domingo, 13 de agosto de 2017

Como foi a Assunção de Nossa Senhora.
Uma piedosa reconstituição

Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A festa da Assunção de Nossa Senhora foi constituída em dogma pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950. A festa é comemorada no dia 15 de agosto também sob os títulos de Nossa Senhora da Glória ou de Nossa Senhora da Guia.

Esse dogma era ardentemente desejado pelas almas católicas do mundo inteiro, porque coloca Nossa Senhora completamente fora de paralelo com qualquer outra mera criatura.

Justifica-se assim o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa. [“hiperdulia”: culto especial reservado à Virgem Maria, superior à “dulia”que se dedica aos santos e aos anjos].

Nossa Senhora passou por uma morte suavíssima que é qualificada com uma propriedade de linguagem muito bonita, como a “dormição de Nossa Senhora”.

“Dormiçao” indica que Ela teve uma morte tão suave, tão próxima da ressurreição que, apesar de ser uma verdadeira morte, entretanto mais parecia a um simples sono.

Nossa Senhora depois foi chamada à vida por Deus, ressuscitou como Nosso Senhor Jesus Cristo.

Subiu depois aos céus, na presença de todos os apóstolos ali reunidos, e de uma quantidade muito grande de fiéis.

Essa Assunção representa uma verdadeira glorificação aos olhos de toda a humanidade até o fim do mundo. É o proêmio da glorificação que Ela deveria receber no Céu.

É interessante fazermos uma recomposição de lugar para imaginarmos como a Assunção se passou. A respeito do fato não existem descrições e podemos imaginá-lo como nossa piedade gostaria.

Em baixo, os Apóstolos todos ajoelhados, rezando num ambiente com algo de inefavelmente nobre, sublime, recolhido, interior.

Podemos imaginar todos os Apóstolos com expressões de personagens de Fra Angélico.

Dormição de Nossa Senhora, Fra Angélico (1395 – 1455)
Dormição de Nossa Senhora, Fra Angélico (1395 – 1455)
O céu enchendo-se gradualmente de anjos, à imagem dos anjos de Fra Angélico também, tomando os coloridos os mais diversos, com matizações e irradiações magnificas, um espetáculo absolutamente incomparável.

Se Nossa Senhora pôde dar ao céu um colorido tão diverso e produzir fenômenos tão excepcionais em Fátima, por que o mesmo não se teria dado por ocasião de Sua Assunção ao Céu?

Ela se coloca em pé enquanto o respeito e recolhimento de todos aqueles que estão lá vão crescendo.

A semelhança física dEla com Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Filho, vai se acentuando cada vez mais.

A glória de Nosso Senhor transfigurado se vai comunicando a Ela.

Ela cada vez mais rainha, cada vez mais majestosa, cada vez mais mãe.

Todo seu íntimo se manifestando de modo supremo nessa hora de despedida.

Alguns anjos, talvez, os mais esplêndidos do Céu, se aproximam e fazem Nossa Senhora subir.

Com o auxílio deles, Ela vai subindo e, aos poucos, o céu vai se transformando.

Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Na terra, aquela maravilha vai mudando, e volta ao aspecto primitivo.

Os homens voltam para casa com a sensação que tiveram na Ascensão de Nosso Senhor.

Ao mesmo tempo estão maravilhados, com uma saudade sem nome, desolados por algum lado, mas levando na retina algo que nunca tinham visto, nem podiam ter imaginado a respeito de Nossa Senhora.

Imediatamente, o triunfo de Nossa Senhora começa no Céu.

A Igreja gloriosa inteira vai recebê-La. Nosso Senhor Jesus Cristo A acolhe, todos os coros de anjos estão ai, São José está perto. Depois é coroada pela Santíssima Trindade.

É impossível pensar nesse triunfo terreno, sem pensar no triunfo celeste que veio logo depois.

É a glorificação de Nossa Senhora aos olhos de toda a Igreja triunfante e aos olhos de toda a Igreja militante.

Com certeza, nesse dia também a Igreja padecente no Purgatório recebeu uma efusão de graças extraordinárias.

Não é temerário pensar que quase todas as almas que estavam purgando suas penas foram libertadas por Nossa Senhora nesse dia. De maneira que também ali houve uma alegria enorme.

Assim é que podemos imaginar como foi a gloriosa Assunção de nossa Rainha.

Algo disso se repetirá quando vier o Reino de Maria prometido em Fátima, quando virmos o mundo todo transformado e a glória de Nossa Senhora brilhar sobre a terra, porque Seu reinado começou de modo efetivo, e dias maravilhosos de graças, como nunca houve antes, começam a se anunciar também.

Antes de contemplarmos a glória de Nossa Senhora no Céu, nós havemos de contempla-la na terra certamente, com algo que poderá nos dar alguma semelhança desse triunfo sem nome que deve ter sido a Assunção de Maria.

Quando pensamos nos triunfos que os homens preparam para seus grandes batalhadores, por exemplo, as tropas francesas desfilando sob o Arco do Triunfo, depois da Guerra de 14-18, ou mais pocamente nos triunfos que os romanos preparavam para seus generais vencedores, devemos compreender que Nosso Senhor Jesus Cristo que é infinitamente mais generoso, deve ter premiado Nossa Senhora, no triunfo dEla aos olhos dos homens de um modo também incomensuravelmente maior.

Coroação de Nossa Senhora no Céu. Fra Angelico (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença.
Coroação de Nossa Senhora no Céu.
Fra Angelico (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença.
Portanto, tudo quanto existe de mais glorioso e triunfal na Criação, terá certamente brilhado na hora da Assunção de Nossa Senhora.

Meditando nisso, aproximamo-nos nessa festa pensando na virtude que devemos pedir a Nossa Senhora.

Cada um deve pedir a virtude que mais carece.

Mas, não haveria demasia em pedirmos a Ela uma virtude: que é o senso da glória dEla. Quer dizer, compreender bem tudo quanto representa Sua gloria na ordem da Criação.

Como essa glória é a mais alta expressão criada da glória de Deus.

Nós devemos ser sedentos de defender pela virtude de combatividade levada ao seu último extremo a glória de Nossa Senhora na terra.

Fazer de nós verdadeiros cavaleiros cruzados de Nossa Senhora, lutando por Sua glória na terra.

Essa me parece a virtude mais adequada nessa festa de glória, que é a Assunção de Nossa Senhora.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 14.8.65, sem revisão do autor).



Vídeo: São João del Rei: solenidades da Dormição e Assunção de Nossa Senhora 2016




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domingo, 30 de julho de 2017

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro: fortaleza para enfrentar a adversidade

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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A imagem original de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro é um ícone venerado na igreja dos agostinianos em Roma, muito perto da Basílica de Santa Maria Maggiore, desde o fim do século XV.

Naquele século, ele chegou procedente da ilha de Creta no Mar Mediterrâneo.

É muito difícil atribui-lhe uma data de criação. Para alguns ele é dos séculos X ou XI, e para outros do início do século XV. Sua festa se comemora em 27 de junho.

No ícone contemplamos a Nossa Senhora com o Menino Jesus. Na iconografia católica, o Menino nos braços de Nossa Senhora costuma estar olhando para Ela ou para os fiéis que Lhe estão rezando ou recebendo favores.

Porém, o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro reproduz uma cena inusual.

O Menino Jesus observa os arcanjos São Miguel e São Gabriel que lhe mostram os instrumentos de sua futura Paixão e se segura fortemente com as duas mãos em sua Mãe Santíssima.

A cena nos fala profundamente do papel de Nossa Senhora junto a Jesus como corredentora do gênero humano.

A Redenção foi operada exclusivamente por Nosso Senhor Jesus Cristo com sua Paixão e Morte no alto do Calvário.

Mas o papel de Nossa Senhora na Redenção foi tão grande que grandes santos, mestres e doutores não hesitam em qualifica-la de “corredentora” do gênero humano.

Nossa Senhora conhecia e meditava em seu coração as palavras dos profetas. Ele sabia que o Messias prometido a Israel haveria de padecer um Sacrifício perfeito para pagar a culpa de nossos primeiros padres e atrair do Céu as graças para nossa salvação.

Tudo isso estava presente em sua alma virginal quando São Gabriel lhe fez o anúncio da Encarnação.

Menino Jesus segura as mãos de sua Mãe compreendendo a tremenda mensagem angélica
Menino Jesus segura as mãos de sua Mãe compreendendo a tremenda mensagem angélica
Num só relance Ela percebeu todas as dores da Redenção que se abateriam sobre seu Filho Santíssimo e também sobre Ela, porque é sua Mãe. Mas Ela disse sim a esse oceano vindouro de dores.

E a gente deve entender a maravilhosa vida da Santa Família também sob esse prisma: Nossa Senhora contribuindo a preparar seu divino Filho para o sacrifício perfeito do Calvário.

Nosso Senhor, ainda criança, tinha conhecimento acabado de tudo o que haveria de acontecer com Ele.

Se, já adulto, no Monte das Oliveiras suou gotas de sangue na iminência da Paixão e chegou a exclamar: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice!” (São Lucas, 22-42), então podemos imaginar como esse preanuncio impressionava a Jesus Menino.

Perspectiva essa que aparece no ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro com os anjos trazendo os instrumentos da Paixão.

E Ele então pega com força nas mãos de Sua Mãe como que para receber socorro, apoio e consolo e realizar, como realizou, a sua divina missão.

Histórico da imagem

Numa tabuleta muito antiga que está junto ao ícone veio uma informação sobre a imagem. Ela teria sido pintada na ilha de Creta, no mar Egeu.

Um mercador roubou o ícone de uma igreja, o escondeu em sua equipagem e embarcou para outro país.

Mas, durante a travessia se desencadeou uma grande tempestade. Os passageiros invocaram a Deus e à Santíssima Virgem. E logo a seguir veio a calmaria e a nau aportou em local seguro.

O comerciante prosseguiu até Roma com o ícone. Após desavenças na sua família, o ícone foi entregue à igreja de São Mateus, dos padres agostinianos.

Isto aconteceu no fim da Idade Média, no ano de 1499, sob o pontificado do Papa Alexandre VI.

Na igreja de São Mateus o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro permaneceu trezentos anos.

Nesse período, os testemunhos escritos atribuem à imagem grande número de milagres. O auge da devoção e fenômenos extraordinários se verificou no século XVII.

Furacão satânico revolucionário e recuperação do ícone


São Miguel traz a lança e a esponja, instrumentos da Paixão
São Miguel traz a lança e a esponja, instrumentos da Paixão
Uma tempestade negra, desta vez não feita de nuvens, mas de influências revolucionárias e/ou preternaturais, se abateu sobre a Cidade Eterna em fevereiro de 1798.

As tropas de Napoleão Bonaparte invadiram a Itália trazendo em suas mochilas as ideias facinorosas da Revolução Francesa. Só em Roma o exército napoleônico destruiu mais de trinta igrejas. Entre essas se perdeu a de São Mateus.

Os religiosos agostinianos conseguiram salvar o milagroso ícone e o esconderam numa capelinha. Ali ficou escondido, e o culto popular acabou caindo no esquecimento.

Em 1855, os padres redentoristas compraram uns terrenos conhecidos como Villa Caserta onde outrora estava a igreja de São Mateus.

O Pe. Miguel Marchi descobriu em 1865 o precioso ícone. Então, em 11 de dezembro de 1865, os redentoristas, filhos espirituais de Santo Alfonso Maria de Ligório, solicitaram ao Papa reinante, o Beato Pio IX, a concessão de recomeçar o culto de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Em 19 de janeiro de 1866 a imagem voltou a ser cultuada publicamente no mesmo local onde já o tinha sido durante três séculos.

A antiga igreja não existia mais, mas havia sido substituída por uma mais esplêndida: a igreja de Santo Alfonso, onde é venerada até hoje.

O bem-aventurado Papa Pio IX em audiência ao superior general dos Redentoristas, em 11 de dezembro de 1865, lhe ordenou uma grande tarefa: “Dai-a a conhecer a todo o mundo”.

Simbolismos do ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro

No ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro cada personagem está identificado com uma inscrição grega abreviada.

Nossa Senhora e representada só em meio corpo, revestida por uma túnica vermelha e um manto azul marino que cobre também a cabeça. As joias como estrelas e coroas de ouro e pedras preciosas são presentes do Capítulo vaticano.

Mas o Menino Jesus está de corpo inteiro apelando ao Socorro de sua Santíssima Mãe enquanto observa os instrumentos da Paixão que lhe mostram os arcanjos Miguel e Gabriel.

O Arcanjo São Gabriel lhe exibe a Cruz com dupla trave como é costume em Oriente e os quatro pregos com que seria cravado nela.

O Arcanjo São Miguel traz a lança com que o centurião romano lhe atravessaria o coração e a esponja que os algozes encheram de vinagre e lhe puseram nos lábios no auge da Crucificação.

São Gabriel vem trazendo a Cruz e os pregos da Paixão
São Gabriel vem trazendo a Cruz e os pregos da Paixão
As abreviaturas gregas inscritas sobre o ícone significam:

“Madre de Deus” na parte superior do quadro;

“O Arcanjo Miguel”, lado superior esquerdo;

“O Arcanjo Gabriel”, lado superior direito; e

“Jesus Cristo”, ao lado do Menino Jesus.

A visão é dramática e o Menino com rápido movimento procura socorro nas mãos da Mãe que Ele pega com todas suas forças infantis.

O susto e o movimento brusco se patenteiam também na contorção de suas perninhas, nas pregas do manto e na sandália que se desprende de um de seus pés.

Quantas vezes se repete a cena em nossas vidas, embora em diminuta proporção, mas de modo lancinante para nossas escassas forças!

Os sofrimentos que nos assaltam, aqueles que prevíamos, os que prevíamos mal, ou aqueles que não queríamos prever por moleza ou otimismo infundado!

Mas, ali está Nossa Senhora do Perpetuo Socorro para ser nosso socorro e proteção nessas horas.

E, se as dores se abaterem sobre nós, ali está Ela nos acompanhando, participando nos nossos padecimentos, nos animando a imitar o sublime exemplo de seu Divino Filho.

Quando o mundo parece desabar, quando o caos invade todos os recantos da sociedade, da família, do trabalho, do lar, quando nos voltando para as autoridades do Brasil e da Igreja nos parece ver não nosso auxílio mas como que outros algozes que contribuem à desolação e à desordem geral, ali está Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Bem presos nEla passaremos por tudo e com sua intercessão onipotente um dia veremos seu Filho na vida eterna.


(Fonte: Wikipedia)



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sábado, 15 de julho de 2017

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo e a mais antiga devoção marial do mundo

Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A Ordem do Carmo foi fundada pelo Profeta Elias, tendo sido Santo Eliseu seu sucessor e sendo conhecida no Antigo Testamento como a “escola dos profetas”. Tal vez o próprio São João Batista tenha se ligado a ela.

Alguns acham que até Nosso Senhor Jesus Cristo os frequentou durante o período de sua vida no deserto.

O fato é que a Ordem do Carmo representa o primeiro filão da devoção marial no mundo, em virtude da famosa visão do profeta Elias de uma nuvenzinha que preanunciou uma imensa chuva após uma seca devastadora.

A nuvenzinha foi uma prefigura de Nossa Senhora, Mãe dAquele que atrairia um sem-fim de graças para o mundo.

Santo Elias, fundador do Carmo, mosteiro de La Encarnación, Ávila, Espanha
Santo Elias, fundador do Carmo,
primeiro devoto de Nossa Senhora,
mosteiro de La Encarnación,
Ávila, Espanha
“41. Então Elias disse a [o rei] Acab: Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva.

“42. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos.

“43. Disse ao seu servo: Sobe um pouco, e olha para as bandas do mar. Ele subiu, olhou (o horizonte) e disse: Nada. Por sete vezes, Elias disse-lhe: Volta e (olha).

“44. Na sétima vez o servo respondeu: Eis que, sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão. Elias disse-lhe: Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça, para que a chuva não o detenha.

“45. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente.” (I Reis, 18, 41-45
A mais antiga invocação de Nossa Senhora no mundo é “Virgo Flos Carmelij”, ou “Virgem Flor do Monte Carmelo”.

O Carmo representa o extremo da devoção a Nossa Senhora, que lutará no fim do mundo contra o Anticristo e contra os últimos inimigos de Nosso Senhor.

Ela constitui uma ponte desde o início da devoção a Nossa Senhora no mundo, séculos antes dEla ter nascido, até a luta contra os últimos inimigos de Nossa Senhora no fim do mundo. Contra esses virá lutar precisamente Santo Elias como está anunciado no Apocalipse.

Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock. Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock.
Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
O Carmo desde muito cedo cultivou a verdadeira devoção a Nossa Senhora pregada por São Luís Maria Grignion de Montfort.

Fica fácil compreender a importância da emergência diante da qual São Simão Stock foi levado a realizar o seu apostolado.

Os carmelitas reconstituídos no tempo das Cruzadas, tiveram que abandonar a Terra Santa perseguidos pelos invasores islâmicos e passaram para o Ocidente.

Mas no Ocidente havia indiferença para com eles, não eram compreendidos e estavam meio dispersos.

São Simão Stock (1165 aprox - 1265), era o Geral deles, mas não exercia uma autoridade efetiva porque a Ordem do Carmo era como os destroços boiando sobre um mar revolto de um navio, a estrutura jurídica, coesa e uniforme, capaz de conservar, promover e transmitir um espírito à posteridade.

Nessa situação, rezando a Nossa Senhora com muita devoção, num convento de Cambridge, na Inglaterra, pediu que Ela não deixasse morrer a Ordem do Carmo.

No auge dessa aflição Nossa Senhora lhe apareceu, e lhe deu o escapulário do Carmo, que é o escapulário grande da Ordem que é como que uma libré, que se coloca sobre a túnica.

Ao mesmo tempo, revelou o famoso privilégio sabatino, ligado a quem usa piedosamente o escapulário do Carmo: a graça da perseverança final.

E se vai para o purgatório, será liberto no primeiro sábado que ocorrer depois da sua morte.

Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Então, depois dessa intervenção de Nossa Senhora, a Ordem começou a florescer e ao Ocidente, para falar senão em três pessoas, Santa Teresa, a Grande; São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Para não falar em outros santos, são três sóis no firmamento da Igreja.

Mais ainda do que isso, Nossa Senhora assegurou a continuidade da Ordem até os últimos dias.

São Simão Stock cumpriu uma missão enorme. Ele foi o traço entre a vida ocidental e a vida oriental da Ordem num momento em que essa espécie de istmo, entre dois continentes históricos, se adelgaçava parecendo sumir, Nossa Senhora interveio para salvá-la e lhe dar muito mais do que tinha antes.

A Ordem teve, no Ocidente, uma prosperidade muito maior do que teve no Oriente.

E com esses dois privilégios, Nossa Senhora transmitiu uma ideia exata de como se deve confiar nEla e de qual é o papel dEla nas obras que Ela ama.

Porque nas obras que Ela ama, as coisas podem chegar a ponto de se estraçalhar quase que completamente.

Mas quando tudo fica perdido, é o momento que Ela reserva para intervir.

As grandes intervenções de Deus são precedidas por uma fase onde tudo fica perdido, para ficar inteiramente claro que nenhum socorro humano adianta de nada.

São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
Depois que ficou provado que tudo quanto era humano fracassou, na desolação e no caos, Nossa Senhora intervém e salva a situação.

Foi o que Ela fez com a Ordem do Carmo. Quer dizer, uma lição de confiança magnífica.

Há um fato da história francesa que também se aplica ao momento atual: havia um general ruim defendendo a praça de guerra de Cremona.

Os inimigos investiram, o general saiu a combate e acabou preso. Mas os inimigos não conseguiram tomar a praça porque um outro general mais competente começou a dirigir a defesa.

Então, os franceses fizeram uma cançãozinha, que era mais ou menos assim:

– Français rendez grâce à Belone – Belona era a deusa da guerra – car votre bonheur est sans égal; vous avez gardez Cremone e perdu votre géneral.

– Franceses agradecei a Belona – a deusa da guerra – porque vossa felicidade não tem igual: vós conservastes Cremona e perdestes vosso general.

Na crise atual, nós também guardamos o escapulário e perdemos os maus generais.

Enquanto tudo desaba ou é abandonado, no fundo ficamos soberanamente bem servidos com a situação.

É uma lição de confiança em Nossa Senhora do Carmo no dia de sua festa.










Vídeo: Procissão de Nossa Senhora do Carmo 2016 em São João del Rei, MG






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domingo, 2 de julho de 2017

História de Nossa Senhora de Nazaré

Nossa Senhora de Nazaré, Leiria, Portugal. Segundo a tradição foi esculpida por São José
Nossa Senhora de Nazaré, Leiria, Portugal.
Segundo a tradição foi esculpida por São José
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nossa Senhora de Nazaré surge de uma antiga tradição cristã do primeiro século, que conta que o próprio São José esculpiu uma imagem de Maria em madeira, em Nazaré na Galiléia e que São Lucas Evangelista a pintou.

Mais tarde, a imagem foi levada para o mosteiro de Cauliniana, na Espanha.

Depois, já no século VI, no ano de 711, foi levada para Portugal.

Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é escondida

Com a invasão dos Mouros em Portugal, o rei Rodrigo, último rei visigodo da Península Ibérica, fugiu levando as relíquias de São Brás, São Bartolomeu e a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, junto com sua família e com Frei Romano que sempre o acompanhou.

Antes de morrer, Frei Romano escondeu a imagem numa gruta. A imagem ficou ali por mais de 400 anos.

Ela foi descoberta em 1182, por pastores que andavam pela região.

Por causa da sua simplicidade, beleza e diferença dos padrões de imagens, Nossa Senhora de Nazaré voltou a ser venerada.

Milagre de Nossa Senhora de Nazaré

Milagre ao cavaleiro Diego Fuas Roupinho
Milagre ao cavaleiro Diego Fuas Roupinho.
Origem da capela.


O cavaleiro Diego Fuas Roupinho, que era Alcaide do porto de Mós e Almirante de Dom Afonso, assim foi salvo por milagre de Nossa Senhora de Nazaré:

Ele perseguia uma caça num dia de muita neblina.

A caça caiu num abismo por causa da cerração.

O cavaleiro não sabia que corria para o abismo.

Mas, antes caísse, ele vinha rezando a Senhora de Nazaré para que o protegesse.

De repente, então, o cavalo parou.

A cerração se dissipou e ele viu que estava à beira de um abismo onde a caça tinha caído.

Após esse milagre, a vila onde ocorreu passou a ser chamada de Vila de Nossa Senhora de Nazaré.

Lá, foi construída uma pequena capela por Diego Roupinho, o cavaleiro salvo.

Local presumido do milagre
Hoje existe ali uma grande Igreja em homenagem a Nossa Senhora.

Devoção a Nossa Senhora de Nazaré

Os Jesuítas foram os primeiros responsáveis em propagar a devoção de Nossa Senhora de Nazaré por toda a região de Portugal e posteriormente para toda a Europa.

A principal casa de estudos e noviciado do mosteiro Jesuíta em Portugal é dedicada a Nossa Senhora de Nazaré.

Devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Brasil

Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Garanhuns, Pernambuco
Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Garanhuns, Pernambuco
No dia 8 de setembro do ano de 1630, após uma grande tempestade, um pescador saiu para ver suas redes no mar de Saquarema.

Ao passar diante de um morro, onde hoje está erguida a Igreja Matriz dedicada a Nossa senhora de Nazaré, viu uma forte luz e foi verificar o que era.

No local do brilho, ele encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Levou a imagem para sua casa na vila dos pescadores, reuniu todos os pescadores, fizeram orações e foram dormir.

No dia seguinte, a imagem reapareceu no local onde havia sido encontrada. Isso aconteceu por duas vezes. Todos entenderam que era para construir uma capela naquele local.

Muitos milagres aconteceram a partir de então e a capela ficou pequena, sendo necessário construir uma igreja bem maior. Sua festa é celebrada no dia 8 de setembro.

Nossa Senhora do Círio de Nazaré, Belém, Brasil
O Círio de Nazaré em Belém do Pará

Círio, cereus, é uma palavra que significa vela grande.

A devoção à Senhora de Nazaré foi levada para Belém do Pará pelos padres Jesuítas há mais de 200 anos e se tornou a maior festa católica do mundo dedicada à Mãe de Jesus.

A festa é celebrada desde 1793, e hoje, mais de 2 milhões de pessoas participam todos os anos. É celebrada no segundo domingo de outubro.

Uma grande procissão com todos levando velas, sai de uma Igreja e faz o translado da imagem de Nossa Senhora de Nazaré para outra igreja, em um percurso de 5 quilômetros.

Existe também a procissão de carros, motos e a grande procissão de barcos.


(Fonte: Cruz Terra Santa).



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