domingo, 17 de junho de 2018

Santo Eduardo o Confessor, rei, e seu anel


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Certo dia, o rei Santo Eduardo o Confessor (1005-1066), rei da Inglaterra, já velho assistia à cerimônia de consagração de uma igreja construída em honra de São João Evangelista.

Nessa hora, um homem muito pobre aproximou-se dele e mendigou-lhe uma esmola “pelo amor de São João”.

O grande monarca passou a mão na bolsa, mas não encontrou nem prata nem ouro.

Santo Eduardo, então, mandou vir seu tesoureiro, mas não foi localizado no meio da multidão. E o pobre seguia implorando esmola.

Santo Eduardo sentia-se muito mal à vontade. Nesse momento lembrou que trazia um anel grande e muito precioso.

Então, ele o tirou do dedo, e pelo amor de São João o deu ao miserável, que lhe agradeceu gentilmente e desapareceu.

Eis o que aconteceu com o anel.

Aquela mesma noite, muito longe na Palestina, dois peregrinos ingleses extraviaram-se no caminho e ficaram andando no deserto.

O sol já tinha desaparecido por trás das montanhas e os dois homens estavam sós num local desolado.

Eles sabiam que não havia jeito de voltar e que não encontrariam refúgio contra os ladrões e os animais selvagens.

Enquanto se perguntavam o quê fazer, um bando de jovens com roupas brilhantes apareceu diante deles.

No meio dos jovens estava um ancião, alvíssimo, de cabelos grisalhos, e maravilhoso de se olhar.

‒ “Caros irmãos”, disse ele aos romeiros. “De onde vindes? Qual é vosso credo e vosso berço? De qual reino e de qual rei? O quê vós procurais aqui?”

‒ “Nós somos cristãos e da Inglaterra. Viemos a expiar nossos pecados, procurado os lugares sagrados onde Jesus viveu e morreu. Nosso rei chama-se Eduardo, e nós perdemos a estrada”.

‒ “Vinde atrás de mim, e eu vos conduzirei a uma boa hospedagem pelo amor do rei Eduardo”.

Assim, ele conduziu-os até uma cidade onde encontraram albergue que tinha a ceia servida numa mesa.

E, após terem jantado, eles foram dormir.

Na manhã seguinte o ancião veio até eles, e disse:

‒ “Eu sou João o Evangelista. Pelo amor de Eduardo eu não vos faltarei, e vós chegareis sãos e salvos à Inglaterra.

“Então, ireis até Eduardo, e lhe direis que comprastes o anel que ele me deu no dia da consagração da minha igreja, quando eu implorei a ele vestido com pobres roupagens. E dizei-lhe que dentro de seis meses ele vai estar comigo no Paraíso”.

Os romeiros voltaram à Inglaterra sem percalços e entregaram o anel ao rei Eduardo junto com a mensagem de São João.

Quando o monarca ouviu que iria morrer em breve, doou todo seu dinheiro aos necessitados, e consagrou o tempo que lhe restava às suas devoções.

Na Catedral de Santo Alban, na Inglaterra, venera-se a imagem de Santo Eduardo mostrando seu símbolo: o anel.

E sua festa celebra-se no dia 13 de outubro.



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A festa de Corpus Christi para adorar o Santíssimo Sacramento

O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A festa de Corpus Christi é dedicada a honrar e adorar o Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia, sob as aparências do pão e do vinho.

Corpus Christi é a manifestação pública da fé no dogma da Presença Real na Hóstia consagrada. Daí as belas procissões realizadas no mundo inteiro.

No Brasil, de norte a sul, cidades enfeitam suas ruas com encantadores “tapetes” de flores para glorificar o Deus humanado.

A festa de Corpus Christi foi inspirada a uma religiosa agostiniana, Santa Juliana de Cornillon (1193–1258), a quem Deus revelou a conveniência para a Igreja dessa celebração.

Santa Juliana foi superiora da abadia de Mont-Cornillon de Liège (Bélgica), fundada em 1124.

A partir dela surgiu um movimento eucarístico que incentivou várias práticas de adoração à Hóstia Consagrada, como a Exposição e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Deus pediu a Santa Juliana, abadessa de Mont-Cornillon,
a celebração da festa do Corpus Christi
Em 1246, Santa Juliana pediu ao bispo de Liège, Dom Roberto de Thorote, a instituição da festa de ação de graças pela presença real, em Corpo e Alma, de Nosso Senhor na Eucaristia.

O Bispo concordou com a celebração na diocese, mas não chegou a ver cumprida a solenidade, pois falecera no mesmo ano.

Em 1250 o Cardeal Cher, também de Liège, instituiu em toda a diocese a nova festividade com o nome de “Fête-Dieu”.

A primeira vez foi realizada no interior da igreja de Saint-Martin, num cerimonial dirigido pelo próprio Cardeal.

Entretanto a primeira procissão de Corpus Christi realizada publicamente, ocorreu em 1264 — há mais de 750 anos — nas ruas da cidade de Orvieto na Itália.

Ela vem sendo realizada todos os anos e certamente constitui a mais bela manifestação pública em honra do Santíssimo Sacramento, embora muitas outras, como a de Toledo, possam ser mencionadas pelo seu brilho e piedade.

Em 11 de agosto de 1264, o Papa Urbano IV estendeu a todo o Orbe católico a Festa de Corpus Christi.

Ele ordenou com a bula Transiturus de hoc mundo que fosse celebrada publicamente e de modo solene pelas ruas e praças.

A data foi fixada para a quinta-feira após o dia da Santíssima Trindade.

Ela é rezada em memória da primeira Missa celebrada por Nosso Senhor, na Última Ceia com os Apóstolos, na Quinta-Feira Santa, quando instituiu o incomparável Sacramento da Eucaristia.

O que determinou decisivamente o Papa para atender os pedidos que se originaram em Santa Juliana na Bélgica?

Um milagre. Mas na Itália e com um sacerdote checo!

Santo Tomás de Aquino compôs os hinos do oficio de Corpus Christi.
Bandeira bordada, Santa Rosa, Springfield, EUA.
Ele aconteceu em Bolsena, na província de Viterbo, diocese de Orvieto, em 1264.

O Padre Peter, oriundo de Praga, empreendeu uma viagem desde a Boêmia, sua região natal, até Roma.

Ele desejava revigorar sua fé na Cidade Eterna, pedir ao Papa alguns esclarecimentos e expor-lhe dúvidas a respeito da doutrina da transubstanciação, a mudança da substância do pão e do vinho em Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo, contudo, as aparências do pão e do vinho.

Chegando à cidade de Bolsena, o sacerdote celebrou a Missa na igreja de Santa Cristina.

Foi essa a última vez que o atormentaram as dúvidas de fé sobre a presença Real de Jesus na Santíssima Eucaristia!

No momento da Consagração, na Sagrada Hóstia ocorreu uma transbordante efusão do preciosíssimo Sangue.

Gotas se verteram sobre o corporal (tecido de linho branco que fica debaixo do Cálice), tingindo-o de sangue.

Assustado com aquele inexplicável acontecimento, o sacerdote dubitativo procurou esconder o sagrado corporal, pois julgava que isso ocorrera em castigo devido às suas dúvidas de fé.

Mas o sangue transpôs o linho e quatro gotas caíram sobre os degraus do altar, deixando impressos no mármore sinais evidentes do adorável Sangue.

Não podendo mais ocultar o milagre, foi à procura do Papa Urbano IV que se encontrava em Orvieto, cidade bem próxima de Bolsena.

Ele narrou o acontecido e o Papa fez trazer à sua presença aquele corporal e ordenou uma apuração meticulosa, que resultou na comprovação inequívoca do milagre.

Essa é a origem da edificação da Catedral de Orvieto: a guarda e veneração do sacrossanto Corporal, venerado hoje por muitas peregrinos do mundo inteiro.

O corporal do milagre de Bolsena na procissão de Corpus Christi em Orvieto.
O corporal do milagre de Bolsena na procissão de Corpus Christi em Orvieto.
O mármore sobre o qual pingaram gotas do preciosíssimo Sangue, conserva-se até hoje na Igreja de Santa Cristina de Bolsena, para prodigiosa comprovação da presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada.

Naquelas circunstâncias, o próprio Papa Urbano IV pediu a Santo Tomás de Aquino compor cânticos para se festejar com maior esplendor o dia de Corpus Christi.

O Doutor Angélico então compôs cinco hinos em louvor ao Santíssimo Sacramento — o “Lauda Sion”, “Adoro Te Devote”, “Pange Lingua”, “Sacris Sollemnis” e “Verbum Supernum”.

Conta-se que para a criação dos hinos, o Papa também apelou ao grande São Boaventura que estava presente na cidade.

Mas quando o Romano Pontífice fez leitura em voz alta do ofício composto por Santo Tomás, São Boaventura, despretensiosamente, foi rasgando a sua composição enquanto lia o célebre e belíssimo hino “Lauda Sion” (Louva Sião).





Vídeo: Corpus Christi: procissão em Granada






GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O milagre eucarístico de Bolsena na origem da festa de Corpus Christi

Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na Basílica de Santa Cristina em Bolsena, Itália, conserva-se zelosamente há sete séculos, as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena.

Dizemos as ‘menores’ pois as ‘maiores’ estão na catedral de Orvieto.

Trata-se de uma das pedras sagradas onde ainda são bem perceptíveis grumos do precioso Sangue de Nosso Redentor.

O fato miraculoso aconteceu em 1264 e está ligado a dois dos mais poderosos expoentes do pensamento teológico universal: São Tomás de Aquino e São Boaventura.

domingo, 20 de maio de 2018

Pentecostes, a festa do Divino e a paz das nações

Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A Festa do Divino Espírito Santo, ou a festa do Divino é uma das devoções mais antigas e difundidas no Brasil e alhures.

A origem se encontra no Portugal do século XIV. As primeiras notícias de sua instituição remontam a 1321.

O convento franciscano de Alenquer começou a celebrá-la sob a proteção da rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

A Rainha prometeu ao Divino Espírito Santo peregrinar com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo.

Nessa peregrinação arrecadaria donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com seu filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono.

O pedido foi ouvido, a paz foi feita e a festa vem sendo renovada todo ano até hoje.

domingo, 6 de maio de 2018

São Tomás de Aquino e o hino Pange Lingua:
“Canta ó língua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso”

Santo Tomás de Aquino, detalhe de um estandarte bordado. Igreja de São Domingos, Newcastle, Inglaterra.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Santo Tomás de Aquino (Rocca Secca, 1225/1227 – Fossa Nuova, 7 Março, 1274) tinha uma vocação eminentemente filosófica, e não de atividade externa.

Ele percebeu que deveria, de acordo com a sua luz primordial, dedicar-se à Teologia e à Filosofia.

Mas além da capacidade para esses estudos, sentia certa inclinação artística.

Quem quiser disto se certificar, basta ouvir o hino Pange lingua, que contém as estrofes do Tantum ergo, composto por ele.

Ele percebia sem dúvida que sua vocação não era a artística – a de compor hinos sacros ou grandes poesias, para as quais estava capacitado –, mas a de se dedicar completamente à Filosofia e à Teologia.

domingo, 22 de abril de 2018

“Oh luz da bem-aventurada Trindade”:
hino de Santo Ambrósio

Santo Ambrósio, Vitale di Bologna
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 4/4/397), mestre de Santo Agostinho(340-397), é um dos quatro máximos Padres da Igreja.

Ele está assim representado na Basílica de São Pedro em Roma.

Grande combatente contra a heresia do arrianismo, o corpo do Doutor se conserva incorrupto na basílica a ele dedicada em Milão.

Entre os múltiplos frutos do apostolado do sábio e heroico arcebispo conta-se ter resolvido um dilema que ameaçava dividir os cristãos de seu tempo.

Com efeito, a Igreja após séculos de perseguições romanas, recuperou a liberdade para o culto, enquanto que os templos pagãos foram fechados pelo célebre e insigne Edito de Milão, do imperador Constantino, em 313.

O miolo da discussão era saber se fosse lícito cantar nas igrejas.

Alguns observavam que na hora de compor os cânticos, os músicos apelavam para ritmos e melodias também usadas pelos pagãos.

De ali, julgavam que com esses cânticos acabava se reproduzindo o ambiente dos templos pagãos.

Outros apontavam que cantar orações ou textos como os dos Salmos não poderiam fazer mal ainda que com ressonâncias idolátricas.

domingo, 8 de abril de 2018

A Mulher do Apocalipse e o simbolismo da lua sob os pés de Nossa Senhora


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nossa Senhora levando o Menino Jesus é símbolo da Igreja. A Igreja (= Ecclesia) aparece em pé sobre a lua minguante para sublinhar que seus fundamentos são o Antigo Testamento. Sem dúvida, é também um símbolo da vitória da Igreja sobre a Sinagoga (cfr. Dayton University, Mary Page).

Na iconografia, Nossa Senhora passou a representar também a Igreja herdando seus atributos. O Gradual Katharinenthal de 1312 apresenta uma imagem de transição, onde a mesma figura feminina contém ou têm os atributos simultaneamente da Igreja, de Maria e da Mulher do Apocalipse.

As primeiras representações da Ecclesia (=Igreja) nos séculos X-XII a apresentam como a mulher apocalíptica enfrentando o dragão. O motivo da mulher apocalíptica é aplicado em uma variedade de formas a Maria.

Por volta de 1348 espalhou-se um tipo de escultura mariana chamada Madonna que pisa a lua crescente (Mondsichel-Madonna), onde a representação da mulher do Apocalipse dispensa o uso do símbolo da lua (por exemplo, na escultura de Trier, 1480. VER VIDEO EMBAIXO).

Por vezes, como por exemplo nas representações do Platytera (ícone que pinta a Nossa Senhora orante), faz-se a oposição do sol (o Salvador) que nasce de Maria de um lado, e da raça humana que precisa de salvação (lua) de outro (Katharinenthal, 1312).

sábado, 31 de março de 2018

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

domingo, 11 de março de 2018

Comentário ao “Vinde Espírito Santo”

Pentecostes. Iluminura da coleção da
University of Califórnia - Berkeley, UCB 059
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em post anterior -- O hino "Vinde, Espírito Santo": quando reis disputavam em piedade com cardeais e Papas -- reproduzimos alguns dados históricos da famosa “seqüência” (um tipo de hino) “Veni Sancte Spiritus” (“Vinde, Espírito Santo”) cantada na festa de Pentecostes.

Será sempre útil um comentário sobre o valor e a utilidade dessa oração. É o que reproduzimos a continuação.

O bom espírito, o espírito reto, o senso católico é um dom de Deus. Não é uma coisa que o homem encontre com o mero exercício de sua inteligência, mas é algo que sua inteligência encontra movida e vivificada por um dom interno de Deus, que procede do Divino Espírito Santo.

Razão pela qual os homens pedem a Deus o espírito reto por meio da oração, com muita insistência, empenho e humildade, persuadidos que sem um dom celeste, não conseguirão.

Todo bom movimento da alma visando a virtude sobrenatural nos vem da graça de Deus, e essa graça é preciso pedi-la.

Não podemos ter a presunção de que o mero exercício de nossa inteligência é suficiente. Então, pedimos: “Vinde, Espírito Santo”.

Nós temos de pedir que o Divino Espírito Santo venha a habitar dentro de nossa alma com uma intensidade e com uma plenitude cada vez maior,.

Pela habitação do Espírito Santo, nosso espírito se torna capaz dos grandes pensamentos, volições, generosidades, percepções, resoluções, que sem o Espírito Santo é absolutamente impossível praticar.

A alma batizada é um templo onde está permanentemente o Espírito Santo. Quando o Anjo disse a Nossa Senhora que Ela era cheia de graça, disse que Ela era um vaso de eleição que transbordava do Espírito Santo.

A alma de todo santo transborda do Espírito Santo. Nela acaba não havendo a não ser Ele.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Ave mundi spes Maria ‒ Ave Maria esperança do mundo

Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O “gregoriano” é o canto oficial da Igreja. Foi compilado, organizado e regulamentado pelo Papa São Gregório Magno (540-604). (Mais em: Gregoriano).

Desde então, há mais de 1.400 anos vem sendo cantado em catedrais, igrejas e mosteiros católicos.

Canta-se em latim.

É um canto de uma só voz, sem acompanhamento, que exprime cuidadosamente o significado profundo das palavras, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu; um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

Em cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis. Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Quarta-feira de Cinzas, o demônio no Carnaval e a penitência que não é pregada nas igrejas "modernas"

Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'. Na catedral São José em Hyderabad, India.
Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'.
Na catedral São José em Hyderabad, India.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A cerimônia de quarta-feira de Cinzas dá início ao período litúrgico denominado Quaresma.

O nome Quaresma indica os quarenta dias antes da Páscoa de Ressurreição (sem contar os domingos) ou quarenta e seis dias (contando os domingos).

São 40 dias de penitência e de jejum, e de arrependimento para preparar os homens para as cerimônias da morte sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua gloriosa Ressurreição!

domingo, 28 de janeiro de 2018

Anima Christi: uma oração dificilmente superável

Origem
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Esta famosa oração apareceu na primeira metade do século XIV e foi enriquecida com indulgências pelo Papa João XXII em 1330.

Não se tem certeza sobre a autoria, tal vez seja do próprio João XXII.

Entretanto, é geralmente atribuída a Santo Inácio de Loyola (1491-1556, muito posteior) pois o grande santo colocava-a sempre no início de seus “Exercícios Espirituais” e referia-se com freqüência a ela.

O texto mais antigo foi achado no British Museum de Londres datado de 1370.

Em Avignon, França, conserva-se um livo de orações do Cardeal Pedro de Luxemburgo falecido em 1387. Nele encontra-se o Anima Christi na forma que o rezamos hoje.

Esta oração era tão famosa no tempo de Santo Inácio que o santo a citava como sendo conhecida por todos. Cfr. verbete ANIMA CHRISTI, na Enciclopedia Católica (em inglês)

domingo, 14 de janeiro de 2018

Procissão do Preciosíssimo Sangue,
em Weingarten, Alemanha

O sacerdote 'Cavaleiro do Sangue' leva a relíquia abençoando o povo
O sacerdote 'Cavaleiro do Sangue' leva a relíquia abençoando o povo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Todo ano se realiza a Blutritt [Procissão do Preciosíssimo Sangue].

É uma procissão a cavalo, em honra de uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Acontece na cidade de Weingarten, Baden-Württenberg, Alemanha, na 6ª feira após a Ascensão, ou Blutfreitag [Sexta-feira do Sangue].

A tradição manda que só os homens participem.

A Abadia de Weingarten conserva, há mais de 950 anos, uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ela é exposta uma vez ao ano na igreja do Mosteiro.

No dia da festa, um sacerdote ou ‘Cavaleiro do Sangue’ a leva pelas ruas da cidade.

É acompanhado por três mil cavalarianos, pertencentes a mais de cem grupos, em fraque e cartola.

Uma banda de 80 componentes desloca-se em torno ao Cavaleiro do Sangue.

A procissão é religiosa e civil. Romeiros de toda a Suábia Superior e da Baviera vêm à festa.

Esse Sangue foi colhido por São Longino após a cura de seu olho.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Por que se celebra a noite de Natal com a “Missa do Galo”?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.