domingo, 22 de março de 2020

São Sebastião: o vencedor das epidemias

São Sebastião, vencedor das epidemias. Igreja de Sant'Agostino, San Gimignano, Itália (detalhe).
São Sebastião, vencedor das epidemias.
Igreja de Sant'Agostino, San Gimignano, Itália (detalhe).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






São Sebastião, o famoso mártir nasceu em Narbonne (atualmente na França) no ano 256 da era cristã, foi educado em Milão, norte da Itália, de onde era sua mãe.

Seu pai era militar e ele ingressou como soldado no exército do Império de Diocleciano e logo tornou-se primeiro capitão da guarda.

Nesta época, a Igreja e os cristãos sofriam duras perseguições por parte do imperador, que queria aniquilar o cristianismo.

Porém, Sebastião confortava os cristãos presos e os exortava ao heroísmo servindo-se do prestígio de sua condição de oficial.

Acabou sendo denunciado e conduzido à presença do imperador.

Sebastião venceu todo medo e com grande sabedoria e inspirado pelo Espírito Santo increpou o imperador.

Ele defendeu fazer para o Império o melhor serviço possível denunciando o paganismo e a injustiça contra a Fé verdadeira em Cristo Salvador.

O imperador Diocleciano, duro de coração, mandou prendê-lo num tronco e trucida-lo com flechadas.

Foram tantas que acharam que estava morto sendo deixado para pasto dos animais selvagens.

Porém, Irene, viúva de do mártir São Castulo, resgatou-o secretamente e cuidou de suas diversas feridas.


Seu poder sobre as epidemias é invocado na antífona da Comunhão de sua Missal dizendo:

“A turba dos doentes e dos que eram vexados de espíritos impuros vinham a Ele, porque d’ele saía uma virtude que os curava a todos”.

Também há diversas orações para pedir sua intercessão especialmente nas pestes, doenças e epidemias.

Reproduzimos uma mais acessível:

Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo e exemplo de cristão, hoje vimos pedir a vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por Quem destes a vida.

Vós que vivestes a fé e perseverastes até o fim, pedi a Jesus por nós para que sejamos testemunhas do amor de Deus.

Vós que esperastes com firmeza nas palavras de Jesus, pedi-Lhe por nós, para que aumente a nossa esperança na ressurreição.

Vós que vivestes a caridade para com os irmãos, pedi a Jesus para que aumente o nosso amor para com todos.

Enfim, glorioso mártir São Sebastião,

protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra;

defendei as nossas plantações e os nossos rebanhos, que são dons de Deus para o nosso bem e para o bem de todos.

E defendei-nos do pecado, que é o maior de todos os males. Assim seja.
Milagrosamente recuperado, Sebastião foi aconselhado por seus amigos a fugir de Roma, mas corajosamente apresentou-se novamente a Diocleciano.

Increpou-o fortemente pela perseguição aos cristãos, e Diocleciano tomado da ira de que são capazes os maus ordenou açoitá-lo até a morte.

A execução aconteceu no ano de 287 d.C. e o corpo do mártir foi resgatado e enterrado por Santa Luciana numa catacumba na Via Apia.

Posteriormente, em 680, sob o pontificado de Santo Agatão, suas relíquias foram transportadas solenemente para a Basílica de São Sebastião das Catacumbas, onde hoje são veneradas.

Naquela ocasião grassava uma peste em Roma, que vitimou muita gente.

Aquela terrível epidemia desapareceu na hora da transladação. Por esta razão os católicos veneram em São Sebastião o grande padroeiro contra a peste.

Em outras ocasiões se verificou o mesmo fato:

– foi assim no ano de 1575 em Milão,

– e em 1599 em Lisboa.

As duas cidades ficaram livres da peste pela sua intercessão.

No Brasil, ele é celebrado com festas e feriados no dia 20 de janeiro como padroeiro de várias cidades, notadamente Rio de Janeiro.

Na batalha final contra os protestantes calvinistas franceses na Bahia de Guanabara em 1567.

“Segundo a tradição corrente entre os tamoios e assinalada por alguns dos nossos cronistas, entre os quais Melo Morais pai, o próprio santo protetor da cidade foi visto batendo-se contra os Calvinistas” (Max Fleiuss, História da Cidade do Rio de Janeiro, 49, Melhoramentos, São Paulo, sd., apud Gaudium Press).

O dia da batalha da Bahia de Guanabara era a festa de São Sebastião. O Sumo Pontífice Caio (Papa de 283 até 296) lhe concedera o título de Defensor da Igreja, além da consolidada fama de Intercessor contra as Epidemias.



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quinta-feira, 19 de março de 2020

A peste, a fita de Nossa Senhora e o milagre

A peste era um flagelo contra o qual a medicina ainda não tinha encontrado remédio. Enterro de vítimas da peste negra em Tournai, Bélgica. Iluminura de 1353
A peste era um flagelo contra o qual a medicina ainda não tinha encontrado remédio.
Enterro de vítimas da peste negra em Tournai, Bélgica. Iluminura de 1353
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Com os progressos da medicina moderna, não temos ideia do pavor que despertava antigamente a palavra peste.

O conhecimento do que são as bactérias causadoras da peste, como se propagam e como podem ser combatidas era praticamente nulo, e saber que a peste começou numa cidade era de apavorar.

No ano de 1008, na cidade de Valenciennes, norte da França, o pavor tinha razão de ser, pois em poucos dias morreram cerca de 8.000 pessoas!

Saber que a morte está por perto, sempre torna as pessoas mais religiosas.

Além disso, na França, as pessoas dessa época eram real e sinceramente religiosas. Por isso nada estranha que elas se tenham voltado ao Céu para pedir que as protegesse da peste mortal.

Havia perto da cidade um eremita de nome Bertelain, o qual também pediu à Virgem proteção para os habitantes.

Nossa Senhora apareceu-lhe, e disse que faria um grande milagre visível para todos, na noite de 7 de setembro.

Nossa Senhora de Valenciennes
O eremita percorreu a cidade, contando o fato, e na data marcada a população encheu as muralhas, torres e lugares mais elevados.

Nessa noite, efetivamente, no meio de uma grande luz bem visível para todos os habitantes, Nossa Senhora caminhou em redor da cidade, deixando cair no trajeto uma fita vermelha.

Não se pense que foi coisa de um instante, ou que Nossa Senhora percorreu poucos metros. Foram nada menos que 14 quilômetros, e a cidade inteira assistiu ao fato.

A ponto de, ao contrário de outras aparições, nas quais as fontes históricas são poucas, todas as crônicas da cidade e da época falam do ocorrido, como sendo de notoriedade pública.

Mais ainda, a fita se guardou num relicário na cidade durante muitos séculos, até que durante a Revolução Francesa foi queimada!

Pois os revolucionários não querem saber de provas: com elas ou sem elas, seu ódio é igual contra Deus, a Virgem e a verdadeira Igreja.

Uma procissão e o milagre

Nossa Senhora fez saber ao eremita o significado dessa fita:

Ela queria que no dia seguinte, festa de sua Natividade, fosse feita uma procissão seguindo o percurso da fita, e com isso acabaria a peste. E se a procissão fosse repetida a cada ano, Ela protegeria a cidade de outras pestes semelhantes.

No dia seguinte, efetivamente, a procissão foi realizada por toda a população da cidade, e a peste cessou. Até o dia de hoje se faz a procissão, conduzindo uma imagem representando Nossa Senhora que deixa cair uma fita.

Nossa Senhora de ValenciennesFaz parte da procissão uma confraria medieval chamada Raiados de Nossa Senhora do Santo Cordão.

Essa denominação é devida ao fato de que seu traje (raiado) tem listas azuis e brancas.

Qual era a população da cidade na época? Pergunta nada fácil de responder, dado que não havia os censos regulares de hoje.

Há algum tempo a população está estabilizada em torno de 40.000 habitantes.

Mas é difícil calcular quantos eram no século XI.

Em todo caso, para levantar uma cifra, suponhamos que a peste tenha matado metade da população. Isso faria com que ainda houvesse 8.000 pessoas vivas para ver a Virgem. É muita gente!

Por que isso acontecia antes, e não nos dias de hoje.

Para entender o motivo, devemos primeiro observar que o milagre está intimamente relacionado com a fé. Um milagre costuma ser um prêmio pela fé com que se acredita ou se rezou, ou então é feito para fortalecer a fé.

Os milagres não ocorrem por motivos banais, pois o mesmo Deus que opera o milagre é o que fez as leis da natureza, das quais o milagre é uma suspensão.

E seria contrário à sabedoria estabelecer leis que podem ou devem ser suspensas a todo momento.

Nossa Senhora faz milagres tendo como meta tornar as pessoas melhores, e não os praticaria para que seus filhos se tornassem piores.

Pensemos um momento no que aconteceria se na cidade onde moramos houvesse o mesmo que em Valenciennes: Nossa Senhora aparece no céu e todos a veem.

Nossa Senhora de ValenciennesPassado um primeiro momento de encanto, logo teria que haver uma melhora significativa na fé e na moral.

Quantas pessoas estariam dispostas, em nossa cidade atual, a deixar seu modo de vida afastado de Deus ou contrário a Ele, e passar a viver religiosamente?

Mais ainda, quantos estariam dispostos a abandonar seus vícios morais e reformar seriamente sua vida?

Não haveria o perigo de, pelo contrário, as pessoas se revoltarem por ter que deixar seus roubos, mentiras, invejas, televisão imoral, modas indecentes?

Quem recebe um milagre e não muda, fica pior do que era antes. Para que fiquem piores, Nossa Senhora certamente não vai aparecer...

O que nos leva a meditar quão longe estamos da feliz Valenciennes medieval em que, por sua fé e virtudes, as pessoas mereceram ver a Virgem.

Peçamos a Ela que realize em breve sua promessa do triunfo do Imaculado Coração, para assim podermos viver numa civilização realmente cristã.




(Fonte: Valdis Grinsteins, “Catolicismo”, setembro de 2006).


GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 8 de março de 2020

Teófilo, o clérigo que vendeu a alma ao diabo

Nossa Senhora enxota o demônio e salva o clérigo Teófilo
Nossa Senhora enxota o demônio
e salva o clérigo Teófilo. Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Encravados nas modernas cidades europeias, erguem-se autênticos gigantes de pedra desafiando o tempo.

São as catedrais medievais, construídas por almas fervorosas que quiseram ver sua fé imortalizada através dos séculos.

Contemplando no silêncio o correr de eras históricas, constituem elas um ensinamento vivo da sabedoria da Igreja Católica.

Em suas esculturas de pedra e delicados vitrais coloridos espelha-se uma ordem ideal do universo.

A catedral foi por isso chamada "Bíblia dos pobres".

Algumas estátuas constituem verdadeiras obras-primas, tanto da escultura românica quanto da gótica.

Nesta "Bíblia de pedra e de cristal", os artistas de outrora esculpiram inúmeras parábolas, que ensinam de modo vivo as virtudes que o fiel católico deve praticar.

Uma dessas histórias retratadas em pedra é a de Teófilo.

O fato ocorreu na Sicília, e deu origem à famosa legenda que inspirou a auto sacramental "O milagre de Teófilo", dos mais célebres da literatura medieval.

Catedral de Palermo, na Sicília.
Catedral de Palermo, na Sicília.
Foi escrita pelo clérigo Eutiquiano de Constantinopla, como testemunha ocular que foi do fato.

Segundo o padre Crasset, confirmam-no S. Pedro Damião, S. Bernardo, S. Boaventura, S. Antônio e outros.

Qual era o caso de Teófilo? Vigário da Igreja de Adanas, na Sicília, ele dirigira durante muito tempo, com dedicação e acerto, os bens eclesiásticos, facilitando a seu bispo a direção das almas.

Porém, veio o dia em que o prelado entregou sua alma ao Criador, para grande desconsolo e tristeza dos fiéis.

Quem ocuparia a sede vacante? Não havia dúvida: Teófilo — dizia-se por toda parte.

Gargouilles de Notre Dame de París. Esses seres quiméricos lembram a presença do demônio tentando assaltar os homens nos locais menos esperados.
Gargouilles de Notre Dame de París. Esses seres quiméricos
lembram a presença do demônio
tentando assaltar os homens nos locais menos esperados.
O povo o estimava e o queria para bispo, dignidade que ele por humildade recusou, respondendo que sua vocação era continuar exercendo as funções de vigário.

Por fim, outro bispo ocupou a sede vacante.

O novo prelado não confiava em Teófilo, e algum tempo depois removeu-o de seu cargo.

A desolação invadiu então a alma do eclesiástico.

Enquanto ele vagava pela cidade, o demônio lhe sussurrava:
— Perder o cargo! A carreira! Como foram fazer isso a ti, Teófilo? Isso não pode ficar assim!

Foi nesse estado que o infeliz sacerdote bateu à porta do feiticeiro. Este, porém, negava-lhe uma solução fácil:

— Há só uma saída: invocar a ajuda dos infernos.

Teófilo vacilou por um instante. Porém o ressentimento lhe corroía o coração, e acabou aceitando a proposta. Invocado pelo feiticeiro, o demônio apareceu imediatamente em toda sua hediondez.

Com gritos, blasfêmias e palavrões, foi ditando a Teófilo os termos dos atos, que deviam ser escritos em pergaminho com o próprio sangue do ex-vigário e selados com seu anel.

Devia renunciar à Fé, à Igreja, à Santíssima Virgem e a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Catedral de Palermo, Sicília, Itália.
Catedral de Palermo, Sicília, Itália.
Ajoelhando-se, o ex-vigário prestou vassalagem ao demônio, em sua forma monstruosa.

Na cerimônia medieval de vassalagem, o servo juntava suas mãos e o senhor feudal as cobria com as mãos, significando assim que concederia proteção àquele que se submetia à sua autoridade.

No dia seguinte o bispo reconheceu a falsidade das acusações contra Teófilo e pediu-lhe perdão, restituindo-lhe o cargo que ocupara.

A fortuna e o prazer lhe sorriam, mas um profundo mal-estar o atormentava no interior.

Chorava sem cessar, tendo a consciência dilacerada de remorso pelo enorme pecado que havia cometido.

Era como se uma mão o prendesse pelo coração.

Ademais, só ao pensar que sua felicidade iria terminar algum dia, tornava-se sumamente infeliz.

Sobretudo, enchia-o de terror o saber de quem era servo!

Finalmente, não podendo suportar mais tal situação, entrou um dia na igreja, e lançando-se aos pés de uma imagem da Santíssima Virgem, chorou amargamente e lhe disse:

— Ó Mãe de Deus, não quero desesperar-me. Ainda Vós me restais, Vós que sois tão compassiva e poderosa para me ajudar.

O 'milagre de Teófilo' entalhado na pedra
para lição dos fiéis (detalhe) Notre Dame de Paris
Fez a mesma coisa durante quarenta dias, renovando sempre suas súplicas e pedindo perdão.

Uma noite apareceu-lhe a Mãe de Misericórdia e disse-lhe:

— Que fizeste, Teófilo? Renunciaste à minha amizade e à de Meu Filho e te entregaste àquele que é teu e meu inimigo!

Teófilo, sem deixar de chorar, implorou a misericórdia da Mãe de Deus. Recordando o exemplo de outros pecadores como o Profeta-Rei David, Santa Maria Madalena e S. Pedro, terminou por dizer:

— Senhora, haveis de me perdoar e de me obter o perdão de vosso filho.

Ela respondeu-lhe que o perdoaria tê-la negado, mas não poderia perdoar a negação de Seu Filho:

— Consola-te, que vou rogar a Deus por ti.

Após ouvir estas palavras, reanimado, redobrou Teófilo as lágrimas, as preces e as penitências, conservando-se sempre aos pés da imagem de Maria. Reapareceu-lhe a Mãe de Deus, e amavelmente lhe disse:

— Teófilo, enche-te de consolação. Apresentei a Deus tuas lágrimas e orações. De hoje em diante guardo-lhe a gratidão e fidelidade.

Catedral de Toledo
O infeliz replicou:

— Senhora minha, ainda não estou plenamente consolado. Ainda conserva o demônio o ímpio documento em que renunciei a Vós e a vosso Filho. Podeis fazer que me restitua?

Compadecida, Ela mesma ofereceu-se para ir buscar o pergaminho no inferno.

Durante três dias Teófilo aguardou prostrado em terra, ao cabo dos quais reapareceu a Virgem trazendo o pacto maldito, que entregou a Teófilo como símbolo do seu perdão.

No dia seguinte foi Teófilo à Igreja, e ajoelhando-se aos pés do bispo, que naquele momento oficiava, contou-lhe por entre soluços tudo quanto lhe havia acontecido.

Entregou-lhe o ímpio documento, que o bispo fez queimar imediatamente diante dos fiéis presentes, enquanto choravam todos de alegria, exaltando a bondade de Deus e a misericórdia de Maria para aquele pobre pecador.

Teófilo voltou à igreja de Nossa Senhora, e ao fim de três dias morreu contente, cheio de gratidão para com Jesus e sua Mãe Santíssima.

Na escultura que representa o fato numa porta lateral de Notre Dame de Paris, bem se pode ver esse auge de bondade de Maria.

Enquanto o vigário arrependido ora fervorosamente, a Santíssima Virgem obriga, com a espada na mão, o demônio a devolver-lhe o pergaminho.

Três fisionomias marcam a cena: confiança e calma em Teófilo; proteção maternal e força de Nossa Senhora; ódio cínico e desespero profundo no demônio.



(Fonte: S. Afonso Maria de Ligório, "Glórias de Maria")


GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 23 de fevereiro de 2020

“Alegrai-vos católicos”: Hino ao Apóstolo Santiago de Compostela

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Autor: Mestre Alberto de Paris, falecido em 1177.

É a mais antiga partitura polifônica conhecida na Europa. Faz parte do Liber Sancti Jacobi, também referido como Codex Calixtinus ou Códice Calixtino, conservado na catedral de Compostela.

Este hino foi composto para ser cantado pelos peregrinos indo a Compostela.

A Escola de Polifonia de Notre Dame nasceu pela metade do século XII com cânticos religiosos, mas não litúrgicos, para serem cantados pelos operários enquanto construiam a catedral de Notre Dame de Paris.

Também eram cantados pelo povo nas procissões.

Por isso, o polifônico medieval é tido como o correspondente musical do espírito gótico que fez Notre Dame. Os primeiros autores ficaram no anonimato.



domingo, 9 de fevereiro de 2020

São Martinho de Tours e a capa que sacralizou a Cristandade

São Martinho de Tours divide sua capa com o pobre que resultaria ser Jesus Cristo. Museu de Cluny. Paris
São Martinho de Tours divide sua capa com o pobre que resultaria ser Jesus Cristo.
Museu de Cluny. Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No ano 316, na cidade de Sabária/Savária (atual Szombathely), antiga província romana de Panónia, atual Hungría, num tempo em que a Hungria não havia sido invadida pelos húngaros, a oeste do rio Danúbio, nascia Martinho no nobre berço do tribuno romano.

A família de Martinho obviamente não era cristã e adorava os falsos deuses greco-romanos, mas ele haveria de ser um dos promotores da maior e mais rápida cristianização da Europa.

Sua estirpe o conduziu a oficial das legiões romanas, então dominadoras da Europa. Logo ficou centurião (comandante de cem homens).

Porém, a graça tocou o coração do romano Martinho.

Apenas com vinte anos, chefes e soldados tinham um muito alto conceito do oficial pela sua coragem e generosidade.

Certa feita, perto das portas da cidade de Amiens, reparou um pobre miserável que morria de fio. Ninguém se incomodava impregnados como estavam dos duros costumes pagãos romanos.

Martinho então se despojou de sua prestigiosa capa de oficial e a cortou pela metade com a espada que havia usado no campo de batalha contra os inimigos do poder imperial.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Nossa Senhora é a alma da Cristandade
segundo um perspicaz ... protestante!

Catedral de Laon, França
Catedral de Laon, França



Plinio Maria Solimeo
Blog da Família




Segundo renomado historiador protestante, portanto insuspeito, a Santíssima Virgem sempre esteve no centro da vida medieval, sendo a alma da Cristandade



Durante séculos se criou uma legenda negra a respeito da Idade Média, tachando-a de uma época obscurantista e primitiva.

Isso se deveu sobretudo ao ódio de muitos ao papel exercido pela religião nesse tempo, assim descrito por Leão XIII em sua famosa encíclica Immortale Dei, de 1885:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados.

“Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil.

“Então, a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças aos favores dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. [...]

“Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”.

(Fonte: S.S. Leão XIII, Encíclica “Immortale Dei”, de 1º-XI-1885, "Bonne Presse", Paris, vol. II, p. 39).

domingo, 12 de janeiro de 2020

Rimini: onde a mula se ajoelhou ante a Eucaristia

Santo Antonio de Pádua e o milagre da mula, Joseph Heintz o jovem (1600-1678)
Basilica dei Santi Giovanni e Paolo, Veneza
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Santo Antônio de Pádua (1195 — 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas.

A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, segundo lembrou a agência Zenit.

Entre esses opositores militavam hereges cátaros, patarines e valdenses.

Na cidade italiana de Rimini, o líder do erro cátaro, de nome Bonovillo, foi particularmente insultante.

Por volta do ano 1227 ele desafiou a Santo Antônio que provasse com um milagre a presença real do Corpo de Cristo na Eucaristia.

A provocação resultou no famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou “milagre da mula”, acontecido nessa capital da Emília-Romagna.

O desafio e o milagre conseguinte ficaram consignados em vários livros históricos – entre os quais o Benignitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulouse e em Bourges.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Os Reis Magos e a Estrela de Belém, segundo o maior dos exegetas católicos

Adoração dos Reis Magos, igreja do Santíssmo Sacramento, Buenos Aires.









Os varões privilegiados

Os varões privilegiados, conhecidos pela Cristandade como Três Reis Magos, foram escolhidos para estar entre os primeiros — depois de Nossa Senhora, São José e os pastores — a adorar o Divino Infante na gruta de Belém.

Quem foram eles?

E o que foi propriamente a radiosa estrela que os conduziu pelas áridas montanhas da Judéia, para se colocarem junto ao Salvador?

Cornélio a Lapide (1567-1637) no-lo explica em seus comentários sobre o trecho do Evangelho de São Mateus onde o episódio é narrado:

“Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, nos dias do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo:

‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo’”(Mt 21, 12).

Judá significa aqui a tribo de Judá, à qual a tribo de Benjamim aderiu após o cisma das dez tribos, provocado pelo rei Jeroboão. Essas duas tribos formaram o reino de Judá.

São Mateus acrescenta a referência a Judá para distinguir Belém da cidade de mesmo nome situada na tribo de Zebulão, na Galileia (cf. Josué, 19, 15).

Assim também comenta São Jerônimo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: ensinamentos sobre a glória de Nossa Senhora

Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência,
Rio de Janeiro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior: Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma




O dogma da Imaculada Conceição ensina que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser.

Ela em momento algum teve qualquer nódoa do pecado original.

A lei inflexível pela qual todos os descendentes de Adão e Eva, até o fim do mundo, teriam o pecado original, se suspendeu em Nossa Senhora.

E naturalmente na humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora não ficou sujeita às misérias a que estão sujeitos os homens.

Não ficou sujeita aos impulsos, inclinações e tendências más que os homens tem.

Tudo nEla corria harmonicamente para a verdade, para o bem; tudo nEla era o movimento para Deus.

Nossa Senhora foi exemplo perfeito da liberdade da razão iluminada pela fé.

Ela queria inteiramente tudo o que era perfeito e não encontrava em si nenhuma espécie de obstáculo interior.

Ela era cheia de graça. De maneira que o ímpeto do ser dela se voltava só para a verdade, o bem, de modo verdadeiramente indizível.