segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mariazell "A cela de Maria", o santuário mais visitado da Europa Central


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Uma pequena cela de um monge, transformada em monumental basílica, é hoje o santuário mais visitado da Europa Central. Peregrinos recorrem à milagrosa imagem de Nossa Senhora desse santuário da Áustria.

Foi no ano de 1157 que o abade Otker, do mosteiro beneditino de São Lamberto, enviou Magno, um de seus monges, para pregar num dos rincões de sua vasta jurisdição. Magno preparou-se para a missão. Havia ainda naquelas longínquas plagas muitos pagãos, ao longo dos sombrios vales entre altas montanhas. Magno temia o desamparo, uma vez em missão.

Surgindo dificuldades, com quem se aconselharia? A quem pediria socorro? Por isso levou, com licença superior, uma pequena imagem de Nossa Senhora, talhada em madeira de tília.

O milagre de Mariazell

Aproximando-se o Natal, dirigiu-se Magno a um povoado, onde desejava pregar "aos que viviam em cego paganismo" e dar também assistência espiritual aos cristãos. A aldeia ficava mais longe do que ele pensava. Viajava o santo religioso vários dias, sem viva alma encontrar.

Estaria perdido? O rumo que havia tomado era correto? Seus mantimentos chegavam ao fim. Impossível retornar ao ponto de partida, onde deixara conhecidos. Não havia estradas nem caminhos batidos, naquele tempo. Numa senda pedregosa escurecida pela floresta, íngreme subida estreita e perigosa.

Uma grande pedra, desprendida do alto, barrava-lhe o caminho. Impossível movê-la. Magno não tinha a quem pedir ajuda.

Voltou-se então fervorosamente a Nossa Senhora, através da pequena imagem que levava.

Em oração, viu de repente o grande bloco fender-se, deixando-lhe livre a passagem. Nesse lugar, no penhasco de Sigismundberg, não muito longe de Mariazell, se encontra hoje uma capela, chamada "Origem de Mariazell".

Uma vez em seu destino, Magno narrou a todos o acontecido. Curiosos, uns e outros começam a se aproximar da imagem, que convidava à confiança. Aos poucos pedem graças, e são concedidos em abundância. Multiplicam-se os fiéis. Magno coloca respeitosamente a imagem sobre um tronco de árvore e começa a construir uma cela (termo que designa, nos mosteiros e conventos, o pequeno quarto dos religiosos), que serviria ao mesmo tempo de capela para sua Protetora e de abrigo para ele.

Nessa cela, ambos começam a prodigalizar benefícios a quem pedia: ele dá assistência espiritual, conforme a ordem recebida de seu superior; Ela faz milagres. Assim, a cela do monge, onde estava a pequena imagem, tornou-se procurada por crescente número de fiéis. A "Cella Mariae", Mariazell (Cela de Maria, em português), deu nome ao lugar.

Multidões passaram a visitá-lo. Uma igreja foi construída por volta de 1200, oferecida pelo conde Henrique de Mähren e sua esposa, assim honrando a milagrosa estátua após cura de grave doença.

Essa igreja transformou-se em basílica, que é o santuário mais visitado da Europa Central. Nela se encontra, sob o altar principal, aquele tronco cortado por Magno, primeiro altar da imagem..

E a pequena Maria, atraindo ainda hoje peregrinos de todas as nações que outrora pertenceram ao Império Austro-húngaro, tem hoje o título de Magna Mater Austriae, Magna Domina Hungarorum, Alma Mater Gentium Slavorum (Grande Mãe da Áustria, Rainha dos Húngaros e Senhora dos Povos Eslavos).

Não só orações foram ali atendidas, mas também inúmeras curas de doenças do corpo e da alma. Não faltaram conversões.

Na basílica se vêem incontáveis ex-votos, quadros retratando milagres, presentes feitos ao santuário em agradecimento de favores extraordinários e de curas obtidas pela intercessão da Mãe de Deus. O livro "Mariazell", de Iolanthe Habwander, narra alguns fatos impressionantes ali acontecidos.

O Padre Anton Maria Schwartz, fundador da ordem dos Calasantinos, recebeu ali uma graça notável. Corria o ano de 1907 quando ele foi rezar junto à imagem milagrosa, suplicando-lhe o atendimento de um grande anseio. Desejava comprar, em Viena, uma casa apropriada à sua comunidade nascente, mas faltavam-lhe recursos.

Terminando a celebração de uma Missa solene na histórica capela, foi para a sacristia. Uma senhora de grande distinção veio até ele, e disse ter recebido, em oração junto à imagem, a inspiração de auxiliar os Calasantinos.

"Como posso ajudá-lo?", perguntou ao Pe. Schwartz. Ao que ele respondeu: "A senhora certamente não me pode ajudar, pois necessito nada menos que 150.000 Coroas". Ao que ela respondeu: "Está bem. O senhor terá a quantia desejada!". Ela manteve a promessa. Em agradecimento pelo atendimento extraordinário do pedido, a casa comprada recebeu o nome de "Casa da Imaculada".

Um ruidoso exorcismo, feito em 1370, é lembrado por um quadro posto na basílica e por figuras sobre o portal principal. Ele consta como sendo o primeiro grande milagre. Tratava-se de uma mãe que, tendo matado seu filho, tornara-se possessa.

Luta contra o comunismo

Quando o Padre Petrus Pavlicek fundou a Cruzada do Rosário e da Reparação, pedindo a libertação da Áustria do jugo comunista, foi em torno de Mariazell que ele reagrupou seus fiéis.

Sua Cruzada teve um resultado inteiramente milagroso. Os russos deixaram o país pouco depois, em 1954 (vide artigo em Catolicismo de maio/1998).

O grande Cardeal Mindszenty, arcebispo príncipe e primaz da Hungria, perseguido pelo regime comunista e verdadeiro mártir de nosso tempo, desejou ser enterrado em Mariazell, e de fato teve lá sua primeira sepultura, em 1975, atualmente muito visitada.

Nestes tempos de impiedade, o fluxo dos peregrinos não é mais como nos tempos da monarquia austro-húngara.

Mas incontáveis são os que ainda para lá se dirigem a pé, solitários ou em família. Há peregrinações femininas, estudantis, de motociclistas, de diferentes paróquias, e muitas outras.

Até mesmo — o que faz parte da confusão de nossos dias — uma ministra socialista foi a pé, pagando promessa. Principal santuário da Europa Central, Mariazell recebe anualmente um milhão de visitantes, peregrinos em sua maioria.

A atmosfera desse lugar santo, propícia ao contato com Nossa Senhora, é certamente devida à influência dos beneditinos, constante através dos séculos, desde os dias de sua fundação. No recolhido silêncio, sente-se que a Senhora dos Corações tem muito a dizer às almas. Cada um sente-se olhado por Ela. Ela nos vê, ouve, socorre.

A Festa de Nossa Senhora de Mariazell é celebrada no dia 13 de setembro de cada ano. Celebrações especiais também ocorrem em Mariazell no dia 15 de agosto (Festa da Assunção de Nossa Senhora) e no dia 8 de setembro (Natividade de Nossa Senhora).



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domingo, 3 de julho de 2016

A Ladainha Lauretana

Nossa Senhora de Loreto, imagem venerada na Santa Casa, na Basílica de Loreto, Itália
Nossa Senhora de Loreto, imagem venerada na Santa Casa,
na Basílica de Loreto, Itália.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



A palavra ladainha é grega em sua origem, e significa uma súplica séria e cordial. [...]

Santo Irineu, discípulo de São Policarpo, testemunha que as ladainhas já estavam em uso em seu tempo, e as denomina uma súplica.

Santo Ambrósio faz retroceder sua origem aos tempos apostólicos e corrobora sua opinião com a autoridade de São Paulo escrevendo a Timóteo (I, 2-1):

Conjuro-vos antes de tudo que se façam súplicas, orações, petições e ações de graças por todos os homens. Isto era sancionar as ladainhas e exortar vivamente a recitá-las. [...]

A história não nos dá certeza alguma quanto ao autor das ladainhas. Podemos dizer que são mais antigas que o mais antigo dos autores, porque pretendemos que Deus mesmo é seu autor.

* * *

Os frutos e a utilidade das ladainhas na Igreja de Deus são inumeráveis. Serviram para destruir os males da alma e do corpo; para fazer cessar as chuvas demasiado abundantes, as tormentas, os terremotos; para livrar da fome e da seca, da guerra, dos assédios; para obter a abundância dos frutos da terra; para apartar outros vários males e para alcançar numerosos benefícios. [...]

“Entende-se por ladainha uma fórmula santa de orações dirigidas a Deus por meio da invocação dos santos.

Antes de tudo, roga-se a Deus e à Santíssima Trindade, como Autor e Pai das misericórdias.

Pede-se em seguida, muito especialmente, a intercessão da Virgem.

Depois, como nas ladainhas dos Santos, suplica-se a todos, nominalmente ou em geral, que roguem por nós”.

Se me perguntais por que foi consagrada especialmente uma ladainha à Santa Mãe de Deus, e por que a enriqueceram com privilégios, responder-vos-ei que isto foi, primeiro, por causa da dignidade especial da Mãe de Deus; segundo, por causa do amor especial da Igreja para com Ela; terceiro, por causa de seu favor e patrocínio, também especiais; e, quarto, para excitar maior devoção aos fiéis. [...]

Com efeito, se bem que os ouvidos dos santos estejam abertos sempre para todos os desgraçados, a Bem-aventurada Virgem nos é mais especialmente propícia, como mais próxima de Deus, a fonte do amor; primeira em dignidade, superior em méritos e, sob todos aspectos, mais amável.

É, pois, mui digno e mui justo que a honremos com um culto especial e com uma devoção maior, como à Patrona de uma dignidade e de um poder também maiores.

Interior da Santa Casa onde aconteceu a Anunciação do Anjo e a Encarnação do Verbo.
Interior da Santa Casa onde aconteceu a Anunciação do Anjo e a Encarnação do Verbo.

A ladainha da Bem-aventurada Virgem Maria é comumente cantada em todas as igrejas, e sem embargo, mas é conhecida como lauretana em lembrança da igreja de Loreto.

A causa está em que a Santa Casa de Loreto sobrepujou todas as basílicas construídas em honra da Mãe de Deus, não só na Itália, como também nos demais locais. Nenhuma, no universo, é mais augusta, mais antiga, mais santa ou mais célebre. [...]

Esta augusta Casa, em que habitou a Santíssima Virgem, Mãe de Deus, permaneceu em Nazaré até o ano de 1291.

Quando os cristãos foram expulsos da Síria e a cidade de Trípoli destruída, os habitantes do país e os estrangeiros deixaram de render à santa Casa as homenagens que lhe eram devidas; então ela foi arrancada de seus fundamentos, pelo ministério dos Anjos, e transportada através das terras e dos mares, da Galiléia à Dalmácia; atravessando assim uma distância de dois milhões de passos, foi depositada em uma montanha que separa as cidades de Tersat e Fiume.

Quatro anos depois, a Itália recebeu uma honra inestimável, que foi uma mostra brilhante da proteção divina: a Santa Casa de Nazaré foi transportada da Dalmácia à Itália.



* * *

A ladainha da Santíssima Virgem contém três categorias de louvores. Primeiro, invoca-se e louva-se o nome de Maria: Santa Maria.

Em segundo lugar, recordam-se sua missão e seu título de Mãe de Deus, suas virtudes, suas nobres qualidades e seus benefícios; e isto de duas maneiras: por palavras próprias e sob a imagem das metáforas.

Loreto entrada da Basílica que custodia a Casa da Sagrada Família.
Loreto: entrada da Basílica que custodia a Casa da Sagrada Família.
Pelas palavras próprias, a missão e o título de Maria, suas qualidades e suas virtudes, são celebrados nestes termos: Santa Mãe de Deus, Santa virgem das virgens, Mãe de Cristo, Mãe da divina graça, Mãe puríssima, Mãe castíssima, sempre Virgem Mãe, Mãe imaculada, Mãe amável, Mãe admirável, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Virgem prudentíssima, Virgem venerável, Virgem digna de todo louvor, Virgem poderosa, Virgem clemente, Virgem fiel.

Sob a imagem das metáforas, Ela é louvada nestes termos: Espelho de justiça, Trono de sabedoria, Causa de nossa alegria, Vaso cheio dos dons do Espírito Santo, Vaso de honra, Vaso insigne de devoção, Rosa mística, Torre de David, Torre de marfim, Casa de ouro, Arca da aliança, Porta do Céu, Estrela da manhã.

Os benefícios para sempre memoráveis de Maria são assim celebrados: Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consolo dos aflitos, Auxílio dos cristãos.

Em terceiro lugar, a grandeza da Bem-aventurada Virgem Maria é celebrada com os títulos de Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha das Virgens, Rainha de todos os Santos.

A Ladainha de Loreto é um breviário e resumo engenhosíssimo dos títulos e glórias da Rainha dos céus.




(Autor: P. Justino de Miechow, O.P. (1594-1640), Excertos de Conferencias sobre las Letanías de la Santíssima Virgem, Madrid, 1881, tomo I, pp. 5 e ss.)


LITANIAE LAURETANAE
(em latim)

V. Kyrie eléison.
     Chríste eléison.
R. Kyrie eléison.
V. Chríste, áudi nos.
R. Chríste, exaudi nos.
Páter de caélis, Deus – Miserére nobis.
Fili Redémptor mundi, Deus,
Spíritus Sáncte, Deus,
Sáncta Trínitas, unus Deus,




Sáncta Maria – Ora pro nóbis
Sáncta Dei Genitrix,
Sáncta Vírgo vírginum,
Máter Chrísti,
Máter divínae grátiae,
Máter puríssima,
Máter castíssima,
Máter inviolata,
Máter intemeráta,
Máter amábilis,
Máter admirábilis,
Máter boni consílii,
Máter Creatóris,
Máter Salvatóris,
Máter et decor Carméli,
Virgo prudentíssima
Virgo veneranda
Vírgo praedicánda,
Vírgo pótens,
Vírgo clémens,
Vírgo fidélis,
Vírgo flos Carméli,
Spéculum justítiae,
Sédes sapiéntiae,
Causa nostrae laetítiae,
Vas spirituále,
Vas honorábile,
Vas insígne devotiónis,
Rosa mystica,
Turris Davídica,
Turris ebúrnea,
Domus áurea,
Foéderis arca,
Jánua coéli,
Stella matutína,
Salus infirmórum,
Refúgium peccatórum,
Consolátrix afflictórum,
Auxílium christianórum,
Patróna carmelitárum,
Regína angelórum,
Regína patriarchárum,
Regína prophetárum,
Regína apostolórum,
Regína mártyrum,
Regína confessórum,
Regína vírginum,
Regína sanctórum ómnium,
Regína sine labe origináli concépta,
Regína in coélum assúmpta,
Regína sacratíssimi Rosárii,
Regina pacis,
Spes ómnium carmelitárum,

V. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi,
R. Parce nobis, Dómine.
V. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi,
R. Exáudi nos, Dómine.
V. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi,
R. Miserére nobis.

V. Ora pro nóbis, Sáncta Dei Génitrix,
R. Ut digni efficiámur promissiónibus Chrísti.

Oremus: Concede nos fámulos túos, quaésumus, Dómine Deus, perpétua mentis et córporis sanitáte gaudére: et gloriosa Beátae Maríae semper Vírginis intercessióne, a praesénte liberári tristítia, et aetérna pérfrui laetítia. Per Christum Dóminum nóstrum. Amen.


LADAINHA LAURETANA
(em português)

Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, ouvi-nos
Jesus Cristo, atendei-nos
Pai celeste que sois Deus – Tende piedade de nós
Filho, redentor do mundo, que sois Deus – Tende piedade de nós
Espírito Santo, que sois Deus – Tende piedade de nós
Santíssima Trindade, que sois um só Deus – Tende piedade de nós

Santa Maria – Rogai por nós
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada
Mãe intacta,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Mãe e decoro do Carmelo
Virgem prudentíssima
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem benigna,
Virgem fiel,
Virgem flor do Carmelo,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa de nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de David,
Torre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Padroeira dos carmelitas,
Rainha dos anjos,
Rainha dos patriarcas,
Rainha dos profetas,
Rainha dos apóstolos,
Rainha dos mártires,
Rainha dos confessores,
Rainha das virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao Céu,
Rainha do santo Rosário,
Rainha da paz,
Esperança de todos os carmelitas,

V. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo
R. Perdoai-nos Senhor.
V. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo
R. Ouvi-nos, Senhor.
V. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo.
R. Tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Senhor Deus, nós vos suplicamos que concedais a vossos servos lograr perpétua saúde de alma e corpo; e que pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.





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domingo, 19 de junho de 2016

Anjos levaram a casa de Maria de Nazareth a Loreto:
única tese que resiste à crítica científica

Translação da Santa Casa de Loreto.  Pintura anônima do século XVII, México
Translação da Santa Casa de Loreto.
Pintura anônima do século XVII, México
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Numa conferência promovida pelo Centro Cultural “Amici del Timone” de Staggia Senese, Itália, sobre “A santa Casa. História da incrível translação angélica da Casa de Maria de Nazareth a Loreto”, se desenvolveu ainda mais um tema que interroga à engenharia.

Com efeito, na cidade de Loreto, região Marche, há séculos se encontra a Santa Casa, onde nasceu Nossa Senhora e onde Ela recebeu o Anúncio da Encarnação pela voz do Arcanjo São Gabriel.

Porém, o fato se deu em Nazaré, Terra Santa. E ali se encontram os fundamentos da mesma Santa Casa. Esses, comparados com as dimensões e características Casa de Loreto coincidem perfeitamente. E as afinidades e concordâncias não acabam por ali.

Como é que a Santa Casa se descolou, por assim dizer, da sapata e foi aparecer íntegra a perto de 3.000 quilômetros de distância e ali permanece até hoje, também íntegra?


A translação aconteceu no século XIII, segundo provas históricas. Mas, como ela pode ter sido feita considerando a pobreza dos recursos tecnológicos da época?

Ela é atribuída a uma ação angélica reconhecida oficialmente por Papas e defendida por santos. Mas, essas autorizadas aprovações não visam explicar o procedimento material que transportou um objeto do tamanho de uma casa de um continente a outro no período máximo de uma noite.

Entretanto, essa translação está confirmada com provas históricas, documentais e arqueológicas. A ciência mais uma vez confirma a Igreja para pasmo de muitos.

O professor Giorgio Nicolini que consagrou sua vida de estudo e investigação ao caso, falou em dito Congresso. Com argumentos das referidas ciências, ele considera demonstrada a veradicidade histórica do miraculoso traslado.

Segundo ele expôs na conferência, existem muitos documentos e testemunhos oculares do traslado, inexplicável à luz das ciências e técnicas humanas.

O professor Nicolini estabeleceu uma cronologia da mudança de local.

Santa Casa, percurso de Nazareth até Loreto
Santa Casa, percurso de Nazareth até Loreto
1. No dia 9 de maio de 1291 a Santa Casa se encontrava ainda em Nazareth.

2. Na noite entre 9 e 10 de maio de 1291 ela percorreu aproximadamente 3.000 quilômetros e chegou a Tersatto, na região da Dalmácia, onde hoje fica a cidade de Fiume.

Naquela ocasião, o senhor feudal de Tersatto, Nicolò Frangipane, enviou pessoalmente uma delegação a Nazareth, para constatar se em verdade a Santa Casa tivesse desaparecido de seu lugar original.

Os emissários não só constataram a desaparição, mas encontraram a sapata sobre a qual a Casa havia sido construída e de onde as paredes tinham sido tiradas em bloco.

Esses fundamentos estão em Nazareth e em torno deles foi construída a basílica da Anunciação. Em Loreto se encontra a Casa desprovida de baseamento e apoiada diretamente no chão.

3. Na noite entre os dias 9 e 10 de dezembro de 1294, a Santa Casa desapareceu de Tersatto e pousou “em diversos lugares” da Itália. Ela ficou durante nove meses numa colina sobre o porto de Ancona, que por isso mesmo passou a ser denominada “Posatora”, do latim “posat et ora”.

No local foi edificada uma igreja como lembrança do fato segundo registrou na época um sacerdote que assina don Matteo, provavelmente testemunha ocular.

Também duas lápides comemoram o fato. Uma é da mesma época do evento, e está escrita em latim vulgar antigo. A outra está escrita em vernáculo, é do século XVI e é uma cópia da mais velha.

A lápide mais antiga de Posatora já falava de “Nossa Senhora de Loreto” ficando claro que a inscrição foi feita após a partida do local.

4. Em 1295, após nove meses em Posatora a Santa Casa foi trasladada a uma floresta que pertencia a uma mulher de nome Loreta, na proximidade da cidade de Recanati. De ali provém o nome Loreto.

5. Entre 1295 e 1296, após permanecer oito meses nesse local, a Santa Casa foi transportada milagrosamente até uma roça que pertencia a dois irmãos da família Antici, sobre o Monte Prodo.

6. Em 1296, após quatro meses na dita roça, a Santa Casa partiu e foi pousar num sendeiro público que ligava Recanati e Ancona, sobre o Monte Prodo, onde ainda se encontra.

A Santa Casa em Loreto, estado atual do interior da casa de Nossa Senhora.
A Santa Casa em Loreto, estado atual do interior da casa de Nossa Senhora.
Muitíssimos outros elementos atestam a veracidade histórica do traslado inexplicável. Três igrejas foram construídas em Ancona – duas ainda existentes – lembrando que testemunhas oculares viram chegar a Santa Casa “voando” a Ancona e a parada em Posatora.

Acresce que em Forìo, na Ilha de Ischia, os pescadores da ilha que comerciavam com Ancona voltaram narrando dos fatos que tinham se dado em 1295.

O relato moveu os habitantes da cidade a erigir uma Basílica consagrada a “Santa Maria di Loreto”. Eles também viram com seus próprios olhos a Santa Casa em Ancona.

O culto das milagrosas translações foi aprovado por diversos bispos da região. As aprovações dos Papas foram sendo renovadas durante séculos até a instituição da Festa da Translação no dia 10 de dezembro de todo ano, definitivamente estabelecida por Urbano VIII em 1624.

A translação foi reconhecida por diversos Sumos Pontífices, entre os quais Paulo II, Júlio II, Leão X, Pio IX, Leão XIII e Pio XI. Os respectivos documentos em que os Papas reconhecem o fato como sobrenatural além de seu valor religioso têm reconhecido o valor de documento pela ciência histórica.

O professor Nicolini apontou a mentalidade materialista, ora agnóstica e ateia, ora protestante envolvida em papel Bíblia, que pretende desacreditar a autenticidade da Santa Casa venerada em Loreto.

Em certo sentido, essa oposição estimulou um aprofundamento dos estudos que demonstraram ser originária da Terra Santa. Provam isso a composição química da massa com que foi construída a casa, sua forma e muitos pormenores arquitetônicos.

Contra a translação angélica, forjou-se até a novela de que uma fantasiosa família principesca de Epiro chamada “Angeli” teria desmontado a Casa e a teria transportado tijolo por tijolo a pedido dos Cruzados que estavam vendo o avanço destrutor dos muçulmanos.

Vidro no chão permite observar que os muros sem alicerces estão ainda apoiados na terra e parte no vácuo
Vidro no chão permite observar que os muros sem alicerces
estão ainda apoiados na terra e parte no vácuo
Tal família teria depois reconstruído a casa em Loreto. Nas condições de transporte do século XIII tal operação teria sido uma façanha mais miraculosa de que a translação angélica.

As pedras e tijolos estão unidos com uma massa cuja composição físico-química só se encontra na Palestina. E precisamente na região de Nazareth, inexistindo em qualquer parte de Marche e ou de qualquer outro lugar da Itália.

Acresce que se se a Casa foi desmontada e restaurada em diversos locais por mão humana – como pretende a imaginosa objeção – não se entende como teria sido possível conservar as exatas proporções geométricas da casa de Nazareth cujos fundamentos hoje batem perfeitamente com os muros de Loreto.

Vidro no pavimento da Santa Casa de Loreto permite ver que ela não tem sapata
Vidro no pavimento da Santa Casa de Loreto permite ver que ela não tem sapata
Tampouco teria sido possível que ninguém percebesse que a Casa estava sendo desmontada e depois reconstruída, e ainda no breve lapso de uma noite no centro do santuário de Nazareth e depois na Itália.

Mais inexplicável ainda é o fato de a Santa Casa ter sido finalmente depositada cortando uma velha estrada de terra. Nessa estrada a passagem dos animais e das charretes abriu naturalmente valetas no centro da estrada, elevou as margens que, por sua vez geraram canaletas em ambos os lados.

Dessa maneira, os muros sem alicerces estão ainda apoiados na terra e parte no vácuo. Isso hoje pode ser verificado pelos peregrinos através de um vidro no chão.

Acresce que a Prefeitura de Recanati já naquela época havia proibido construir casas nas estradas públicas e ordenou demolir todos os prédios que fossem feitos em violação da norma.

Como é que então poderia ter sido refeita uma casa cortando a estrada sem que ninguém percebesse?

Outra grade dificuldade provém da ausência de meios naquela época para transportar uma casa inteira, ainda que desmontada tijolo por tijolo e pedra por pedra. Tratar-se-ia de algumas toneladas.

O transporte por terra teria sido ímprobo pela demora e pela quantidade de charretes, animais e homens necessários.

Por mar, embora mais factível, teria sido também demorado e sujeito a perdas pelas tempestades.

Mais complicado ainda seria cortar os muros em partes e leva-las sem desmanchar numa viagem de 3.000 quilômetros e depois recolá-las sem deixar sinais dos pontos de junção.

Uma das capelas da basílica da Santa Casa, em Loreto
Uma das capelas da basílica da Santa Casa,
em Loreto
Esses fatores materiais, explicou o prof. Nicolini, postulam a impossibilidade de um transporte com os meios técnicos da época.

Também é errada e falsa a interpretação do documento em que se baseia a teoria descartada.

O Prof. Andrea Nicolotti, da Universidade de Estudos Históricos de Turim, após aprofundado exame, concluiu ser uma “falsidade histórica” a interpretação do “Chartularium Culisanense” de onde se pretende tirar a ideia de um transporte por obra de homem.

Na única linha desse documento que fala da Santa Casa está escrito textualmente: “As Santas Pedras tiradas da Santa Casa de Nossa Senhora a Virgem Madre de Deus”.

Fica evidente que o documento não fala de toda uma Casa, mas só de algumas pedras de uma casa cuja localização não é mencionada.

Acontece que Nossa Senhora residiu em outras casas. Por exemplo, os Evangelhos mencionam a casa de São João, depois da crucificação de Jesus: “Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (João, 19, 27).

E também a casa de Éfeso, hoje na Turquia, onde é visitada por inúmeros romeiros, onde Nossa Senhora se refugiou com São João para fugir da perseguição da Sinagoga.

Por isso é razoável concluir que dito documento – se for verdadeiro – não se refere nem mesmo à Casa de Nazareth.

Da longa e detalhada demonstração do professor Nicolini se deduz que é muito mais razoável supor a translação angélica resultante de uma obra maravilhosa de Deus, para quem nada é impossível e que tem operado milagres bem maiores do que esse.

Uma translação operada por mãos humanas deveria ser considerada um evento ainda mais milagroso do que a efetivada por obra dos anjos.


Vídeo: Santa Casa de Loreto: a translação milagrosa e a ciência




Entrevista ao Prof. Nicolini, em Posatora, um dos locais onde posou a Santa Casa.





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domingo, 5 de junho de 2016

Nossa Senhora da Conceição da Escada; antiga devoção mariana popular de Portugal e do Brasil, ligada ao mar

Nossa Senhora da Escada, Lisboa, Portugal. Fundo: castelo de São Jorge
Nossa Senhora da Escada, Lisboa, Portugal. Fundo: castelo de São Jorge
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Não é de estranhar que, pela acentuada vocação marítima de Portugal, tenha sido a devoção dos marinheiros de Lisboa uma das mais populares no país, e, por essa razão, uma das primeiras a se implantar no Brasil.

Escada?

Que nome estranho para designar uma devoção a Nossa Senhora, poderão pensar alguns ao ouvi-lo.

Outros, mais eruditos, estabelecerão talvez um nexo com a escada de Jacó, narrada na Sagrada Escritura, pois o Patriarca sonhou com uma escada que levava ao Céu.

De modo análogo, Nossa Senhora leva ao Céu, logo... E ainda outros, quiçá, relacionarão o nome com imagens da Paixão de Cristo, dado que, muitas vezes, Nossa Senhora aparece ao lado da escada utilizada para descer o corpo de seu Divino Filho da cruz.

O que ninguém consegue imaginar é a razão verdadeira da invocação Nossa Senhora da Conceição da Escada.

Na origem do nome, singeleza de circunstâncias naturais

Qualquer pessoa dotada de cultura básica conhece a enorme importância que tiveram as navegações e descobrimentos portugueses nos séculos XV e XVI, bem como o fato de terem sido os navegantes lusos que uniram, por via marítima, diversos continentes.

E que tal epopeia ocorreu mediante viagens realizadas a bordo de navios que, se comparados aos de hoje, eram semelhantes a frágeis cascas de nozes.

Coragem não faltou aos navegantes daquela época. Também não faltou fé e fortaleza para correr todos os riscos. E tal fé dos marinheiros lusos encontrava uma expressão encantadora na devoção a Nossa Senhora da Conceição da Escada, na cidade de Lisboa.

A imagem original da Virgem Santíssima – que depois ficou conhecida sob essa invocação – é muito antiga, anterior à reconquista da cidade aos mouros, em 1147.

Ela se encontrava em uma capela situada à margem do rio Tejo. Ao partir, os marinheiros encomendavam-lhe seus trabalhos, e agradeciam sua proteção ao voltar. Como a margem do rio é elevada, precisavam subir ou descer os 31 degraus que separam a capela do rio.

A devoção a Nossa Senhora da Escada se espalhou pelo Brasil. Nossa Senhora da Escada, Escada, PE
A devoção a Nossa Senhora da Escada se espalhou pelo Brasil.
Nossa Senhora da Escada, Escada, PE
Por isto, com a passar do tempo, a imagem de Nossa Senhora da Conceição começou a ser chamada de Conceição da Escada, para diferenciá-la de outras imagens de Nossa Senhora da Conceição.

Desse fato resultou que a imagem passou a ser conhecida como Nossa Senhora da Escada.

Dada a importância que a vida ligada ao mar tinha para o povo português naquela época, é compreensível que a referida imagem fosse das mais veneradas.

De onde se explica que, cada vez que se decidia a realização de procissões para celebrar tal ou qual vitória, ou pedir proteção contra este ou aquele flagelo, eram as procissões da capela de Nossa Senhora da Escada das mais concorridas.

Com o tempo, começaram a acorrer à capela pessoas em barcos de locais longínquos, a fim de cumprir promessas e votos, bem como agradecer favores recebidos. Numa determinada época, realizava-se uma procissão com tochas acesas, provavelmente à noite, que descia o rio até chegar à capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição da Escada.

Vitória de Aljubarrota fortalece devoção

A procissão mais importante, porém, era a que comemorava a vitória dos portugueses em Aljubarrota, no ano de 1385.

As tropas portuguesas, comandadas pelo Venerável Nun'Álvares Pereira, lutavam não só para defender a independência do país, mas sobretudo para este não cair no cisma que ameaçava dividir a Cristandade, já que o Rei de Castela na ocasião apoiava um antipapa.

Após travarem a luta em condições de inferioridade numérica, os portugueses obtiveram memorável vitória.

Ao ter notícia do triunfo, o povo acudiu em massa aos diversos santuários do país, e um dos mais concorridos foi o de Nossa Senhora da Escada, onde pessoas de todas as classes sociais se dirigiram para agradecer a Nossa Senhora a insigne proteção.

Que tenham sido de todas as classes sociais não é de estranhar, pois à Marinha dedicavam-se representantes de todos os segmentos sociais da época. Desde os nobres mais elevados que comandavam as armadas com destino à África ou à Ásia, até os mais humildes servidores.

Devoção expande-se para Bahia e São Paulo

Com as descobertas marítimas que iam sendo feitas, a Fé católica ia se expandindo. Por isso, ao dominar novos territórios, uma das primeiras preocupações dos portugueses era ensinar as verdades da Fé aos habitantes do local.

E nada melhor para consolidar uma alma no caminho da verdadeira Religião do que ensiná-la a amar e confiar nAquela que é a Mãe de Deus, e por isso mesmo, nossa advogada.

A devoção a Nossa Senhora da Escada se espalhou pelo Brasil. Nossa Senhora da Escada, Guararema, SP
A devoção a Nossa Senhora da Escada se espalhou pelo Brasil.
Nossa Senhora da Escada, Guararema, SP
Como dois dos primeiros locais a serem colonizados em nosso País foram a Bahia de Todos os Santos e zonas na região próximas ao litoral de São Paulo, é compreensível que aí se encontrem as duas capelas dedicadas a Nossa Senhora da Escada.

A existente na Bahia apresenta uma característica muito antiga, da época da escravidão: os escravos, quando ainda não batizados, não podiam ficar dentro da Igreja, permanecendo num alpendre junto à entrada. É por isso que o pequeno templo possui um amplo alpendre.

A outra capela situava-se numa vila chamada Escada, nome este proveniente da própria invocação mariana. Tal capela está situada cerca de Guararema, cidade a 80 quilômetros da capital paulista. Devido à sua proximidade do rio Paraíba, essa vila era frequentada tanto por pescadores como por viajantes que navegavam rumo ao Rio de Janeiro.

Quando passou por lá, em 1717, o Conde de Assumar, Governador de São Paulo, Escada era uma vila que já possuía sua própria Câmara Municipal. Mas o pequeno núcleo não prosperou, e com sua decadência também foi minguando a devoção mariana que lhe deu origem.

As devoções marianas não constituem, via de regra, um fruto artificial, ocasionado por algum interesse humano. Elas florescem naturalmente quando Nossa Senhora distribui suas graças, valendo-se, por exemplo, de uma imagem sob esta ou aquela invocação.

E se o povo é verdadeiramente piedoso, costuma corresponder a essas graças, propaga-se naturalmente a devoção Àquela que o sustenta nas duras lutas da vida.

Quando, porém, a população decai em fervor e não mais invoca a Virgem Santíssima, as devoções ligadas a alguma capela ou imagem também por vezes decaem.

As pessoas deixam de frequentar o local, e vão se esquecendo das graças recebidas.

Nessas condições, não raro Nossa Senhora opera novo prodígio, a fim de reerguer a antiga devoção. Mas, infelizmente, nem sempre os homens correspondem à nova manifestação da bondade materna.

Dois terremotos e decadência da devoção

Foi o que aconteceu com a imagem de Nossa Senhora da Escada em Portugal. Em 1531 um terremoto destruiu a capela, que foi reedificada. Mas como a devoção continuava decaindo aos poucos, permitiu Nossa Senhora que novo terremoto em Lisboa, mais terrível que o anterior, destruísse o pequeno templo em 1755.

Nos dois casos, os edifícios que abrigavam a imagem foram destruídos, salvando-se contudo, milagrosamente, entre as ruínas, tanto a efígie mariana como o altar em que ela se encontrava.

A decadência do culto a Nossa Senhora sob essa invocação havia chegado a tal ponto, que a capela da Escada não foi mais reconstruída.

Nossa Senhora da Escada, Barueri - SP
Nossa Senhora da Escada, Barueri - SP
Por isso, a primitiva imagem foi levada para o templo de Nossa Senhora das Mercês em Lisboa, onde se encontra até hoje. Pareceria um triste fim de uma invocação mariana antes tão difundida.

Renascimento promissor

Entretanto, a devoção não morreu. Ela deitou raízes em nosso País, surgindo várias capelas a ela dedicadas,.

É o caso da que foi edificada na vila da Escada, acima referida, no Estado de São Paulo, e anos atrás em Curitiba, no bairro Novo Mundo.

Peçamos à Mãe de Deus que este seja um sinal do revigoramento dessa bela devoção tão acendrada em nossos ancestrais lusos, especialmente os navegadores, que a trouxeram para a Terra de Santa Cruz.

Nossa Senhora da Conceição da Escada é a Padroeira da cidade de Barueri, cuja festa celebra-se em 21 de novembro.

Capela Nossa Senhora da Escada - Barueri


Produzido por Maria José V.Martins - curso de pedagogia UFSCAR-sl. 1 (G4) pólo Jandira


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