domingo, 6 de outubro de 2019

Inexplicável: foi “pela intercessão da Santíssima Virgem e da devoção ao Santo Rosário”

A vitória humanamente inexplicável contra os inimigos da Fé
A vitória humanamente inexplicável contra os inimigos da Fé
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Milagre do Santo Rosário na batalha naval de Manila



Na primeira batalha que seria seguida de mais quatro, após cinco horas de combate, quando a fumaça se dissipou, a frota protestante estava em retirada.

Ela sumiu na escuridão da noite com dois barcos a menos. O lado espanhol-filipino só sofreu danos menores, registrou poucos feridos e nenhum morto. A primeira batalha tinha terminado.

Uma outra esquadra holandesa de sete galeões de guerra foi instruída a interceptar galeões provenientes do México que poderiam trazer reforços.

Na procura dessas naus foi dar sem saber com as “duas galinhas molhadas”, o “Encarnación” e o “Rosario”.

Foi assim que no dia 29 de julho acabou se livrando a segunda batalha de Manila. No fim de um intenso combate, os protestantes partiram em retirada acusando consideráveis danos e baixas.

As “duas galinhas molhadas” acertavam com uma pontaria e facilidade que surpreendia aos artilheiros que bradavam '“Ave Maria”
As “duas galinhas molhadas” acertavam com uma pontaria e facilidade surpreendente
no momento que os artilheiros bradavam '“Ave Maria!”
A “Encarnación” só lamentou dois feridos e a “Rosario” perdeu cinco homens, embora a batalha foi das mais sangrentas.

Logo depois aconteceu a terceira batalha.

Foi no dia 31 de julho, festa de São Inácio de Loyola.

Os marinheiros espanhóis e filipinos das “duas galinhas molhadas” notaram com surpresa que seus canhões e mosquetes funcionavam com incrível precisão.

De terço na mão um canhoneiro garantia ter acertado 19 disparos continuados sem erro e bradava “Viva La Virgen!”

Quando a nave capitã holandesa afundou, a tripulação da “Encarnación” clamava “Ave Maria!” e “Viva la Fe, Cristo y la Virgen Santisima del Rosario!”

Os oficiais espanhóis acharam miraculosa a vitória e a atribuíram a Nossa Senhora do Santíssimo Rosário.

O General Orella “caiu de joelhos diante de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e deu graças publicamente pela vitória atribuindo-a à Sua intercessão”.

A frota holandesa se retirou para reparações e a espanhola voltou a Manila onde os tripulantes foram a pé até o santuário de “La Naval” para cumprir suas promessas.

Nossa Senhora do Rosário, 'la Naval de Manila'.
Nossa Senhora do Rosário, 'la Naval de Manila'.
Mas novos atos de pirataria confirmaram que os holandeses não tinham desistido.

No meio tempo, uma galera com 100 marinheiros e uma escolta de 4 brigantins reforçaram as “duas galinhas molhadas”.

Na quarta batalha, acontecida em 15 de setembro, essa esquálida frota localizou a armada protestante na costa da ilha Mindoro.

Após troca de fogo a longa distância, a “Rosario” foi rodeada por barcos inimigos no início da noite não podendo ser auxiliada.

A um certo momento parou de disparar e os protestantes holandeses se aproximaram para liquidá-la.

Mas foi um estratagema, quando estavam perto todos os canhões católicos dispararam à uma e os holandeses tiveram que se retirar.

A quinta batalha aconteceu quando os navios holandeses em retirada comunicaram ao resto da frota que os espanhóis estavam com pouca pólvora e munição.

Os holandeses então num esforço supremo se lançaram sobre a nave insígnia “Encarnación” cujo capitão os deixou se avizinhar sem reagir.

A “Encarnación” usou a mesma estratagema da “Rosário” na batalha anterior.

Os marinheiros filipinos e espanhóis ficaram escondidos.

Quando a nau holandesa encostou para a abordagem surgiram de surpresa disparando à uma seus mosquetes e arcabuzes.

As perdas protestantes foram muito pesadas e o inimigo fugiu às presas.

O almirante Francisco de Estevar lançou sua galera movida a remo e os marinheiros remando ao ritmo da “Ave Maria”.

Só tinha um canhão na proa e algumas colubrinas, mas quase afundou um galeão de guerra, pôs o inimigo em pânico.

Esse fugiu perseguido pelas “duas galinhas molhadas” até desaparecer no horizonte.

Nunca mais voltaram.

No dia 20 de janeiro de 1647, a cidade comemorou a vitória decisiva com solene procissão, Missa e parada.

Ao ritmo do Ave Maria, a galera a remo investiu o galeão artilhado e o pôs em fuga
Ao ritmo do Ave Maria, a galera a remo investiu o galeão artilhado e o pôs em fuga
Desde então, a festa de Nossa Senhora do Santíssimo Rosário La Naval de Manila é celebrada no segundo domingo de outubro.

As circunstâncias excepcionais da vitória levaram a arquidiocese de Manila a encomendar um inquérito eclesiástico conduzido pelo procurador geral da Ordem Dominicana, Frei Diego Rodrigues, O.P.

Após um consciencioso exame, ouvidas as testemunhas, “o venerável Decano e o Capítulo da Arquidiocese de Manila declarou milagrosas as vitórias obtidas pelos defensores da religião nas Filipinas contra os holandeses, no ano de 1646.”

A declaração eclesiástica oficial datada em 9 de abril de 1652 registra para a História:

“Devemos declarar e declaramos que as cinco batalhas descritas nos testemunhos, em que dois galeões sob as insígnias católicas venceram inimigos holandeses foram e devem ser cridas como miraculosas, e que foram obtidas pela Soberana Majestade de Deus por meio da intercessão da Santíssima Virgem e da devoção ao Santo Rosário”.



Inexplicável: foi “pela intercessão da Santíssima Virgem e da devoção ao Santo Rosário” (espanhol)








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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Milagre de Nossa Senhora do Rosário na batalha naval de Manila

Nossa Senhora do Rosário de La Naval de Manila fez milagre comparado ao de Lepanto
Nossa Senhora do Rosário de La Naval de Manila fez milagre comparado ao de Lepanto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
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O milagre de cinco vitórias navais consecutivas contra invasores protestantes holandeses muito mais poderosos se deveu à intercessão de Nossa Senhora do Rosário, mais conhecida como Nuestra Señora de La Naval de Manila. Cfr. “Batalla de La Naval de Manila”,

Em 9 de abril de 1652, as sucessivas vitórias contra um adversário esmagadoramente maior em número e armamento foram declaradas milagre pela arquidiocese de Manila após minuciosa investigação canônica.

As cinco batalhas sucessivas foram livradas em águas filipinas em 1646, durante a Guerra dos Oitenta Anos que opôs a Holanda protestante insurgida contra seu rei Felipe II da Espanha.

As forças católicas espanholas incluído muitos voluntários filipinos contavam no auge do conflito apenas com três antigos galeões provenientes de Acapulco, México, uma galera e quatro bergantins.

A frota protestante atacante dispunha de dezenove naus de guerra, divididas em três corpos.

As Filipinas estavam sendo evangelizadas por missionários espanhóis e mexicanos. A capital Manila era o centro de um ativo comercio marítimo que atraia a cobiça da pirataria de várias potências.

A primeira esquadra holandesa que atacou as Filipinas foi comandada por Oliverio van Noort. Em 14 de dezembro de 1600 foi desfeita pela frota espanhola.

Novo assalto foi repelido em 1609 e concluiu na batalha de Playa Honda, donde morreu o comandante protestante François de Wittert.

Em outubro de 1616 uma outra frota holandesa de dez galeões comandado por Joris van Spilbergen (Georges Spillberg) foi derrotada na “segunda batalha de Playa Honda”.

Galeão de guerra holandês
Galeão de guerra holandês
Nos anos subsequentes a frota holandesa se limitou a operações de pirataria com escasso ou nulo sucesso.

Juan de los Ángeles, sacerdote dominicano feito prisioneiro dos protestantes escreveu que eles “não falavam de outra coisa senão de como conquistar Manila”.

Para esse fim concentraram uma força naval formidável nos portos de Jacarta na Indonésia e em Formosa.

Segundo as testemunhas reuniram mais de cento cinquenta barcos de diversos tamanhos bem equipados de marinheiros, soldados, artilharia e fornecimentos necessários. Também dispunham de sampanas ou barcaças com muçulmanos dispostos a pilhar e massacrar a população católica.

Em sentido contrário, as Filipinas passavam por uma situação desesperadora.

Uma série de erupções vulcânicas entre 1633 e 1640 devastaram Manila e circunvizinhanças matando grande número da população.

As aldeias dos nativos também foram arrasadas; grandes rachaduras e até abismos apareceram nos campos; os rios alagaram cidades e povoados.

A falta de alimentos paralisou a capital e os muçulmanos de Mindanao liderados pelo sultão Kudarat se revoltaram em diversas ocasiões.

Os piratas holandeses atacavam os barcos que levavam socorros ou mercadorias até as Filipinas provenientes do México e da China.

O novo governador geral, Diego Fajardo Chacón encontrou o país sem força naval. O novo arcebispo de Manila, D. Fernando Montero de Espinosa morreu por febres hemorrágicas assim que chegou.

Em 1646, os protestantes realizaram um grande conselho em Nova Batávia (Jacarta), e acharam o momento propício para lançar um ataque decisivo. Cfr. Our Lady of La Naval de Manila

O momento humanamente angustiante foi a hora de “La Gran Señora de Filipinas, Nuestra Señora del Santísimo Rosario - La Naval de Manila”, ou simplesmente “La Naval” como os filipinos falam de sua Padroeira.

Os católicos lhe atribuem uma intervenção tão decisiva quanto a de Nossa Senhora do Rosário na batalha de Lepanto em 1571.

Por isso, o Papa São Pio X ordenou sua coroação canônica no dia 5 de outubro de 1907.

Ela está faustosamente adornada especialmente após 310.000 fiéis liderados pelos professores da Universidade de Santo Tomás, doarem suas joias, pedras preciosas, ouro e prata para dita coroação, que se somaram ao rico tesouro que já tinha.

Nossa Senhora do Rosário de La Naval de Manila
A imagem é de madeira de lei mas seu rosto, mãos e o Menino Jesus são de marfim.

Também os papas Leão XIII, Pio XII, Paulo VI e João Paulo II a honraram com específicos atos pontifícios.

Durante os bombardeios da II Guerra Mundial, por precaução, a imagem foi transferida a um santuário dominicano na cidade de Quezon onde é venerada até o dia de hoje. Cfr. Nobility.org

Os primeiros missionários dominicanos chegaram às Filipinas em 1587 e logo difundiram a devoção ao terco e a uma imagem de Nossa Senhora do Rosário que tinham trazido do México.

Naturalmente a imagem do Rosário “La Naval” foi confiada aos padres dominicanos.

O artista chinês que fez as partes em marfim acabou se convertendo ao catolicismo. Ela possui um inequívoco ar oriental embora o modelo seja os das imagens espanholas.

A devoção atingiu uma extraordinária expansão nas ilhas.

Mas, em fevereiro de 1646, as informações chegaram alarmantes: barcos holandeses estavam tomando posições nas ilhas visando o ataque contra a capital Manila.

O governador geral só dispunha de dois velhos galeões comerciais aportados do México, que ele adaptou com alguns canhões tirados dos fortes.

Os oficiais navais que comandavam os dois galões, sem falar um com o outro, fizeram voto de ir ao santuário de Nossa Senhora do Rosário com seus homens em sinal de gratidão caso obtivessem a vitória.

Os velhos galões foram rebatizados “Encarnación” e “Rosario”. Os frades dominicanos pregaram e confessaram a oficiais e marinheiros. Também cobraram deles que rezassem vocalmente o rosário durante o combate naval.

O governador-geral Fajardo Chacón mandou que o Santíssimo Sacramento ficasse exposto permanentemente na capela real e em todas as igrejas da capital.

E partiu para encontrar a frota protestante em Bolinao no golfo de Lingayen no dia 15 de março de 1646.

À vista daqueles decrépitos galões, os protestantes caíram na gargalhada e os apelidaram de “as duas galinhas molhadas”.


Continua no próximo post: Inexplicável: foi “pela intercessão da Santíssima Virgem e por sua devoção do Santo Rosário”



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sábado, 28 de setembro de 2019

Os Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael
na Corte Celeste

Santos Anjos, catedral de Leeds, Inglaterra
Santos Anjos, catedral de Leeds, Inglaterra
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael (29 de setembro), o primeiro se destaca como aquele que liderou a luta contra o demônio e o precipitou no inferno.

São Miguel, chefe das legiões angélicas

Ele é o chefe dos Anjos da Guarda dos indivíduos e o chefe também dos Anjos da Guarda das instituições, especialmente da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Ele tem uma função tutelar dos homens nesse vale de lágrimas e nessa arena de luta que é a vida.

Deus quis servir-se dele como de seu escudo contra o demônio e quer que ele seja o escudo da Santa Igreja Católica contra o chefe infernal.

Mas um escudo que é gládio também.

Portanto, tem uma missão dupla e era considerado na Idade Média, o primeiro dos cavaleiros.

O cavaleiro celeste, leal, forte, puro e vitorioso como deve ser o cavaleiro que põe toda sua confiança em Deus e também em Nossa Senhora.

São Miguel é o nosso aliado natural nas lutas para defender a Civilização Cristã.

Dom Guéranger apresenta São Miguel como “o mediador da prece litúrgica. Deus que distribui, com uma ordem admirável, as hierarquias visíveis e invisíveis, emprega por opulência, para louvor de sua glória, o ministério desses espíritos celestes que contemplam sem cessar a face adorável do Pai, e que sabem, melhor do que os homens, adorar e contemplar a beleza de suas perfeições infinitas”.

Os anjos são habitantes da Corte celeste onde vivem numa eterna contemplação, vendo Deus face a face, nas festas que há no Céu.

São verdadeiras festas em que Deus vai manifestando sucessivamente suas grandezas e eles aclamam com triunfos novos, que não terminam nunca dos nuncas.

O Céu é a pátria de nossa alma e é a ordem de coisas que corresponde plenamente a todas as nossas aspirações.

Nas épocas de verdadeira fé alguma coisa dessa felicidade é sentida pelas almas piedosas e comunicada depois através delas para enriquecer o tesouro comum da Igreja.

Pedir que os Santos Arcanjos nos comuniquem o desejo das coisas celestes de que eles estão inundados é uma excelente intenção.

E o grande pedido para São Miguel Arcanjo é que nos faça imitadores dele, perfeitos cavaleiros de Nossa Senhora nessa terra.

São Miguel Arcanjo
São Miguel Arcanjo
São Gabriel, o messageiro chefe da diplomacia divina

O martirológio diz dele que foi enviado por Deus para anunciar o Mistério da Encarnação do Verbo Divino.

Podemos ter certa noção sobre ele pela natureza da missão.

Há Anjos que por natureza fazem certa coisa, outros fazem aquilo, outros aquilo outro.

Trata-se de tarefas dadas pela posição e pela função do Anjo no Céu em face de Deus.

E a missão de São Gabriel foi elevadíssima; foi a missão chave na História da humanidade.

Porque foi incumbido de dizer a Nossa Senhora que a plenitude dos tempos tinha chegado, que o reino do mal ia ser pisado, que a humanidade ia ser remida e que as portas do Céu se abririam para os decaídos filhos de Eva.

Foi o Arcanjo incumbido de pedir a Nossa Senhora seu consentimento para esse fato, e lhe anunciar o Mistério da Maternidade Virginal.

Ele levou a mais alta mensagem que alguém possa ter transmitido em toda a História.

Quando um rei tem uma mensagem muito importante para enviar, escolhe como portador um fidalgo de sua corte.

Só ele sendo um Anjo altíssimo foi escolhido para essa missão.

Nos quadros de Fra Angélico sobre a Anunciação está muito presente esse senso da hierarquia.

Quando São Gabriel foi falar com Nossa Senhora, Ela ainda não era a Mãe de Deus. Passou a ser a partir do momento em que Ela aceitou a comunicação do Espírito Santo.

Então, de início ele era superior a Ela, mas foi convidá-la para ser Rainha e ele ficar seu súdito.

Fra Angélico pinta São Gabriel com um tal respeito e veneração ante Nossa Senhora, como quem reconhece a superioridade de sua natureza e a põe abaixo da grandeza da missão de Nossa Senhora.

Nossa Senhora fala com o Anjo inclinada e com todo o respeito, porque ela estava recebendo uma mensagem de Deus e porque, pela natureza humana, era inferior ao Anjo.

São superioridades recíprocas, nas quais, naturalmente, Nossa Senhora acabou ficando muito maior que o Anjo.

Mas, há um mundo de respeito dEla por ele e dele por Ela, que indica bem o senso de hierarquia envolvido nesse ato oposto do non serviam igualitário de Satanás.

São Gabriel fez o contrário de Satanás. Ele foi colocar o reino angélico abaixo do reino humano, cheio de adoração e amor.

Percebemos o alto senso de disciplina e hierarquia dele que vai se dirigir à Virgem das virgens para dizer que Ela vai ser Mãe e continuar sendo Virgem.

Ele faz uma tal glorificação da virgindade, que é uma obra prima de diplomacia da pureza.

Sua mensagem é uma das maiores glorificações da castidade porque ele tinha uma ligação especial com a pureza.

São Gabriel na Anunciação, Fra Angelico. Missal em San Marco, Florença.
São Gabriel na Anunciação, Fra Angelico (1395 – 1455). Missal em San Marco, Florença.
Ora, são os dois pilares da Contra-Revolução: a humildade e a pureza.

O orgulho e a sensualidade são os pilares da revolta. A velha serpente orgulhosa e sensual foi pisada nesse ato.

E São Gabriel pisou o demônio não menos que São Miguel Arcanjo quando o expulsou do Céu.

Temos pois muitos motivos para pedir a São Gabriel que nos dê a graça do senso da hierarquia, do amor à superioridade, do gosto de ter quem seja mais do que nós.

Um esse gosto ilibado da pureza como princípio, valor moral, não apenas como uma coisa física, caracteriza a santidade desse Arcanjo.

São Rafael, o supremo cortesão da Corte celeste

São Rafael Arcanjo é um dos sete Anjos que assistem diante de Deus e tem a missão de auxiliar os homens a apresentar suas preces.

O Céu constitui uma verdadeira Corte. Antigamente, antes da republicanização da religião falava-se muito da Corte Celeste nos devocionários.

A ideia de uma Corte Celeste se funda na ideia de que Deus está perante os anjos e santos, na Igreja gloriosa, como o rei perante sua Corte.

Há coisas próprias das cortes da Terra que acabam existindo na Corte Celeste também.

O protocolo monárquico é o modo de reger as pessoas do serviço do rei de maneira que todas as coisas se passem de um modo prático, simples, decoroso, facilitando a vida do rei.

O rei recebia os embaixadores tendo perto de si os príncipes da casa real, pessoas da alta nobreza.

O interessado comparecia diante do rei, dizia o que queria.

Algum príncipe ou pessoa de alta categoria podia dizer uma palavra ao rei e depois entregava a um dignitário um rolo de papel com o pedido, que o rei examinava depois.

Na corte há toda uma hierarquia de função, de dignidade, de intercessão, que leva até o rei e que depois procede do rei e chega aos particulares.

Na Corte Celeste as mesmas coisas existem, em última análise, pelas mesmas razões.

E os anjos agem como esses príncipes, como intercessores dos homens junto a Deus.

Há uma vida de corte, com protocolo de dignidade que serve de padrão para todas as cortes terrestres.

Nas fotografias dos políticos modernos, sobretudo dos socialistas e comunistas não há isso. E causa desinteresse ou horror, por exemplo o discurso do chefe de Estado moderno, sindicalista.

Nas cortes serenas de estilo aristocrático monárquico a hierarquia sobe e desce e é a própria imagem do Céu.

A comemoração de São Rafael nos conduz a essa ideia. Um intercessor celeste de uma alta categoria, padroeiro especial dos doentes e que leva nossas preces a Deus porque está mais próximo dEle para lhe transmitir nosso pedido.

São Rafael, vitral de Santos Felipe Tiago, Oxford, Inglaterra
São Rafael, vitral de Santos Felipe Tiago, Oxford, Inglaterra
São Rafael reforça em nós o desejo de que as realidades terrestres sejam semelhantes às realidades celestes.

Na medida em que nós amarmos as realidades terrestres parecidas com o Céu nós preparamos a nossa alma para a vida eterna.

Por exemplo admirando as cerimônias e os fastos da corte inglesa, ainda quando não é católica, mas herdou da Civilização Católica formalidades e belezas que evocam as angélicas.

No amor ao espírito de hierarquia, de distinção, de nobreza, de elevação, há algo que é uma verdadeira preparação nossa para o Céu.

Tudo quanto é digno está desaparecendo na Terra.

Então, ou nós vamos pondo cada vez mais o nosso desejo no Céu ou nós não temos mais condições psíquicas de sobrevivência na Terra.

Houve uma santa que viu o seu próprio Anjo da Guarda. Era de uma natureza tão elevada, nobre e excelsa que ela pensou que fosse o próprio Deus.

Ele então teve que explicar a ela que era um Anjo da Guarda da hierarquia menos alta que existe no Céu.

O que nós podemos imaginar de um Arcanjo como São Rafael, das mais altas hierarquias? Evidentemente, é inimaginável.

Nós poderíamos imaginar São Rafael tratando com Nossa Senhora no Céu pensando em São Luís, Rei de França falando com a rainha Branca de Castela sua mãe.

São Luís era um homem de alto porte, de grande beleza, muito imponente. Ele atraía, incutia profundo respeito e suscitava grande amor.

Tinha o todo de um guerreiro terrível na hora do combate, mas era o Rei mais pomposo e mais decoroso do seu tempo.

Nós podemos imaginá-lo nos esplendores da corte da França se dirigindo a Branca de Castela e falando a ela.

Quanta distinção, quanto respeito, quanta elevação, quanta sublimidade nessa cena!

Essa cena nos dá um pouco do que é São Rafael transmitindo nossos pedidos a Nossa Senhora.

São Rafael pode ser considerado como uma espécie de São Luís celeste.

Por essa transposição, podemos ter ideia da alegria de que nós vamos estar inundados no Céu, quando nós pudermos contemplar um Arcanjo como São Rafael.

Peçamos a ele essa contemplação, que algo dessas ideias penetrem em nós.

E que a consideração dessa ordem ideal realmente existente, nos conforte para uma esperança do Céu e do reinado de Maria.

E dessa forma possamos repelir a tristeza crescente de nossos dias em que os horizontes de Fátima se precipitam tão rapidamente sobre nós, neste dia que comemoramos a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.



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domingo, 22 de setembro de 2019

O milagre do castelo de Lourdes

O castelo de Lourdes foi local de um milagre decisivo para converter os islâmicos, séculos antes de Nossa Senhora aparecer a Santa Bernadette
O castelo de Lourdes foi local de um milagre decisivo para converter os islâmicos,
séculos antes de Nossa Senhora aparecer a Santa Bernadette
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No pináculo de um rochedo, protegendo, como um guerreiro, a pequena cidade onde Nossa Senhora quis se manifestar, ergue-se altaneiro o castelo-fortaleza de Lourdes.

Ele surge numa posição de domínio sobre o verdejante vale que se estende a seus pés. Hoje acolhe um muito interessante museu de arte popular medieval.

Mas poucos imaginam o decisivo milagre que aconteceu no local que chegou a estar ocupado pelos mouros anticristãos, e que acabou com a conversão deles pela intercessão de Nossa Senhora.

Como fundo de quadro, nos confins do horizonte, parecendo desafiar o castelo-fortaleza, sobressaem grandiosas montanhas nevadas - contrafortes dos Pirineus.

Em estilo românico, com grossas e altas paredes de pedra, poucas e estreitas janelas, possante torre.

Nessa se localiza o donjon, ou torre de menagem.

O castelo está situado próximo da gruta de Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu a Santa Bernadette, como a progegé-la.

Ele é certamente o símbolo mais expressivo da vitória dos católicos contra os mouros, na França.

E, mais incrível ainda, foi uma vitória miraculosa, obtida por Nossa Senhora para Carlos Magno, mais de mil anos antes de que Ela começasse a fazer milagros em série na Gruta.

Vejamos esse milagre.

O imperador Carlos Magno manda tomar a fortaleza moura de Lourdes, vitral na capela do casteloA primitiva fortaleza, existente no local do castelo, era dominada por um chefe sarraceno chamado Mirat.

Em 778, Carlos Magno, o invencível Imperador cristão, com seus francos a cercou e tentou conquistá-la pela fome.

O misterioso prodígio: uma águia traz um peixe aos mouros que passavam fome, vitral na capela do casteloAconteceu, entretanto, que uma águia, sobrevoando a fortaleza, deixou cair no seu interior uma truta que acabava de pescar no lago vizinho.

Mirat mandou levar o peixe a Carlos Magno com uma mensagem, mostrando que uma praça tão abastecida de víveres poderia resistir ainda por muito tempo.

Carlos Magno enviou, então, ao comandante mouro um de seus embaixadores, o santo bispo de Puy.

O corajoso prelado enfrentou o infiel.

E lhe propôs que se ele, Mirat, julgava rebaixar-se capitulando nas mãos do mais ilustre dos homens - isto é, Carlos Magno, o chefe dos francos ­- o infiel poderia, sem nenhuma vergonha, render-se à Virgem, Nossa Senhora de Puy-en-Velay.

Essa é uma famosa imagem venerada no centro da França, que está na origem da devoção a Nossa Senhora da Penha (Puy=Penha). Ela era uma rainha e Mirat poderia se tornar vassalo dEla sem desonra.

Conversão e rendição miraculosa do emir de Lourdes, vitral na capela do casteloMirat, tocado pela graça de Nossa Senhora aceitou a proposta. Ele rendeu-se e pediu o batismo.

Foi batizado com o nome de Lorus.

De ali provêm o nome de Lourdes.

Lorus - o ex-Mirat - conduziu seus guerreiros em peregrinação à penha  de Puy-en-Velay, para venerar a imagem da Santíssima Virgem.

Ainda hoje, as armas da cidade de Lourdes trazem três torres sobre as quais paira uma águia, levando uma truta no bico.

E uma escarpa do rochedo conservou o nome de "Rochedo da Águia".





FONTE: CATOLICISMO


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