domingo, 20 de dezembro de 2015

A primeira Árvore de Natal surgiu
pelas santas machadadas de São Bonifácio

A Árvore de Natal: símbolo católico  pelo apostolado de São Bonifácio.
A Árvore de Natal: símbolo católico
pelo apostolado de São Bonifácio.



Quando pensamos em um santo, talvez num primeiro momento não consideramos que essa pessoa seja ousada, empunhe um machado, um martelo ou que derrube árvores como os carvalhos.

Entretanto, existe um santo assim: é São Bonifácio.

Este santo nasceu na Inglaterra por volta do ano 680.

Ingressou em um monastério beneditino antes de ser enviado pelo Papa para evangelizar os territórios que pertencem a atual a Alemanha. Primeiro foi como um sacerdote e depois como bispo.

Sob a proteção do grande Charles Martel, Bonifácio viajou por toda a Alemanha fortalecendo as regiões que já tinham abraçado o catolicismo e levou a luz de Cristo àqueles que ainda não o conheciam.

O escritor Henry Van Dyke o descreveu assim, em 1897, em seu livro The First Christmas Tree (A primeira árvore de natal):

“Que pessoa tão boa! Que boa pessoa! Era branco e magro, mas reto como uma lança e forte como um cajado de carvalho.

“Seu rosto ainda era jovem; sua pele suave estava bronzeada pelo sol e pelo o vento.

“Seus olhos cinzas, limpos e amáveis, brilhavam como o fogo quando falava das suas aventuras e das más ações dos falsos sacerdotes aos quais enfrentou”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Imaculada Conceição glorificada à revelia
até por ... um diabo!

Imaculada Conceição,São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição,
São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Luis Dufaur

A devoção à Imaculada Conceição de Nossa Senhora vem dos tempos apostólicos.

Na Idade Média, porém, adquiriu enorme força e extensão.

Por fim, no século XIX foi proclamada dogma da Igreja Católica. Nenhum católico pode negá-la ou pô-la sequer em dúvida, sem cair em heresia e ficar fora da Igreja.

Por isso, nesta magna festa, reproduzimos o fato seguinte acontecido no século XIX.



No dia 8 de dezembro de 1854, o Bem-aventurado Papa Pio IX promulgou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E no dia 25 de março de 1858, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem se manifestou em Lourdes a Santa Bernadete.

Nesse dia Ela confirmou o dogma, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. E inaugurou uma torrente de milagres que não cessa até hoje!

Poucas pessoas sabem que em 1823, trinta anos antes da proclamação desse magnífico dogma, dois sacerdotes exorcistas obrigaram um demônio que possuía um rapaz a cantar o louvor dessa santa verdade.

E o demônio teve que fazê-lo, obviamente a contragosto, mas com uma rima poética que reverenciou a glória de Nossa Senhora.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Hino “Ave Maris Stella” implora a Nossa Senhora nos levar a bom porto

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O hino “Salve Estrela do Mar”, mais conhecido pelo seu nome em latim “Ave Maris Stella” tem uma origem difícil de precisar, como muitas orações medievais muito antigas.

A piedade medieval era extremamente rica e fértil. Muitas contribuições de fontes diversas iam enriquecendo constantemente as fórmulas de piedade.

Isso se deu também com este hino. O “Ave Maris Stella” foi muitíssimo popular na Idade Média e foi objeto de muitas composições e variantes que foram se fecundando reciprocamente.

As primeiras notícias dele remontam ao século VIII.

O criador da letra teria sido São Venâncio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a quem atribui-se também o “Pange Lingua Gloriosi Proelium Certaminis” (“Canta, minha língua, o glorioso combate”) que serviu de inspiração para o hino eucarístico “Pange Lingua Gloriosi Corporis Mysterium” (“Canta, minha língua, o glorioso mistério da Hóstia”) de São Tomás de Aquino.

São Venâncio Fortunato apresenta seus hinos à rainha Radegunda da França
São Venâncio Fortunato apresenta seus hinos à rainha Radegunda da França
Reconhece-se a São Venâncio Fortunato a autoria do igualmente famoso “Vexilla Regis prodeunt” (“Os estandartes do rei avançam”).

A melodia do “Ave Maris Stella”, provém do cântico irlandês Gabhaim Molta Bríde composto em honra de Santa Brígida.

O “Salve Estrela do Mar” tem relevante importância na preparação da consagração à Santíssima Virgem como escravo de amor, segundo o inspirado método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

“Stella Maris” é um título de Nossa Senhora do Carmo e encontramos a estrela no brasão da gloriosa Ordem carmelitana.

A liturgia católica saúda com o poético “Ave Maris Stella” a Nossa Senhora como “Estrela do Mar”. Porque Nossa Senhora é a Estrela do Mar.

Quer dizer, a Estrela Polar, que é a mais brilhante, alta, e suprema das estrelas que guia os navegantes em meio à escuridão.

Veja vídeo
Ave Maris Stella
e catedral Notre Dame
de Paris
No “Ave Maris Stella” o fiel reza “mostrai que Vós sois Mãe”. Conta-se que na Idade Média um homem rezando aos pés de uma imagem de Nossa Senhora, quando chegou a estas palavras, a imagem se animou e respondeu a ele: “mostra que és filho”!

Na hora de nós nos dirigirmos a Nossa Senhora pedindo para Ela mostrar que é Mãe, pensemos que Ela tem o direito de nos dizer: “Meu filho, mostra que és filho!”

Não há nada melhor que pedir as luzes do Espírito Santo para que a Estrela do Mar nos ilumine no meio do mar agitado e da escuridão hodierna. Só assim nossa nau atingirá o verdadeiro porto, quer dizer, a via de Nossa Senhora e a graça dEla.

Ave, maris stella

Ave, maris stella,
Ave estrela do mar,
Dei Mater alma,
Mãe de Deus sagrada,
Nossa Senhora dos Bons Ares, Buenos Aires
Nossa Senhora dos Bons Ares, Buenos Aires
Atque semper Virgo,
Quem sempre Virgem sois,
Felix cæli porta.
Porta feliz do Céu.

Sumens illud Ave
Tomando aquela Ave
Gabriélis ore,
Por voz de Gabriel,
Funda nos in pace,
Firmai-nos bem na paz,
Mutans Hevæ nomen.
Mudado o nome Eva.

Solve vincla reis,
Aos réos soltai prisões,
Profer lumen cæcis,
Aos cegos vista dai
Mala nostra pelle,
Nossos males tirai
Bona cuncta posce.
Todos os bens pedi.

Monstra te esse matrem,
Mostrai que Vós sois Mãe,
Sumat per te preces
Por Vós ouça os rogos,
Qui pro nobis natus
Quem por causa de nós,
Tulit esse tuus.
Quis vosso Filho ser.

Virgo singuláris,
Ó Virgem singular,
Santa Maria del Mar, Barcelona
Santa Maria del Mar, Barcelona
Inter omnes mitis,
Mais que todos branda,
Nos culpis solútos
Livres nós da culpa,
Mites fac et castos.
Brandos, castos fazei.

Vitam præsta puram,
Dai-nos vida pura,
Iter para tutum,
Os passos dirigi,
Ut vidéntes Jesum
Porque vendo a Jesus,
Semper collætémur.
Vivamos com prazer.

Sit laus Deo Patri,
Louve-se Deus Padre,
Summo Christo decus,
Honre-se o seu Filho,
Spirítui Sancto,
E seu divino Amor,
Tribus honor unus.
Aos três um só louvor.
Amen.

Clique para ouvir o hino Ave Maris Stella, gregoriano:


Ave Maris Stella, gregoriano cisterciense:


"Tiento sobre Ave Maris Stella y Beata viscera Mariae", Antonio de Cabezón (Burgos, 1510 - Madrid, 1566)


Na versão do 'Codex de Las Huelgas':




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domingo, 8 de novembro de 2015

A monja que fugiu de seu mosteiro




Num antigo e austero mosteiro habitava uma monja muito jovem, chamada Beatriz, de grande piedade em sua vida religiosa e profundamente devota de Santa Maria, a quem consagrara a metade de sua vida.

Continuamente a viam de joelhos diante do seu altar, em fervorosa veneração, oferecendo sua esplêndida juventude e angélica pureza à sua Santíssima Mãe. A abadessa e todas as irmãs do convento lhe professavam grande carinho, por sua bondade e doçura, e a nomearam para o cargo de sacristã da igreja, que ela desempenhava com grande zelo.

Porém, sendo Beatriz extraordinariamente bela, despertou a paixão de um clérigo que frequentava o mosteiro. Tentou convencê-la a fugir do convento com ele. Mas Beatriz, que a princípio resistia com firmeza, sentia desfalecer suas forças ante os embates daquela forte tentação.

domingo, 1 de novembro de 2015

1º de novembro, festa de todos os Santos
que se difundiu a partir dos séculos VIII-IX

Santos no Céu. Detalhe da Coroação de Nossa Senhora, rainha do Céu. Galeria degli Uffizi, Florença. Fra Angelico (1395 – 1455).
Santos no Céu. Detalhe da Coroação de Nossa Senhora, rainha do Céu.
Galeria degli Uffizi, Florença. Fra Angelico (1395 – 1455).



Iniciou-se a celebrar a festa de todos os santos até em Roma desde o século IX.

Uma única festa para todos os Santos, ou seja, para a Igreja gloriosa intimamente unida à Igreja ainda peregrina e sofredora.

Hoje é uma festa de esperança: “a assembleia festiva dos nossos irmãos” representa a parte eleita e seguramente exitosa do povo de Deus.

Chama-nos atenção para o nosso fim e para a nossa vocação verdadeira: a santidade, à qual todos nós somos chamados, não por meio de obras extraordinárias, mas com o cumprimento fiel da graça do batismo.

Do ‘Discursos’ de São Bernardo, abade


A que serve, então, o nosso louvor aos santos, a que serve o nosso tributo de glória, a que serve esta mesma nossa solenidade?

Porque a eles as honras desta mesma terra quando, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste os honra? Para que, então, nossas homenagens a eles?

Os santos não precisam de nossas honras e nada vem para eles do nosso culto.

É claro que, quando veneramos a memória deles, operamos em nosso benefício, não no deles!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Explicação do Ângelus

O Anjo anuncia a Maria a Encarnação do Verbo: é a origem do ângelus. Córdoba, Espanha




A oração do Ângelus é uma meditação que também fala a respeito do Natal, feita através de três pontos essenciais, com muita brevidade. Ela é eminentemente lógica e bem construída.

Porém, em todas as coisas da Igreja, por cima de uma estrutura lógica e coerente, resplandece um universo de imponderáveis de unção e sacralidade que é uma verdadeira beleza, e que formam um todo com essa estrutura lógica e racional.

Vejamos como a História do Natal está contida no Ângelus:

1º ponto: O Anjo do senhor anunciou a Maria, e Ela concebeu do Espírito Santo;

2º ponto: Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Sua vontade;

3º ponto: O Verbo Divino se encarnou e habitou entre nós.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O hino "Vinde, Espírito Santo": quando reis disputavam em piedade com cardeais e Papas

Roberto II o Piedoso, Grandes Chroniques de France, século XV, ©BNF
Roberto II, o Piedoso, rei da França gostava cantar o Ofício Divino com os monges.
Iluminura de 'Grandes Chroniques de France', século XV, Biblioteca Nacional da França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A famosa “sequência” (um tipo de hino) “Veni Sancte Spiritus” (“Vinde, Espírito Santo”) cantada na festa de Pentecostes, é outra das joias da espiritualidade medieval.

Disputa-se sobre quem teria sido seu autor.

Alguns defendem que foi o rei da França Roberto II, o Piedoso (970-1031) (iluminura ao lado).

Outros põem a autoria no Cardeal Stephen Langton (1150–1228) arcebispo de Cantuária e primaz da Inglaterra.

Segundo a Encyclopédia Católica, tal vez seja mais correto atribuir o “Veni Sancte Spiritus” ao Papa Inocêncio III, (pintura em baixo) muito amigo, aliás do Cardeal Langton.

Inocêncio III (1160-1216) foi um dos maiores Papas da Idade Média.

Ele consolidou o poder pontifício que fora contestado por uma corrente de revolta, precursora do laicismo atual.

Papa Inocêncio III, Subiaco. Orações e milagres medievais
O Papa Inocêncio III. Mosteiro de Subiaco, Itália.
Ô felizes tempos em que reis como Roberto II o Piedoso disputavam em zelo pela Fé com cardeais e Papas!

Então desde o governo desciam sobre a Igreja e o corpo social maravilhas espirituais como o “Veni Sancte Spiritus”.

Quê diferencia com tantos governantes de hoje!




Clique aqui para ouvir (coro da TFP americana)


Veni Sancte Spiritus


Eis o texto em latim (como é cantado em gregoriano) e em português:

1. Veni Sancte Spiritus, et emitte cælitus, lucis tuæ radium.
1. Vinde, Espírito Santo, e enviai do céu um raio de Vossa luz.

2. Veni pater pauperum, veni dator munerum, veni lumen cordium.
2. Vinde, pai dos pobres, vinde dispensador dos dons, vinde luz dos corações.

3. Consolator optime, dulcis hospes animæ, dulce refrigerium.
3. Consolador por excelência, hóspede da alma, nosso doce refrigério.

4. In labore requies, in æstu temperies, infletu solatium.
4. No trabalho, sois repouso; no ardor, sois calma; no pranto, consolo.

5. O lux beatissima, reple cordis intima, tuorum fidelium.
5. Ó luz beatíssima, penetrai até o fundo do coração dos que vos são fiéis.

6. Sine tuo numine, nihil est in homine, nihil est innoxium.
6. Sem vossa graça, nada há no homem, nada que não lhe seja nocivo.

7. Lava quod est sordidum, rega quod est aridum, sana quod est saucium.
7. Lavai o que é impuro, fecundai o que é estéril, ao que está ferido curai.

8. Flecte quod est rigidum, fove quod est frigidum, rege quod est devium.
8. Dobrai o rígido, aquecei o que é frio e o que se extraviou, guiai.

9. Da tuis fidelibus, in te confidentibus, sacrum septenarium.
9. Dai aos que vos são fiéis e em vós confiam, os sete dons sagrados.

10. Da virtutis meritum, da salutis exitum, da perenne gaudium. Amen.
10. Dai-lhes o mérito da virtude, a salvação no termo da vida, a eterna felicidade.



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domingo, 27 de setembro de 2015

Devoção ao Rosário: maravilhoso histórico

Nossa Senhora do Rosário, México.
Nossa Senhora do Rosário, México.



Segundo respeitosa tradição, Nossa Senhora revelou a devoção ao Rosário a São Domingos de Gusmão, em 1214, como meio para salvar a Europa de uma heresia.

Eram os albigenses, que, como uma epidemia maldita, contagiavam com seus erros outros países, a partir do norte da Itália e da região de Albi, no sul da França.

De onde o nome de albigenses atribuído a esses hereges, conhecidos também como cátaros (do grego: puros), pois assim soberbamente se auto-nomeavam.

Eram lobos disfarçados com pele de ovelha, infiltraram-se nos meios católicos para melhor enganar e captar simpatia. Tais hereges pregavam, entre outros erros, o panteísmo, o amor livre, a abolição das riquezas, da hierarquia social e da propriedade particular — salta aos olhos a semelhança com o comunismo.

Várias regiões da Europa do século XIII ficaram infestadas pela heresia albigense, e toda a reação católica visando contê-la mostrava-se ineficaz. Os hereges, após conquistar muitas almas, destruir muitos altares e derramar muito sangue católico, pareciam definitivamente vitoriosos.

São Domingos (mais tarde fundador da Ordem Dominicana) intrepidamente empenhou-se no combate à seita albigense, não conseguindo, porém, sobrepujar o ímpeto dos hereges, que continuavam pervertendo os fiéis católicos. E os que não se pervertiam eram massacrados.

Desolado, São Domingos suplicou à Virgem Santíssima que lhe indicasse uma eficaz arma espiritual capaz de derrotar aqueles terríveis adversários da Santa Igreja.

domingo, 13 de setembro de 2015

A recompensa de São João Damasceno

São João Damasceno
São João Damasceno



Este santo, vingador das santas imagens contra os ímpios iconoclastas, foi condenado por Leão Isauro a ter a mão direita decepada.

Logo depois dessa bárbara execução, João foi prostrar-se diante da imagem de Maria, seu recurso ordinário, com o fim de oferecer a Deus, por Maria, seus sofrimentos.

Confiado no seu poderosíssimo auxilio, disse a Maria:

“Sabeis, ó Virgem Santa, qual foi o motivo por que me cortaram a mão. Ela era sagrada a vosso serviço. Ó Rainha dos anjos e dos homens, se não for contrário à vontade de Deus, vossa intercessão me pode restituir de novo a minha mão, a qual, mais do que antes, será vossa”.

Enquanto assim rezava, sentiu as dores diminuírem de intensidade até desaparecerem. Durante um sono reparador, Maria restituiu-lhe a mão, pedindo-lhe que escrevesse sempre em defesa da Igreja.

Ao redor do pulso, ficou apenas uma simples linha vermelha, como para servir de testemunho da autenticidade do milagre.

Tal prodígio, Maria o fez em favor de um homem que, pelas suas palavras e por seus escritos, defendia o culto das santas imagens.

domingo, 30 de agosto de 2015

O Ângelus, devoção da Cavalaria, para honrar a Encarnação do Salvador

Anunciação. Iluminura na Universidade de Califórnia-Berkeley,  UCB 138
Anunciação. Iluminura na Universidade de Califórnia-Berkeley,
UCB 138



O Ângelus (Anjo do Senhor) reza-se às 06:00, 12:00 e/ou 18:00 horas. Com ele os católicos glorificam, através de orações especiais, a Anunciação, feita pelo anjo Gabriel a Nossa Senhora, da Encarnação de Jesus Cristo.

Cumpriu-se então, o anúncio dos profetas de que uma Virgem conceberia e daria à luz o Salvador tão esperado.

É uma das grandes datas da História e do calendário litúrgico, pois marca o início da Redenção.

A festa da Encarnação é celebrada o dia 25 de Março, nove meses antes do Natal.

Em algumas localidades, os sinos das igrejas tocam de maneira especial.

O nome da oração Ângelus deriva da primeira invocação em latim: Angelus Domini nuntiavit Mariæ (O anjo do Senhor anunciou a Maria).

As oração consiste em três invocações, com uma resposta cada uma. As três descrevem o mistério da Encarnação. Elas são acompanhadas por uma jaculatória, uma breve oração e três Glórias.

domingo, 16 de agosto de 2015

O culto medieval à Coroa de Espinhos do Salvador

Jesus coroado de espinhos
Jesus coroado de espinhos



"Pilatos então tomou Jesus e mandou-o açoitar. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puse­ram-lha sobre a cabeça".

Narra a Tradição que a santa Coroa de espinhos, referida nessa passagem do Evangelho de São João, foi recolhida pelos discípulos do Divino Salvador e conservada até o ano de 1063 no monte Sion, em Jerusalém.

Coube a São Luís IX, rei de França, a glória de ter adquirido do Imperador de Bizâncio, em 1239, essa relí­quia inestimável.

Para abrigá-la condignamente, mandou construir a mais bela jóia arquitetônica em estilo gótico existente na Europa: a Sainte Chapelle de Paris.

Veja mais sobre a Sainte Chapelle em CATEDRAIS MEDIEVAIS

Atualmente, a Santa Coroa de espinhos pode ser venerada na Catedral de Paris, onde se encontra pro­tegida por fino anel de cristal, sob a custódia dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Esta Ordem Militar foi fundada por Godofredo de Bouil­lon, duque de Lorena, que conquistou a Terra Santa aos sarracenos, em 1099, e recusou ser coroado de joias no local onde Nosso Senhor houvera sido coroado de espinhos.

domingo, 2 de agosto de 2015

Santa Clotilde Rainha e o milagre da conversão da França

Santa Clotilde, igreja de Saint-Germain l'Auxerrois, Paris
Santa Clotilde, igreja de Saint-Germain l'Auxerrois, Paris




Gundioch, rei da Borgonha, morrera numa batalha contra os bárbaros, em defesa da Fé e de seus Estados. Seus quatro filhos, desejando governar, dividiram o pequeno reino.

A mais velha das irmãs, Fredegária, tomou o véu religioso num mosteiro, onde terminou seus dias em odor de santidade.

Clotilde, a mais nova, por “sua doçura, piedade e amor pelos pobres, fazia-se bendizer por todos aqueles que viviam a seu redor”.

“Essa jovem princesa demonstrou uma constância admirável em meio a seus infortúnios, e começou a brilhar, como um milagre de honra e de virtude, pela santidade de suas ações.... Seu porte era belo, suas maneiras agradáveis, seu rosto bem feito e de uma beleza tão regular, que não se podia ver nada de mais bem acabado”.

A fama de tal virtude e beleza chegou ao vizinho reino dos Francos (depois França), onde seu jovem e fogoso rei, Clóvis pensou em desposar a virtuosa princesa, apesar de ser ela católica. Certamente influiu nessa decisão o Bispo São Remígio, no qual o rei franco depositava inteira confiança.

As bodas realizaram-se no ano de 493 em Soissons, com toda a suntuosidade da época.

“No palácio do rei franco instalou-se um oratório católico, onde diariamente se ofereciam os Sagrados Mistérios, aos quais a Santa assistia com singular devoção”.

Um ano após o casamento, Clotilde deu à luz um herdeiro, e obteve de Clóvis licença para batizá-lo. Poucos dias depois, o pequeno inocente foi para o Céu. O rei, irado, alegou que se ele tivesse sido consagrado aos seus deuses, não teria morrido.

domingo, 19 de julho de 2015

São Bernardo: Ato de abandono a Nossa Senhora

Madonna, São Pedro e São Miguel Arcanjo. Lorenzo da Viterbo (1444 – 1476) Cerveteri, igreja de Santa Maria Maggiore
Nossa Senhora, São Miguel Arcanjo e São Pedro. Lorenzo da Viterbo (1444 – 1476)
Cerveteri, igreja de Santa Maria Maggiore




Doce Virgem Maria, minha augusta Soberana!

Minha amável Senhora!

Minha boníssima e amorosíssima Mãe!

Doce Virgem Maria, coloquei em Vós toda minha esperança, e não serei em nada confundido. Doce Virgem Maria, creio tão firmemente que do alto do Céu Vós velais dia e noite por mim e por todos os que esperam em Vós, e estou tão intimamente convencido de que jamais faltará coisa alguma quando se espera tudo de Vós, que resolvi viver para o futuro sem nenhuma apreensão, e descarregar inteiramente em Vós todas as minhas inquietações.

Doce Virgem Maria, Vós me estabelecestes na mais inabalável confiança. Oh, mil vezes Vos agradeço por um favor tão precioso!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Na festa de Corpus Christi, o hino “Ave Verum”
(“Salve, ó verdadeiro corpo”)




Na Idade Média foram compostas muitas músicas e poesias religiosas em louvor do Santíssimo Sacramento.

Esta grande devoção teve, aliás, imenso incremento no período medieval.

Podemos então dizer que ela ‒ aperfeiçoada pela Contra-Reforma ‒ chegou até nós impregnada do perfume da Idade Média.

A presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia está fundamentada nas próprias palavras de Cristo na Última Ceia: “Este é meu corpo, esta é minha sangue”.

A Fé na presença real de Cristo na Eucaristia foi professada universalmente por toda a Igreja desde sua fundação.

Só com o protestantismo que apareceram contestações, aliás mais próximas da chicana do que qualquer outra coisa. Foram sobejamente refutadas pelos Doutores e notadamente pelo Concílio de Trento.

Na crise da fé no século XX, reapareceram falsos teólogos que pretenderam reviver os erros protestantes com outro nome.

É o malfadado progressismo, que tem menos fundamento na verdade que os próprios protestantes. Todos esses erros acabarão ficando à margem da História, como já ficaram os de Calvino, Zwinglio, Melanchton ou Lutero.