domingo, 19 de maio de 2019

O milagre de Nossa Senhora de Nazaré e o retorno da imagem fugitiva

O milagre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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A origem da devoção a Nossa Senhora de Nazaré se prende a um fato ocorrido por volta do ano de 1150 em Portugal.

“Estando um jovem e vistoso cavalheiro português Dom Fuas Roupinho à caça de um veado entre intensa neblina vê-se subitamente no alto de um rochedo à beira-mar, e se seu cavalo não houvesse estancado, ter-se-ia precipitado ao mar.

“Cheio de terror e considerando o perigo, agradeceu ao Senhor de toda alma a sua salvação.

“Mas o perigo não passara de todo, pois o cavalo não podia avançar nem recuar sem precipitar-se no abismo.

“Procurando uma saída, nota o cavaleiro uma imagem de Nossa Senhora numa caverna do rochedo.

“E cheio de fé, lança-se aos seus pés implorando socorro.

“Ao tomar a imagem nas mãos nota um pequeno pergaminho preso a ela que narra ter sido venerada essa imagem já em Nazaré, há muito tempo - portanto em Nazaré da Palestina.

“Com a perseguição do Imperador de Constantinopla ao culto das imagens, foi ela trazida à Espanha por um monge, e ali fora muito venerada até que no século VII, com a invasão dos mouros foi ali escondida pelos fiéis, para não ser profanada.

“Cheio de fé e confiança na Virgem, monta novamente o intrépido cavaleiro a sua montaria, esporeando-a violentamente, consegue fazê-la dar um grande salto que atinge um ponto do qual lhe foi fácil descer.

Local do milagre
“Cheio de gratidão à Virgem, mandou construir no local uma pequena capela, sendo depois substituída por magnífico templo".

Trata-se de um fato cheio de evocações graciosas. Um dos heróis de independência de Portugal, um cavalheiro católico, D. Fuas Roupinho, está caçando um veado no meio de névoa e de repente chega à beira-mar montando em seu cavalo.

O mar que ruge, as neblinas, e o cavalheiro meio atordoado, de repente fica face ao abismo e não sabe como voltar, mas reza a Nossa Senhora e vem esta graça.

A caverna também tem seu encanto.

Imaginem uma caverna à beira-mar onde há uma imagem abandonada, quiçá para ser protegida contra a sanha dos sarracenos, depois de já ter sido refugiada da sanha dos maometanos e dos cismáticos da Ásia Menor.

Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, Portugal
Os séculos se passam, os mares fazem todos seus movimentos e a imagem sozinha ali.

É uma coisa linda essa solidão da imagem em face do mar.

Mas depois, o desígnio da Providência: utilizar essa imagem para um reflorescimento do culto de Nossa Senhora.

Então nesse episódio, D. Fuas Roupinho recebe graças insignes que lhe indicam que Nossa Senhora quer que ali o culto a Ela refloresça.

Fixa-se o culto, ele manda construir a capelinha.

Mas as graças concedidas por Nossa Senhora aos fiéis ali são tantas, que em lugar de uma capelinha, dentro em breve está um magnífico mosteiro.

Nossa Senhora de Nazaré, Belém do Pará, Brasil
É a invocação de Nossa Senhora de Nazaré que se irradia por toda Cristandade.

O Estado do Pará, e mais especialmente a cidade de Belém do Pará, tem como padroeira Nossa Senhora de Nazaré.

Aqui há mais uma vez a afirmação do princípio residuum revertetur, quer dizer o resto voltará.

A imagem foi completamente abandonada e voltou...

Ela fugiu, foi perseguida duas vezes. E em cada uma das duas vezes houve um reflorescimento da devoção a Ela.

Com isso se mostra que a Providência pode permitir que alguma coisa boa chegue ao ponto de sua extinção, porque Ela a prepara para voltar novamente a uma grande glória.

Aí vemos a inesgotável misericórdia de Nossa Senhora.

Mas também outro princípio: quando a gente está mal, quando a gente está num desastre, a gente deve fazer o possível para salvar tudo o que há de bom, porque depois isto vai ser semente para uma nova vitória e uma nova ressurreição.




(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 22/05/67. Sem revisão do autor).


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domingo, 5 de maio de 2019

O Anjo do Senhor: mais uma oração do tempo das cruzadas


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Outrora, ao som das Ave-Marias, todos se ajoelhavam para rezar o “Anjo do Senhor”.

São Carlos Borromeu não se acanhava de descer da carruagem para recitá-lo de joelhos na rua, muitas vezes na lama.

A recitação do Angelus data do tempo das cruzadas, e foi prescrita pelo Papa Urbano II em memória da Anunciação de Maria — cuja festa é celebrada a 25 de março — verdadeiro início dos novos tempos de graça e reconciliação da humanidade com Deus.

Em alguns países (Itália e Alemanha) começaram os fiéis a recitá-lo também de manhã. A forma atual do “Anjo do Senhor” valia por uma profissão de fé.

Quem não o rezasse ao toque das Ave-Marias ficava suspeito de ser protestante ou herege.




(S. Afonso de Ligório, “Glórias de Maria”; C. Benigno Lyra, “Rosas de todo o ano”)






ANGELUS (texto em português e latim original)



PORTUGUÊS

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria
R. E Ela concebeu do Espírito Santo
                      Ave Maria...

V. Eis aqui a escrava do Senhor
            R. Faça-se em mim segundo a vossa palavra
            Ave Maria...

            V. E o Verbo Divino se fez carne
            R. E habitou entre nós
            Ave Maria...

            V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus
            R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos: Infundi, Senhor, em nossas almas a vossa graça, a fim de que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, por sua Paixão e Cruz cheguemos à glória da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

LATIM

           V. Angelus Dómini
                nuntiávit Maríae;
R. Et concépit de Spíritu Sancto.
                  Ave Maria...

V. Ecce ancílla Dómini;
R. Fíat mihi secúndum vérbum túum.
Ave Maria...

V. Et Vérbum caro fáctum est;
R. Et habitávit in nobis.
Ave Maria...

V. Ora pro nóbis Sáncta Dei Génitrix.
R. Ut digni effíciámur promissiónibus Christi.

Oremus: Grátiam tuam quaesumus, Dómine, méntibus nóstris infúnde, ut qui Ángelo nuntiánte, Chrísti Fílii Tui incarnatiónem cognóvimus, per Passiónem ejus et Crúcem, ad resurrectiónis glóriam perducámur. Per eúndem Chrístum Dóminum nóstrum. Ámen.






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domingo, 7 de abril de 2019

Nossa Senhora de Avioth:
reanimadora das crianças mortas sem batismo

Nossa Senhora de Avioth: ranimava as crianças mortas sem batismo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A fé pode mover montanhas, e Nossa Senhora não fica alheia aos esforços das pessoas cheias de fé.

É o que nos mostra a história desta devoção mariana na França

O contraste não poderia ser mais notório: uma igreja enorme, para uma cidadezinha muito pequena.

Os 125 habitantes de Avioth, vila francesa a poucos quilômetros da fronteira com a Bélgica, podem entrar todos juntos na igreja e ainda sobra muito, mas muito espaço mesmo.

A primeira pergunta que ocorre ao espírito é se a cidadezinha já foi bem maior e, sei lá por que motivos, hoje mora pouca gente no local.

Mas não é isso. A resposta está ligada à história da imagem de Nossa Senhora de Avioth.

No ano de 1100 os lavradores descobriram uma imagem num matagal de espinhos, no local chamado “d’avyo”, que com o tempo se transformou em Avioth.

Passada a surpresa, decidiram levá-la à igreja de Saint Brice, a dois quilômetros dali. Mas na manhã seguinte a imagem tinha voltado ao exato local de onde a tinham tirado.

Resultado: decidiram deixá-la no lugar e venerá-la ali mesmo.

Análises mostram que a imagem foi esculpida em madeira, antiga de uns 900 anos. Nossa Senhora tem um cetro na mão e segura o Menino Jesus.

Houve vários milagres no início, e as peregrinações começaram a afluir em número crescente.

Talvez o peregrino mais célebre tenha sido São Bernardo de Claraval, fundador dos monges cistercienses e pregador da II cruzada contra os muçulmanos.

Santuário de Avioth, Lorena, França
Quando esteve em Avioth, decidiu que na sua ordem fosse sempre rezada a Salve Rainha após a missa, costume que depois se estendeu a toda a Igreja.

Graças às peregrinações, pessoas foram se instalando no local, e a partir de 1180 Avioth já era um povoado.

Com as peregrinações, veio o desejo de se construir uma igreja digna da Santíssima Virgem.

A capela original foi erguida no século XII, e a enorme igreja entre os séculos XIII e XIV, sendo que o auge das peregrinações se deu no início do século XV.

Hoje, alguns perguntariam por que construir algo tão grande. Mas, para os habitantes do local e os peregrinos da época, essa pergunta não se punha.

Eram pessoas de fé ardente, e nada lhes parecia demasiado grande para Nossa Senhora.

Além disso, o número dos peregrinos era enorme, devido a uma particularidade da devoção.

Meninos mortos sem batismo

A imagem era conhecida inicialmente como padroeira das causas desesperadas. Por isso iam lá pessoas seriamente doentes, de modo especial as contaminadas com lepra, doença incurável na época, e que exigia completa separação do resto da sociedade para evitar o contágio.

Igualmente conduziam-se para lá doentes mentais, que eram deixados numa sala ao lado da imagem, para que esta os tranquilizasse.

Nossa Senhora de Avioth
Mas o motivo principal das peregrinações era levar lá os corpos das crianças que tinham morrido sem receber o batismo.

Ensina a doutrina católica que o Céu, fechado para nós devido ao pecado de Adão, tornou-se aberto pelos méritos infinitos da Paixão de Nosso Senhor. As pessoas que recebem o batismo e morrem em estado de graça vão para o Céu.

Ora, as crianças que morrem numa idade tão tenra não podem ter cometido pecado, por isso basta que sejam batizadas para ir ao Céu. Mas para ser batizada é preciso que a criança esteja viva — geralmente se considera o prazo de umas duas horas para a alma abandonar o corpo.

Mas se a criança morresse sem que alguém a batizasse? Nada pior para os pais, já que o morto, além de ter perdido a vida terrena, poderia perder a vida eterna no Céu e ser conduzida ao Limbo!

Por isso os pais vinham de até 60 km ao redor de Avioth, trazendo os corpos dos pequenos mortos, que deixavam aos pés da imagem durante uma hora. Durante esse tempo, rezavam e esperavam algum sinal de vida.

Este sinal poderia ser um pouco de suor, efusão de sangue, algum calor corporal, movimento de veias ou de membros, um pouco de vermelhidão, etc.

Dando-se isto, considerava-se que havia vida, por menos intensa que fosse, e o sacerdote podia batizar o falecido, o qual assim ganharia o Céu de forma segura.

Durante o século XVII, eram batizadas desta forma umas 12 crianças por ano. O objetivo desta devoção não era pedir a Nossa Senhora a ressurreição, mas um pequeno intervalo de vida suficiente para o morto poder ser batizado. Depois, pouco antes da Revolução Francesa, esta prática foi proibida.

"Ladrões" piedosos...

Na história da imagem existe um episódio realmente pitoresco. Corria o ano de 1905, e na França tinha sido aprovada uma lei laicista anti-religiosa, pela qual os bens da Igreja passavam a ser propriedade da nação.

Com isso, iam oficiais a todas as igrejas e catalogavam os objetos nelas contidos, podendo depois permitir o uso (não a propriedade) deles pelos católicos.

O pároco local, padre Soyez, e uns piedosos vizinhos decidiram que a imagem não seria catalogada no inventário de objetos presentes na igreja, e imaginaram um simulacro de roubo.

Uma noite os “ladrões” entraram na igreja e levaram só a imagem.

Deixaram no local a roupa, a coroa e o cetro, objetos de valor material, tudo em perfeita ordem. Definitivamente, eram "ladrões" piedosos...

Claro que a polícia dos revolucionários suspeitou que o roubo não havia sido praticado com o fim de obter dinheiro.

A imagem foi deixada numa casa de família, onde só seus quatro habitantes e o padre tinham conhecimento do fato.

A polícia realizou algumas buscas, mas sem conseguir encontrá-la.

Certo dia, passando com alguns senhores das redondezas diante dessa casa, o padre Soyez cometeu a imprudência de dizer: “saudemos a Virgem de Avioth”.

Obviamente, os outros desconfiaram que ela estava na casa diante da qual passavam, mas nada disseram. Quando se acalmou a perseguição do laicismo, a imagem voltou em procissão para a igreja.

Uma história menos edificante aconteceu quando os alemães ocuparam o local durante a Primeira Guerra Mundial. Algum oficial anti-religioso decidiu transformar a basílica em cavalariça!

Pregaram nas paredes ferros para amarrar os cavalos. Esses ferros foram deixados até hoje, para fazer constar a barbárie dos que não têm religião.

Em 1934 a Virgem foi coroada solenemente, e todos os anos a procissão da imagem se realiza a 16 de julho.



(Autor: Valdis Grinsteins, “Catolicismo”, julho de 2006)


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domingo, 10 de março de 2019

“Os estandartes do Rei avançam” (Vexilla regis prodeunt) hino da Semana Santa

Santa Radegunda
Luis Dufaur
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Em 19 de novembro do ano do senhor de 569 ‒ há mais de 1.400 anos! – numa procissão no mosteiro da Santa Cruz, em Poitiers, França, ressoou um hino que durante os quinze séculos seguintes haveria de ser entoado nas igrejas e mosteiros do mundo todo nos ofícios da Semana Santa.

O hino é o “Vexilla regis prodeunt” (“Os estandartes do rei avançam”) e fora composto por São Venancio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a pedido da rainha-mãe Santa Radegunda.

Santa Radegunda após a morte do rei Clotário I seu marido, fundou o mosteiro da Santa Cruz. Ela recebeu de presente um fragmento do Santo Lenho doado pelo imperador de Bizâncio Justino II e sua esposa a imperatriz Sofia.

Felizes tempos em que os governantes dos Estados privilegiavam a fé e a ortodoxia religiosa e moral!

A Santa encomendou então ao santo religioso, famoso pelas suas qualidades poéticas postas a serviço de Nosso Redentor, um hino que seria cantado durante a translação da relíquia da Verdadeira Cruz até o altar-mor.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O misterioso barrilzinho do ermitão corajoso e o impenitente

BA catedral de Bayeux, Normandia, na bruma
A catedral de Bayeux, Normandia, na bruma
Luis Dufaur
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Havia nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:
— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.
— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.
— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.
— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.
— Vinde ao menos fazer-nos companhia.
— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.

domingo, 18 de novembro de 2018

Desde o Céu as almas vêem o que acontece e interferem na nossa terra

Luis Dufaur
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Para os medievais, esta terra não tinha um teto fechado e um chão de chumbo que confina os homens.

Pelo contrário, para cima eles tinham certeza que o mundo das almas que se salvaram agia e participava nesta nossa vida.

E que era possível pela oração se comunicar com esse mundo imerso na glória divina. E vice-versa, acreditavam e experimentavam também que o inferno se agita e vive espalhando caos.

Não era uma mera crendice. Esses horizontes superiores e inferiores têm plena justificação na mais estrita teologia católica.

Eis como explica essa interação o famoso teólogo dominicano Reginald Garrigou Lagrange O.P.:



Os bem-aventurados veem também em Deus, in verbo, a humanidade santa que o Filho único assumiu para sempre a fim de nos salvar.

Contemplam nela a graça da união hipostática, a plenitude da graça, da glória e da caridade da alma santa de Jesus, o valor infinito dos seus atos, o valor infinito de cada Missa, a vitalidade sobrenatural de todo o corpo místico da Igreja triunfante, padecente e militante.

Contemplam admirados as prerrogativas de Cristo como Sacerdote eterno, como Juiz dos vivos e dos mortos, como Rei universal de todas as criaturas e como Pai dos pobres.

domingo, 4 de novembro de 2018

A devoção medieval a Nossa Senhora e o senso da honra

Nossa Senhora na abadia de St-Denis, Paris. Provém da arrasada abadia de Cluny.
Nossa Senhora na abadia de St-Denis, Paris. Provém da arrasada abadia de Cluny.
Luis Dufaur
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A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

domingo, 23 de setembro de 2018

Na festa de São Miguel Arcanjo : 29 de setembro


Luis Dufaur
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Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

E o Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

São Miguel é comumente designado como Arcanjo.

Entretanto, tal qualificação pode ser genérica e não significar que ele pertença ao oitavo coro de Anjos (os Arcanjos).