domingo, 14 de julho de 2019

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo e a mais antiga devoção marial do mundo

Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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A Ordem do Carmo foi fundada pelo Profeta Elias, tendo sido Santo Eliseu seu sucessor e sendo conhecida no Antigo Testamento como a “escola dos profetas”. Tal vez o próprio São João Batista tenha se ligado a ela.

Alguns acham que até Nosso Senhor Jesus Cristo os frequentou durante o período de sua vida no deserto.

O fato é que a Ordem do Carmo representa o primeiro filão da devoção marial no mundo, em virtude da famosa visão do profeta Elias de uma nuvenzinha que preanunciou uma imensa chuva após uma seca devastadora.

A nuvenzinha foi uma prefigura de Nossa Senhora, Mãe dAquele que atrairia um sem-fim de graças para o mundo.

Santo Elias, fundador do Carmo, mosteiro de La Encarnación, Ávila, Espanha
Santo Elias, fundador do Carmo,
primeiro devoto de Nossa Senhora,
mosteiro de La Encarnación,
Ávila, Espanha
“41. Então Elias disse a [o rei] Acab: Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva.

“42. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos.

“43. Disse ao seu servo: Sobe um pouco, e olha para as bandas do mar. Ele subiu, olhou (o horizonte) e disse: Nada. Por sete vezes, Elias disse-lhe: Volta e (olha).

“44. Na sétima vez o servo respondeu: Eis que, sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão. Elias disse-lhe: Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça, para que a chuva não o detenha.

“45. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente.” (I Reis, 18, 41-45
A mais antiga invocação de Nossa Senhora no mundo é “Virgo Flos Carmelij”, ou “Virgem Flor do Monte Carmelo”.

O Carmo representa o extremo da devoção a Nossa Senhora, que lutará no fim do mundo contra o Anticristo e contra os últimos inimigos de Nosso Senhor.

Ela constitui uma ponte desde o início da devoção a Nossa Senhora no mundo, séculos antes dEla ter nascido, até a luta contra os últimos inimigos de Nossa Senhora no fim do mundo. Contra esses virá lutar precisamente Santo Elias como está anunciado no Apocalipse.

Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock. Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock.
Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
O Carmo desde muito cedo cultivou a verdadeira devoção a Nossa Senhora pregada por São Luís Maria Grignion de Montfort.

Fica fácil compreender a importância da emergência diante da qual São Simão Stock foi levado a realizar o seu apostolado.

Os carmelitas reconstituídos no tempo das Cruzadas, tiveram que abandonar a Terra Santa perseguidos pelos invasores islâmicos e passaram para o Ocidente.

Mas no Ocidente havia indiferença para com eles, não eram compreendidos e estavam meio dispersos.

São Simão Stock (1165 aprox - 1265), era o Geral deles, mas não exercia uma autoridade efetiva porque a Ordem do Carmo era como os destroços boiando sobre um mar revolto de um navio, a estrutura jurídica, coesa e uniforme, capaz de conservar, promover e transmitir um espírito à posteridade.

Nessa situação, rezando a Nossa Senhora com muita devoção, num convento de Cambridge, na Inglaterra, pediu que Ela não deixasse morrer a Ordem do Carmo.

No auge dessa aflição Nossa Senhora lhe apareceu, e lhe deu o escapulário do Carmo, que é o escapulário grande da Ordem que é como que uma libré, que se coloca sobre a túnica.

Ao mesmo tempo, revelou o famoso privilégio sabatino, ligado a quem usa piedosamente o escapulário do Carmo: a graça da perseverança final.

E se vai para o purgatório, será liberto no primeiro sábado que ocorrer depois da sua morte.

Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Então, depois dessa intervenção de Nossa Senhora, a Ordem começou a florescer e ao Ocidente, para falar senão em três pessoas, Santa Teresa, a Grande; São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Para não falar em outros santos, são três sóis no firmamento da Igreja.

Mais ainda do que isso, Nossa Senhora assegurou a continuidade da Ordem até os últimos dias.

São Simão Stock cumpriu uma missão enorme. Ele foi o traço entre a vida ocidental e a vida oriental da Ordem num momento em que essa espécie de istmo, entre dois continentes históricos, se adelgaçava parecendo sumir, Nossa Senhora interveio para salvá-la e lhe dar muito mais do que tinha antes.

A Ordem teve, no Ocidente, uma prosperidade muito maior do que teve no Oriente.

E com esses dois privilégios, Nossa Senhora transmitiu uma ideia exata de como se deve confiar nEla e de qual é o papel dEla nas obras que Ela ama.

Porque nas obras que Ela ama, as coisas podem chegar a ponto de se estraçalhar quase que completamente.

Mas quando tudo fica perdido, é o momento que Ela reserva para intervir.

As grandes intervenções de Deus são precedidas por uma fase onde tudo fica perdido, para ficar inteiramente claro que nenhum socorro humano adianta de nada.

São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
Depois que ficou provado que tudo quanto era humano fracassou, na desolação e no caos, Nossa Senhora intervém e salva a situação.

Foi o que Ela fez com a Ordem do Carmo. Quer dizer, uma lição de confiança magnífica.

Há um fato da história francesa que também se aplica ao momento atual: havia um general ruim defendendo a praça de guerra de Cremona.

Os inimigos investiram, o general saiu a combate e acabou preso. Mas os inimigos não conseguiram tomar a praça porque um outro general mais competente começou a dirigir a defesa.

Então, os franceses fizeram uma cançãozinha, que era mais ou menos assim:

– Français rendez grâce à Belone – Belona era a deusa da guerra – car votre bonheur est sans égal; vous avez gardez Cremone e perdu votre géneral.

– Franceses agradecei a Belona – a deusa da guerra – porque vossa felicidade não tem igual: vós conservastes Cremona e perdestes vosso general.

Na crise atual, nós também guardamos o escapulário e perdemos os maus generais.

Enquanto tudo desaba ou é abandonado, no fundo ficamos soberanamente bem servidos com a situação.

É uma lição de confiança em Nossa Senhora do Carmo no dia de sua festa.










Vídeo: Procissão de Nossa Senhora do Carmo 2016 em São João del Rei, MG






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domingo, 30 de junho de 2019

A Ladainha Lauretana: significados pouco conhecidos

Nossa Senhora do Rosário, México
Nossa Senhora do Rosário, México
Luis Dufaur
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A palavra ladainha vem do grego e significa súplica.

Mas desde o início da Igreja ela foi utilizada para indicar as rezadas em conjunto pelos fiéis em procissão às diversas igrejas.

Há numerosas ladainhas, dependendo do que é pedido nas diversas procissões.

Quando a Santa Casa na qual morou Nossa Senhora em Nazareth foi transportada milagrosamente para a cidade de Loreto (Itália), em 1291, a feliz novidade deu início a numerosas peregrinações.

Uma série de súplicas a Nossa Senhora foi sendo composta pelos peregrinos que A invocavam por seus principais títulos de glória.

Posteriormente essa ladainha era cantada diariamente no Santuário, e os peregrinos que de lá voltavam a popularizaram em todo o orbe católico.

Chama-se lauretana por ter sua origem em Loreto.

Algumas invocações foram acrescentadas pelos Papas e outras foram agregadas para honrar a proteção de Nossa Senhora a alguma Ordem religiosa.

Assim fazem os carmelitas que rezam a ladainha lauretana carmelitana, com quatro invocações a mais.

Mas o corpo central das ladainhas permanece o mesmo.

Composição da Ladainha

No início da Ladainha Lauretana, as invocações não se dirigem a Nossa Senhora, mas a Nosso Senhor e à Santíssima Trindade.

Rezamos “Senhor, tende piedade de nós, Jesus Cristo, ouvi-nos”, etc. Depois invocamos o Padre Eterno, o Filho e o Espírito Santo. Por quê?

Tudo em Nossa Senhora nos conduz a seu divino Filho, e por meio dEle à Santíssima Trindade.

Isto os protestantes não entendem ou não querem entender: Maria Santíssima é o melhor caminho para se chegar a Deus.

Após essa introdução, seguem-se três invocações, nas quais lembramos os principais privilégios de Nossa Senhora: o ser Mãe de Deus e Virgem das virgens.

A seguir, com 13 invocações honramos a Maternidade de Nossa Senhora, e com outras seis sua Virgindade.

A seguir, 13 figuras simbólicas; quatro invocações de sua misericórdia e, finalmente, 12 invocações dEla enquanto Rainha gloriosa e poderosa.

As 13 invocações simbólicas contêm as maiores dificuldades de compreensão.

Nossa civilização fechou-se para o simbolismo, e aquilo que poderia ser até evidente em outras épocas, hoje ficou obscurecido pelo espírito prático.

A própria vida contemporânea contribui para isto.

O ritmo de vida corrida e excitante não favorece a meditação ou a contemplação das maravilhas da criação.

Alguns significados

Vejamos então o significado destas 13 invocações simbólicas.

Espelho de Justiça — Justiça, aqui, entende-se em seu sentido mais amplo de santidade.

Nossa Senhora é chamada assim, porque Ela é um espelho da perfeição cristã.

Toda perfeição pode ser admirada nEla, do mesmo modo como podemos admirar uma luz refletida na água.

Sede da Sabedoria — Nosso Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria que tudo sabe e tudo conhece.

Ora, Nossa Senhora durante nove meses encerrou dentro de si seu divino Filho.

Ela foi, portanto, a sede da Sabedoria.

E continua a sê-lo, pois é nEla que encontramos infalivelmente a Nosso Senhor.

Causa de Nossa Alegria — a verdadeira alegria não é o riso. Rir muito nem sempre significa felicidade.

É muito mais feliz a mãe carregando amorosamente seu filho do que um papalvo que ri à-toa.

E a maior alegria que um homem pode ter é a de salvar-se e estar com Deus por toda a eternidade.

Ora, antes da vinda de Nosso Senhor, o Céu estava fechado para nós.

Foi o sacrifício do Calvário que nos reconciliou com o Criador e nos proporcionou a verdadeira e eterna felicidade.

Como foi por meio de Nossa Senhora que o Redentor da humanidade veio à Terra, Maria Santíssima é, pois, a causa de nossa maior alegria.

Vaso Espiritual — Nada tem mais valor do que a verdadeira Fé.

Na Paixão e Morte de Nosso Senhor, quando até os Apóstolos duvidaram e fugiram, foi Nossa Senhora quem recolheu como num vaso sagrado, o tesouro da Fé inabalável.

Vaso Honorífico — Em nossa época, a honra quase não é considerada. Pelo contrário, muitas vezes a falta de caráter e a sem-vergonhice são louvadas.

Mas a honra e a glória, na realidade, valem muito.

E Nossa Senhora guardou cuidadosamente em sua alma todas a graças recebidas, e manteve a honra do gênero humano decaído.

Se não tivesse existido Nossa Senhora, ficaria faltando na criação quem representasse a perfeição da criatura, fiel até o extremo heroísmo.

Vaso Insigne de Devoção — Devoto quer dizer dedicado a Deus.

A criatura que mais se dedicou e viveu em função de Deus foi Nossa Senhora, tendo-o realizado de forma tal, que melhor é impossível.

Rosa Mística — A rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor.

Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Torre de Davi — O rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos jebuseus e edificou a cidade em torno dela.

“E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi” (Paralipômenos, 11-7).

O rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição.

A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora.

Ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa.

Por isso, nesta invocação honramos a Nossa Senhora reconhecendo que nunca houve, nem haverá, quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela.

Torre de Marfim — O marfim tem caraterísticas raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro.

Igualmente Nossa Senhora é muito forte espiritualmente, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza alvíssima.

Assim Ela contraria a ideia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros.

Casa de Ouro — O ouro é o mais nobre dos metais. Por isso, se tivéssemos que receber o próprio Deus, procuraríamos fazê-lo numa casa in superável, uma casa de ouro.

E a Virgem Santíssima é a casa de ouro que acolheu Nosso Senhor quando veio ao mundo.

Arca da Aliança — Na Arca da Aliança ficavam guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés e um punhado do maná recebido milagrosamente no deserto.

Nossa Senhora é, no Novo Testamento, a Arca da Aliança que protege o povo eleito da Igreja Católica e lembra as infinitas misericórdias de Deus.

Porta do Céu — Por meio de Nossa Senhora Jesus Cristo veio à Terra, e é por Ela que nos vêm todas as graças, que nos levam à nossa morada eterna.

Assim, Ela favorece nossa entrada no Céu, como a porta favorece a entrada num local.

Estrela da Manhã — Pouco antes de nascer o sol, aparece no horizonte uma estrela de maior luminosidade.

Quando as outras estrelas desaparecem, ela ainda permanece.

Assim foi Nossa Senhora, pois seu nascimento significava que logo nasceria o Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E quando a Fé se perdia até entre o povo eleito, Ela continuava a acreditar e esperar.

Ela é o modelo da perseverança na provação e o anúncio da Luz que virá.

Temos assim, resumidamente, algumas explicações das invocações da Ladainha Lauretana. Esperemos que a compreensão delas nos ajude a rezar com maior fervor tão meritória oração.


Ver mais em: A Ladainha Lauretana


(Fonte: André Damino, “Na escola de Maria”, Ed. Paulinas, 4ª edição, São Paulo, 1962).







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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Corpus Christi:
O milagre eucarístico de Lanciano
segundo o cientista que comprovou sua autenticidade

Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Luis Dufaur
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Neste ano 2019 a festa de Corpus Christi se comemora o dia 20 de junho.



O doutor Edoardo Linoli afirma que portou em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco, ao analisar anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos.

O fato miraculoso se remonta ao século VIII.

Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies após a consagração.

Nesse momento, o sacerdote viu como a sagrada hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou.

domingo, 16 de junho de 2019

A Santa Casa de Loreto (2)

Luis Dufaur
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O lugar onde se acha o santuário da Santa Casa de Loreto fica no meio do caminho que conduz ao porto de Recanati.

O outeiro sobre o qual pousou foi depois nivelado, e se acha agora no centro da cidade que ali se ergueu, e que tomou o nome de Loreto.

As múltiplas transladações da santa casa de Nossa Senhora não fizeram senão despertar cada vez mais a curiosidade e a devoção dos fiéis, não somente das províncias próximas, mas até dos países mais remotos, enriquecendo-se este augusto santuário com os mais preciosos donativos.

Quatro anos depois deste último e maravilhoso acontecimento, o concurso dos romeiros, já tão prodigioso, tornou-se ainda maior na ocasião do primeiro jubileu do ano santo, que se realizou em Roma em 1300.

domingo, 9 de junho de 2019

De joelhos, sozinho, na meia luz e no silêncio ante o Santíssimo Sacramento


Luis Dufaur
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Neste ano a festa de Corpus Christi se comemora o dia 20 de junho.



O maná que Deus enviou para alimentar os judeus durante a travessia do deserto, após abandonar o Egito sob a direção do profeta Moisés rumo à Terra Prometida, mudava de gosto.

Por causa disso diante do Santíssimo Sacramento exposto, antes de dar a bênção, o padre ajoelhado usando uma muito bonita capa pluvial cantava: Panem de caelo, prestistis eis alelluia, Vós destes a eles pão do Céu, aleluia. Quer dizer, o maná.

O coro respondia: Omne delectamentum in se habentem, alelluia, Que tinha em si todos os sabores aleluia.

Isso fazia parte daquela distinção, daquela classe, daquela categoria, de uma bênção do Santíssimo Sacramento bem dada.

Com o Santíssimo resplandecente dentro de um sol de ouro, a interlocução entre o oficiante e o povo representado pelo coro, era esta: vós destes a eles um pão do Céu.

E o coro respondia: que contém em si todos os sabores.

domingo, 2 de junho de 2019

A Santa Casa de Loreto (1)

Luis Dufaur
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A santa casa de Loreto é a casa que testemunhou o grande mistério da Encarnação, quando o Arcanjo, resplandecente de luz, foi enviado do Céu à terra para trazer ao gênero humano a maior e mais consoladora nova.

Naquela casa morava uma donzela humilde e modesta; provavelmente nela nascera, era a casa de seus pais. Era virgem, e chamava-se Maria.

Foi ali que Jesus Cristo habitou, submisso a José e Maria, durante os trinta primeiros anos de sua vida mortal.

A casa foi milagrosamente transportada pelos anjos, no fim do século XIII.

A piedosa imperatriz Santa Helena fizera encerrar a santa casa de Nazaré num magnífico templo, conservando intacta a casa preciosa na qual a Sagrada Família habitara.

Em todos os tempos essa casa foi um santuário visitado pelos mais ilustres e santos personagens, entre os quais a História faz menção de São Luís IX, rei de França, que ali recebeu a sagrada comunhão, com extraordinárias consolações, no dia Anunciação de 1252.

Pouco depois, os muçulmanos do Egito irromperam no território da Palestina e destruíram o magnífico templo no qual se achava a santa casa de Nazaré, que assim ficou exposta a todas as profanações.

domingo, 19 de maio de 2019

O milagre de Nossa Senhora de Nazaré
e o retorno da imagem fugitiva

O milagre
Luis Dufaur
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A origem da devoção a Nossa Senhora de Nazaré se prende a um fato ocorrido por volta do ano de 1150 em Portugal.

“Estando um jovem e vistoso cavalheiro português Dom Fuas Roupinho à caça de um veado entre intensa neblina vê-se subitamente no alto de um rochedo à beira-mar, e se seu cavalo não houvesse estancado, ter-se-ia precipitado ao mar.

“Cheio de terror e considerando o perigo, agradeceu ao Senhor de toda alma a sua salvação.

“Mas o perigo não passara de todo, pois o cavalo não podia avançar nem recuar sem precipitar-se no abismo.

“Procurando uma saída, nota o cavaleiro uma imagem de Nossa Senhora numa caverna do rochedo.

“E cheio de fé, lança-se aos seus pés implorando socorro.

“Ao tomar a imagem nas mãos nota um pequeno pergaminho preso a ela que narra ter sido venerada essa imagem já em Nazaré, há muito tempo - portanto em Nazaré da Palestina.

domingo, 5 de maio de 2019

O Anjo do Senhor: mais uma oração do tempo das cruzadas


Luis Dufaur
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Outrora, ao som das Ave-Marias, todos se ajoelhavam para rezar o “Anjo do Senhor”.

São Carlos Borromeu não se acanhava de descer da carruagem para recitá-lo de joelhos na rua, muitas vezes na lama.

A recitação do Angelus data do tempo das cruzadas, e foi prescrita pelo Papa Urbano II em memória da Anunciação de Maria — cuja festa é celebrada a 25 de março — verdadeiro início dos novos tempos de graça e reconciliação da humanidade com Deus.

Em alguns países (Itália e Alemanha) começaram os fiéis a recitá-lo também de manhã. A forma atual do “Anjo do Senhor” valia por uma profissão de fé.

Quem não o rezasse ao toque das Ave-Marias ficava suspeito de ser protestante ou herege.




domingo, 7 de abril de 2019

Nossa Senhora de Avioth:
reanimadora das crianças mortas sem batismo

Nossa Senhora de Avioth: ranimava as crianças mortas sem batismo
Luis Dufaur
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A fé pode mover montanhas, e Nossa Senhora não fica alheia aos esforços das pessoas cheias de fé.

É o que nos mostra a história desta devoção mariana na França

O contraste não poderia ser mais notório: uma igreja enorme, para uma cidadezinha muito pequena.

Os 125 habitantes de Avioth, vila francesa a poucos quilômetros da fronteira com a Bélgica, podem entrar todos juntos na igreja e ainda sobra muito, mas muito espaço mesmo.

A primeira pergunta que ocorre ao espírito é se a cidadezinha já foi bem maior e, sei lá por que motivos, hoje mora pouca gente no local.

Mas não é isso. A resposta está ligada à história da imagem de Nossa Senhora de Avioth.

No ano de 1100 os lavradores descobriram uma imagem num matagal de espinhos, no local chamado “d’avyo”, que com o tempo se transformou em Avioth.

Passada a surpresa, decidiram levá-la à igreja de Saint Brice, a dois quilômetros dali. Mas na manhã seguinte a imagem tinha voltado ao exato local de onde a tinham tirado.

Resultado: decidiram deixá-la no lugar e venerá-la ali mesmo.

Análises mostram que a imagem foi esculpida em madeira, antiga de uns 900 anos. Nossa Senhora tem um cetro na mão e segura o Menino Jesus.

domingo, 10 de março de 2019

“Os estandartes do Rei avançam” (Vexilla regis prodeunt) hino da Semana Santa

Santa Radegunda
Luis Dufaur
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Em 19 de novembro do ano do senhor de 569 ‒ há mais de 1.400 anos! – numa procissão no mosteiro da Santa Cruz, em Poitiers, França, ressoou um hino que durante os quinze séculos seguintes haveria de ser entoado nas igrejas e mosteiros do mundo todo nos ofícios da Semana Santa.

O hino é o “Vexilla regis prodeunt” (“Os estandartes do rei avançam”) e fora composto por São Venancio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a pedido da rainha-mãe Santa Radegunda.

Santa Radegunda após a morte do rei Clotário I seu marido, fundou o mosteiro da Santa Cruz. Ela recebeu de presente um fragmento do Santo Lenho doado pelo imperador de Bizâncio Justino II e sua esposa a imperatriz Sofia.

Felizes tempos em que os governantes dos Estados privilegiavam a fé e a ortodoxia religiosa e moral!

A Santa encomendou então ao santo religioso, famoso pelas suas qualidades poéticas postas a serviço de Nosso Redentor, um hino que seria cantado durante a translação da relíquia da Verdadeira Cruz até o altar-mor.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O misterioso barrilzinho do ermitão corajoso e o impenitente

BA catedral de Bayeux, Normandia, na bruma
A catedral de Bayeux, Normandia, na bruma
Luis Dufaur
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Havia nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:
— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.
— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.
— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.
— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.
— Vinde ao menos fazer-nos companhia.
— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.