domingo, 16 de janeiro de 2022

Na tristeza, na solidão...: olha a Estrela, olha para Maria!

Na tempestade, na solidão OLHA PARA MARIA Nossa Senhora do Carmo, Puerto de la Cruz, Tenerife, Espanha
Na tempestade, na solidão OLHA PARA MARIA
Nossa Senhora do Carmo, Puerto de la Cruz, Tenerife, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






OLHA A ESTRELA - INVOCA A NOSSA SENHORA


Para a solução dos nossos mais intricados problemas é só na Igreja Católica, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, que devemos concentrar nossas esperanças no perdão que dissolve os temores, suaviza os corações, nos guia com a doçura de uma mãe.

E olhar para Aquela que está mais perto de nós: Nossa Senhora, a estrela que nos guia na noite da tentação, da prova, da tristeza, da solidão...

Eis como nos diz São Bernardo

A letra glosa uma famosa homilia de São Bernardo. Ei-la:

Seguindo-A, nós não nos desviamos.

Rezando a Ela, nós não desesperamos.

Pensando nEla, nós não nos enganamos.

Se Ela te segura pela mão, você não vai cair.

Se Ela te protege, você não terá medo.

Se Ela está com você, você certamente chegará ao fim do caminho.

Maria é aquela nobre estrela cujos raios iluminam o mundo inteiro,

cujo esplendor brilha nos céus e perfura os infernos.

Ilumina o mundo e aquece as almas.

Acende as virtudes e consome os vícios.

Maria é aquela nobre estrela cujos raios iluminam o mundo inteiro, Sidney Sussex college, Cambridge
Maria é aquela nobre estrela cujos raios iluminam o mundo inteiro,
Sidney Sussex college, Cambridge
Ela brilha por seus méritos e ilumina com seus exemplos.

Ó você chacoalhado pelo furor das tempestades, não desvies o olhar do brilho desta estrela se não quiseres afundar.

Se os ventos da tentação aumentam, se você bate nos recifes da tribulação, olha para a estrela, invoca Maria.

Se você está dominado pelo orgulho, pela ambição, pela difamação e pelo ciúme, olha para a estrela, clama a Maria.

Se a raiva, a ganância ou as fantasias da carne abalam teu espírito, olha para Maria.

Se, oprimido pela enormidade de teus crimes,

confuso com a feiura de tua consciência,

assustado com o horror do Juízo,

você começa a afundar no abismo da tristeza, no abismo do desespero,

pensa em Maria.

Que o seu nome não saia de teus lábios, que não saia de teu coração e para obter o favor de suas orações, não te esqueças dos exemplos de sua vida.

(Autor: São Bernardo de Claraval (1090-1153), Homilia II, 17 Sobre as Glórias da Virgem Maria)



Um grupo de capelões militares das Forças Armadas da França, adaptaram a letra e a cantam como se ouve no vídeo:




Se se levanta o vento da tentação

Se você bate no rochedo das provações

Se as ondas de ambição te levam embora

Se a tempestade das paixões se desencadeia

Olha a estrela

Invoca Maria

Se você a segue, você nada temerás

Olha a estrela

Invoca Maria

Ela te reconduz ao caminho

Na hora da dúvida, da angústia e dos perigos,

Quando a noite de desespero te envolve

Se a gravidade de tuas faltas

Se a tempestade das paixões se desencadeia
Se a tempestade das paixões se desencadeia
Te atormenta com o pensamento do Juízo

Olha a estrela

Invoca Maria

Se você a segue, você nada temerás

Olha a estrela

Invoca Maria

Ela te reconduz ao caminho

Se tua alma está tomada pelo rancor

Se o ciúme e a traição te dominam

Se teu coração está mergulhado no abismo

Levado por torrentes de tristeza

Olha a estrela

Invoca Maria

Se você a segue, você nada temerás

Olha a estrela

Invoca Maria

Ela te reconduz ao caminho

Ela se eleva sobre o mar, Ela fulgura

Seu brilho e seus raios iluminam

Sua luz brilha na Terra toda

Nos céus e no fundo dos abismos

Olha a estrela

Invoca Maria

Se você a segue, você nada temerás

Olha a estrela

Invoca Maria

Ela te reconduz ao caminho

Se você a seguir, você não vacilará

Se você a seguir, você não hesitará

Você nada temerás

Ela está com você

E até o fim

Ela vai te guiar.



(Cantores : capelões militares das Foças Armadas da França « Les Padrés ». https://www.youtube.com/watch?v=fGxFeF_2hYk. Librairie de Louis Vivès, éditeur, 1866, p. 593-604)



Em francês:


Prière de saint Bernard « Regarde l’étoile, invoque Marie. »

En la suivant, on ne dévie pas.

En la priant, on ne désespère pas.

En pensant à elle, on ne se trompe pas.

Si elle te tient par la main, tu ne tomberas pas.

Si elle te protège, tu ne craindras pas.

Si elle est avec toi, tu es sûr d’arriver au but.

Marie est cette noble étoile dont les rayons illuminent le monde entier,

dont la splendeur brille dans les cieux et pénètre les enfers.

Elle illumine le monde et échauffe les âmes.

Elle enflamme les vertus et consume les vices.

Elle brille par ses mérites et éclaire par ses exemples.

Ô toi qui te vois ballotté au milieu des tempêtes, ne détourne pas les yeux de l’éclat de cet astre si tu ne veux pas sombrer.

Si les vents de la tentation s’élèvent, si tu rencontres les récifs des tribulations, regarde l’étoile, invoque Marie.

Si tu es submergé par l’orgueil, l’ambition, le dénigrement et la jalousie, regarde l’étoile, crie Marie.

Si la colère, l’avarice ou les fantasmes de la chair secouent le navire de ton esprit, regarde Marie.

Si, accablé par l’énormité de tes crimes, confus de la laideur de ta conscience, effrayé par l’horreur du jugement, tu commences à t’enfoncer dans le gouffre de la tristesse, dans l’abîme du désespoir,

pense à Marie.

Que son nom ne quitte pas tes lèvres, qu’il ne quitte pas ton coeur et pour obtenir la faveur de ses prières, n’oublie pas les exemples de sa vie.



(Autor: Saint Bernard de Clairvaux, Homélies sur les gloires de la Vierge mère – Deuxième homélie, Traduction par Abbé Charpentier, Librairie de Louis Vivès, éditeur, 1866, p. 593-604).



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domingo, 2 de janeiro de 2022

O Menino-Deus adorado por Reis dotados de conhecimentos astronômicos pasmosos: cena sagrada que encantou os medievais

Adoração dos Reis Magos. Beato Angelico
Adoração dos Reis Magos. Beato Angelico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em 6 de janeiro, desde os primeiros séculos, a Igreja celebra a festa da Epifania, ou seja, a visita dos Reis, também chamados de Magos ou Sábios, que foram adorar o Menino Deus.

Epifania, em grego, significa manifestação, ou também revelação esplendorosa.

De início, a festa celebrava-se no próprio dia de Natal. O mais antigo registro dela é do historiador romano Ammianus Marcellinus no ano 361.

Foi na Idade Média, precisamente no ano de 534, que a Igreja separou as duas festas para comemorá-las com mais pompa, e fixou o dia 6 de janeiro como da Epifania ou da Adoração dos Magos

A visita significou a manifestação de Nosso Senhor não somente aos judeus, mas a todas as nações da Terra, representados pelos Reis Magos.

Segundo a tradição seus nomes eram Melchior, Gaspar e Balthazar (habitualmente representado como preto). Segundo São Mateus, eles vieram do Leste de Jerusalém, o que leva a pensar que fossem patriarcas, ou reis, vindos da área cultural da Caldéia.

Os caldeus tinham grandes conhecimentos de astronomia, de ali que os Reis fossem também chamados de Magos, nome que no caso no contém nenhuma conotação desdourante, e também de Sábios.

Estrela guiou os Reis Magos. Giotto, detalhe.
Estrela guiou os Reis Magos. Giotto, detalhe.
Conta-se que eles pertenciam a estirpes de reis locais que tiveram a intuição de que o mundo, tendo chegado a uma situação de decadência sem saída, precisaria de um Redentor que haveria de nascer dos judeus.

Pelos seus cálculos astronômicos, o nascimento haveria de ser sinalizado por uma estrela no Céu.

A tradição passou de geração em geração nas famílias desses reis, até que cumpriram-se os tempos.

E a estrela anunciada apareceu e os guiou até Belém.

Eles levaram um rico cortejo e presentes preciosos para o Salvador da humanidade.

Como foi possível tanta ciência astronômica? Não houve também um auxílio sobrenatural? Qual?

É fato que a arqueologia revela que povos antiqüíssimos possuíam conhecimentos que hoje a ciência mais avançada recupera com ingentes e admiráveis esforços e imensas aplicações de dinheiro e tecnologia. A matéria é ampla e apaixonante demais para tratá-la agora. O faremos mais adiante.

Entrementes, eis como o episódio sagrado é descrito pelo Evangelho de São Mateus (2; 1-18):

São Mateus escreveu seu Evangelho divinamente inspirado
São Mateus escreveu seu Evangelho divinamente inspirado
1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.

2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.

3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.

4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.

5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:

6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as ci7dades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).

7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.

8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.

9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.

10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.

11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.

12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.

13. Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.

14. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.

15. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1).

Herodes ordena massacre dos inocentes. Notre Dame de Paris
Herodes ordena a massacre dos inocentes. Notre Dame de Paris
16. Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos.

17. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:

18. Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)!
Aquelas infelizes, mas gloriosas vítimas do ódio a Jesus Cristo, rei de Israel e Redentor do mundo são lembradas pela Igreja como o Santos Inocentes.

A Igreja comemora os Santos Inocentes no dia 28 de dezembro.

Sobre o rei Herodes ver: Enquanto os Santos Inocentes reinam no Céu, o túmulo de Herodes segue envolto numa lembrança horrorizada

***

Tranqüilidade sobrenatural e oração diante do Menino-Deus

Adoração dos Reis Magos, Giotto
Adoração dos Reis Magos, Giotto

No afresco do famoso pintor italiano Giotto (*), Nossa Senhora, segura seu Divino Filho no colo. Ela aparece sentada numa espécie de troneto colocado sobre um estradozinho ricamente atapetado, e ricamente vestida. Para receber os Reis, compreende-se que Ela se vestiu com aparato.

Atrás de Nossa Senhora aparecem um anjo, São José, santos e outras pessoas do Templo que o autor quis representar. Ou talvez sejam pessoas que no futuro contemplariam tal cena em espírito e em oração.

Um dos reis adora o Menino Jesus e osculando seus pés. Os dois outros monarcas estão tranquilos, comprazidos em oração diante de Nossa Senhora e do Menino-Deus, vendo seu irmão na realeza, adorar o Divino Infante.

Estão contentes com tudo o que se passa, aguardando chegar a vez deles. Mas sem impaciência, com a tranquilidade e a serenidade medieval, que exprimia bem a presença de Deus, o espírito e a graça divinos na alma desses personagens.

Logo atrás dos dois Reis, um pagem está freando ou subjugando o camelo, para que este não crie problemas. Esse personagem é um animalis homo, sem nada de sobrenatural, de tranquilo e sereno. É um homem bruto, agitado e prestando atenção em tudo, de nariz pontudo, de olhos saltados e mandão. Está bem à altura de um tratador de camelos.






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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Feliz Natal 2021 e Bom Ano Novo!




Vídeo Natal 2021. Comentários de Plinio Corrêa de Oliveira:
Jesus se faz pequenino para nós podermos adorá-lo

Clique na foto para ver:



Luis Dufaur
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domingo, 19 de dezembro de 2021

São Nicolau: bispo inflexível que obteve o impossível com seus milagres

São Nicolau ressuscita um jovem, Ambrogio Lorenzetti.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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COMO O SENHOR queria chamá-lo a Si, ele pediu-Lhe que lhe mandasse os seus anjos. Então, inclinou a cabeça, viu os anjos que se dirigiram a ele, e logo se deitou no chão, munindo-se com o crucifixo e, dizendo o Salmo “Em Ti, Senhor, esperei ...” até “nas tuas mãos”, e entregou o espírito, no ano do Senhor de 343, enquanto se ouvia a melodia dos coros celestes.

Foi sepultado num sepulcro de mármore; da cabeceira brotava uma fonte de azeite e dos pés uma fonte de água; e, até hoje, tem emanado dos seus membros um óleo sagrado que restituiu a saúde a muitos.

Sucedeu-lhe um homem bom que, por invejas, foi deposto da sua cátedra; desde que foi deposto, o azeite deixou de correr, voltando a fluir logo que para ela voltou a ser chamado.

São Nicolau o bispo inflexível, modelo de Justiça e Caridade.
Passado muito tempo, os turcos destruíram Mira, mas quarenta e dois soldados de Bari foram lá com quatro monges que lhes mostraram o túmulo de São Nicolau; abriram-no e levaram com toda a reverência os seus ossos, que nadavam em azeite, para a cidade de Bari, no ano do Senhor de 1087.

Um homem pediu emprestado a um judeu certa soma de dinheiro, Jurando sobre o altar de São Nicolau, por não poder ter fiador, que lha devolveria tão depressa pudesse. Como já tinha o dinheiro havia muito tempo, o judeu pediu-lho; mas apenas prometia que lhe havia de devolver. Citou-o por isso perante o juiz que obrigou o devedor a jurar.

Levara ele um bastão oco que enchera com o ouro miúdo, pois precisava dele para se apoiar. Querendo prestar o juramento entregou o bastão ao judeu para que o segurasse; e jurou que já lhe tinha dado mais do que lhe devia.

Feito o juramento, pediu o bastão e o judeu deu-lho, porque não sabia da astúcia, Mas, quando o que fizera a fraude regressava, ao passar numa encruzilhada adormeceu, perturbado; um carro que passava velozmente matou-o e partiu o bastão cheio de ouro e o ouro espalhou-se.

Quando o judeu ouviu isto, foi ao local para verificar o dolo e muitos lhe sugeriram que recolhesse o dinheiro; porém, ele recusou em absoluto, a não ser que o defunto voltasse à vida, por intercessão de São Nicolau, afirmando que receberia o batismo e se faria cristão, Como, de imediato, o defunto ressuscitou, o judeu foi batizado em nome de Cristo,

UM JUDEU que via o poder virtuoso de São Nicolau nos milagres que fazia, mandou esculpir uma imagem dele, colocou-a na sua casa, e quando saía para mais longe, confiava-lhe os seus haveres, dizendo-lhe, com ameaças, estas e outras palavras:

‒ Olha, Nicolau! Entrego-te todos os meus bens para que mos guardes; e, se o não fizeres castigar-te-ei com pancadas e chicotadas.

São Nicolau amou os inocentes porque foi modelo de inocência

Ora, uma vez, enquanto estava ausente, os ladrões chegaram, roubaram tudo deixando apenas a imagem. Quando o judeu regressou, vendo-se espoliado, falou à imagem com estas ou semelhantes palavras:

‒ Senhor Nicolau, não te pus na minha casa para que guardasses os meus bens dos ladrões? Porque o não quiseste fazer e não os defendeste dos ladrões? Por isso, receberás tormentos horríveis e pagarás pelos ladrões; assim, compensar-te-ei com os teus tormentos e arrefecerei o meu furor com pancadas e chicotadas.

Agarrou na imagem, bateu-lhe e chicoteou-a terrivelmente. Foi uma coisa espantosa.

Entretanto, o Santo de Deus, como se estivesse realmente a apanhar as chicotadas, apareceu aos ladrões que estavam a dividir o roubo e disse-lhes estas ou semelhantes palavras:

‒ Porque sou tão terrivelmente chicoteado em vez de vós? E por que razão, tão cruelmente espancado? Eis como o meu corpo está lívido e como fica vermelho do sangue derramado! Ponde-vos já a caminho e devolvei tudo o que tirastes, senão a ira de Deus onipotente enfurecer-se-á tanto contra vós que o vosso crime será conhecido por todos e cada um de vós será enforcado.

‒ Quem és tu que dizes tais coisas? ‒ perguntaram eles?

‒ Sou Nicolau, servo de Jesus Cristo, que aquele judeu, a quem roubastes esses bens, flagelou tão cruelmente.

Aterrados, os ladrões foram ter com o judeu, contaram-lhe o milagre e ouviram dele o que tinha feito à imagem, devolveram tudo quanto haviam roubado e voltaram ao caminho da retidão enquanto o judeu abraçava a fé do Salvador.





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