domingo, 12 de agosto de 2018

A Assunção: prêmio pelos sofrimentos da co-redenção

Assunção, Fra Angelico  (1395 – 1455), Google Cultural Institute.
Assunção, Fra Angelico  (1395 – 1455), Google Cultural Institute.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nosso Senhor quis Ele mesmo subir aos céus contemplado pelos homens. Mas, também quis que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu, depois da dEle, se desse diante do olhar humano.

Por quê?

Era preciso que a Ascensão fosse vista por homens que pudessem dar testemunho desse fato histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos céus.

Subindo ao Céu, Ele abriu o caminho para as incontáveis almas que estavam no Limbo esperando a Ascensão para irem se assentar à direita do Padre Eterno.

Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo ninguém podia entrar no Céu. Só os anjos estavam lá.

Então Nosso Senhor, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – porque Ele ao mesmo tempo era Homem-Deus – que subiu aos Céus.

E enquanto Redentor nosso, Ele abriu o caminho dos Céus para os homens.

Também era preciso que Ele, que sofreu todas as humilhações, tivesse todas as glorificações.

E glória maior e mais evidente não pode haver do que o subir aos Céus.

Porque significa ser elevado por cima de todas as coisas da terra e unir-se com Deus Pai transcendendo esse mundo onde nós estamos para se unir eternamente com Deus no Céu Empíreo.

Jesus Cristo quis que Nossa Senhora tivesse a mesma forma de glória.

Assim como Ela tinha participado como ninguém do mistério da Cruz, que Ela participasse também da glorificação dEle.

A coroação no Céu foi a culminação da Assunção. Fra Angelico  (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença
A glorificação dEla se deu sendo levada aos céus.

Foi uma assunção e não uma ascensão. A ascensão foi a de Nosso Senhor ao céu por Sua própria força e poder.

A assunção não é igual. Nossa Senhora não subiu ao Céu por um poder próprio, mas pelo ministério dos anjos. Ela foi carregada aos céus pelos Anjos.

Foi a grande glorificação dEla nesta terra, prelúdio da glorificação dEla no Céu.

No momento em que Ela entrou ao Céu, Ela foi coroada como Filha dileta do Padre Eterno, como Mãe admirável do Verbo Encarnado e como Esposa fidelíssima do Divino Espírito Santo.

Nós devemos conceber a Assunção como um fenômeno gloriosíssimo.

Infelizmente, os pintores da Renascença para cá não souberam descrever a glória que cercou este espetáculo.

Quando se quer glorificar alguém, todo mundo se põe nos seus melhores trajes, na casa se exibem os melhores objetos, se ornamenta com flores, tudo aquilo que há de mais nobre é exibido para glorificar a pessoa a quem se quer homenagear.

Esta regra da ordem natural das coisas é seguida também no Céu. Então é claro que o maior brilho da natureza angélica, o fulgor mais estupendo da glória de Deus deve ter aparecido no momento em que Nossa Senhora subiu ao Céu.

Assunção, igreja de São Cipriano, Londres
Muitas vezes na história a presença dos anjos se faz sentir de um modo imponderável, embora não seja uma revelação deles.

Mas nesta ocasião, deveriam estar rutilantíssimos, num esplendor invulgar.

É natural também que o sol tenha brilhado de um modo magnífico, que o céu tenha ficado com cores variadas refletindo a glória de Deus como numa verdadeira sinfonia.

É natural que as almas das pessoas que estavam na terra tenham sentido essa glória de um modo extraordinário, a verdadeira manifestação do esplendor de Deus em Nossa Senhora.

Nenhum dos esplendores da natureza podia se comparar com o esplendor pessoal de Nossa Senhora subindo ao Céu.

À medida que Ela ia subindo, como num verdadeiro monte Tabor, a glória interior dEla ia transparecendo aos olhos dos homens.

O Antigo Testamento diz dEla: omnis glória eius filia regis ab intus ((Ps 44, 10) – toda a glória da filha do rei lhe vem de dentro.

Com certeza essa glória interna dEla se manifestou do modo mais estupendo quando, já no alto de sua trajetória celeste, Ela olhou uma última vez para os homens, antes de deixar definitivamente esse vale de lágrimas e ingressar na glória de Deus.

Foi o fato mais esplendorosamente glorioso da história depois da Ascensão de Nosso Senhor.

Comparável apenas com o dia do Juízo Final em que Nosso Senhor Jesus Cristo virá em grande pompa e majestade para julgar os vivos e os mortos.

Assunção de Nossa Senhora, Cantillana, Espanha.
Assunção de Nossa Senhora, Cantillana, Espanha.
Junto com Ele, toda reluzente da glória dEle, aparecerá também Nossa Senhora.

Nós devemos considerar aí a impressão que tiveram os apóstolos e os discípulos quando A viram subir ao Céu.

A tradição narra que o apóstolo São Tomé duvidou da Ascensão.

Por isso foi convidado por Nosso Senhor a meter a mão na chaga sagrada do flanco dEle.

Ele recebeu a Pentecostes e ficou confirmado em graça e um grande santo.

Mas conta uma tradição venerável que, porque ele duvidou da Ascensão, na hora da morte e da Assunção de Nossa Senhora ele não estava presente.

Quando chegou Nossa Senhora já estava a certa distância da terra.

E ali vemos a índole de Nossa Senhora super materna, incomparável. Quando

Foi um castigo pungente e merecido por uma culpa tão reparada.

Então, conta-se que Ela sorrindo, concedeu uma graça a ele que não concedeu a nenhum outro:

Ela desatou o seu cinto e de lá de cima fez cair o cinto sobre ele, que ele recebeu – não como um perdão, porque ele já estava perdoado – mas como uma suprema graça, que era uma relíquia dEla atirada para ele do mais alto dos céus.

Assim faz Nossa Senhora quando tem algo a perdoar a algum filho muito dileto.

Ela pune às vezes, porque às vezes Ela nem sequer pune, mas Ela o faz com um sorriso tão bondoso, de um perdão tão completo e de uma graça tão grande que São Tomé poderia mostrar esse presente dizendo:

“o felix culpa, ó culpa feliz! Eu tive a desgraça de duvidar de meu Salvador, mas em compensação eu tive a felicidade de receber esta relíquia direta e celeste de minha Mãe Santíssima”.

Assunção, col. UTS, manuscrito MS49
O último favor dEla, a amenidade mais extrema, a bondade mais suave Ela deu exatamente a São Tomé.

Isto nos deve encorajar.

Não há nenhum de nós que não tenha falhas, não tenha algum perdão a pedir.

Nós devemos pedir a Nossa Senhora na festa da Assunção que Ela olhe para nossas falhas, e nos dê um perdão.

Se nós chegarmos atrasados, que Ela nos dê o favor especial, particularmente rico e suave, de maneira tal que quando os acontecimentos anunciados por Nossa Senhora em Fátima nós estejamos prontos.

Em Fátima durante no milagre do sol, esse se manifestou de um modo tão esplêndido, num espetáculo de terribilidade.

Na Assunção de Nossa Senhora poderemos ir nos preparando para os grandes momentos previstos em Fátima com a certeza de que Ela nos sorrirá com a super maternidade com que tratou a São Tomé.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 10.8.1968, sem conferição do autor)




Vídeo: Assunção da imagem de Nossa Senhora em Cantillana, Espanha, 2017





O mesmo ato da assunção, completo, em 2013





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domingo, 29 de julho de 2018

Como o Papa São Leão Magno domou a cólera de Átila

O Papa São Leão Magno. Fresco em Subiaco, Itália
Luis Dufaur
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Átila, chefe dos bárbaros hunos vinha saqueando a Itália toda.

As autoridades de Roma imploraram ao Papa São Leão que fosse dissuadir o temível bárbaro.

São Leão Magno foi revestido dos paramentos pontificais.

“Como um leão que não conhece medo nem tardança, este varão se apresentou para falar ao rei dos hunos em Peschiera, pequena cidade próxima de Mantua, e moveu o vencedor a voltar”, diz um cronista da época.

Átila prometeu a paz, fez cessar as hostilidades, e retornou à sua terra atravessando os Alpes.

Os bárbaros perguntaram a seu chefe por que, contra seu costume, havia mostrado tanto respeito para com o Papa.

Átila respondeu que “não foi a palavra daquele que veio me encontrar que me inspirou um medo tão respeitoso; mas eu vi junto a esse Pontífice um outro personagem, de um aspecto muito mais augusto, venerável por seus cabelos brancos, que se mantinha em pé, em hábito sacerdotal, com uma espada nua na mão, ameaçando-me com um ar e um gesto terríveis, se eu não executasse fielmente tudo o que me era pedido pelo enviado”.

Esse personagem era o Apóstolo São Pedro. Segundo outra tradição, o Apóstolo São Paulo estava também presente.


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domingo, 22 de julho de 2018

“Adoro te devote” (“Adoro-Vos devotamente”) hino a Jesus Sacramentado

Igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Luis Dufaur
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Adoro te devote é um dos cinco hinos que Santo Tomas de Aquino compôs em louvor de Jesus presente no Santíssimo Sacramento incluídos em el Missale Romanum de 1570 após o Concilio de Trento (1545–1563).

As circunstâncias em que foram escritos são famosas. O Papa Urbano IV instituiu para a Igreja a festa solene de Corpus Christi com a bula Transiturus em 8 de setembro de 1264, impulsionado definitivamente pelo Milagre de Bolsena.

Na ocasião o Papa estava em Orvieto quando numa pequena cidade vizinha chamada Bolsena, ocorreu o Milagre. Um sacerdote que duvidava da transubstanciação na Santa Missa, no momento de partir a Sagrada Hóstia, saiu dEla sangue em tal abundância que empapou o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa) e se derramou pelo chão do altar.

O padre correu a Orvieto para contar ao Papa o acontecido. Urbano IV mandou conferir o fato e ante as evidências irrefutáveis instaurou a festa de Corpus Christi.

O corporal empapado do Divino Sangue é esplendidamente conservado na basílica de Orvieto construída para esse efeito e é levado na procissão de Corpus Christi todos os anos.

Em Bolsena é venerado o chão manchado com o mesmo Sangue do Milagre.

O mesmo Papa pediu também a Santo Tomás de Aquino e São Boaventura que se encontravam com ele que compusessem os hinos para a Missa de Corpus Christi.

Quando Santo Tomás de Aquino começou a ler o que tinha composto, São Boaventura rasgou os seus. Os outros hinos e sequências são:

domingo, 1 de julho de 2018

O Milagre de Teófilo

Nossa Senhora salva o clérigo que vendeu a alma ao diabo.
Na fachada lateral da catedral Notre Dame, Paris.
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É o caso de Teófilo que agora eu vou contar:
Um milagre tão precioso não é para se calar,
Porque ele nos faz entender e avaliar
O quanto é importante a Nossa Senhora rezar.

Não quero, se possível, no relato me alongar,
Contra vossa paciência poderia eu pecar,
Sei que a oração breve sói a Deus agradar,
Não foi o próprio Cristo o primeiro a nos ensinar?

Era uma vez, assim começa a legenda,
Um homem muito bom, nada mal de renda,
Teófilo, homem de paz, e nunca de contenda
De vida virtuosa, que dispensa emenda.

No lugar onde morava, em sua bela cidade,
Era chanceler do bispo, com muita autoridade
Gozava de boa fama e, para dizer a verdade,
Depois do senhor bispo, era dele a dignidade.

domingo, 17 de junho de 2018

Santo Eduardo o Confessor, rei, e seu anel


Luis Dufaur
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Certo dia, o rei Santo Eduardo o Confessor (1005-1066), rei da Inglaterra, já velho assistia à cerimônia de consagração de uma igreja construída em honra de São João Evangelista.

Nessa hora, um homem muito pobre aproximou-se dele e mendigou-lhe uma esmola “pelo amor de São João”.

O grande monarca passou a mão na bolsa, mas não encontrou nem prata nem ouro.

Santo Eduardo, então, mandou vir seu tesoureiro, mas não foi localizado no meio da multidão. E o pobre seguia implorando esmola.

Santo Eduardo sentia-se muito mal à vontade. Nesse momento lembrou que trazia um anel grande e muito precioso.

Então, ele o tirou do dedo, e pelo amor de São João o deu ao miserável, que lhe agradeceu gentilmente e desapareceu.

Eis o que aconteceu com o anel.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A festa de Corpus Christi para adorar o Santíssimo Sacramento

O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
Luis Dufaur
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A festa de Corpus Christi é dedicada a honrar e adorar o Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia, sob as aparências do pão e do vinho.

Corpus Christi é a manifestação pública da fé no dogma da Presença Real na Hóstia consagrada. Daí as belas procissões realizadas no mundo inteiro.

No Brasil, de norte a sul, cidades enfeitam suas ruas com encantadores “tapetes” de flores para glorificar o Deus humanado.

A festa de Corpus Christi foi inspirada a uma religiosa agostiniana, Santa Juliana de Cornillon (1193–1258), a quem Deus revelou a conveniência para a Igreja dessa celebração.

Santa Juliana foi superiora da abadia de Mont-Cornillon de Liège (Bélgica), fundada em 1124.

A partir dela surgiu um movimento eucarístico que incentivou várias práticas de adoração à Hóstia Consagrada, como a Exposição e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O milagre eucarístico de Bolsena na origem da festa de Corpus Christi

Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Luis Dufaur
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Na Basílica de Santa Cristina em Bolsena, Itália, conserva-se zelosamente há sete séculos, as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena.

Dizemos as ‘menores’ pois as ‘maiores’ estão na catedral de Orvieto.

Trata-se de uma das pedras sagradas onde ainda são bem perceptíveis grumos do precioso Sangue de Nosso Redentor.

O fato miraculoso aconteceu em 1264 e está ligado a dois dos mais poderosos expoentes do pensamento teológico universal: São Tomás de Aquino e São Boaventura.

domingo, 20 de maio de 2018

Pentecostes, a festa do Divino e a paz das nações

Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Luis Dufaur
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A Festa do Divino Espírito Santo, ou a festa do Divino é uma das devoções mais antigas e difundidas no Brasil e alhures.

A origem se encontra no Portugal do século XIV. As primeiras notícias de sua instituição remontam a 1321.

O convento franciscano de Alenquer começou a celebrá-la sob a proteção da rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

A Rainha prometeu ao Divino Espírito Santo peregrinar com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo.

Nessa peregrinação arrecadaria donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com seu filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono.

O pedido foi ouvido, a paz foi feita e a festa vem sendo renovada todo ano até hoje.

domingo, 6 de maio de 2018

São Tomás de Aquino e o hino Pange Lingua:
“Canta ó língua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso”

Santo Tomás de Aquino, detalhe de um estandarte bordado. Igreja de São Domingos, Newcastle, Inglaterra.
Luis Dufaur
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Santo Tomás de Aquino (Rocca Secca, 1225/1227 – Fossa Nuova, 7 Março, 1274) tinha uma vocação eminentemente filosófica, e não de atividade externa.

Ele percebeu que deveria, de acordo com a sua luz primordial, dedicar-se à Teologia e à Filosofia.

Mas além da capacidade para esses estudos, sentia certa inclinação artística.

Quem quiser disto se certificar, basta ouvir o hino Pange lingua, que contém as estrofes do Tantum ergo, composto por ele.

Ele percebia sem dúvida que sua vocação não era a artística – a de compor hinos sacros ou grandes poesias, para as quais estava capacitado –, mas a de se dedicar completamente à Filosofia e à Teologia.

domingo, 22 de abril de 2018

“Oh luz da bem-aventurada Trindade”:
hino de Santo Ambrósio

Santo Ambrósio, Vitale di Bologna
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Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 4/4/397), mestre de Santo Agostinho(340-397), é um dos quatro máximos Padres da Igreja.

Ele está assim representado na Basílica de São Pedro em Roma.

Grande combatente contra a heresia do arrianismo, o corpo do Doutor se conserva incorrupto na basílica a ele dedicada em Milão.

Entre os múltiplos frutos do apostolado do sábio e heroico arcebispo conta-se ter resolvido um dilema que ameaçava dividir os cristãos de seu tempo.

Com efeito, a Igreja após séculos de perseguições romanas, recuperou a liberdade para o culto, enquanto que os templos pagãos foram fechados pelo célebre e insigne Edito de Milão, do imperador Constantino, em 313.

O miolo da discussão era saber se fosse lícito cantar nas igrejas.

Alguns observavam que na hora de compor os cânticos, os músicos apelavam para ritmos e melodias também usadas pelos pagãos.

De ali, julgavam que com esses cânticos acabava se reproduzindo o ambiente dos templos pagãos.

Outros apontavam que cantar orações ou textos como os dos Salmos não poderiam fazer mal ainda que com ressonâncias idolátricas.

domingo, 8 de abril de 2018

A Mulher do Apocalipse e o simbolismo da lua sob os pés de Nossa Senhora


Luis Dufaur
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Nossa Senhora levando o Menino Jesus é símbolo da Igreja. A Igreja (= Ecclesia) aparece em pé sobre a lua minguante para sublinhar que seus fundamentos são o Antigo Testamento. Sem dúvida, é também um símbolo da vitória da Igreja sobre a Sinagoga (cfr. Dayton University, Mary Page).

Na iconografia, Nossa Senhora passou a representar também a Igreja herdando seus atributos. O Gradual Katharinenthal de 1312 apresenta uma imagem de transição, onde a mesma figura feminina contém ou têm os atributos simultaneamente da Igreja, de Maria e da Mulher do Apocalipse.

As primeiras representações da Ecclesia (=Igreja) nos séculos X-XII a apresentam como a mulher apocalíptica enfrentando o dragão. O motivo da mulher apocalíptica é aplicado em uma variedade de formas a Maria.

Por volta de 1348 espalhou-se um tipo de escultura mariana chamada Madonna que pisa a lua crescente (Mondsichel-Madonna), onde a representação da mulher do Apocalipse dispensa o uso do símbolo da lua (por exemplo, na escultura de Trier, 1480. VER VIDEO EMBAIXO).

Por vezes, como por exemplo nas representações do Platytera (ícone que pinta a Nossa Senhora orante), faz-se a oposição do sol (o Salvador) que nasce de Maria de um lado, e da raça humana que precisa de salvação (lua) de outro (Katharinenthal, 1312).

sábado, 31 de março de 2018

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

domingo, 11 de março de 2018

Comentário ao “Vinde Espírito Santo”

Pentecostes. Iluminura da coleção da
University of Califórnia - Berkeley, UCB 059
Luis Dufaur
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Em post anterior -- O hino "Vinde, Espírito Santo": quando reis disputavam em piedade com cardeais e Papas -- reproduzimos alguns dados históricos da famosa “seqüência” (um tipo de hino) “Veni Sancte Spiritus” (“Vinde, Espírito Santo”) cantada na festa de Pentecostes.

Será sempre útil um comentário sobre o valor e a utilidade dessa oração. É o que reproduzimos a continuação.

O bom espírito, o espírito reto, o senso católico é um dom de Deus. Não é uma coisa que o homem encontre com o mero exercício de sua inteligência, mas é algo que sua inteligência encontra movida e vivificada por um dom interno de Deus, que procede do Divino Espírito Santo.

Razão pela qual os homens pedem a Deus o espírito reto por meio da oração, com muita insistência, empenho e humildade, persuadidos que sem um dom celeste, não conseguirão.

Todo bom movimento da alma visando a virtude sobrenatural nos vem da graça de Deus, e essa graça é preciso pedi-la.

Não podemos ter a presunção de que o mero exercício de nossa inteligência é suficiente. Então, pedimos: “Vinde, Espírito Santo”.

Nós temos de pedir que o Divino Espírito Santo venha a habitar dentro de nossa alma com uma intensidade e com uma plenitude cada vez maior,.

Pela habitação do Espírito Santo, nosso espírito se torna capaz dos grandes pensamentos, volições, generosidades, percepções, resoluções, que sem o Espírito Santo é absolutamente impossível praticar.

A alma batizada é um templo onde está permanentemente o Espírito Santo. Quando o Anjo disse a Nossa Senhora que Ela era cheia de graça, disse que Ela era um vaso de eleição que transbordava do Espírito Santo.

A alma de todo santo transborda do Espírito Santo. Nela acaba não havendo a não ser Ele.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Ave mundi spes Maria ‒ Ave Maria esperança do mundo

Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Luis Dufaur
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O “gregoriano” é o canto oficial da Igreja. Foi compilado, organizado e regulamentado pelo Papa São Gregório Magno (540-604). (Mais em: Gregoriano).

Desde então, há mais de 1.400 anos vem sendo cantado em catedrais, igrejas e mosteiros católicos.

Canta-se em latim.

É um canto de uma só voz, sem acompanhamento, que exprime cuidadosamente o significado profundo das palavras, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu; um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

Em cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis. Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.