Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro de Vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os vossos Santos, por todos os séculos dos séculos. Amém. VEJA MAIS E OUÇA
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Muitos peregrinos, vindos dos mais remotos confins da Cristandade, iam à romaria do Santuário de Nossa Senhora de Rocamadour.
Ele continua ali perto da auto-estrada que vai de Paris até Lourdes.
Na Idade Média ia gente de toda espécie, desde mendigos ou empestados até fidalgos e grandes dignitários da Igreja.
Frequentemente misturavam-se àquela turba alguns indivíduos aloucados, galhofeiros ou poetas, que tanto entoavam uma canção, acompanhando-a com qualquer instrumento, como embasbacavam o povo com malabarismos e trabalhos de saltimbancos.
Singlar era um desses. Jovem, espalhafatoso, tagarela, mas de caráter doce, excelente no uso dos instrumentos musicais e dulcíssimo no cantar.
Alto poeta, encontrava sempre, no momento exato, a palavra mais viva, mais colorida e musical para dizer as coisas.
Além disso, era devoto fiel da Virgem, e por isso fora a Rocamadour.
Rezou diante da imagem. Sabia, porém, que jamais poderia, com orações, dizer-lhe os sentimentos que transbordavam de seu coração.
Uma canção subia-lhe à flor dos lábios, e as pontas de seus dedos formigavam nervosamente, desejosos do instrumento.
Não pôde conter-se: apanhou o alaúde e cantou uma loa suave e ingênua.
O jogral estava emocionado, enlevado, e prostrou-se diante da imagem. Nela, os olhos e as pedrarias do traje fulguravam.
— Senhora — disse-lhe o cantor — estais vendo que eu canto para vós com todo o meu coração. Desejaria saber se meus louvores são recebidos com agrado.
O santuário estava cheio de gente, naquele momento. Todas as pessoas puderam ver um dos círios, saindo do candelabro em que estava colocado, descer até junto do poeta.
Houve um coro de exclamações. Gente corria de todos os cantos, para colocar-se ao lado do jovem:
— Milagre! Milagre!
Depressa chegou a notícia à clausura dos monges, que desceram todos para a igreja.
Os demais ajoelharam-se, confundidos com o povo que elevava fervorosas preces a Nossa Senhora.
Fazendo aquele prodígio, como prêmio ao canto ingênuo e sincero de um simples jogral, acabava Ela de dar a toda aquela gente uma lição de humildade.
Só um homem permanecia em pé. Fez caminho entre os que estavam ajoelhados, e colocando-se diante do jogral, disse, em voz muito alta:
— Não vos deixeis enganar! Aqui não houve milagre! Acreditais que a Rainha dos Céus desperdiçaria suas graças numa tolice como esta?
Levantai-vos! Não houve milagre, e sim mistificação deste velhaco, ou talvez sortilégio, arte do diabo.
Primeiro os monges, depois os peregrinos, foram pondo-se todos de pé, e depois afastando-se cautelosamente, um pouco encabulados, como que tomados de vergonha.
Muitos procuravam lugar atrás das colunas ou em algum canto pouco iluminado. Entretanto, ninguém saiu do templo.
Por sua vez, Singlar ali continuava, ajoelhado diante da Virgem.
Na frente dele, repreendendo-o, um monge tornara a colocar o círio no candelabro.
Os pescoços esticavam-se, gente se punha em pontas de pés.
Todos os olhos estavam fixos no jogral, que pela segunda vez tirava notas dulcíssimas do alaúde e tornava a improvisar um cântico de louvor.
O círio tornou a descer para junto do poeta.
Gritos atroadores do monge retiveram a meio caminho as pessoas que se apressavam para o altar:
— Não vos aproximeis! Isto é obra de bruxaria! Este homem é um mágico que veio afrontar Nossa Senhora! Tem pacto com Satanás!
Em vão Singlar negava, os olhos cheios de lágrimas:
— Senhora, não me abandoneis!
O monge tinha apanhado o círio, e retinha-o com força entre as mãos, enquanto dizia:
— Estrela Matutina, Torre de Davi, Mãe do Salvador, não permitas que ante tua imagem o inferno possa agir como deseja!
A canção de Singlar entrava como alfinetadas de gozo no coração de todos. Subia, retilínea, pura, clara, até a Virgem de Rocamador...
O círio deu um salto, e das mãos do monge foi ter à mão direita do jogral.
Mesmo aquele monge tombou de joelhos.
Um "Ave!" espontâneo, vibrante, maravilhoso, brotou de todas as gargantas.
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Há muitos, muitos anos, ainda nos alvores da História portuguesa, existia no Rossio de Lisboa, uma pequena ermida abobadada e com a altura de um primeiro andar. Quem a construiu? E porquê? É o que vou recordar.
Quase desgrenhada de tanto correr, a rapariga estava ofegante, exausta. O seu traje falava de miséria, o seu rosto tinha estampada uma expressão de horror. Parou olhando o céu, e chamou, numa voz entrecortada pela dificuldade da respiração:
— Minha Nossa Senhora! Por tudo vos peço que me salveis! Eu estou inocente! Nada roubei, pois apenas quis dar de comer à minha filhinha que morria de fome... Salvai-me, Virgem Santíssima! Salvai-me, e tereis em mim uma serva para toda a vida!
Atrás dela soaram os passos dos seus perseguidores. Desesperada, ela achou forças para voltar a correr. Dobrou a esquina do Rossio e, de súbito, ouviu uma voz que vinha do Alto:
— Vou salvar-te, minha filha, O teu pecado está já bem redimido pela tua dor. Quiseste apenas salvar a tua filha. Agora sou eu quem te salvará.
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Fachada da igreja do Sagrado Coração do Sufrágio
Indo à Basílica de São Pedro pelo Lungotevere – a avenida que bordeja o histórico rio Tibre – o romeiro é surpreso por uma bonita igreja que tem o imponderável de conter algo muito singular.
Não é só o fato de seu estilo neogótico evocar a França e destoar do distendido conjunto arquitetônico romano.
Luminosa, delicada, esguia, sorridente, mas infelizmente fechada boa parte do dia, a igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano.
Perguntei a amigos romanos o que havia nessa igrejinha.
Eles me explicaram – não sem antes me prevenirem de não me espantar – que lá havia um Museu das Almas do Purgatório.
Quer dizer, uma coleção de sinais do além deixados por essas almas, que na maioria das vezes apareceram ardendo internamente a parentes ou irmãos de religião.
Sempre pedindo orações para saírem do Purgatório, onde pagavam penas devidas a seus pecados e irem para o Céu.
A igreja com destaque à direita, no centro Castel Sant'Angelo,
à esquerda sai a Via della Conciliazione rumo a São Pedro
Quando achei o horário certo, ingressei pela igrejinha do Sagrado Coração do Sufrágio naquele inédito museu.
Nele os objetos estão expostos dentro de quadros protegidos por vidros, encostados uns aos outros por causa da exiguidade da sala.
Talvez seja o menor museu do mundo. E, entretanto, pode-se dizer que o tema ao qual se dedica é mais transcendente que o de muitos museus mais ricos e famosos.
Na época, lamentei as parcas informações fornecidas numa simples folha para uso geral dos visitantes. Mas, ainda assim, os testemunhos do além muito me impressionaram.
Interior da igreja
A importância do Museu evidenciou-se ainda mais com a entrevista realizada há pouco por uma TV italiana com o pároco da igreja, o Pe. Domenico Santangini.
Como ela foi feita em italiano, transcrevi todas suas palavras para o português e apresentando-as aqui.
Os singulares objetos que fazem parte do Museu – roupas, madeiras e outros objetos queimados com formas de mãos e outras pelas almas em fogo – merecem serem estudados pela ciência.
Como católicos nada tememos sobre as verdades de Fé envolvidas no caso.
O Purgatório não foi objeto de uma definição solene ex-cathedra, mas são inúmeros os ensinamentos revelados contidos nas Escrituras e não é lícito duvidar de sua existência.
No centro do altar mor, o Sagrado Coração de Jesus recebe as orações
de Nossa Senhora e São José.
Embaixo, as almas do Purgatório se voltam para o anjo e Nossa Senhora
enquanto o sacerdote oferece a Missa pelas almas que purgam.
Se os teólogos discutem sobre ele, é apenas sobre seu lugar e outras circunstâncias que não mudam o fato essencial: o Purgatório existe e por ele devem passar as almas destinadas ao Céu, mas que devem pagar penas por faltas cometidas na Terra.
Diz-se até que a grande Santa Teresa de Jesus teria passado pelo Purgatório para fazer uma genuflexão que não fez certa vez ao atravessar uma capela...
Como sói acontecer, estudos científicos poderiam fornecer detalhes materiais que contribuiriam para compreendermos melhor a realidade desse lugar do além, o qual não está tão longe de nós como poderíamos achar.
Em consequência, nós nos sentiríamos mais convidados a rezar pelas almas que nele estão – quem garante que também nós não poderemos estaremos um dia? – e fazermos uma meditação sobre o destino final de nossa existência.
“Pensa nos teus novíssimos e não pecarás eternamente” (Eclo 7, 40) – ensinam as Escrituras.
Aliás, o caso desse museu não é o único sobre o qual as ciências não se debruçam.
Mas é algo muito concreto, material: as provas estão gravadas com fogo em panos, folhas, livros e móveis que a gente vê com os próprios olhos e que nos abre uma janela para uma imensa realidade.
Eis a transcrição da entrevista do pároco e curador do Museu do Purgatório:
Pe. Domenico Santangini, pároco do Sagrado Coração do Sufrágio, Roma: É certo que o Purgatório existe, embora não seja uma verdade de fé absoluta como o Inferno e o Paraíso. Porém, para a Igreja, é uma realidade autêntica, verdadeira.
Muitos, infelizmente, fingem não acreditar ou não acreditam de fato, por motivos pessoais. Para nós existe.
Como? Por quê?
Porque o homem é pecador e, enquanto tal, para chegar ao Senhor tem necessidade de purificação. E esta passagem das almas boas é obrigatória, uma passagem para ter uma alma limpíssima.
É lógico que o Purgatório é uma passagem para o Paraíso, não pode ser para o Inferno. Porque o Inferno é uma condenação absoluta e imediata.
Nossa Senhora do Carmo resgata almas do Purgatório.
Brooklyn Museum, escola de Cuzco, Peru
Portanto, procuremos descobrir a importância do Purgatório e de rezar muito pelas almas do Purgatório.
Porque, uma vez que estas almas entram no Paraíso, elas podem interceder por nós que estamos aqui embaixo.
Portanto, caros amigos, caríssimos fiéis, permanecei tranquilos e serenos. O Purgatório é uma grande verdade, uma grande realidade que não podemos deixar de reconhecer.
Quando falamos do além, falamos das almas do Purgatório.
Certamente podemos falar do Inferno.
Mas, não cabe a nós estabelecer quem está no Inferno ou no Purgatório. Só o Padre Eterno sabe, por isso nós cristãos de boa fé, quando encomendamos uma Missa pelos defuntos, a encomendamos pelas almas do Purgatório.
As almas santas podem se fazer sentir, “se apresentar” a nós, de muitas maneiras.
Poder ser num sonho, pode ser num elemento exterior, pode ser uma intuição, pode ser algumas vezes uma aparição.
Assim como temos nesta paróquia, existem testemunhos que põem em evidência como as almas do Purgatório pedem a nós, vivos, orações ou Santas Missas para que elas possam ser liberadas dos sofrimentos do Purgatório.
Por que o Purgatório é sofrimento? Por quê? É sofrimento porque ainda não chegaram a Deus. É o sofrimento da separação de Deus. Esta separação cessa quando entram no Paraíso.
Quem pratica o espiritismo não faz outra coisa senão invocar a alma dos mortos, mas, se respondem, esses mortos querem dizer que estão no Inferno.
Porque as almas que estão no Purgatório, embora distantes do Senhor, não se prestam ao nosso jogo humano de invocação, enquanto que as almas do inferno, que já são almas perdidas, como verdadeiros diabos então respondem, para poder atrair outras almas para onde elas estão.
Portanto, o espiritismo é exatamente o oposto da oração ou da aparição dessas almas aos vivos. É exatamente o oposto.
Altar pelas almas do Purgatório. Igreja de São Francisco, Pontevedra, Espanha
O bom cristão não pode não acreditar no Purgatório. Porque se ele não crê no Purgatório não é um verdadeiro cristão, transforma-se quase num pagão. Sim, um pagão.
Jesus nos disse muitas vezes no Evangelho que, no Fim do Mundo, Ele levará ao Paraíso as almas dos justos que dormem o sono da paz. Os levará ao Paraíso. Então, quer dizer que existe esta passagem.
Lógico, há santos que talvez vão direto ao Paraíso. Mas muitas almas, por faltas mais ou menos graves, passam pelo Purgatório.
Mas o espiritismo é uma coisa nefasta, e os cristãos que vão consultar esses charlatões cometem pecado grave, gravíssimo.
Jornalista : E fazer encomendas é pecado?
Pe. Domenico Santangini: É pior ainda. É pior ainda. Por favor, não façam essas coisas. Porque é o demônio que responde, e de fato toma conta da vossa alma.
O demônio é velhaco, velhaquíssimo. Devemos verdadeiramente evitar ir, e dizer aos outros para não fazê-lo – a nossos parentes, amigos –porque, de outro modo, podem comprometer sua alma.
Quando dizemos que alguém vende a alma ao demônio é através dessa via, desse espiritismo, dessas evocações.
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“No mesmo ano em que havia de sair desta vida, anunciou o dia de sua santíssima morte a alguns discípulos que com ele viviam e a outros que viviam longe.
“Aos que estavam presentes, recomendou-lhes que guardassem silêncio sobre o que haviam ouvido, e, aos ausentes, indicou que sinal se lhes daria quando sua alma saísse do corpo.
“Seis dias antes da morte mandou abrir sua sepultura. Logo depois, atacado pela febre, começou a ressentir-se do seu ardor violento.
São Bento, capela em San Domenico, Bologna.
“Como a enfermidade se agravasse dia a dia, no sexto fez-se conduzir pelos discípulos ao oratório e ali se fortaleceu para a partida deste mundo recebendo o Corpo e o Sangue do Senhor.
“E, apoiando seus enfraquecidos membros nos braços dos seus discípulos, permaneceu de pé com as mãos erguidas para o céu e exalou o último suspiro entre as palavras da oração.
“No mesmo dia, dois de seus discípulos, um que se achava no monastério e outro distante dele, tiveram uma mesma e idêntica revelação.
“Viam um caminho adornado por tapetes e resplandecente de inumeráveis luzes que saía de seu mosteiro pela parte do Oriente e se dirigia ao Céu.
“No alto, um personagem de aspecto venerável e luminoso lhes perguntou se sabiam que caminho era aquele que estavam contemplando.
“Eles responderam que não sabiam. E então lhes disse:
– Este é o caminho pelo qual Bento, o amado do Senhor, subiu ao Céu.
Velório de São Bento. Lorenzo di Niccolò di Martino (1373 – 1412).
“Assim, ao mesmo tempo em que os discípulos presentes assistiram à morte do santo varão, os ausentes a conheceram graças ao sinal que lhes havia anunciado.
“Séculos após o falecimento, São Bento apareceu a Santa Gertrudes, sua ilustre filha espiritual.
“Arrebatada em admiração contemplando suas grandezas, recordou-lhe sua gloriosa morte quando, na Igreja de Monte Cassino, após ter recebido o Corpo e o Sangue do Senhor, sustentado nos braços de seus discípulos e de pé como um guerreiro, entregou a santa alma a Deus em prece derradeira.
“Gertrudes ousou pedir-lhe, em nome de tão preciosa morte, que se dignasse assistir com sua presença, em sua última hora, a cada uma das religiosas que então compunham o mosteiro de que fazia parte.
Túmulo de São Bento e de sua irmã Santa Escolástica, abadia de Montecassino, Itália.
“O santo patriarca, seguro do seu crédito junto ao soberano Senhor de todas as coisas, respondeu-lhe com a doce autoridade do seu falar neste mundo:
“– A todo aquele que reconhecer o favor com que meu Mestre dignou-Se honrar meus últimos momentos, obrigo-me a assisti-lo eu mesmo na hora de sua morte.
“Serei para ele um baluarte que o defenderá com segurança contra as investidas do demônio.
“Fortificado por minha presença, escapará às ciladas dos inimigos de sua alma e o céu se abrirá diante dele”.
(Fonte: excerto de “Vida e Milagres de São Bento”, escrita pelo Papa São Gregório Magno, in Aleteia)
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Em 19 de novembro do ano do senhor de 569 ‒ há mais de 1.400 anos! – numa procissão no mosteiro da Santa Cruz, em Poitiers, França, ressoou um hino que durante os quinze séculos seguintes haveria de ser entoado nas igrejas e mosteiros do mundo todo nos ofícios da Semana Santa.
O hino é o “Vexilla regis prodeunt” (“Os estandartes do rei avançam”) e fora composto por São Venancio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a pedido da rainha-mãe Santa Radegunda.
Santa Radegunda após a morte do rei Clotário I seu marido, fundou o mosteiro da Santa Cruz. Ela recebeu de presente um fragmento do Santo Lenho doado pelo imperador de Bizâncio Justino II e sua esposa a imperatriz Sofia.
Felizes tempos em que os governantes dos Estados privilegiavam a fé e a ortodoxia religiosa e moral!
A Santa encomendou então ao santo religioso, famoso pelas suas qualidades poéticas postas a serviço de Nosso Redentor, um hino que seria cantado durante a translação da relíquia da Verdadeira Cruz até o altar-mor.
Procissão em Roma
Naquele dia quem diria que se cantava por vez primeira um hino que se transformou num dos maiores tesouros da Igreja! (cfr. Enciclopedia Catolica)
O hino comemora o Rei Jesus Cristo que avança rumo a Jerusalém para vencer o pecado e nos remir.
Ele vai precedido de seus anjos numa marcha triunfal que culminará no alto do Calvário, morrendo na Cruz, o estandarte de todos os verdadeiros cristãos.
A letra diz:
Avançam os estandartes do Rei:
O mistério da Cruz ilumina o mundo.
Na cruz, a Vida sustou a morte,
E na Cruz a morte fez surgir a vida.
Do lado ferido
pelo cruel ferro da lança,
para lavar nossas máculas,
jorrou água e sangue.
Cumpriram-se então
Os fiéis oráculos de David,
quando disse às nações:
“Deus reinará desde o madeiro”.
Ó Árvore formosa e refulgente,
Ornada com a púrpura do Rei!
Tu foste digna de tocar
Tão nobres membros.
Ó Cruz feliz, porque de teus braços
Pendeu o preço que resgatou o mundo.
Tu és a balança onde foi pesado
o corpo que arrebatou as vítimas do inferno.
Salve ó Cruz, única esperança nossa,
Neste tempo de Paixão
aumenta nos justos a graça
e dos crimes dos réus obtende a remissão.
Ó Trindade, fonte de toda salvação!
Ó Jesus, que nos dás a vitória pela Cruz,
Acrescentai para nós
O prêmio de vossa celeste mansão. Amém.
Em latim, língua tradicional da liturgia católica:
Vexilla Regis prodeunt: Fulget Crucis mysterium,
Quae vita mortem pertulit, Et morte vitam protulit.
Quae vulnerata lanceae Mucrone diro, criminum
Ut nos lavaret sordibus, Manavit unda et sanguine.
Impleta sunt quae concinit David fideli carmine,
Dicendo nationibus: Regnavit a ligno Deus.
Arbor decora et fulgida, ornata Regis purpura,
Electa digno stipite tam sancta membra tangere.
Beata, cuius brachiis Pretium pependit saeculi:
Statera facta corporis, tulitque praedam tartari.
O Crux ave, spes unica, hoc Passionis tempore!
Piis adauge gratiam, reisque dele crimina.
Te, fons salutis Trinitas, collaudet omnis spiritus:
Quibus Crucis victoriam largiris, adde praemium. Amen.
O Papa Urbano VIII o introduziu no culto da Igreja Católica, e o hino ingressou no Gradual do Vaticano que recolhe os cânticos gregorianos em sua forma original.