

— “Minha alma desfez-se em ternura ao som maravilhoso de sua voz”.

Ao retirar-se, o santo abade de Claraval deixou na abadia a parte superior de seu báculo, como penhor de agradecimento.

A estátua conservou-se milagrosamente no claustro até o ano de 1580, época em que foi despedaçada, e o convento saqueado pelos protestantes.

Dos pedaços recolhidos, fizeram-se duas novas imagenzinhas à imitação da antiga.

Uma delas venera-se ainda, na igreja dos beneditinos de Termonde.


(“Maria ensinada à mocidade” - Livraria Francisco Alves, 1915)


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domingo, 13 de agosto de 2017

Como foi a Assunção de Nossa Senhora.
Uma piedosa reconstituição

Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Luis Dufaur
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A festa da Assunção de Nossa Senhora foi constituída em dogma pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950. A festa é comemorada no dia 15 de agosto também sob os títulos de Nossa Senhora da Glória ou de Nossa Senhora da Guia.

Esse dogma era ardentemente desejado pelas almas católicas do mundo inteiro, porque coloca Nossa Senhora completamente fora de paralelo com qualquer outra mera criatura.

Justifica-se assim o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa. [“hiperdulia”: culto especial reservado à Virgem Maria, superior à “dulia”que se dedica aos santos e aos anjos].

Nossa Senhora passou por uma morte suavíssima que é qualificada com uma propriedade de linguagem muito bonita, como a “dormição de Nossa Senhora”.

“Dormiçao” indica que Ela teve uma morte tão suave, tão próxima da ressurreição que, apesar de ser uma verdadeira morte, entretanto mais parecia a um simples sono.

Nossa Senhora depois foi chamada à vida por Deus, ressuscitou como Nosso Senhor Jesus Cristo.

Subiu depois aos céus, na presença de todos os apóstolos ali reunidos, e de uma quantidade muito grande de fiéis.

Essa Assunção representa uma verdadeira glorificação aos olhos de toda a humanidade até o fim do mundo. É o proêmio da glorificação que Ela deveria receber no Céu.

É interessante fazermos uma recomposição de lugar para imaginarmos como a Assunção se passou. A respeito do fato não existem descrições e podemos imaginá-lo como nossa piedade gostaria.

Em baixo, os Apóstolos todos ajoelhados, rezando num ambiente com algo de inefavelmente nobre, sublime, recolhido, interior.

Podemos imaginar todos os Apóstolos com expressões de personagens de Fra Angélico.

Dormição de Nossa Senhora, Fra Angélico (1395 – 1455)
Dormição de Nossa Senhora, Fra Angélico (1395 – 1455)
O céu enchendo-se gradualmente de anjos, à imagem dos anjos de Fra Angélico também, tomando os coloridos os mais diversos, com matizações e irradiações magnificas, um espetáculo absolutamente incomparável.

Se Nossa Senhora pôde dar ao céu um colorido tão diverso e produzir fenômenos tão excepcionais em Fátima, por que o mesmo não se teria dado por ocasião de Sua Assunção ao Céu?

Ela se coloca em pé enquanto o respeito e recolhimento de todos aqueles que estão lá vão crescendo.

A semelhança física dEla com Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Filho, vai se acentuando cada vez mais.

A glória de Nosso Senhor transfigurado se vai comunicando a Ela.

Ela cada vez mais rainha, cada vez mais majestosa, cada vez mais mãe.

Todo seu íntimo se manifestando de modo supremo nessa hora de despedida.

Alguns anjos, talvez, os mais esplêndidos do Céu, se aproximam e fazem Nossa Senhora subir.

Com o auxílio deles, Ela vai subindo e, aos poucos, o céu vai se transformando.

Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Na terra, aquela maravilha vai mudando, e volta ao aspecto primitivo.

Os homens voltam para casa com a sensação que tiveram na Ascensão de Nosso Senhor.

Ao mesmo tempo estão maravilhados, com uma saudade sem nome, desolados por algum lado, mas levando na retina algo que nunca tinham visto, nem podiam ter imaginado a respeito de Nossa Senhora.

Imediatamente, o triunfo de Nossa Senhora começa no Céu.

A Igreja gloriosa inteira vai recebê-La. Nosso Senhor Jesus Cristo A acolhe, todos os coros de anjos estão ai, São José está perto. Depois é coroada pela Santíssima Trindade.

É impossível pensar nesse triunfo terreno, sem pensar no triunfo celeste que veio logo depois.

É a glorificação de Nossa Senhora aos olhos de toda a Igreja triunfante e aos olhos de toda a Igreja militante.

Com certeza, nesse dia também a Igreja padecente no Purgatório recebeu uma efusão de graças extraordinárias.

Não é temerário pensar que quase todas as almas que estavam purgando suas penas foram libertadas por Nossa Senhora nesse dia. De maneira que também ali houve uma alegria enorme.

Assim é que podemos imaginar como foi a gloriosa Assunção de nossa Rainha.

Algo disso se repetirá quando vier o Reino de Maria prometido em Fátima, quando virmos o mundo todo transformado e a glória de Nossa Senhora brilhar sobre a terra, porque Seu reinado começou de modo efetivo, e dias maravilhosos de graças, como nunca houve antes, começam a se anunciar também.

Antes de contemplarmos a glória de Nossa Senhora no Céu, nós havemos de contempla-la na terra certamente, com algo que poderá nos dar alguma semelhança desse triunfo sem nome que deve ter sido a Assunção de Maria.

Quando pensamos nos triunfos que os homens preparam para seus grandes batalhadores, por exemplo, as tropas francesas desfilando sob o Arco do Triunfo, depois da Guerra de 14-18, ou mais pocamente nos triunfos que os romanos preparavam para seus generais vencedores, devemos compreender que Nosso Senhor Jesus Cristo que é infinitamente mais generoso, deve ter premiado Nossa Senhora, no triunfo dEla aos olhos dos homens de um modo também incomensuravelmente maior.

Coroação de Nossa Senhora no Céu. Fra Angelico (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença.
Coroação de Nossa Senhora no Céu.
Fra Angelico (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença.
Portanto, tudo quanto existe de mais glorioso e triunfal na Criação, terá certamente brilhado na hora da Assunção de Nossa Senhora.

Meditando nisso, aproximamo-nos nessa festa pensando na virtude que devemos pedir a Nossa Senhora.

Cada um deve pedir a virtude que mais carece.

Mas, não haveria demasia em pedirmos a Ela uma virtude: que é o senso da glória dEla. Quer dizer, compreender bem tudo quanto representa Sua gloria na ordem da Criação.

Como essa glória é a mais alta expressão criada da glória de Deus.

Nós devemos ser sedentos de defender pela virtude de combatividade levada ao seu último extremo a glória de Nossa Senhora na terra.

Fazer de nós verdadeiros cavaleiros cruzados de Nossa Senhora, lutando por Sua glória na terra.

Essa me parece a virtude mais adequada nessa festa de glória, que é a Assunção de Nossa Senhora.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 14.8.65, sem revisão do autor).



Vídeo: São João del Rei: solenidades da Dormição e Assunção de Nossa Senhora 2016




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domingo, 30 de julho de 2017

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro: fortaleza para enfrentar a adversidade

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Luis Dufaur
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A imagem original de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro é um ícone venerado na igreja dos agostinianos em Roma, muito perto da Basílica de Santa Maria Maggiore, desde o fim do século XV.

Naquele século, ele chegou procedente da ilha de Creta no Mar Mediterrâneo.

É muito difícil atribui-lhe uma data de criação. Para alguns ele é dos séculos X ou XI, e para outros do início do século XV. Sua festa se comemora em 27 de junho.

No ícone contemplamos a Nossa Senhora com o Menino Jesus. Na iconografia católica, o Menino nos braços de Nossa Senhora costuma estar olhando para Ela ou para os fiéis que Lhe estão rezando ou recebendo favores.

Porém, o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro reproduz uma cena inusual.

O Menino Jesus observa os arcanjos São Miguel e São Gabriel que lhe mostram os instrumentos de sua futura Paixão e se segura fortemente com as duas mãos em sua Mãe Santíssima.

A cena nos fala profundamente do papel de Nossa Senhora junto a Jesus como corredentora do gênero humano.

A Redenção foi operada exclusivamente por Nosso Senhor Jesus Cristo com sua Paixão e Morte no alto do Calvário.

Mas o papel de Nossa Senhora na Redenção foi tão grande que grandes santos, mestres e doutores não hesitam em qualifica-la de “corredentora” do gênero humano.

Nossa Senhora conhecia e meditava em seu coração as palavras dos profetas. Ele sabia que o Messias prometido a Israel haveria de padecer um Sacrifício perfeito para pagar a culpa de nossos primeiros padres e atrair do Céu as graças para nossa salvação.

Tudo isso estava presente em sua alma virginal quando São Gabriel lhe fez o anúncio da Encarnação.

Menino Jesus segura as mãos de sua Mãe compreendendo a tremenda mensagem angélica
Menino Jesus segura as mãos de sua Mãe compreendendo a tremenda mensagem angélica
Num só relance Ela percebeu todas as dores da Redenção que se abateriam sobre seu Filho Santíssimo e também sobre Ela, porque é sua Mãe. Mas Ela disse sim a esse oceano vindouro de dores.

E a gente deve entender a maravilhosa vida da Santa Família também sob esse prisma: Nossa Senhora contribuindo a preparar seu divino Filho para o sacrifício perfeito do Calvário.

Nosso Senhor, ainda criança, tinha conhecimento acabado de tudo o que haveria de acontecer com Ele.

Se, já adulto, no Monte das Oliveiras suou gotas de sangue na iminência da Paixão e chegou a exclamar: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice!” (São Lucas, 22-42), então podemos imaginar como esse preanuncio impressionava a Jesus Menino.

Perspectiva essa que aparece no ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro com os anjos trazendo os instrumentos da Paixão.

E Ele então pega com força nas mãos de Sua Mãe como que para receber socorro, apoio e consolo e realizar, como realizou, a sua divina missão.

Histórico da imagem

Numa tabuleta muito antiga que está junto ao ícone veio uma informação sobre a imagem. Ela teria sido pintada na ilha de Creta, no mar Egeu.

Um mercador roubou o ícone de uma igreja, o escondeu em sua equipagem e embarcou para outro país.

Mas, durante a travessia se desencadeou uma grande tempestade. Os passageiros invocaram a Deus e à Santíssima Virgem. E logo a seguir veio a calmaria e a nau aportou em local seguro.

O comerciante prosseguiu até Roma com o ícone. Após desavenças na sua família, o ícone foi entregue à igreja de São Mateus, dos padres agostinianos.

Isto aconteceu no fim da Idade Média, no ano de 1499, sob o pontificado do Papa Alexandre VI.

Na igreja de São Mateus o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro permaneceu trezentos anos.

Nesse período, os testemunhos escritos atribuem à imagem grande número de milagres. O auge da devoção e fenômenos extraordinários se verificou no século XVII.

Furacão satânico revolucionário e recuperação do ícone


São Miguel traz a lança e a esponja, instrumentos da Paixão
São Miguel traz a lança e a esponja, instrumentos da Paixão
Uma tempestade negra, desta vez não feita de nuvens, mas de influências revolucionárias e/ou preternaturais, se abateu sobre a Cidade Eterna em fevereiro de 1798.

As tropas de Napoleão Bonaparte invadiram a Itália trazendo em suas mochilas as ideias facinorosas da Revolução Francesa. Só em Roma o exército napoleônico destruiu mais de trinta igrejas. Entre essas se perdeu a de São Mateus.

Os religiosos agostinianos conseguiram salvar o milagroso ícone e o esconderam numa capelinha. Ali ficou escondido, e o culto popular acabou caindo no esquecimento.

Em 1855, os padres redentoristas compraram uns terrenos conhecidos como Villa Caserta onde outrora estava a igreja de São Mateus.

O Pe. Miguel Marchi descobriu em 1865 o precioso ícone. Então, em 11 de dezembro de 1865, os redentoristas, filhos espirituais de Santo Alfonso Maria de Ligório, solicitaram ao Papa reinante, o Beato Pio IX, a concessão de recomeçar o culto de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Em 19 de janeiro de 1866 a imagem voltou a ser cultuada publicamente no mesmo local onde já o tinha sido durante três séculos.

A antiga igreja não existia mais, mas havia sido substituída por uma mais esplêndida: a igreja de Santo Alfonso, onde é venerada até hoje.

O bem-aventurado Papa Pio IX em audiência ao superior general dos Redentoristas, em 11 de dezembro de 1865, lhe ordenou uma grande tarefa: “Dai-a a conhecer a todo o mundo”.

Simbolismos do ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro

No ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro cada personagem está identificado com uma inscrição grega abreviada.

Nossa Senhora e representada só em meio corpo, revestida por uma túnica vermelha e um manto azul marino que cobre também a cabeça. As joias como estrelas e coroas de ouro e pedras preciosas são presentes do Capítulo vaticano.

Mas o Menino Jesus está de corpo inteiro apelando ao Socorro de sua Santíssima Mãe enquanto observa os instrumentos da Paixão que lhe mostram os arcanjos Miguel e Gabriel.

O Arcanjo São Gabriel lhe exibe a Cruz com dupla trave como é costume em Oriente e os quatro pregos com que seria cravado nela.

O Arcanjo São Miguel traz a lança com que o centurião romano lhe atravessaria o coração e a esponja que os algozes encheram de vinagre e lhe puseram nos lábios no auge da Crucificação.

São Gabriel vem trazendo a Cruz e os pregos da Paixão
São Gabriel vem trazendo a Cruz e os pregos da Paixão
As abreviaturas gregas inscritas sobre o ícone significam:

“Madre de Deus” na parte superior do quadro;

“O Arcanjo Miguel”, lado superior esquerdo;

“O Arcanjo Gabriel”, lado superior direito; e

“Jesus Cristo”, ao lado do Menino Jesus.

A visão é dramática e o Menino com rápido movimento procura socorro nas mãos da Mãe que Ele pega com todas suas forças infantis.

O susto e o movimento brusco se patenteiam também na contorção de suas perninhas, nas pregas do manto e na sandália que se desprende de um de seus pés.

Quantas vezes se repete a cena em nossas vidas, embora em diminuta proporção, mas de modo lancinante para nossas escassas forças!

Os sofrimentos que nos assaltam, aqueles que prevíamos, os que prevíamos mal, ou aqueles que não queríamos prever por moleza ou otimismo infundado!

Mas, ali está Nossa Senhora do Perpetuo Socorro para ser nosso socorro e proteção nessas horas.

E, se as dores se abaterem sobre nós, ali está Ela nos acompanhando, participando nos nossos padecimentos, nos animando a imitar o sublime exemplo de seu Divino Filho.

Quando o mundo parece desabar, quando o caos invade todos os recantos da sociedade, da família, do trabalho, do lar, quando nos voltando para as autoridades do Brasil e da Igreja nos parece ver não nosso auxílio mas como que outros algozes que contribuem à desolação e à desordem geral, ali está Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Bem presos nEla passaremos por tudo e com sua intercessão onipotente um dia veremos seu Filho na vida eterna.


(Fonte: Wikipedia)



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