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domingo, 2 de agosto de 2015

Santa Clotilde Rainha e o milagre da conversão da França

Santa Clotilde, igreja de Saint-Germain l'Auxerrois, Paris
Santa Clotilde, igreja de Saint-Germain l'Auxerrois, Paris




Gundioch, rei da Borgonha, morrera numa batalha contra os bárbaros, em defesa da Fé e de seus Estados. Seus quatro filhos, desejando governar, dividiram o pequeno reino.

A mais velha das irmãs, Fredegária, tomou o véu religioso num mosteiro, onde terminou seus dias em odor de santidade.

Clotilde, a mais nova, por “sua doçura, piedade e amor pelos pobres, fazia-se bendizer por todos aqueles que viviam a seu redor”.

“Essa jovem princesa demonstrou uma constância admirável em meio a seus infortúnios, e começou a brilhar, como um milagre de honra e de virtude, pela santidade de suas ações.... Seu porte era belo, suas maneiras agradáveis, seu rosto bem feito e de uma beleza tão regular, que não se podia ver nada de mais bem acabado”.

A fama de tal virtude e beleza chegou ao vizinho reino dos Francos (depois França), onde seu jovem e fogoso rei, Clóvis pensou em desposar a virtuosa princesa, apesar de ser ela católica. Certamente influiu nessa decisão o Bispo São Remígio, no qual o rei franco depositava inteira confiança.

As bodas realizaram-se no ano de 493 em Soissons, com toda a suntuosidade da época.

“No palácio do rei franco instalou-se um oratório católico, onde diariamente se ofereciam os Sagrados Mistérios, aos quais a Santa assistia com singular devoção”.

Um ano após o casamento, Clotilde deu à luz um herdeiro, e obteve de Clóvis licença para batizá-lo. Poucos dias depois, o pequeno inocente foi para o Céu. O rei, irado, alegou que se ele tivesse sido consagrado aos seus deuses, não teria morrido.

A rainha protestou com firmeza dizendo que se alegrava pelo fato de Deus os ter julgado dignos de que um fruto de seu matrimônio entrasse no Céu. E que, em vez de entristecer-se, eles deveriam rejubilar-se. Isso aplacou o rei.

Santa Clotilde, jardim do Luxemburgo, Paris
Santa Clotilde, jardim do Luxemburgo, Paris
No ano seguinte, Clotilde deu à luz outro menino que, apenas batizado, correu perigo de vida. A rainha lançou-se aos pés do altar e, por suas súplicas e lágrimas -- que visavam mais a conversão do marido do que evitar essa segunda morte -- obteve de Deus que ele se restabelecesse.

As qualidades da esposa começaram a impressionar vivamente a Clovis.

Mas ele tinha um temperamento modelado pela barbárie, e portanto refratário à Religião católica.

Para obter a conversão do marido e do reino, a piedosa rainha entregava-se em segredo a grandes austeridades, prolongadas orações, e especial caridade para com os pobres.

Ao mesmo tempo, “honrava seu real esposo, e procurava suavizar seu temperamento belicoso com sua mansidão cristã”.
“Enquanto não adorares o verdadeiro Deus - dizia-lhe ela - temerei que voltes das batalhas vencido e humilhado. Até agora não enfrentaste inimigos dignos de teu valor. Se, por desgraça, fores cercado e acossado por um exército mais numeroso, em vão pedirás a ajuda de teus falsos deuses”. 

Clóvis contentava-se em desviar a conversa para não magoar a esposa com blasfêmias.

Clotilde tornou-se amiga de Santa Genoveva, que então resplandecia em Paris por suas virtudes e milagres. A ela e a São Remígio recomendou também a conversão do marido.

O milagre da batalha de Tolbiac.
O milagre da batalha de Tolbiac. (Paul-Joseph Blanc, 1846 - 1904)
Chegou finalmente a batalha de Tolbiac, a hora da Providência.

O invicto Clovis encontrou-se face aos poderosos alamanos. De repente vê seu exército recuar em tal pânico que, na fuga, uns guerreiros atropelam os outros.

Desesperado, o monarca pagão começa a clamar aos seus deuses, pedindo-lhes ajuda. Em vão.

Lembra-se então de Clotilde. Caindo de joelhos, eleva seus olhos ao Céu, e brada com toda a alma:

“Ó Jesus Cristo, Deus de Clotilde. Se me concederdes vencer esses inimigos, eu crerei em Vós e serei batizado em vosso nome”. A batalha virou miraculosamente de lado e Clóvis venceu.

Essa conversão foi pronta e sincera. Não querendo esperar chegar a Soissons para instruir-se “na fé de Clotilde”, mandou chamar um virtuoso eremita, São Vedasto, para que marchasse a seu lado, instruindo-o na Fé católica.

Quis Deus que o rei bárbaro comprovasse mais uma vez, com os próprios olhos, a santidade da Religião que lhe estava sendo pregada. Ao passarem pela vila de Vouziers, um cego aproximou-se para pedir esmola, e só ao tocar a túnica de São Vedasto, adquiriu imediatamente a visão.

São Remígio batiza Clóvis. Esmalte do túmulo de S.Remígio. Basílica de St Rémi, Reims, França
São Remígio batiza Clóvis. Esmalte do túmulo de S.Remígio.
Basílica de St Rémi, Reims, França
À rainha – que o esperava ansiosamente pois Clóvis já mandara notícia de sua conversão – disse ele: “O Deus de Clotilde deu-me a vitória. De hoje em diante será meu único Deus!”

No dia de Natal do ano 496, Clóvis, com três mil de seus mais valentes guerreiros, ingressaram pelo batismo na milícia do Deus de Clotilde.

Ao entrar o rei dos francos com o Bispo de Reims no batistério, disse-lhe este as palavras que se tornaram famosas: “Curva a cabeça, altivo Sicambro; adora o que queimaste e queima o que adoraste”.

No momento em que São Remígio ia proceder à unção do rei com o óleo do Santo Crisma, baixou da abóbada do templo uma pomba trazendo no bico uma ampola com azeite.

O Bispo, vendo naquilo uma ordem celeste, ungiu com ele a cabeça de Clóvis. Com esse azeite seriam ungidos depois praticamente todos os reis franceses, até ser quebrada a ampola durante a nefanda Revolução Francesa.

“Em poucos dias, todo o reino dos francos entrava na Igreja, pondo à cabeça de seu Código nacional aquele grito entusiasta que é uma confissão de fé: ‘Viva Cristo, que ama os francos!’”. Assim nasceu a França "Filha primogênita da Igreja".


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domingo, 19 de julho de 2015

São Bernardo: Ato de abandono a Nossa Senhora

Madonna, São Pedro e São Miguel Arcanjo. Lorenzo da Viterbo (1444 – 1476) Cerveteri, igreja de Santa Maria Maggiore
Nossa Senhora, São Miguel Arcanjo e São Pedro. Lorenzo da Viterbo (1444 – 1476)
Cerveteri, igreja de Santa Maria Maggiore




Doce Virgem Maria, minha augusta Soberana!

Minha amável Senhora!

Minha boníssima e amorosíssima Mãe!

Doce Virgem Maria, coloquei em Vós toda minha esperança, e não serei em nada confundido. Doce Virgem Maria, creio tão firmemente que do alto do Céu Vós velais dia e noite por mim e por todos os que esperam em Vós, e estou tão intimamente convencido de que jamais faltará coisa alguma quando se espera tudo de Vós, que resolvi viver para o futuro sem nenhuma apreensão, e descarregar inteiramente em Vós todas as minhas inquietações.

Doce Virgem Maria, Vós me estabelecestes na mais inabalável confiança. Oh, mil vezes Vos agradeço por um favor tão precioso!

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo de Claraval.
Heiligenkreuz, Áustria, ©Georges Jansoone
Doravante habitarei em paz em vosso coração tão puro; não pensarei senão em Vos amar e Vos obedecer, enquanto Vós mesma, boa Mãe, gerireis meus mais caros interesses.

Doce Virgem Maria! Como, entre os filhos dos homens, uns esperam a felicidade de sua riqueza, outros procuram-na nos talentos!

Outros apóiam-se sobre a inocência de sua vida, ou sobre o rigor de sua penitência, ou sobre o fervor de sua preces, ou no grande número de suas boas obras.

Quanto a mim, minha Mãe, esperarei em Vós somente, depois de Deus; e todo fundamento de minha esperança será sempre minha confiança em vossas maternais bondades.

Doce Virgem Maria, os maus poderão roubar-me a reputação e o pouco de bem que possuo; as doenças poderão tirar-me as forças e a faculdade exterior de Vos servir; poderei eu mesmo — ai de mim, minha terna Mãe! — perder vossas boas graças pelo pecado; mas minha amorosa confiança em vossa maternal bondade, jamais — oh, não! — jamais a perderei.

Conservarei esta inabalável confiança até meu último suspiro.

Todos os esforços do inferno não ma arrebatarão. Morrerei repetindo mil vezes vosso nome bendito, fazendo repousar em vosso Coração toda minha esperança.

E por que estou tão firmemente seguro de esperar sempre em Vós?

Não é senão porque Vós mesma me ensinastes, dulcíssima Virgem, que Vós sois toda misericórdia e somente misericórdia.

Madonna Lochis, Crivelli, Bergamo
Madonna Lochis. Crivelli, Bergamo.
Estou pois seguro, ó boníssima e amorosíssima Mãe!

Estou certo de que Vos invocarei sempre, porque sempre Vós me consolareis; de que Vos agradecerei sempre, porque sempre me confortareis; de que Vos servirei sempre, porque sempre me ajudareis; de que Vos amarei sempre, porque Vós me amareis; de que obterei sempre tudo de Vós, porque sempre vosso liberal amor ultrapassará minha esperança.

Sim, é de Vós somente, ó doce Virgem Maria, que, apesar de minhas faltas, espero e aguardo o único bem que desejo: a união a Jesus no tempo e na eternidade.

É de Vós somente, porque sois Vós quem meu Divino Salvador escolheu para me dispensar todos os Seus favores, para me conduzir seguramente a Ele.

Sim, sois Vós, minha Mãe, que, após me terdes ensinado a compartilhar as humilhações e sofrimentos de vosso Divino Filho, me introduzireis em Sua glória e em Suas delícias, para O louvar e bendizer, junto a Vós e convosco, pelos séculos dos séculos.

Assim seja.

(São Bernardo de Claraval)


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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Na festa de Corpus Christi, o hino “Ave Verum”
(“Salve, ó verdadeiro corpo”)




Na Idade Média foram compostas muitas músicas e poesias religiosas em louvor do Santíssimo Sacramento.

Esta grande devoção teve, aliás, imenso incremento no período medieval.

Podemos então dizer que ela ‒ aperfeiçoada pela Contra-Reforma ‒ chegou até nós impregnada do perfume da Idade Média.

A presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia está fundamentada nas próprias palavras de Cristo na Última Ceia: “Este é meu corpo, esta é minha sangue”.

A Fé na presença real de Cristo na Eucaristia foi professada universalmente por toda a Igreja desde sua fundação.

Só com o protestantismo que apareceram contestações, aliás mais próximas da chicana do que qualquer outra coisa. Foram sobejamente refutadas pelos Doutores e notadamente pelo Concílio de Trento.

Na crise da fé no século XX, reapareceram falsos teólogos que pretenderam reviver os erros protestantes com outro nome.

É o malfadado progressismo, que tem menos fundamento na verdade que os próprios protestantes. Todos esses erros acabarão ficando à margem da História, como já ficaram os de Calvino, Zwinglio, Melanchton ou Lutero.

Elevação do cálice na Missa, Dorchester Abbey, ©Fr Lawrence OP
No século XI, portanto em plena Idade Média, a Igreja aprofundou o estudo racional da Presença Real.

Esse genuíno desenvolvimento do dogma católico gerou um grande movimento de piedade eucarística.

Um dos seus momentos culminantes foi a instituição da festa de Corpus Christi, em 1264.

Como o povo penetrado de verdadeira fé aspirava ver a Deus feito carne na Hóstia consagrada, foi introduzido na Missa o rito da elevação. Ele acontece logo depois da Consagração.

Durante a elevação, os medievais faziam soar um sino especial, e os fiéis espalhados pela catedral ou pela igreja acorriam para ver e adorar a Hóstia divina.

Também se acendia um círio num alto candeeiro. Posteriormente acendeu-se um castiçal pequeno, também chamado de palmatória, que assim ficava até a comunhão, para significar a presença real de Cristo na Eucaristia.

Nesses felizes tempos medievais em que florescia a fé foram compostos vários hinos ao Santíssimo Sacramento cantados até hoje, ou, pelo menos, até que a desordem progressista não os bloqueou. É de se esperar que essa sabotagem não dure muito.

São Tomás de Aquino, Vaticano

Entre esse hinos fiéis reflexos do dogma católico figura o Ave Verum em posição de destaque.

Ele cantava-se especialmente após a Consagração, quando o verdadeiro corpo de Cristo estava realmente presente no altar, pois o hino começa “Salve, ó verdadeiro corpo”.

A maioria dos autores concorda em atribuir a autoria a São Tomás de Aquino (+ 1274).

Ele fez outros hinos também famosíssimos, cheios de lógica e unção, consagrados a Cristo Sacramentado.

Citemos, pelo menos, o Pange língua, o Verbum supernum prodiens, o Sacris solemnis, o Adoro te devote e a não menos divinamente inspirada seqüência Lauda, Sion, Salvatorem.

Eis o texto do Ave Verum, com sua tradução ao português e sua partitura (gregoriano):

Clique aqui para ouvir (Coro da TFP americana):


Ave verum corpus natum de Maria Virgine
Salve, ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria

Vere passum, immolatum in cruce pro homine
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem

Cuius latus perforatum fluxit aqua et sanguine
De seu lado transpassado fluiu água e sangue

Esto nobis praegustatum mortis in examine
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte

O Iesu dulcis, o Iesu pie, o Iesu fili Mariae.
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.

As exclamações finais foram objeto de pequenas adaptações segundo as dioceses.

Fonte: Pe. Manuel Jesús Carrasco Terriza, “Cuerpo de Cristo, arte y vida de la Iglesia”.

O AVE VERUM em gregoriano, monges de Santo Domingo de Silos :



AVE VERUM segundo Wolfgang A. Mozart (interpretação do Coro do King's College, Inglaterra :




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domingo, 24 de maio de 2015

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim



No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos, como também fazem hoje, ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes. Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

São Pio V convida os príncipes a unirem suas forças


São Pio V era como um raio de luz da Idade Média a fulgurar sobre a Europa. Em dezembro de 1566, o Papa convidou as nações católicas a se unirem numa liga em defesa da Cristandade.

Maria Auxiliadora aparece na batalha de Lepanto contra os islamitas, Paolo Veronese (1528 — 1588).
Maria Auxiliadora aparece na batalha de Lepanto
contra os islâmicos, Paolo Veronese (1528 — 1588).
Em meados de maio de 1571, emergiu a boa nova: estava concluída a Santa Liga.

A aliança ajustada entre o Papa, o Rei da Espanha e a República de Veneza devia ser estável, ter caráter ofensivo e defensivo e dirigir-se não somente contra o sultão, mas também contra seus Estados tributários.


O Sumo Pontífice publicou um Jubileu geral, para atrair as bênçãos do Deus das batalhas sobre o exército cristão.

Tomou parte nas procissões rogatórias, que se realizaram ainda no mês de maio em Roma, e mandou cunhar uma medalha comemorativa.

Em 7 de outubro, na baía de Lepanto as esquadras se aproximaram. O vento mudara inesperadamente.

Os estandartes do Crucificado e da Virgem de Guadalupe investem contra as bandeiras vermelhas do Islã, marcadas com a meia-lua, estrelas e o nome de Alá.

Foi a maior batalha naval que a História jamais registrara.

Uma Senhora de aspecto majestoso e ameaçador


Soube-se depois que, no fragor da batalha, os soldados de Islã tinham avistado acima dos mastros da esquadra católica uma Senhora, que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador.

Bem longe dali, no mesmo dia 7 de outubro o Papa aguardava ansioso notícias da esquadra católica. De repente, abriu uma janela e entrou em êxtase.

Logo depois voltou-se e disse: “Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer”. E dirigiu-se à sua capela.

As notícias do desfecho da batalha chegaram a Roma duas semanas depois.

A vitória foi por todos atribuída à intervenção da Virgem. O Santo Padre acrescentou à Ladainha Lauretana uma invocação que nascera pela “vox populi”, no momento da grande proeza: “Auxílio dos Cristãos”.

Na Espanha e na Itália começaram a surgir igrejas e capelas com a invocação de Nossa Senhora da Vitória.

O senado veneziano pôs debaixo do quadro que representava a batalha a seguinte frase: “Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória” — “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”.

Gênova e outras cidades mandaram pintar em suas portas a efígie da Virgem do Rosário, e algumas puseram em seu escudo a imagem de Maria Santíssima calcando aos pés o Crescente.



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