domingo, 8 de dezembro de 2013

Árvore de Cristo

Árvore de Natal, Mittenwald, Baviera, Alemanha
Árvore de Natal, Mittenwald, Baviera, Alemanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Depois do Presépio, a Árvore de Natal é o símbolo mais expressivo da época natalina — sobretudo em tempos passados, nos quais o aspecto comercial do Natal não era tão protuberante e agressivo.

O inventor da árvore de Natal foi São Bonifácio, o apóstolo e evangelizador da Alemanha.

Em 723 São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar.

Para convencer o povo e os druidas de que não era uma árvore sagrada, ele abateu-a.

Esse acontecimento é considerado o início formal da cristianização da Alemanha.

Na queda, o carvalho destruiu tudo o que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro.

Segundo a tradição, São Bonifácio interpretou esse fato como um milagre. Era o período do Advento e, como ele pregava sobre o Natal, declarou:

São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.  Emil Doepler (1855 – 1922).  Uma santa truculência atraiu a bênção da árvore de Natal.
São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.
Emil Doepler (1855 – 1922).
Uma santa truculência atraiu a bênção da árvore de Natal.
“Doravante, nós chamaremos esta árvore de árvore do Menino Jesus”.

O costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus começou e estendeu- se pela Alemanha.

E no século XIX, a Árvore de Natal — também conhecida em alguns países europeus como a “Árvore de Cristo” — espalhou-se pelo mundo inteiro como símbolo da alegria própria ao Natal para se festejar o nascimento do Divino Infante.



(Fonte: Guia de Curiosidades Católicas, Evaristo Eduardo de Miranda)



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domingo, 1 de dezembro de 2013

Algumas lendas natalinas antigas da França e da Inglaterra

Toque de sino exorcístico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“O momento em que o Maligno finalmente fica reduzido à impotência é o do tilintar do primeiro toque da meia-noite de Natal”.(1)

A raiva do demônio

“Um antigo conto de Natal nos apresenta uma descrição forte e ingênua da raiva do demônio pela vinda do Messias:

“'Eu me enraiveço'.

O demônio, certamente, dentro de seu coração se enraivece, porque Deus vem presentemente salvar os filhos de Adão e de Eva, de Eva, de Eva!

Ele reinava absolutamente sem nos dar trégua, mas esse santo acontecimento livra os filhos de Adão e de Eva, de Eva, de Eva!

Cantemos o Natal altamente, saiamos de nosso pesadelo, bendigamos a salvação de todos os filhos de Adão e de Eva, de Eva, de Eva”.(2)

Sortilégios perdem o poder

“No Limousin, França, percorrendo os campos, encontra-se a crença de que os malefícios, os sortilégios e todas as obras do espírito do mal perdem seu poder na noite de Natal; e que é permitido chegar até os tesouros mais escondidos, pois a vigilância dos monstros –– ou dos seres preternaturais que os guardam –– torna-se nula, ou seu poder suspenso”.(3)

Shakespeare recorda uma lenda

“Dizem que, sempre na época em que é celebrado o Natal de nosso Salvador, o pássaro da aurora canta durante toda a noite; e então, nenhum espírito mau ousa vagar pelo espaço; as noites não trazem malefícios, os planetas não exercem má influência, nenhum encantamento consegue atrair, nenhuma bruxa tem o poder de fazer mal: tão abençoado é esse tempo, e tão sagrado!”.(4)

______________
Notas:
1. http://www.joyeux-noel.com
2. Bíblia dos Natais, p. 33.
3. M. G., de la Société archéologique du Limousin.
4. Shakespeare, Hamlet, ato I, cena I.



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domingo, 24 de novembro de 2013

“Os 12 dias de Natal”: canção e catecismo secreto dos católicos perseguidos

São Gabriel, Rodez, França
São Gabriel, Rodez, França

Há uma bela canção de Natal inglesa intitulada Twelve Days of Christmas (Os 12 dias do Natal), pouco conhecida entre nós.

Ela surgiu durante a época da perseguição anglicana contra os católicos naquele país, no século XVI.

Com a pseudo-reforma protestante, países como a Inglaterra, ao abandonarem o regaço da Santa Igreja e caírem na heresia, começaram a perseguir os católicos, tornando quase impossível a prática da verdadeira Religião.

Para comunicar aos fiéis a sã doutrina e poderem celebrar sem medo de represálias o Natal do Salvador, segundo a tradição da Santa Igreja, católicos ingleses compuseram tal música, que é um catecismo secreto, porquanto expressa em símbolos a realidade de nossa fé.

Ela foi também utilizada muitas vezes pelos católicos durante as perseguições anticristãs e anti-monárquicas da Revolução Francesa.

domingo, 10 de novembro de 2013

Por quê se glorifica o Santíssimo Nome de Jesus?

Santíssimo Nome de Jesus, catedral de Salvador, Bahia
Santíssimo Nome de Jesus, catedral de Salvador, Bahia

A Festa do Santíssimo Nome de Jesus é celebrada de diversas formas desde tempos imemoriais. Porém, entrou no calendário Católico Romano no fim da Idade Média.

A festa foi alargada para toda a Igreja Católica Romana em 20 de Dezembro de 1721, pelo papa Inocêncio XIII. Mas, o dia exato varia segundo o calendário de Natal.

Por que essa insistência especial no Nome de Jesus?

Por que grandes santos da Igreja afugentavam os demônios com o Nome de Jesus?

Quando fazemos algo de muito importante. Por exemplo, no início da Missa o padre se persigna; por ocasião da leitura de um testamento, diz-se: “Em nome da Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo, eu, Fulano de tal, faço meu testamento.”

Pela ordem profunda das coisas – que foi truncada pelo pecado original – , a linguagem humana era capaz de exprimir adequadamente as coisas, dando-lhes um nome adequado.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Uma grande razão para rezarmos pelas almas dos falecidos: o Purgatório

Pensando no bem que podem ganhar nesta data religiosa as almas dos fiéis defuntos -- ente as quais pode haver parentes ou amigos nossos -- reproduzimos a continuação o post Museu das almas do Purgatório 1: uma janela para o além que merece ser mais estudada com estimulante matéria a respeito para rezarmos por essas almas.


Fachada da igreja do Sagrado Coração do Sufrágio

Indo à Basílica de São Pedro pelo Lungotevere – a avenida que bordeja o histórico rio Tibre – o romeiro é surpreso por uma bonita igreja que tem o imponderável de conter algo muito singular.

Não é só o fato de seu estilo neogótico evocar a França e destoar do distendido conjunto arquitetônico romano.

Luminosa, delicada, esguia, sorridente, mas infelizmente fechada boa parte do dia, a igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano.

VER EM GOOGLE MAPS

Perguntei a amigos romanos o que havia nessa igrejinha.

Eles me explicaram – não sem antes me prevenirem de não me espantar – que lá havia um Museu das Almas do Purgatório.

Quer dizer, uma coleção de sinais do além deixados por essas almas, que na maioria das vezes apareceram ardendo internamente a parentes ou irmãos de religião.

domingo, 27 de outubro de 2013

Santa Genoveva: heroína que salvou Paris dos bárbaros

Santa Genoveva

Em 451, Átila à testa de sua horda de hunos ameaçou Paris.

“A grama não volta a crescer onde pisa meu cavalo”, vangloriava-se o chefe bárbaro. Pois, ele tudo arrasava.

Santa Genoveva (419/422 ‒ 502/512) tinha só 28 anos mas, pela sua virtude e força de caráter, convenceu os habitantes de Paris de não abandonarem a cidade nem a entregarem aos pagãos.

Ela exortou os parisienses a resistir à invasão:

sábado, 19 de outubro de 2013

O milagre da escada... de Nossa Senhora da Escada!
(Lisboa, Portugal)

Nossa Senhora da Conceição da Escada, Lisboa, Portugal. Fundo: castelo de São Jorge
Nossa Senhora da Conceição da Escada, Lisboa, Portugal.
Fundo: castelo de São Jorge, Lisboa
Há muitos, muitos anos, ainda nos alvores da História portuguesa, existia no Rossio de Lisboa, uma pequena ermida abobadada e com a altura de um primeiro andar. Quem a construiu? E porquê? É o que vou recordar.

Quase desgrenhada de tanto correr, a rapariga estava ofegante, exausta. O seu traje falava de miséria, o seu rosto tinha estampada uma expressão de horror. Parou olhando o céu, e chamou, numa voz entrecortada pela dificuldade da respiração:

— Minha Nossa Senhora! Por tudo vos peço que me salveis! Eu estou inocente! Nada roubei, pois apenas quis dar de comer à minha filhinha que morria de fome... Salvai-me, Virgem Santíssima! Salvai-me, e tereis em mim uma serva para toda a vida!

Atrás dela soaram os passos dos seus perseguidores. Desesperada, ela achou forças para voltar a correr. Dobrou a esquina do Rossio e, de súbito, ouviu uma voz que vinha do Alto:

— Vou salvar-te, minha filha, O teu pecado está já bem redimido pela tua dor. Quiseste apenas salvar a tua filha. Agora sou eu quem te salvará.

domingo, 13 de outubro de 2013

Os milagres da caridade: sublime equilíbrio da Igreja ante a miséria e a doença

Santa Isabel de Hungría

(...) Contudo, os leprosos continuavam sempre a ser o objeto de sua predileção (de Santa Isabel de Hungria) e de algum modo até de sua inveja, pois (a lepra) era, entre todas as misérias humanas, aquela que melhor podia desapegar suas vítimas da vida.

Frei Gérard, Provincial dos franciscanos da Alemanha, que era, depois de mestre Conrad, o confidente mais íntimo de seus piedosos pensamentos, vindo um dia visitá-la, ela pôs-se a falar longamente sobre a santa pobreza.

Pelo fim da conversa exclamou:

“Ah!, meu Pai, o que eu quereria antes de tudo e do fundo do meu coração, seria ser tratada em todas as coisas como uma leprosa qualquer. Quisera que se fizesse para mim, como se faz para essa pobre gente, uma pequena choupana de palha e feno, e que se pendurasse diante da porta um pano, para prevenir os transeuntes, e uma caixa, para que nela se pudesse colocar alguma esmola”. 

Com essas palavras, perdeu o conhecimento e ficou numa espécie de êxtase, durante o qual o Padre Provincial, que a sustentava, ouviu-a cantar hinos sacros; depois disto voltou a si.

domingo, 22 de setembro de 2013

A milagrosa origem da devoção a Nossa Senhora da Lapa

Nossa Senhora da Lapa, Arcos de Valdevez, Portugal



A história da devoção a Nossa Senhora da Lapa iniciou-se em meados do ano de 982 em Portugal.

Naquela data o general mouro Almançor, em uma de suas campanhas militares atacou o Convento de Sisimiro, situado na localidade de Quintela, Sernancelhe.

O cruel mouro martirizou parte das religiosas que ali se encontravam.

As religiosas que teriam conseguido escapar do general se abrigaram numa lapa (gruta), levando consigo uma imagem de Nossa Senhora.

A imagem ficou ali por cerca de quinhentos anos e foi sendo esquecida.

Em 1498, uma jovem pastora chamada Joana, menina ainda e muda de nascença, ao pastorear as ovelhas pelos arredores da gruta, teria resolvido adentrar e teria encontrado a imagem, pequena e formosa.

Porém a inocência da menina teria interpretado o achado como uma boneca e a teria colocado na cesta onde guardava seus pertences e seu lanche.

Durante o pastoreio, a menina enfeitava a cesta como podia, procurando as mais lindas flores para orná-la.

Embora as ovelhas se encontrassem sempre no mesmo lugar, estavam sempre alimentadas e tranquilas, o que despertou comentários entre algumas pessoas.

domingo, 15 de setembro de 2013

Os vários sentidos do Santíssimo Nome de Maria e a vitória contra os muçulmanos

Imaculada Conceição, no mosteiro das dominicanas de Caleruega, Espanha
Imaculada Conceição, no mosteiro das dominicanas de Caleruega, Espanha
No dia 12 de setembro é a festa do Santíssimo Nome da Bem-aventurada Virgem Maria.

Sua celebração foi estendida à Igreja Universal pelo Bem-aventurado Inocêncio XI em lembrança da insigne vitória das armas católicas sobre os turcos que sitiavam Viena, capital do Sacro Império Romano Alemão, na Áustria.

A famosa vitória aconteceu em 1683, mediante a proteção da mesma virgem, e através do gládio do famoso João Sobieski, Rei da Polônia.

A libertação de Viena teve lances milagrosos, e para agradecer por essa vitória o Bem-aventurado Papa Inocêncio XI instituiu a festa do Santíssimo Nome de Maria.

Em seu famosíssimo comentário L’Année Liturgique, D. Guéranger reproduz uma citação do Santo Alberto Magno, professor de São Tomás de Aquino, sobre os vários sentidos do nome de Maria.

domingo, 1 de setembro de 2013

Alma Redemptoris Mater: hino que resume os significados do nome de Maria

Nossa Senhora, século XIII, Museu de Cluny, Paris
Nossa Senhora, século XIII, Museu de Cluny, Paris
Encontramos contidos os vários significados do nome de Maria no hino medieval Alma Redemptoris Mater.

Ele foi composto pelo bem-aventurado Hermann de Reichenau (1013-1054), também chamado Hermannus Contractus, Hermannus Augiensis ou Herman o Aleijado, como nosso Aleijadinho, aliás.

Além de músico e compositor, ele foi professor, matemático e astrônomo.

Hermannus foi paralítico desde criança, tendo nascido com muitos defeitos físicos.

Os médicos modernos acham que ele sofria de esclerose amiotrófica lateral ou alguma atrofia da coluna vertebral.

Por isso tinha enorme dificuldade para falar e movimentar-se.

Os pais não quiseram saber dele e depositaram-no num mosteiro beneditino para não vê-lo mais.

Os monges o receberam e educaram. E o menino aleijado começou a mostrar um admirável interesse pela teologia e em geral por todas as coisas que via e ouvia.

Ele passou quase toda sua vida na abadia de Reichenau, numa ilha do Lago de Constança, na Suíça.

E revelou-se surpreendente compositor musical. Entre suas obras que restaram figura um oficio completo para Santa Afra e outro para São Wolfgang.

domingo, 18 de agosto de 2013

“Lembrai-vos”: a oração de São Bernardo
que comove o coração de Nossa Senhora

Madonna Lochis, C.Crivelli, Bergamo, Itália
Madonna Lochis, C.Crivelli, Bergamo, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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O Lembrai-vos é uma oração a Nossa Senhora, também conhecida como “Memorare” (do nome em latim) ou como “Oração de São Bernardo” (a quem é atribuída a autoria).

No século XVI, o Pe. Claude Bernard divulgou extraordinariamente esta piedossísima oração.

A oração em Português:
Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção,
implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, com igual confiança,
a Vós, o Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro, de Vós me valho e,
gemendo sobre o peso dos meus pecados,
me prostro a vossos pés.
Não rejeiteis as minhas súplicas,
ó Mãe do Verbo de Deus humanado,
mas dignai-Vos de as ouvir propícia,
e de me alcançar o que vos rogo.
Amén.

domingo, 4 de agosto de 2013

O Santo Rosário devoção que Nossa Senhora deu para o triunfo da cruzada contra os cátaros

Nossa Senhora da o terço a São Domingos de Gusmão, Orações e milagres medievais
Nossa Senhora entrega o terço a São Domingos de Gusmão

O Rosário é uma série de orações, acompanhadas de meditação em honra da Santíssima Virgem.

Chama-se Rosário porque é como uma coroa de rosas que se oferece a Maria. A oração principal do Rosário é a Ave Maria.

O Rosário tem por autor S. Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores ou Dominicanos.

O uso de honrar a Maria rezando repetidas vezes o Padre Nosso, a Ave Maria e o Glória Patri foi inaugurada no século V por Santa Brígida, abadessa de um mosteiro de beneditinas na Irlanda.

Para facilitar tal prática, sujeitando a uma ordem invariável as orações que a compunham, Santa Brígida serviu-se de contas de diferentes tamanhos, enfileiradas em forma de coroa.

São Domingos, aperfeiçoando esse terço de acordo com as indicações de Maria, formou o Rosário tal qual hoje existe.

No século XV, tendo decaído o uso do Rosário, pela desgraça dos tempos, Deus suscitou o Bem-aventurado Alain de la Roche, dominicano bretão, para restabelecê-lo em todo o seu brilho.

Segundo vários documentos pontifícios, S. Domingos teve sobre o Rosário uma revelação particular de Maria, por volta do ano 1206.

domingo, 21 de julho de 2013

A Prosa parisiense da Dedicação da catedral de Notre Dame

Dedicação de uma igreja. Iluminura medieval.
Dedicação de uma igreja. Iluminura medieval.

A consagração de uma igreja é o momento mais importante de sua história.

O templo que até então não era mais que um prédio, de maior ou menor beleza segundo os casos e de um valor apenas material, em virtude da consagração litúrgica se transforma no local sagrado onde Deus passa a morar.

Pela ceremonia da dedicação Deus estabelece uma Aliança com o templo, da maneira análoga à Aliança que fez com a humanidade se fazendo homem.

O nome de dedicação vem do fato do templo ser consagrado, ou dedicado, a um titular, quer dizer, ao próprio Deus, a Nosso Senhor, a Nossa Senhora, a um anjo ou a um santo.

A festa da dedicação todo ano relembra esse acontecimento fundador. A igreja toda canta e exulta suas núpcias com Cristo Nuestro Señor, seu Rei, Pai e Esposo.

No século XII, Adam de Saint-Victor (1112 – 1192) concebeu um hino excecional para essa festa. La “Prose de la Dédicace”, ou “Prosa da dedicação” da catedral Notre Dame de Paris se espalhou rápidamente pela Europa toda e é cantada até nossos días, malgrado a cacofonía que foi atropelando muitas cerminônias.

domingo, 7 de julho de 2013

O fim do mundo relembrado no Canto da Sibila e no Dies Irae

Canto da "profecía" da Sibila na Espanha

Ainda hoje, nas catedrais e igrejas de Mallorca e Alguer, cidade da Sardenha, costuma-se entoar na Missa de Galo o Canto da Sibila. Trata-se de um drama litúrgico de melodia gregoriana.

O Canto da Sibila é uma tradição oriunda da Baixa Idade Média e tem muitas versões.

Sibila é uma personagem da mitologia grega e romana – dizia ser uma profetiza inspirada por Apolo, e que conhecia e anunciava o futuro.

De fato, houve diversas sibilas (ou adivinhas) pagãs que moravam em grutas ou perto de mananciais, com as quais consultavam os supersticiosos pagãos.

Elas falavam sempre em estado de transe, utilizando muitas anfibologias (=frases com duplo sentido) e em hexâmetros gregos que se transmitiam por escrito.

Em espanhol existe este ditado: “En brujas no se debe creer, pero que las hay, las hay” (“Nas bruxas não se deve acreditar, mas que as há, as há”). E as sibilas, por vezes iluminadas por potencias infernais, podiam dar a conhecer fatos que depois se verificavam.

Na mitologia pagã, a Sibila teria profetizado o fim do mundo. Essa profecia dizia coisas que se assemelhavam com a escatologia bíblica relativa ao fim dos tempos e ao Juízo Final.

domingo, 16 de junho de 2013

Santo Antonio, “Arca do Testamento” e “Martelo dos Hereges”, e o milagre de tomada de Orã

Santo Antônio, cf. representação de Giotto ( Legenda de São Franciso - Aparição de Arles - detalhe  )
Santo Antônio, Giotto, basílica de Assis

Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, Confessor e Doutor da Igreja é chamado “Arca do Testamento” e “Martelo dos Hereges”, foi um frade franciscano do século XIII.

Estando em 1950 em Assis, eu tive ocasião de me documentar a respeito de como era Santo Antônio.

E ali se mostra, na Basílica de Assis, um quadro pintado por Giotto, que passa por ser o quadro mais provavelmente representativo da pessoa de Santo Antônio.

E se trata de uma pessoa de corpo hercúleo, de pescoço taurino, forte, de expressão de fisionomia séria, de olhar imperioso e majestoso.

Sua atitude corresponde a um Doutor da Igreja que ele era.

Comprei então algumas fotografias dessa imagem.

Ao mesmo tempo, comprei uma pilha de estampas iguais que eram vendidas às pessoas que iam à igreja também.

Mas, elas representavam Santo Antônio, não de acordo com a probabilidade histórica do quadro de Giotto, mas de acordo com uma concepção que figura nas imagens comuns.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Corpus Christi e sua solene procissão em Toledo

Santissimo Sacramento na procissão
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Idade Média, o Papa Urbano IV (1195 — 1264) instituiu a festa de Corpus Christi após o portentoso milagre eucarístico de Bolsena.

Agindo assim atendeu o apelo insistente de muitas almas que ardiam de devoção pelo Ssmo. Sacramento.

Sobre como aconteceu a instituição da festa de Corpus Christi, veja embaixo: “Origem da Festividade de Corpus Christi”.

Esta festa, uma das mais solenes da Igreja, é marcada por grandes procissões eucarísticas, inclusive nos nossos tão conturbados dias de abandono da fé, em que se contraria o que a Igreja Católica ensina.

Apresentamos a seguir uma descrição por Felipe Barandiarán de uma das mais belas procissões nesta magna festa. Ela acontece todos os anos na cidade de Toledo (Espanha).

Muitos dos aspectos relatados pelo jornalista podem ser vistos no vídeo embaixo.
Todos os corpos sociais participam oficialmente

A manhã está luminosa. Subo a pé, ofegante, as empinadas encostas de Toledo.

Deixei o carro embaixo, estacionado junto ao rio Tejo, pois se é tarefa difícil circular habitualmente pela cidade, no dia de Corpus Christi torna-se impossível.

As estreitas ruas do centro histórico estão impedidas, porque a cidade está situada no alto de uma pronunciada elevação, defendida pelo próprio rio e pelas muralhas medievais.

No caminho, vou me unindo a muitos outros toledanos ou visitantes que se apressam como eu para assistir à grandiosa procissão.

Embora os ventos de vulgaridade que varrem o mundo moderno tenham desterrado o bom costume de se vestir melhor nos domingos e dias de festa, em Toledo, hoje, todos ostentam suas melhores vestes.

E não há mulher que não estreie algo. Divirto-me ao ver as pessoas, encantadas, mostrando suas novidades em matéria de vestuário.

Ainda não cheguei à Praça de Zocodover, ao alto, centro nevrálgico desta pequena e imperial cidade, quando ouço uma salva de morteiros.

Voluntárias de Lourdes
Ela indica que a Missa Pontifical terminou e que a procissão começa a sair da chamada Porta Plana da catedral.

As pessoas estão postadas ao longo de todo o percurso. Somente os participantes do cortejo — metade de Toledo — e alguns convidados puderam assistir ao ofício divino no interior do templo.

Restringindo-se às preces, imóvel, para deixar livre o caminho, a outra metade de Toledo aguarda impaciente.

A rua está salpicada de areia molhada e plantas odoríferas, e os balcões engalanados com ricos tecidos bordados, bandeiras, mantas coloridas, grinaldas, vasos e alegres cestos de flores.

Em sinal de respeito e para acolher o Santíssimo Sacramento, antigos toldos de lona branca, provenientes das confrarias de tecelões e de especialistas em sedas, cobrem as ruas, estendidos ao longo das casas.

Agora já pode ser vista, abrindo o cortejo, a cavalaria da Guarda Civil. Atrás, a banda de música desta corporação e os timbaleiros da Prefeitura.

Riquíssima custódia reservada para a procissão
Em seguida, ostentando uma vara da mesma altura da custódia do Santíssimo Sacramento, com a qual medira na véspera os espaços das ruas, para que nada impedisse o reluzimento do cortejo, vinha, vestido de negro, o mestre de cerimônias.

Segue-lhe a cruz processional do século XV, presente do Rei Afonso V de Portugal, o Africano.

Valendo-me de minha credencial de jornalista, avanço discretamente em sentido oposto ao da procissão, cujo percurso é coberto pelos cadetes da Academia de Infantaria, instituição protagonista da legendária defesa do Alcácer de Toledo, na guerra de 1936 contra o comunismo.

A procissão transcorre em duas filas paralelas, tendo ao centro os priores, capelães ou dignidades de cada irmandade, cada qual portando báculo, medalha ou algum elemento que o distingue dos restantes de seus membros, e precedidos pelo estandarte correspondente.

Passo junto à confraria dos Cultivadores de Hortelã. Logo vêm os meninos e as meninas que fizeram a Primeira Comunhão, os grupos de Apostolado Secular e da Adoração Eucarística Perpétua, mais de 20 Confrarias e Irmandades com seus pendões correspondentes, a Hospitalidade de Lourdes e as Ordens Terceiras.

Ao som de seus instrumentos, a banda de música da Prefeitura arranca lágrimas de emoção.

Continuo avançando. Quero chegar até a porta da Catedral. O espaço é exíguo. Fascina-me a maravilhosa simbiose entre cortejo e público estuante de vida, mas conservando a ordem com naturalidade.

Sucessivamente, passo pelas religiosas de vida apostólica, pelos Cavalheiros da Ordem de Malta, pelo Capítulo dos Cavalheiros Mozárabes e pelo do Santo Sepulcro, pelos Fidalgos de Illescas e os Cavalheiros de Corpus Christi, além de outros, que ostentam com galhardia suas cruzes distintivas nas capas.

Agora é a vez de passarem os seminaristas, o clero regular e secular, a Irmandade da Santa Caridade, a famosa Cruz de Mendoza, os acólitos e o Cabido Primado.

Estou felizmente diante da Catedral, junto à companhia militar perfilada para prestar honras ao Santíssimo Sacramento.

Das paredes externas do magnífico templo gótico, em cuja entrada sorri encantadora a famosa imagem de Nossa Senhora, La Virgen Blanca.

Crianças da Primeira Comunhão
Da parede pendem 48 enormes tapetes flamengos com alegorias eucarísticas, datados do século XVII e confeccionados especialmente para esta festividade.

A famosa custódia toledana, encomendada pelo Cardeal Cisneros ao grande ourives do século XVI, Henrique de Arfe, está a ponto de cruzar o limiar da Porta Plana.

Sinto, em torno de mim, a respiração contida. Um emocionante silêncio precede a custódia do Santíssimo.

Sua aparição estala numa apoteose de aplausos, afogados pelo estrondo de salvas de 21 tiros de canhão (as mesmas devidas a um rei) e o repique dos sinos.

A formação militar saúda e a banda de música interpreta com força a Marcha Real. Através da nuvem de incenso que nos envolve, o Santíssimo Sacramento avança lentamente. Deus está aqui!

A rica custódia gótica, de 183 quilos de prata e dezoito de ouro, é transportada numa carruagem florida sob a escolta dos cadetes da Academia de Infantaria.

A procissão em andamento
Atrás, na segunda parte da procissão, vêm as máximas representações: o Arcebispo-primaz de Toledo com seu séquito, as autoridades regionais e provinciais, o prefeito da cidade acompanhado de seu gabinete, e o corpo docente universitário.

Encerrando o cortejo, desfila a Companhia de Honras da Academia de Infantaria com sua bandeira e banda de música.

Diante de um pequeno palanque montado na Praça de Zocodover repleta de gente, a custódia se detém e um orador sacro pronuncia um sermão de exaltação eucarística.

Ao terminar, acompanhando a procissão de regresso à catedral, a multidão entoa com devoção o popular hino de adoração ao Santíssimo:

“Cantemos ao Amor dos amores, cantemos ao Senhor. Deus está aqui! Vinde, adoradores; adoremos a Cristo Redentor.

“Glória a Cristo Jesus! Céus e Terra, bendizei ao Senhor. Louvor e glória a Ti, ó Rei da glória; Amor para sempre a Ti, Deus de amor!”

Se o sol de Toledo ilumina de verdade, mais do que ele resplandece e ofusca, elevado na custódia, o Santíssimo ao passar pelas suas ruas.


Clique aqui para ouvir (Coro da TFP americana):



o corporal ensanguentado está na basílica de Orvieto onde pode é visto e venerado pelos fiéis
Corporal com gotas do Preciosíssimo Sangue do milagre de Bolsena,
na basílica de Orvieto
Origem da Festividade de Corpus Christi

Em fins do século XIII surgiu em Liège, na Bélgica, um movimento eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon, fundada em 1124 pelo bispo Albero de Liège.

Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como, por exemplo, a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso da campainha durante a elevação na Missa e na festa de Corpus Christi.

A festividade foi celebrada pela primeira vez em 1246, tendo sido fixada para a quinta-feira posterior à comemoração do dia da Santíssima Trindade.

O Papa Urbano IV (1195 — 1264) tinha então sua cúria em Orvieto, um pouco ao norte de Roma.

Muito próximo dessa localidade encontra-se Bolsena, onde em 1264 ocorreu o famoso Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse real.

Ao partir a Hóstia, dela saiu sangue, o qual foi empapando o tecido chamado corporal. A venerável relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 de junho de 1264.

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.
O padre celebrava mas com sérias dúvidas
sobre Presença Real de Cristo na Hóstia consagrada
quando essa começou a pingar sangue.
Hoje se conservam em Orvieto os corporais — onde o cálice e a patena se apoiam durante a Missa do milagre —, podendo-se também ver a pedra do altar de Bolsena manchada de sangue.

Movido por aquele prodígio e a pedido de vários bispos, o Santo Padre determinou que a festa de Corpus Christi se estendesse a toda a Igreja por meio da bula Transiturus, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.

Depois, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encomendou um Ofício — liturgia das horas — a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o Ofício composto pelos dois santos, foi rasgando o de sua autoria em pedaços...

Nenhum dos decretos exarados então se refere à procissão com o Santíssimo Sacramento como um ato da celebração.

Entretanto, a mesma foi dotada de indulgências pelos Papas e o Concílio de Trento enaltece esse piedoso costume.