domingo, 15 de novembro de 2020

Santa Teresinha do Menino Jesus: uma alma "medieval" no século XIX, doce e heroica


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A era medieval é um período histórico muito definido: vai desde o fim do Império Romano até a descoberta de América em 1492 (para alguns até a queda de Constantinopla em 1453).

Porém, o espírito medieval atravessou as épocas posteriores. Ele ficou como um modelo ideal que transcende o tempo.

Esse ideal ardeu intensamente na alma dos santos, embora se fale pouco disso. Um dos tantos exemplos foi nos dado por Santa Teresinha do Menino Jesus.

A grande carmelita de Lisieux desejava passar o Céu fazendo o bem na Terra, mas não tinha uma alma débil, desprovida de personalidade e força de caráter, que fugia do sofrimento e da luta.

Se assim o fosse, não teria sido elevada às honras dos altares, nem teria sido apresentada ao mundo católico como "uma nova Joana d'Arc" pelo Papa Pio XI (a 18 de maio de 1925).

É muito oportuno e mesmo necessário, pois, considerarmos este aspecto de sua alma, frequentemente esquecido ou falseado em imagens e santinhos, onde ela aparece com a fisionomia impregnada por um adocicamento sentimental e romântico, totalmente inexistente em sua forte e marcante personalidade.

Vejamos algumas de suas afirmações que refletem o espírito de cruzado que animava a Santa da chuva de rosas:

"Na minha infância sonhei lutar nos campos de batalha.

"Quando comecei a aprender a História da França, o relato dos feitos de Joana d'Arc me encantava; sentia em meu coração o desejo e a coragem de imitá-los" (1).

"Adormeci por alguns instantes -- contava ela à Madre Inês -- durante a oração. Sonhei que faltavam soldados para uma guerra contra os prussianos. Vós dissestes: É preciso mandar a Irmã Teresa do Menino Jesus. Respondi que estava de acordo, mas que preferia ir para uma guerra santa. Afinal, parti assim mesmo.

"Oh! não, eu não temeria ir à guerra. Com que alegria, por exemplo, no tempo das cruzadas, teria partido para combater os hereges. Sim! Eu não temeria levar um tiro, não temeria o fogo!" (2)

"Lançando-me na arena
Não temerei ferro nem fôgo ....
Sorrindo enfrento a metralha ....
Cantando morrerei, no campo de batalha
As armas à mão", bradava ela (3).

"Quando penso que morro numa cama! Como desejaria morrer numa arena!" (4)

"A santidade! É preciso conquistá-la à ponta da espada. .... É preciso combater!" (5)


____________________


Notas:
1) Lettres de Sainte Thérèse de l'Enfant-Jésus, Carta ao Abbé Bellière, Office Central de Lisieux, 1948.
2) Carnet Jaune, 4.8.6 -- in Derniers entretiens, Éditions du Centenaire, Desclée de Brouwer-Éditions du Cerf, Paris, 1971.
3) Mes Armes -- Poésies, Édition du Centénaire, Cerf-Desclée de Brouwer, Paris, 1992 (Carnet jaune, Mère Agnès de Jésus, 4 de agosto).
4) Summarium [do Processo de Beatificação e Canonização], depoimento de Celina, 2753.
5) Correspondance Générale, Éditions du Cerf-Desclée de Brouwer, Paris, 1972, t. I (1877-1890), Carta (­­nº 89) a Celina, de 26 de abril de 1889. E Lettres de Sainte Thérèse de l'Enfant Jésus, Carta a Leônia, de 20 de maio de 1894.



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domingo, 1 de novembro de 2020

Gáudio de Todos os Santos no Céu

Coroação de Nossa Senhora no Céu.
Fra Angelico, Galeria degli Uffizi, Florença.
Luis Dufaur
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Um dogma de nossa Fé – o Céu e a felicidade eterna –, cuja importância torna-se patente, é, no entanto pouco conhecido pelos fiéis e, de modo geral, insuficientemente explanado.

Explica-se, pois, que, às vezes, ouçam-se frases como esta:

“O Céu deve ser um local sem animação (a qual, na mentalidade do homem moderno, é com­ponente indispensável da felicidade), onde todos fi­cam eternamente parados, sentados em nuvens, ouvindo as infindáveis melodias dos coros angélicos...”

Essa distorcida noção do que seja a bem-aventurança celeste – infelizmente não rara até entre católicos–, revela uma ignorância crassa a res­peito do prêmio que Deus reserva a seus eleitos, e da própria natu­reza divina.

Todos os católicos bem formados devem desejar ardentemente alcançar o Céu e tê-lo sempre presente em suas cogitações.

Especialmente em nossos dias, em que a civilização neopagã contemporânea tende para o oposto, em que os modos de ser, as manifestações de pseudo-cultura e pseu­do-arte – a moderna e a pós-­moderna – pendem para o horrível, o monstruoso... e, no fim desse processo, para o diabólico!

Exagero... pensará algum leitor. Para convencê-lo do contrário, basta lembrar um indício significativo: os temas cada vez mais frequentes na música o rock'n'roll são o inferno e Satanás.

Falando da glória dos santos no Céu, São João Crisóstomo diz que o último dos eleitos possui no Céu um esplendor e uma glória maiores que os manifestados por Jesus Cristo em sua transfiguração, pois, no Tabor,

Ele amenizou tal glória e esplendor para adequá-los à vista de seus três Apóstolos, São Pedro, São Tiago e São João.

Por outro lado, os olhos corporais não podem suportar um brilho que os olhos da alma podem aguentar perfeitamente. Logo, os Apóstolos não viam senão a glória exterior, enquanto no Céu veremos ao mesmo tempo a glória exterior e interior de Deus e de cada um dos eleitos.

Santa Teresa conta que, certo dia, o Divino Redentor mostrou-lhe sua mão glorificada. Para dar-nos uma ideia do esplendor desta mão, estabeleceu ela a seguinte comparação:

“Imaginai, diz a Santa, um rio muito límpido, cujas águas correm tranquilamente por um leito do mais puro cristal. Imaginai ainda, quinhentos mil sóis tão ou mais brilhantes que o Sol que ilumina a Terra.

“Figurai-os reunindo neste rio todos os seus raios refletidos pelo cristal sobre o qual o rio corre.

“Pois bem, esta luz deslumbrante não é senão uma noite escura, comparada com o esplendor da mão de Jesus Cristo”.

Santa Teresa refere-se apenas, à mão de nosso Salvador. Qual não será, pois, a luz e o brilho que emitem sua humanidade e sua divindade reunidas!

Juntai ao esplendor do Filho, o do Pai e o do Espírito Santo, o da Mãe de Deus, o dos coros dos Anjos, dos Patriarcas e o dos Profetas, o dos Apóstolos e dos mártires, dos confessores e das virgens e o de todos os santos, e tereis uma ideia do que é a glória celeste.

“Os bem-aventurados – observa Santo Agostinho – veem a Deus e sempre desejam vê-Lo, tão agradável é esta visão. E neste deleite descansam cheios de Deus.

“Nunca se afastando da bem-aventurança, são felizes. Contemplando sem cessar a eternidade, são eternos.Unidos à verdadeira luz, convertem-se também em luz.

“Ó bem-aventurada visão mediante a qual se contempla em toda sua beleza o Rei dos Anjos, o Santo dos Santos, a quem todos devem a existência” (De Anima et Spiritu).

E São Bernardo, meditando a felicidade celeste, exclama:

“Lá veremos o brilho da glória, o esplendor dos Santos, a majestade de um poder verdadeiramente real; conheceremos o poder do Pai, a sabedoria do Filho, a bondade infinita do Espírito Santo.

“Ó bem-aventurada visão, que consiste em ver a Deus em si em si mesmo em vê-Lo em nós, e em ver-nos n’Ele com uma feliz alegria e com uma inefável felicidade” (In I Medit., c. IV).

Os eleitos são iluminados pelo esplendor de Deus e pelo seu próprio esplendor que é o reflexo do de Deus.

O Criador, o eterno sol de Justiça, enche o Céu e os seus eleitos com o divino brilho.

Os santos são como outros tantos sóis submersos nos raios do sol supremo do qual recebem todo o seu brilho, ao mesmo tempo que cada um deles participa também do esplendor de todos os seus companheiros.

“No Céu, diz Santo Agostinho, não haverá ciúmes que provenham da desigualdade de amor. Todos se amam da mesma maneira.

“O Céu, acrescenta, será testemunha de um belíssimo espetáculo: nenhum inferior invejará a sorte dos que estiverem acima dele, como no corpo humano o dedo não tem ciúme do olho, nem os ouvidos da língua, nem os pés da cabeça”.

Um pequeno vaso cheio de líquido está tão repleto como um grande. Uma fonte cujas águas transbordam, está tão cheia quanto o mar.

Assim sucede com os eleitos. Deus está igualmente em todos. Porém, aquele que tiver acumulado mais, não dinheiro, mas fé, terá mais capacidade relativamente a Deus.

Tal caridade une perfeitamente os eleitos entre si: o bem que um eleito não recebe diretamente, ganha-o, de certo modo, pela felicidade que experimenta, vendo-o recebido por outro.

Ficam tão satisfeitos com o bem que cabe a seus companheiros, como se fosse o próprio bem.

E acrescenta Santo Agostinho:

“Uma terna mãe alegra-se com as carícias que fazem a seu filho querido, considera-as como se as concedessem a ela própria. Da mesma forma, cada um dos eleitos estima como feitos a si mesmo os bens que Deus oferece a seus companheiros de bem-aventurança”.

“Felicidade inefável a dos eleitos!

“O que cada eleito quiser, seja quanto a si mesmo, seja em relação a seus companheiros, ou ao próprio Deus, imediatamente se verificará.

“Existe outro reino comparável na Terra? Todos juntos com Deus serão reis, constituindo como que um só rei, como um só poder.

“Vi – diz São João no Apocalipse (7, 9) – uma multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, de todas as tribos, de todos os povos e de todos os idiomas.

“Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro portando vestimentas brancas com palmas na mão”. 

Estas palmas significavam a vitória. Aos vencedores concedem-se honras reais.

Os eleitos verão a face de Deus. Seu nome estará escrito sobre suas frontes. Reinarão por todos os séculos dos séculos.

Gozarão constantemente da visão de Deus, como seus amigos e íntimos. Diante do Criador serão mais príncipes e reis do que servidores.

“Ó Senhor, exclama Santo Agostinho, quão glorioso será vosso reino, onde todos os Santos reinam convosco, revestidos de luz como de um manto e tendo sobre suas cabeças uma coroa de pedras preciosas!

“O reino da eterna bem-aventurança, onde sois, Senhor, a esperança dos Santos e o diadema de sua glória!” (Solilóquios, C. XXXV).

(Fonte: Tesoros de Cornélio a Lapide. Extratos dos comentários deste autor sobre as Sagradas Escrituras feitos pelo Padre Barbier. tradução da 2ª edição francesa. 2ª edição espanhola. Vich, Madri, 1882, pp. 226 e ss.)



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sábado, 24 de outubro de 2020

O remédio dos males: reconhecer os direitos de Cristo Rei e de sua Igreja

Cristo Rei: os Estados devem render culto público a Deus em homenagem à sua soberania universal vitral na igreja de São Miguel, Cumnor, Inglaterra
Cristo Rei: os Estados devem render culto público a Deus
em homenagem à sua soberania universal
vitral na igreja de São Miguel, Cumnor, Inglaterra





A Igreja consagra o último domingo de outubro, à comemoração da festa de Cristo Rei.

Foi o Santo Padre Pio XI [então] gloriosamente reinante que instituiu essa solenidade a fim de reavivar entre os fiéis a lembrança da soberania de Jesus Cristo sobre as pessoas e os povos.

A verdade ensinada por Sua Santidade na Encíclica de 11 de Dezembro de 1925 não é mais do que a reprodução do que a Igreja sempre ensinou e praticou.

Pio XI veio reafirmar em pleno século XX a tradição observada sempre pela Igreja, já no tempo em que o Papa Leão III coroava Carlos Magno Imperador do Ocidente.

Já na época em que, mil anos mais tarde, o Pontífice Leão XIII ensinava na “Immortale Dei” a obrigação dos Estados renderem um culto público a Deus, em homenagem à sua soberania universal.

Mas o nosso tempo, dominado pelo laicismo, deixou de reconhecer as prerrogativas reais de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Daí provêm todos os males da sociedade atual, por ter pretendido organizar a vida individual e social como se essa realeza não existisse, e até em oposição formal a ela.

domingo, 18 de outubro de 2020

Elogio da Igreja a São Fernando III, rei de Castela

Luis Dufaur
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“Nele, ao lado das preocupações com as coisas do governo, brilharam virtudes régias: a magnanimidade, a clemência, a justiça, e, acima de todas, o zelo pela Fé Católica, um ardoroso empenho no sentido de defender e propagar o culto religioso desta Fé Católica.

“Isto ele realizava principalmente perseguindo os hereges, não suportando que eles se estabelecessem em parte alguma de seus domínios, carregando com suas próprias mãos a lenha para a fogueira que devia queimar os condenados”.



(Fonte: Breviário Romano, Suppl. XXX, mês de Maio)

domingo, 4 de outubro de 2020

"A virgem é açoitada": hino em honra de Santa Catarina de Alexandria

Santa Catarina de Alexandria martir, igreja da Santissima Trindade, Skipton
Santa Catarina de Alexandria mártir,
igreja da Santíssima Trindade,
Skipton, Inglaterra
Luis Dufaur
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O autor do hino “Virgo Flagellatur” ficou anônimo, como muitas obras da Idade Média.

Nessa época, artistas, autores, cientistas ou inventores não davam tanta importância ao fato de seu nome passar para a História. Eles procuravam a glória de Deus e de seus santos, de Nossa Senhora e da Igreja. E se sentiam pagos com isso.

A criação das grandes catedrais está ligada a aparição de grandes escolas de teologia e artes.

Foi o caso notável de Notre Dame de Paris que inspirou não somente escolas artísticas mas uma Universidade hoje famosa no mundo todo, voltada para as Artes, no sentido muito especial, lato e religioso que lhe davam os medievais.

Foi assim sob as abóvedas protetoras de Notre Dame que nasceu a École Notre Dame de música.

A esta escola deve-se a criação do canto polifônico que enriqueceu extraordinariamente o canto religioso e profano, até então concentrado no inspirado gregoriano cantado a uma só voz.
Santa Catarina de Alexandria, padroeira de Jaén, Espanha
Santa Catarina de Alexandria,
padroeira de Jaén, Espanha

O bispo Maurício de Sully decidiu construir a atual catedral de Notre Dame por volta do ano 1160/1161. Os trabalhos começaram em 1163 e demoraram até 1245.

O altar mor foi consagrado em 1182. Paris resplandecia como um lar de todas as artes e formas de beleza.

Entre elas, as da música. A Igreja multiplicava o fasto maravilhoso das cerimônias e cobrava dos autores novas partituras para as liturgias e procissões.

A família real mantinha economicamente músicos religiosos ou leigos só com esta finalidade.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

São Miguel Arcanjo: Príncipe da Milícia celeste, poderoso escudo contra a ação diabólica

Luis Dufaur
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Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

A devoção ao Príncipe das Milícias Celestes atingiu um desenvolvimento extraordinário na Idade Média. Essa forma de devoção marca ainda todas as modalidades de culto ao chefe das legiões angélicas.

Entre os inúmeros santuários a ele dedicados destaca-se o do Monte Saint-Michel uma das maravilhas do mundo.

Entretanto, ele já era reverenciado no Antigo Testamento.

O Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

As aparições do Arcanjo no Mont Saint-Michel, França

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Segundo as crônicas, no ano 708 o Arcanjo São Miguel apareceu duas vezes a Santo Aubert –– Bispo de Avranches, cidade situada no fundo da baía — ordenando-lhe que erguesse uma capela em sua honra no rochedo que então se chamava Monte Tumba (ou Túmulo).

Inseguro quanto à realidade da visão, o bispo protelou a construção da capela.

Apareceu-lhe então pela terceira vez São Miguel, tocando-lhe a cabeça com o dedo, de tal modo que Aubert não pôde mais duvidar.

Esse sinal ficou marcado indelevelmente no crânio do santo, durante muito tempo exposto no tesouro da basílica de São Gervásio, de Avranches.

domingo, 20 de setembro de 2020

O milagre eucarístico de Avignon

Luis Dufaur
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A confraria dos Pénitents gris de Avignon teve por fundador Luís VIII, pai de São Luís IX. Ela tem a sua sede na capela da Santa Cruz, chamada dos Pénitents gris.

O Santíssimo Sacramento está aí exposto noite e dia, desde 14 de setembro de 1226.

A cidade de Avignon está situada a algumas centenas de metros da confluência dos rios Rhône e Durance, e é atravessada por um de seus afluentes, o Sorgue.

Em 1433, chuvas torrenciais fizeram transbordar os três rios, que inundaram as partes baixas da cidade. A água entrou na capela dos Pénitents gris, que fica às margens do Sorgue.

domingo, 6 de setembro de 2020

O Santíssimo Nome de Maria vitorioso contra o Islã

Imaculada Conceição, no mosteiro das dominicanas de Caleruega, Espanha
Imaculada Conceição, no mosteiro das dominicanas de Caleruega, Espanha
Luis Dufaur
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No dia 12 de setembro é a festa do Santíssimo Nome da Bem-aventurada Virgem Maria.

Sua celebração foi estendida à Igreja Universal pelo Bem-aventurado Inocêncio XI.

Foi em lembrança da insigne vitória das armas católicas sobre os turcos que sitiavam Viena, capital do Sacro Império Romano Alemão, na Áustria.

A famosa vitória aconteceu em 1683, mediante a proteção da mesma virgem.

E através do gládio do famoso João Sobieski, Rei da Polônia.

A libertação de Viena teve lances milagrosos, e para agradecer por essa vitória o Bem-aventurado Papa Inocêncio XI instituiu a festa do Santíssimo Nome de Maria.

Em seu famosíssimo comentário L’Année Liturgique, D. Guéranger reproduz uma citação do Santo Alberto Magno, professor de São Tomás de Aquino, sobre os vários sentidos do nome de Maria.

domingo, 23 de agosto de 2020

Nossa Senhora da Cabeça devolve o braço amputado pelos sarracenos e põe ordem nas cabeças

Virgen de la Cabeza, Andújar, Espanha, imagem original
Virgen de la Cabeza, Andújar, Espanha, imagem original
Luis Dufaur
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Em 9 de setembro comemora-se uma festa de Nossa Senhora com uma invocação um pouco singular para os nossos ouvidos.

Mas  corresponde a um fato muito poético e bonito da Andaluzia medieval, na Espanha.

A invocação é Nossa Senhora da Cabeça.

O fato ocorreu no ano de 1227, quando a Santíssima Virgem apareceu ao pastor João de Rivas, no alto do Monte Cabeça, na Serra Morena.

Por várias vezes ouvira João de Rivas como que o som de uma campainha que o atraia às montanhas.

Então um pastor andando nas montanhas ouve uma campainha no meio das solidões.

E ele procura onde está é essa campainha pela qual se sente atraído.

A solidão, os montes, o pastor, as ovelhas, a campainha, tudo isso é assim uma espécie de nota de maravilhoso e de poesia que continuamente acompanha tudo quanto se refere a Nossa Senhora.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A Assunção: prêmio pelos sofrimentos da co-redenção

Assunção, Fra Angelico  (1395 – 1455), Google Cultural Institute.
Assunção, Fra Angelico  (1395 – 1455), Google Cultural Institute.
Luis Dufaur
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Nosso Senhor quis Ele mesmo subir aos céus contemplado pelos homens. Mas, também quis que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu, depois da dEle, se desse diante do olhar humano.

Por quê?

Era preciso que a Ascensão fosse vista por homens que pudessem dar testemunho desse fato histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos céus.

Subindo ao Céu, Ele abriu o caminho para as incontáveis almas que estavam no Limbo esperando a Ascensão para irem se assentar à direita do Padre Eterno.

Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo ninguém podia entrar no Céu. Só os anjos estavam lá.

Então Nosso Senhor, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – porque Ele ao mesmo tempo era Homem-Deus – que subiu aos Céus.

E enquanto Redentor nosso, Ele abriu o caminho dos Céus para os homens.

Também era preciso que Ele, que sofreu todas as humilhações, tivesse todas as glorificações.

E glória maior e mais evidente não pode haver do que o subir aos Céus.

Porque significa ser elevado por cima de todas as coisas da terra e unir-se com Deus Pai transcendendo esse mundo onde nós estamos para se unir eternamente com Deus no Céu Empíreo.

domingo, 9 de agosto de 2020

Milagres no achado da Cruz de Monjardin

Luis Dufaur
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Na igreja de Monjardin guarda-se uma preciosa cruz do século XII, quiçá a mais antiga de quantas cruzes paroquiais possui a Navarra.

Como não podia deixar de ser, sua origem se acha revestida de legendas.

A cruz apareceu ao Rei Sancho Garcés, quando conquistou dos mouros o castelo de Monjardin.

O monarca a ocultou, para evitar que os mouros a profanassem. Assim esteve muito tempo.

Ao norte de Monjardin há um lugar denominado Egusquiza (nome que significa “lugar do sol”), onde está situado o palácio dos Medranos, ricos homens de Navarra.

Certo dia um pastor desta casa apascentava seu rebanho no sopé do monte.

Quando se dispunha a conduzir o rebanho a pastos melhores, viu que uma cabra permanecia quieta em seu lugar, ao pé de uma árvore.

Chamou-a ao rebanho com insistência. Não lhe fazendo caso, ele armou sua funda e disparou uma pedra, que sacudiu o arbusto.

A cabra saiu correndo, espantada. O pastor achou que ali devia estar um grande pássaro, por causa do ruído feito e pelo mover-se das folhas.

Mal chegou correndo, viu entre os ramos a Santa Cruz. A pedra de sua funda havia acertado um dos braços dela.

Ficou enormemente perturbado. Arrependido e contrito pelo golpe que havia lhe acertado, exclamou, derramando abundantes lágrimas:

— Pudera Deus que, antes de eu atirar a pedra, me houvesse tirado o braço.

Nem bem acabou de pronunciar essas palavras, quando viu com assombro que seu braço direito estava imóvel.

domingo, 26 de julho de 2020

Um castigo severo e perpétuo

São Bernardo de Claraval ajoelhado diante de Nossa Senhora

Luis Dufaur
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Certo dia, quando São Bernardo se dirigia para a corte do Conde Teobaldo, deparou-se-lhe um grupo de soldados que conduziam um prisioneiro ao cadafalso, para enforcá-lo.

Vendo a cena, apoderou-se São Bernardo da corda com que era conduzido o condenado, e fez esta estranha proposta aos verdugos:

— Entregai-me este criminoso, e executá-lo-ei com as minhas próprias mãos.

Naquele momento aproximou-se o conde. O seu espanto foi profundo ao ver o Santo, a quem estimava como pai, entre o assassino e os oficiais da justiça.

Ficou perplexo ao escutar a petição do amigo:

— Venerável pai, que significa isto? Por que pretendeis salvar a vida de um homicida que merece a morte centenas de vezes? É um incorrigível filho de Satanás, e o melhor serviço que podemos prestar-lhe é privá-lo da vida. Os interesses da sociedade exigem a sua morte.