domingo, 24 de abril de 2016

A traslação miraculosa de Nossa Senhora do Bom Conselho
da Albânia até Genazzano, Itália


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Numa pequena localidade da Itália a graça faz germinar, em substituição a um velho culto pagão, uma terna devoção a Nossa Senhora sob o título do Bom Conselho que desceu miraculosamente na cidade de Genazzano no fim da tarde do dia 25 de abril de 1467.

Sua festa se comemora no dia 26 de abril.

Naquela data, um reino valoroso se encontrava em triste declínio.

Declínio político e militar, por certo, mas também e principalmente declínio religioso.

Os católicos albaneses oferecem ao Islã a resistência ineficaz de um povo tornado tíbio. Com isto, a vitória das hostes de Mafoma resulta inevitável.

Dois homens fiéis à Virgem se sentem perplexos, e vão ao santuário nacional da Albânia, em Scútari, a fim de implorar à imagem dEla que ali se venera um bom conselho: o que fazer?

Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, Genazzano
Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, Genazzano
Permanecer na nação dominada pelos turcos, a fim de ali servir à Santíssima Virgem, ou deixar a pátria rumo a plagas em que possam viver sem grave perigo para a fé?

O bom conselho implorado lhes foi concedido sob a forma mais estupenda e inesperada.

A imagem deixa Scútari, e em pós dela partem os nossos dois albaneses.

A confirmar a autenticidade e o acerto deste conselho, a sagrada Efígie baixa maravilhosamente no local de Genazzano.

Daí para diante, a história da Madona transladada de Scútari não foi senão uma sucessão de triunfos.

Quer em Genazzano, quer em outras cidades onde reproduções do quadro albanês foram expostas à veneração dos fiéis, as graças de toda ordem se multiplicaram incontáveis.

E entre elas o atendimento frequente das pessoas que, desejosas de um bom conselho, acorrem à Virgem, implorando a graça de uma luz para sua perplexidade.

Nossa Senhora do Bom Conselho, Colégio São Luís, SPEntre essas imagens, importa lembrar a que se encontra na cidade de São Paulo, na imponente Capela do Colégio São Luís, dos RR. PP. Jesuítas, pois o modo pelo qual chegou a nosso País é verdadeiramente digno de especial atenção. (foto ao lado)




(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", Abril-Maio de 1968)





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quinta-feira, 24 de março de 2016

A Paixão de Cristo revive na Paixão da Igreja





Em face do drama em que se encontra a Santa Igreja, muitas almas procuram, então, assumir uma posição de indiferença, parecida com a de numerosos contemporâneos de Nosso Senhor, que acreditavam que Ele era Homem-Deus, mas que, durante a Via Sacra, vendo-O passar, em vez de se compadecer por seus lancinantes sofrimentos, achavam entretanto melhor não considerá-los, mas pensar em outras coisas.

A evidência dos fatos deixa patente que a partir do Concílio Vaticano II penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás”, de que falou Paulo VI, a qual se foi dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gazes.

Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição, a que aludiu aquele mesmo Pontífice, em Alocução de 7 de dezembro de 1968.

A História narra os inúmeros dramas que a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana sofreu nos vinte séculos de sua existência.

Oposições que germinaram fora dEla, e de fora mesmo tentaram destruí-La.

Tumores formados dentro dEla, extirpados, contudo, pela própria Esposa de Cristo; mas que, já então de fora para dentro, tentaram destruí-la com ferocidade.

Quando, porém, viu a História, antes de nossos dias, uma tentativa de demolição da Igreja, já não mais articulada por um adversário, mas qualificada de como que autodemolição em altíssimo pronunciamento de repercussão mundial?

A atitude normal de um católico vendo a Igreja, sua Mãe, passar por essa crise deve ser antes de tudo de profunda tristeza, porque é lamentável que isso seja assim. É um perigo para incontáveis almas que a Igreja seja afligida por tal crise.

Crucificação, catedral de Lille, França.
Crucificação, catedral de Lille, França.
E, por essa razão, pode-se ter a certeza de que, quando Nosso Senhor, do alto da cruz, viu todos os pecados que haveriam de ser cometidos contra a obra da Redenção que Ele consumava de modo tão profundamente doloroso, sofreu enormemente, em vista de tal gênero de pecados, cometidos em nossos dias.

E, evidentemente, todos esses pecados produziram sofrimentos verdadeiramente inenarráveis no Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, que pulsava de dor no peito da Santíssima Virgem enquanto Ela estava de pé, junto à Cruz.

Considerando quanto Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe sofreram por causa do que agora está se passando, é impossível não se ficar consternado, muito mais do que em qualquer Sexta-Feira Santa anterior, porque, talvez, este seja dos pontos mais agudos da Paixão e que se mostra em toda a sua hediondez, nas atuais circunstâncias da vida da Igreja.

* * *

O homem contemporâneo é um adorador do prazer, do gáudio, da diversão, e tem horror ao sofrimento.

Ora, está-se aqui em presença de um padecimento agudíssimo. Pode-se compreender, pois, embora tal atitude não seja justificável, a posição de tantas almas que evitam pensar nisso e considerar a fundo o que está se passando para não sofrer em união com Nosso Senhor esta situação trágica, como trágica foi a Paixão.

Em face do drama em que se encontra a Santa Igreja, muitas almas procuram, então, assumir uma posição de indiferença, parecida com a de numerosos contemporâneos de Nosso Senhor, que acreditavam que Ele era Homem-Deus.



Mas que, durante a Via Sacra, vendo-O passar, em vez de se compadecer por seus lancinantes sofrimentos, achavam entretanto melhor não considerá-los, mas pensar em outras coisas.

E eis a prova: Nosso Senhor pregou maravilhas e fez milagres portentosos que devem ter impressionado pelo menos uma parte considerável do povo que O cercava.

Não seria concebível que essa parte, santamente impressionada, tenha se mantido numa atitude tão quieta, inerte, diante do que se passava.

E que a única pessoa que fez algo em prol do Redentor, durante a parte inicial da Via Sacra, tenha sido a Verônica com o seu véu, no qual ficou estampada, depois, a face sagrada do Salvador. Verdadeiramente, mais ninguém tomou tal atitude a não ser ela.

As santas mulheres e Nossa Senhora juntaram-se mais adiante a Nosso Senhor e foram até o alto do Calvário.

A Virgem Santíssima está acima de todo elogio. As santas mulheres, que A acompanharam, merecem um elogio que participa do louvor a que Nossa Senhora fez juz. Mas, fora disso, inércia.

Por ocasião da Semana Santa, o que mais se deve pedir a Nossa Senhora, é que Ela nos liberte desse estado de espírito, de tal mentalidade.

Se nosso Redentor está sofrendo, devo querer padecer aquilo que O atormenta. E sofrerei isso meditando nas dores dEle. Esse é o meu dever, dada a união que Ele condescendeu misericordiosamente em estabelecer entre Si mesmo e mim.

E o que não for isso não pode deixar de ser qualificado senão de abominável.

Os dias em que vivemos são de gravidade, de tristeza, mas na última fímbria do horizonte aparece uma alegria incomparavelmente maior do que qualquer gáudio terreno: a promessa de um sol que nascerá – o Reino de Maria, anunciado, no ano de 1917, por Nossa Senhora, em Fátima.





(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, in CATOLICISMO, maio 2013)



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terça-feira, 1 de março de 2016

A prodigiosa história de Nossa Senhora dos Desamparados

Nossa Senhora dos Desamparados, santuário, Valencia, Espanha
Nossa Senhora dos Desamparados,
imagem original no seu santuário de Valencia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Valência é uma cidade carregada de história. Está situada no leste da Espanha, às margens do Mar Mediterrâneo.

Ela foi invadida pelos muçulmanos no fim do século XI.

Mas, foi reconquistada pelo grande herói Cid Campeador. Ele foi seu soberano e ali faleceu.

Em Valência nasceu o extraordinário São Vicente Ferrer, o qual lutou contra a decadência da Idade Média com tal vigor e eloqüência que foi chamado o Anjo do Apocalipse.

A padroeira de Valência é Nossa Senhora dos Desamparados (*) cuja belíssima história é, em breves traços, a seguinte:

No início do século XV - quando ainda vivia o grande São Vicente Ferrer - foi fundada em Valência a Confraria dos Desamparados.

Ela visava socorrer os doentes e dar digna sepultura aos cadáveres abandonados nos campos.

O principal inspirador foi o Beato Padre Jofré. Essa Confraria, composta sobretudo de artesãos, chegou a ter entre seus membros duques, marqueses, condes e ricos burgueses.

Nossa Senhora dos Desamparados, imagem original, detalhe, Valencia, EspanhaA confraria obteve logo uma capela. Porém, faltava uma imagem de Nossa Senhora que exprimisse o espírito daquela instituição.

Em 1414, apareceram na casa de um confrade - cuja esposa era cega e paralítica - três jovens de rara beleza, em traje de peregrinos.

Eles disseram serem escultores, e dispuseram-se a fazer uma imagem da Virgem para a Confraria.

Pediram apenas um local isolado para trabalharem e que, durante três dias, ninguém os visitasse.

Consultado o Beato Jofré, a proposta foi aceita. No quarto dia, o mesmo homem de Deus, acompanhado de várias pessoas, foi até o local onde estavam os três jovens.

Bateram a porta. Mas, como ninguém atendia, a arrombaram.

Oh magnífica surpresa! Os jovens haviam desaparecido, mas deixaram uma belíssima imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus.

Todos entenderam que os peregrinos escultores eram anjos.

Nossa Senhora dos Desamparados, Valencia, réplica levada na procissãoA esposa cega do confrade, que recebera os três anjos, foi conduzida até o local onde estava a imagem.

Chegando diante da bela escultura, imediatamente recobrou a vista e o movimento de seus membros.

A partir de então, através dessa imagem sagrada que recebeu o título de Nossa Senhora dos Desamparados, ocorreram muitíssimos milagres, entre os quais destaca-se a cessação da terrível peste que grassou em Valência e outras partes de Espanha, em meados do século XVII, no reino de Filipe IV.

A imagem mede 1,40 m e representa Nossa Senhora carregando, no braço esquerdo, o Menino Jesus; o braço direito, cuja mão segura um ramo de lírios de prata, está estendido em direção ao solo.

Apesar dos exames realizados, até hoje não se sabe exatamente de que material foi esculpida a imagem.

Nossa Senhora dos Desamparados, Valencia, detalheSobre a cabeça de Nossa Senhora há uma grande e riquíssima coroa, cravejada de brilhantes, pérolas, rubis e outras pedras preciosas. Atrás da coroa um belo resplendor com doze estrelas.

O Menino Jesus segura em seus braços uma cruz. A Virgem e seu divino Filho portam túnicas e mantos primorosamente lavrados.

Hoje, tantas pessoas estão no desamparo, sobretudo espiritual.

Se Nossa Senhora enviou três anjos para o socorro material dos homens no século XV, com quanto mais razão não enviará Ela legiões de espíritos angélicos para nos proporcionar auxílio sobrenatural contra a degenerescência moral catastrófica em que o mundo se encontra!

É preciso pedirmos com fé, perseverança, humildade e confiança: Nossa Senhora dos Desamparados, socorrei-nos a nós abandonados neste mundo neopagão, e que não temos outro auxílio fora de Vós!

A festa de Nossa Senhora dos Desamparados é celebrada no segundo domingo de maio.

(*) Nossa Senhora dos Desamparados é também padroeira da Costa Rica.

(Fonte: Conde de Fabraquer, Historia. Tradiciones y Leyendas de Ias imágenes de la Virgen aparecidas en España, Tomo I, Imprenta y Litografia de D. Juan José Martinez, Madrid, 1861, pp. 147 a 202).


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domingo, 14 de fevereiro de 2016

De vingador a santo ermitão

São João Gualberto. Giovanni del Biondo (ativo 1356-1399), Basílica de Santa Croce, Florença.
São João Gualberto. Giovanni del Biondo (ativo 1356-1399),
Basílica de Santa Croce, Florença.



João Gualberto era homem como outros. Trazia uma espada à cinta e costumava viver metido em brigas e desafios.

Tinha um irmão a quem amava com toda a sua alma. Um dia, porém, um malvado matou o seu irmão.

Gualberto conhecia muito bem o assassino, e daquele dia em diante procurava ocasião de varar-lhe o peito com sua espada. Ele o havia jurado e assim o faria.


Era uma Sexta-feira Santa. João Gualberto montou a cavalo e saiu a passear pelo campo… Foi andando, até que se meteu num caminho estreito entre penhascos muito altos.

Nesse momento vê que vem ao seu encontro um viandante… fixa-o… conhece-o… e, veloz como um raio, salta do seu cavalo.

Era o assassino de seu irmão. Ali o tinha diante de si; podia saciar seus desejos de vingança, e grita:

— Canalha! Assassino! por Barrabás que agora mesmo morres em minhas mãos.

E, desembainhando a espada, lança-se sobre o outro.

Nesse momento, o assassino, que ia desarmado, prostra-se-lhe aos pés e, com voz angustiosa e com os braços em cruz, dirigi-lhe esta súplica:

Milagre de São João Gualberto. Bicci di Lorenzo ( (1373–1452), col. part.
Milagre de São João Gualberto. Bicci di Lorenzo ( (1373–1452), col. part.
— Irmão, hoje é Sexta-feira Santa; por amor de Cristo crucificado, perdoa-me!…

Que se passou então no coração de Gualberto?

Conteve-se; ergueu os olhos ao céu… olhou para a cruz gravada em sua espada… Pensou em Jesus Cristo que do alto da cruz perdoara a seus crucificadores.

— Irmão — disse Gualberto ao assassino — por amor de Jesus Cristo eu te perdoo.

Despediram-se. O assassino afastou-se arrependido e dando graças a Deus. Gualberto entrou numa capela que encontrou no caminho.

Ajoelhou-se diante do Cristo que ali estava pregado na cruz. Tirou a espada, suspendeu-a aos pés daquela Vitima divina e jurou aos pés da mesma deixar tudo e enveredar pelo caminho da santidade. E assim fez.

A Igreja comemora a festa de São Gualberto a 12 de julho.

(Fonte: “Tesouro de exemplos” – Pe. Francisco Alves).



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