domingo, 12 de setembro de 2021

A milagrosa história da imagem da Mãe do Bom Conselho de Genazzano - 1

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Na Albânia, no século XV, a religião corria grave risco: de um lado, o fervor da população católica estava em declínio; de outro lado, assaltavam-na com crescente furor as hordas dos invasores maometanos, cujo objetivo era destruir até à raiz a Fé católica em território albanês.

Para evitar a catástrofe, a Providência suscitara um herói comparável, pelo destemor e pela Fé, aos pares de Carlos Magno e aos batalhadores mais salientes das Cruzadas e da Reconquista luso-hispânica: Scanderbeg.

Enquanto ele viveu, a Albânia resistiu.

Ele morto, em seguida a feitos heróicos e gloriosos, a resistência albanesa se esboroou.

Explicável castigo para uma população atolada na tibieza.

Além de Scanderbeg ‒ e quão superior a ele ‒ havia na Albânia outro pilar da Cristandade abalada.

Era a Imagem ‒ um afresco ‒ de Nossa Senhora então chamada “dos Bons Ofícios” (invocação análoga à de Nossa Senhora Auxiliadora, hoje generalizada em todo o mundo católico).

Essa Imagem, venerada em santuário próximo de Scútari, ocasião de tantas e tão preciosas graças para aquele povo corrompido pela tibieza, cairia nas mãos do invasor maometano?

Era o que se perguntavam com ansiedade dois devotos albaneses, Georgio e De Sclavis, dignos, representantes do que a Albânia ainda conservava de fiel.

A resposta a essa pergunta não tardou.

A Imagem se destacou lentamente da parede; ante os olhos atônitos dos dois devotos compatriotas do grande Scanderbeg.

Ela se alçou e foi prosseguindo em direção às águas do Mar Adriático.

E se foi deslocando sempre em igual direção, ao mesmo tempo em que fazia entender aos dois albaneses que queria ser seguida por eles.

Com Fé e estofo moral análogos aos de Scanderbeg, ambos os albaneses não hesitaram.

Foram caminhando milagrosamente sobre as águas, até que a Imagem atingisse o território da catolicíssima Itália.

Um mundo que desaba, vítima de sua crise religiosa e moral, mais ainda do que do vigor do terrível adversário.

Dois fiéis continuam a crer e esperar contra toda a esperança, e um milagre estupendo a coroar a perseverança deles: eis em síntese o esquema do até aqui narrado.

Em condições concretas muito diversas, o mesmo esquema se desenvolverá em traços muito largos, mas análogos, até nossos dias.

A ligar um esquema a outro, figura uma misteriosa e cruel provação, da qual são participes os dois valentes albaneses, mais uma idosa italiana, a Beata Petruccia, cujo valor de alma tinha proporção com os dois heróis, escolhidos por Nossa Senhora do Bom Conselho para Lhe constituírem imortal escolta de honra na travessia do Mar Adriático.

Com efeito, enquanto ambos os albaneses continuavam a seguir a Imagem pelo território italiano, esta... desapareceu.

E foi encher de celestes consolações a alma de Petruccia, então no auge de seu revés e de sua provação.

É o momento de dizer uma palavra sobre esta grande figura de mulher forte do Evangelho, que Nossa Senhora elegera para Lhe erguer o santuário mil vezes abençoado em que a Imagem dEla está exposta à veneração de incontáveis fiéis, desde há cinco séculos.

Era ela uma viúva dotada de alguns bens. Muito piedosa, fora favorecida com uma visão na qual a Santíssima Virgem a incumbia de restaurar a igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano, então ameaçada de ruir.

Para tal fim, Petruccia recorrera à caridade dos fiéis. Mas o atendimento destes deixara a desejar.

E as esmolas obtidas por Petruccia de modo nenhum bastavam para a execução da obra.

Animosa, resolvera ela então aplicar na construção o restante de seu patrimônio pessoal. Mas até mesmo este fora insuficiente, pelo que as obras ainda estavam longe de ter chegado ao termo.

Tal insucesso atraía sobre a Beata os sarcasmos injustos dessa mesma população que dera tíbio atendimento aos pedidos dela.

Mas Petruccia continuava animosa, apesar de seus oitenta anos, confiando com firmeza no auxílio da Santíssima Virgem.

Foi pois imensa e maravilhosa a surpresa dela, e a de toda a população de Genazzano, quando, na tarde do sábado 25 de abril de 1467, viram pousar sobre o lugarejo uma nuvem de aspecto admirável, da qual partiam os sons de uma música não menos bela.

Aos poucos, destacou-se da nuvem o quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho, o qual foi pousar sobre o altar que, na previsão da futura conclusão das obras, Petruccia fizera erguer.





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domingo, 29 de agosto de 2021

Um santo juízo de Deus

São Bernardo converte Guilherme, duque de Aquitania
São Bernardo converte Guilherme, duque de Aquitania.
Wouter Pietersz. Crabeth II (1594 – 1644), col. Catharina Gasthuis te Gouda
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São Bernardo havia ido à Aquitânia, a fim de reconciliar com a Igreja o duque daquela província.

Como o duque se recusasse a toda forma de reconciliação, São Bernardo, ao celebrar uma missa, consagrou a Hóstia, colocou-a na patena e saiu com ela da Igreja.

Então, imprecando com voz terrível o duque que ali se encontrava, e que na condição de excomungado permanecia fora da igreja, sem ousar entrar, Bernardo lhe disse:

— Nós te pedimos gentilmente e tu recusaste nossas súplicas. Eis agora que se aproxima de ti o Filho da Virgem, o Mestre supremo da Igreja que tu persegues! Eis que se aproxima de ti o teu Juiz, nas mãos do qual será pesada tua alma! Ousarás desprezá-lo como aos seus servidores?

O duque sentiu então os seus membros enfraquecerem, e se prosternou aos pés de Bernardo.

Este, tocando-o com a sandália, ordenou que se levantasse para ouvir a sentença de Deus.

O duque levantou-se, tremendo, e cumpriu tudo o que Bernardo lhe ordenou.


(Autor: Beato Jacques de Voragine, "La Legende Dorée")


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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Assunção de Nossa Senhora: auge de glória que culminará no Juízo Final

Assunção de Nossa Senhora. Ambrogio Bergognone (1470 - 1523-1524), Metropolitan Museum of Art, NYC
Assunção de Nossa Senhora. Ambrogio Bergognone (1470 - 1523-1524),
Metropolitan Museum of Art, NYC
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Os antigos falavam de festa de Assunção de Nossa Senhora como a de Nossa Senhora da Glória.

No Rio de Janeiro, a Igreja lindíssima sobre o Outeiro da Glória é dedicada à Nossa Senhora da Assunção levando esse apropriado título.

Isso porque a Assunção de Nossa Senhora não é apenas o fato físico dEla deixar a terra, mas porque tendo ressuscitado, ou acordado da dormição, por virtude de seu Divino Filho e ir para o Céu, foi a maior glorificação dEla neste vale de lágrimas.

Ela passou na terra, humilde, desconhecida, apenas tendo um papel mais relevante depois da morte de Nosso Senhor, como rainha e mãe da Igreja Católica.

Depois de ter padecido toda espécie de sofrimentos, angústias, dilacerações, humilhações, foi glorificada por Nosso Senhor aos olhos dos homens, por meio de um privilégio único na história do mundo.

Foi a única mera criatura levada aos Céus pela força dos anjos.

Atravessando o céu astronômico foi conduzida de um modo misterioso para o Paraíso Celeste onde Ela está neste momento gozando de modo inenarrável da visão beatífica de Deus Nosso Senhor.

Essa glorificação foi acompanhada de indizíveis manifestações de glória.

Ela foi levada pelos mais altos querubins e serafins, portanto, pelas mais nobres criaturas puramente espirituais que servem a Deus.

Depois de se despedir dos seus, Ela foi se elevando e a certa altura, quando Ela estava num êxtase elevadíssimo começou a ação dos anjos.

Na Assunção de Nossa Senhora a natureza toda se rejubilou de um modo esplêndido.

Os céus que colorido tomaram! As estrelas como brilharam! Se em Fátima o sol pulou e mudou de cores, na Assunção de que forma se terá manifestado!

Que cânticos de anjos, que perfumes, que harmonias, que consolações interiores nas almas! A glorificação já na terra deve ter sido inefável!

O fato essencial é que Nossa Senhora deixou transparecer toda a sua glória interior.

Em sua alma santíssima Ela possuía uma dignidade, uma majestade e uma afabilidade inexprimíveis, que se externaram nesse momento de modo extraordinário, como a grandeza de Nosso Senhor transpareceu no Monte Tabor.

Como que deitava chispas de luz que apagavam o céu enquanto Ela efundia sua enorme ternura.

Nossa Senhora da Glória, Bulacan, Filipinas
Nossa Senhora da Glória, Bulacan, Filipinas
Como todas as mães que se despedem dos filhos, nesse momento deve ter derramado uma misericórdia e uma bondade supremas, porque Ela nunca mais viveria na terra e começava sua grande missão do alto do Céu.

Santa Teresinha do Menino Jesus disse que ela queria passar o Céu fazendo o bem sobre a terra.

E se isso disse Santa Teresinha, quanto pode dizer Nossa Senhora!

De lá para cá a glória de Nossa Senhora no alto do Céu não se escondeu; pelo contrário se evidencia por exemplo na construção de um número enorme de Igrejas.

São Luís Grignon de Monfort observa que não há uma Igreja na terra onde não haja um altar dedicado à Nossa Senhora.

Não há uma alma que se tenha salvo sem que tenha sido devota de Nossa Senhora.

Não há uma graça que os homens tenham recebido sem ter sido obtida pela mediação de Nossa Senhora.

A glória dEla foi crescendo e continuará fazendo-o até o fim dos séculos quando vier o Juízo Final.

No dia do Juízo Final todos vão ser julgados. Ela também.

Mas como Ela não é sujeita a nenhuma dívida e não tem falta, apenas haverá uma suprema glorificação dEla.

Vão ser evidenciadas as virtudes e os defeitos, de todas as criaturas.

O que vai ser o cântico de louvor a Ela de Nosso Senhor Jesus Cristo, do Padre Eterno e do Divino Espírito Santo, no dia do Juízo Final?

Ela vai fazer a alegria do juízo da humanidade toda. Quando a vida dos homens tiver cessado e o ponto final dos acontecimentos do gênero humano tiver terminado, Ela vai receber uma glorificação insondável.

Antes disso, ainda na nossa história terrena, Ela tem uma misteriosa comunicação com os escravos dEla.

Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Ela lhes comunica o amor, a coragem, a compostura, a afirmatividade, e a fé que os leva a desafiar o paganismo hodierno do mundo inteiro.

Nossa Senhora se compraz em fazer valer a glória dEla através daqueles que não são muito numerosos, mas que valem pela união interior com Ela.

Não eram muitos os que estavam presentes na Assunção dEla. Mas o fato deitou uma tal raiz na memória dos homens, que perto de vinte séculos depois um Papa proclamou o dogma de Assunção dEla num ato que vai reboar até o Fim do Mundo.

Os filhos e escravos de Nossa Senhora são uma continuidade de um passado bom que obstinadamente prossegue para frente e com a graça de Nossa Senhora há de vencer.

Essa continuidade irá até o Fim de Mundo afirmando a fidelidade do Brasil a Nossa Senhora para obter a vitória da Contra-Revolução num plano mundial.

Com a glória de Nossa Senhora nos corações, os escravos dEla afirmam que nesta meia noite do reino do demônio, já começaram a aparecer os primeiros clarões do Reino de Maria.

E que algo de irreversível está na promessa de Fátima: “No fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Sim, seu Coração que subiu aos Céus naquela data bendita que os católicos nunca cessarão de comemorar.



A Assunção está anunciada em maravilhosos versos poéticos das Sagradas Escrituras, notadamente do Cântico dos Cânticos, que inspiraram inumeráveis sequencias, motetes e cânticos gregorianos na Idade Média.

Esses foram retomados de forma magnífica pela música polifônica em peças hoje universalmente famosas.

Escolhemos entre muitas a sequência “Vidi speciosam sicut columbam ascendentem desuper” gregoriana que se canta na Missa da festa da Assunção pelo menos no rito tradicional.


Vidi, speciosam sicut columbam,
Eu a vi, formosa como uma pomba /

ascendentem desuper rivos aquarum, /
Subindo pelos córregos de água. /

cuius inaestimabilis odor erat nimis in vestimentis eius, /
A fragrância de seus vestidos era incomensurável. /

Et sicut dies verni circumdabant eam flores rosarum et illia convallium. /
Ela ia rodeada pelas flores das roseiras e pelos lírios dos vales Como nos dias da primavera./

Quae est ista, quae ascendit per desertum /
Quem é esta que sobe pelo deserto /

sicut virgula fumi ex aromatibus myrrhae et thuris? /
Como uma coluna de fumaça que exala odor de mirra e incenso? /

Et sicut dies verni circumdabant eam flores rosarum et lilia convallium./
la ia rodeada pelas flores das roseiras e pelos lírios dos vales Como nos dias da primavera.
Vidi speciosam. Solesmes 1934
Vidi speciosam. Solesmes 1934

Antifona

Quae est ista quae ascendit sicut aurora consurgens pulchra ut luna electa ut sol terribilis ut castrorum acies ordinata?/

Quem é esta que vai subindo como aurora nascente, bela como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército formado em ordem de batalha?

Aleluia.
Antiphonale synopticum
Antiphonale synopticum



Vidi speciosam  Schola Antiqua & Schola Gregoriana Hispana 
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Vidi speciosam 
Tomás Luis de Victoria (1548 - 1611)

domingo, 1 de agosto de 2021

Jeremias lamenta o abandono da cidade sagrada

Profeta Jeremias, igreja de Santa Maria de Castro, Leicester
Luis Dufaur
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Lamentações do Profeta Jeremias, 1




1. Alef. Como está abandonada a cidade tão povoada! Assemelha-se a uma viúva a grande entre as nações. Rainha entre as províncias, ficou sujeita ao tributo.

2. Bet. Ela chora pela noite adentro, lágrimas lhe inundam as faces, ninguém mais a consola de quantos a amavam. Seus amigos todos a traíram, e se tornaram seus inimigos.

3. Guimel. Judá partiu para o exílio em miséria e dura servidão. Habita entre as nações sem achar repouso. Atingiram-no seus perseguidores entre as suas fronteiras.

4. Dalet. Estão de luto os caminhos de Sião, e ninguém mais vem às suas festas. Suas portas todas estão desertas, gemem seus sacerdotes, afligem-se as virgens, e ela mesma vive na amargura.

5. He. Apossaram-se dela seus opressores, e tranqüilos vivem seus inimigos, pois o Senhor a aflige por causa do número de seus crimes.

Partiram cativos os seus filhos diante do opressor.

6. Vau. Desapareceu da filha de Sião toda a sua glória. Seus príncipes se tornaram como cervos que não encontraram pastagens e que fogem, esgotados, diante dos que os perseguem.

7. Zain. Nestes dias de males e vida errante, recorda-se Jerusalém das delícias dos tempos idos.

Agora que seu povo sucumbiu sob os golpes do inimigo e ninguém vem socorrê-la! Olham-na seus inimigos, e zombam de sua devastação.

8. Het. Graves foram os pecados de Jerusalém: ela ficou uma imundície. Quem a honrava, agora a despreza porque lhe viram a nudez. E ela geme e esconde o rosto.

9. Tet. Vê-se sua mancha sobre suas vestes. Ela não previra esse fim. É imensa a sua decadência, e ninguém vem consolá-la.

Olhai, Senhor, para a minha miséria, porque o inimigo se ensoberbece.

10. Iod. O adversário lançou a mão sobre todos os seus tesouros. E ela viu os pagãos penetrarem em seu santuário, aqueles dos quais dissestes que não entrariam em vossa assembleia.

11. Caf. Geme todo o seu povo à procura de pão. Por víveres troca suas joias a fim de recuperar as forças. Vede, Senhor, e considerai o aviltamento a que cheguei!

12. Lamed. Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta, a mim que o Senhor feriu no dia de sua ardente cólera.

13. Mem. Até aos meus ossos lançou ele do alto um fogo que os devora. Sob meus passos estendeu redes e me fez cair violentamente, enchendo-me de pavor.

Eu ando amargurado o dia inteiro!

14. Nun. O jugo dos meus crimes está ligado pelas suas mãos. Pesa-me ao pescoço um feixe que faz vacilar minha força.

O Senhor me entregou em mãos das quais não posso libertar-me.

15. Samec. Rejeitou o Senhor todos os bravos que viviam em meus muros. Enviou contra mim um exército a fim de abater minha jovem elite.

O Senhor esmagou no lagar a virgem, filha de Judá.

16. Ain. Eis o motivo por que choro; fundem-se em lágrimas os meus olhos, porque ninguém a meu lado me consola, nem me alenta.

Vivem consternados os meus filhos, porque triunfa o inimigo.

17. Pe. Sião estende as suas mãos sem que ninguém a console. Mandou o Senhor contra Jacó inimigos sem conta. Jerusalém se tornou entre eles objeto de aversão.

18. Sade. O Senhor é justo, porque fui rebelde à sua voz. Escutai todos vós, ó povos, e vede a minha dor.

Minhas virgens e meus jovens foram conduzidos para o exílio.

19. Cof. Implorei a meus amigos e eles me iludiram. Meus sacerdotes e os anciãos pereceram na cidade enquanto buscavam alimento para revigorar as forças.

20. Res. Vede, Senhor, a minha angústia! Tremem minhas entranhas, e meu coração está perturbado por causa de minhas revoltas.

De fora mata a espada, de dentro alastra a morte.

21. Sin. Meus suspiros são ouvidos sem que ninguém me console.

Meus inimigos, vendo minha ruína, sentem-se felizes com a vossa intervenção.

Fazei vir o dia por vós predito! Que a mesma sorte lhes advenha!

22. Tau. Que todos os seus crimes vos estejam presentes!

Tratai-os como a mim me tratastes por todos os meus crimes!

Porque não cessam meus gemidos, e está doente meu coração.

Vídeo: Lamentação III do profeta Jeremias. In Coena Domini




Música: Tomás Luis de Victoria (Ávila, 1548 - Madrid, 1611)
Antifonario mozárabe de Silos. Siglo IX. Espanha.




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