domingo, 17 de junho de 2018

Santo Eduardo o Confessor, rei, e seu anel


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Certo dia, o rei Santo Eduardo o Confessor (1005-1066), rei da Inglaterra, já velho assistia à cerimônia de consagração de uma igreja construída em honra de São João Evangelista.

Nessa hora, um homem muito pobre aproximou-se dele e mendigou-lhe uma esmola “pelo amor de São João”.

O grande monarca passou a mão na bolsa, mas não encontrou nem prata nem ouro.

Santo Eduardo, então, mandou vir seu tesoureiro, mas não foi localizado no meio da multidão. E o pobre seguia implorando esmola.

Santo Eduardo sentia-se muito mal à vontade. Nesse momento lembrou que trazia um anel grande e muito precioso.

Então, ele o tirou do dedo, e pelo amor de São João o deu ao miserável, que lhe agradeceu gentilmente e desapareceu.

Eis o que aconteceu com o anel.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A festa de Corpus Christi para adorar o Santíssimo Sacramento

O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
Luis Dufaur
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A festa de Corpus Christi é dedicada a honrar e adorar o Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia, sob as aparências do pão e do vinho.

Corpus Christi é a manifestação pública da fé no dogma da Presença Real na Hóstia consagrada. Daí as belas procissões realizadas no mundo inteiro.

No Brasil, de norte a sul, cidades enfeitam suas ruas com encantadores “tapetes” de flores para glorificar o Deus humanado.

A festa de Corpus Christi foi inspirada a uma religiosa agostiniana, Santa Juliana de Cornillon (1193–1258), a quem Deus revelou a conveniência para a Igreja dessa celebração.

Santa Juliana foi superiora da abadia de Mont-Cornillon de Liège (Bélgica), fundada em 1124.

A partir dela surgiu um movimento eucarístico que incentivou várias práticas de adoração à Hóstia Consagrada, como a Exposição e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O milagre eucarístico de Bolsena na origem da festa de Corpus Christi

Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Luis Dufaur
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Na Basílica de Santa Cristina em Bolsena, Itália, conserva-se zelosamente há sete séculos, as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena.

Dizemos as ‘menores’ pois as ‘maiores’ estão na catedral de Orvieto.

Trata-se de uma das pedras sagradas onde ainda são bem perceptíveis grumos do precioso Sangue de Nosso Redentor.

O fato miraculoso aconteceu em 1264 e está ligado a dois dos mais poderosos expoentes do pensamento teológico universal: São Tomás de Aquino e São Boaventura.

domingo, 20 de maio de 2018

Pentecostes, a festa do Divino e a paz das nações

Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Luis Dufaur
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A Festa do Divino Espírito Santo, ou a festa do Divino é uma das devoções mais antigas e difundidas no Brasil e alhures.

A origem se encontra no Portugal do século XIV. As primeiras notícias de sua instituição remontam a 1321.

O convento franciscano de Alenquer começou a celebrá-la sob a proteção da rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

A Rainha prometeu ao Divino Espírito Santo peregrinar com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo.

Nessa peregrinação arrecadaria donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com seu filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono.

O pedido foi ouvido, a paz foi feita e a festa vem sendo renovada todo ano até hoje.

domingo, 6 de maio de 2018

São Tomás de Aquino e o hino Pange Lingua:
“Canta ó língua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso”

Santo Tomás de Aquino, detalhe de um estandarte bordado. Igreja de São Domingos, Newcastle, Inglaterra.
Luis Dufaur
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Santo Tomás de Aquino (Rocca Secca, 1225/1227 – Fossa Nuova, 7 Março, 1274) tinha uma vocação eminentemente filosófica, e não de atividade externa.

Ele percebeu que deveria, de acordo com a sua luz primordial, dedicar-se à Teologia e à Filosofia.

Mas além da capacidade para esses estudos, sentia certa inclinação artística.

Quem quiser disto se certificar, basta ouvir o hino Pange lingua, que contém as estrofes do Tantum ergo, composto por ele.

Ele percebia sem dúvida que sua vocação não era a artística – a de compor hinos sacros ou grandes poesias, para as quais estava capacitado –, mas a de se dedicar completamente à Filosofia e à Teologia.

domingo, 22 de abril de 2018

“Oh luz da bem-aventurada Trindade”:
hino de Santo Ambrósio

Santo Ambrósio, Vitale di Bologna
Luis Dufaur
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Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 4/4/397), mestre de Santo Agostinho(340-397), é um dos quatro máximos Padres da Igreja.

Ele está assim representado na Basílica de São Pedro em Roma.

Grande combatente contra a heresia do arrianismo, o corpo do Doutor se conserva incorrupto na basílica a ele dedicada em Milão.

Entre os múltiplos frutos do apostolado do sábio e heroico arcebispo conta-se ter resolvido um dilema que ameaçava dividir os cristãos de seu tempo.

Com efeito, a Igreja após séculos de perseguições romanas, recuperou a liberdade para o culto, enquanto que os templos pagãos foram fechados pelo célebre e insigne Edito de Milão, do imperador Constantino, em 313.

O miolo da discussão era saber se fosse lícito cantar nas igrejas.

Alguns observavam que na hora de compor os cânticos, os músicos apelavam para ritmos e melodias também usadas pelos pagãos.

De ali, julgavam que com esses cânticos acabava se reproduzindo o ambiente dos templos pagãos.

Outros apontavam que cantar orações ou textos como os dos Salmos não poderiam fazer mal ainda que com ressonâncias idolátricas.

domingo, 8 de abril de 2018

A Mulher do Apocalipse e o simbolismo da lua sob os pés de Nossa Senhora


Luis Dufaur
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Nossa Senhora levando o Menino Jesus é símbolo da Igreja. A Igreja (= Ecclesia) aparece em pé sobre a lua minguante para sublinhar que seus fundamentos são o Antigo Testamento. Sem dúvida, é também um símbolo da vitória da Igreja sobre a Sinagoga (cfr. Dayton University, Mary Page).

Na iconografia, Nossa Senhora passou a representar também a Igreja herdando seus atributos. O Gradual Katharinenthal de 1312 apresenta uma imagem de transição, onde a mesma figura feminina contém ou têm os atributos simultaneamente da Igreja, de Maria e da Mulher do Apocalipse.

As primeiras representações da Ecclesia (=Igreja) nos séculos X-XII a apresentam como a mulher apocalíptica enfrentando o dragão. O motivo da mulher apocalíptica é aplicado em uma variedade de formas a Maria.

Por volta de 1348 espalhou-se um tipo de escultura mariana chamada Madonna que pisa a lua crescente (Mondsichel-Madonna), onde a representação da mulher do Apocalipse dispensa o uso do símbolo da lua (por exemplo, na escultura de Trier, 1480. VER VIDEO EMBAIXO).

Por vezes, como por exemplo nas representações do Platytera (ícone que pinta a Nossa Senhora orante), faz-se a oposição do sol (o Salvador) que nasce de Maria de um lado, e da raça humana que precisa de salvação (lua) de outro (Katharinenthal, 1312).

sábado, 31 de março de 2018

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio- dia.

Comemorava-se a Ressurreição.

Nas ruas, os moleques malhavam bonecos de Judas.

Aleluia cantava-se por toda parte.

As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa.

As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.

A dor do Calvário cedia ante a imensa alegria da Páscoa.

A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.

Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante.

Pelo contrário, quando Ele desvia sua Face, os homens atraem épocas de castigo.

É como o sol que desaparece.

Em que estado estamos nós, o mundo todo?

Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade.

Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.

Que pelos méritos de vossa Ressurreição se congreguem os bons.

Que o Divino Espírito Santo lhes comunique força e valor para derrotar os inimigos da vossa Igreja.

Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã.

Nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.


Vídeo: Domingo de Ressurreição em Cartagena (Espanha)



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domingo, 11 de março de 2018

Comentário ao “Vinde Espírito Santo”

Pentecostes. Iluminura da coleção da
University of Califórnia - Berkeley, UCB 059
Luis Dufaur
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Em post anterior -- O hino "Vinde, Espírito Santo": quando reis disputavam em piedade com cardeais e Papas -- reproduzimos alguns dados históricos da famosa “seqüência” (um tipo de hino) “Veni Sancte Spiritus” (“Vinde, Espírito Santo”) cantada na festa de Pentecostes.

Será sempre útil um comentário sobre o valor e a utilidade dessa oração. É o que reproduzimos a continuação.

O bom espírito, o espírito reto, o senso católico é um dom de Deus. Não é uma coisa que o homem encontre com o mero exercício de sua inteligência, mas é algo que sua inteligência encontra movida e vivificada por um dom interno de Deus, que procede do Divino Espírito Santo.

Razão pela qual os homens pedem a Deus o espírito reto por meio da oração, com muita insistência, empenho e humildade, persuadidos que sem um dom celeste, não conseguirão.

Todo bom movimento da alma visando a virtude sobrenatural nos vem da graça de Deus, e essa graça é preciso pedi-la.

Não podemos ter a presunção de que o mero exercício de nossa inteligência é suficiente. Então, pedimos: “Vinde, Espírito Santo”.

Nós temos de pedir que o Divino Espírito Santo venha a habitar dentro de nossa alma com uma intensidade e com uma plenitude cada vez maior,.

Pela habitação do Espírito Santo, nosso espírito se torna capaz dos grandes pensamentos, volições, generosidades, percepções, resoluções, que sem o Espírito Santo é absolutamente impossível praticar.

A alma batizada é um templo onde está permanentemente o Espírito Santo. Quando o Anjo disse a Nossa Senhora que Ela era cheia de graça, disse que Ela era um vaso de eleição que transbordava do Espírito Santo.

A alma de todo santo transborda do Espírito Santo. Nela acaba não havendo a não ser Ele.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Ave mundi spes Maria ‒ Ave Maria esperança do mundo

Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Luis Dufaur
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O “gregoriano” é o canto oficial da Igreja. Foi compilado, organizado e regulamentado pelo Papa São Gregório Magno (540-604). (Mais em: Gregoriano).

Desde então, há mais de 1.400 anos vem sendo cantado em catedrais, igrejas e mosteiros católicos.

Canta-se em latim.

É um canto de uma só voz, sem acompanhamento, que exprime cuidadosamente o significado profundo das palavras, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu; um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

Em cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis. Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Quarta-feira de Cinzas, o demônio no Carnaval e a penitência que não é pregada nas igrejas "modernas"

Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'. Na catedral São José em Hyderabad, India.
Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'.
Na catedral São José em Hyderabad, India.
Luis Dufaur
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A cerimônia de quarta-feira de Cinzas dá início ao período litúrgico denominado Quaresma.

O nome Quaresma indica os quarenta dias antes da Páscoa de Ressurreição (sem contar os domingos) ou quarenta e seis dias (contando os domingos).

São 40 dias de penitência e de jejum, e de arrependimento para preparar os homens para as cerimônias da morte sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua gloriosa Ressurreição!

Os dias são quarenta imitando o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo que foi ao deserto para jejuar essa quantidade de dias antes de entrar na vida pública.

Tentação na montanha, Duccio di Buoninsegna (1255-1319), Frick Collection, New York.jpg
Tentação na montanha, Duccio di Buoninsegna (1255-1319), Frick Collection, New York
No fim da quarentena, Satanás foi tenta-Lo segundo narra o Evangelho de São Mateus:

“1. Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.

2. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.

3. O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.

4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).

5. O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:

6. Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).

7. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).

8. O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:

9. Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.

10. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).

11. Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.” (São Mateus, 4, 1-11).

As cinzas que os católicos recebem neste dia simbolizam o dever da conversão, do arrependimento dos pecados, da penitência, lembrando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, que vai se encerrar com a morte.

As Cinzas provenientes da queima das palmas do Domingo de Ramos anterior.
As cinzas procedem da queima dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior conservadas piedosamente nos lares como um sacramental.

Nesse dia, a Igreja Católica lembra aos homens que são mortais. O sacerdote faz o sinal da Cruz na testa de cada fiel com essas cinzas. Normalmente eles as conservam na testa até o pôr do sol.

Enquanto aplica as cinzas, o padre pronuncia uma fórmula que se encontra no Gênese e contém as palavras de Deus a Adão após esse ter cometido o pecado original e ter ficado submetido à morte: Lembrate que “és pó, e pó te hás de tornar” (Gênesis 3, 19)

O gesto divino inspirou o simbolismo da antiga tradição bíblica de jogar cinzas sobre a cabeça como sinal de arrependimento perante Deus. É um dia de jejum e abstinência e ocorre um dia após o Carnaval.



Podemos entretanto fazer uma reflexão aplicada aos nossos dias



Mais de um pai de santo tem confessado que durante o Carnaval há uma intensificação dos recursos ao demônio e bruxaria.
O demônio é pai da mentira e seus "sacerdotes" são intensamente procurados.

O Pe. exorcista português Duarte Sousa Laara explica do ponto de vista católico como pode acontecer essa infestação ou possessão diabólica:



Mais em EXORCISMO E EXORCISTAS

Nessa quarta-feira sagrada qual será a atmosfera de uma megalópole como São Paulo, após um Carnaval em que o tema mais presente foi o demônio?

Não diferirá sensivelmente da miserável atmosfera dos dias de carnaval. Essa é a realidade.

Alguém ousará perguntar se os pecadores serão menos numerosos do que na Idade Média, ou nas épocas felizes em que essa cerimônia se foi constituindo?

De modo nenhum. O número de pecadores terá crescido imensamente.

Ainda pior, uma maioria da população dominadora, depreciativa, estará olhando com desdém o homem que vive segundo a lei de Deus.

Em tantíssimas igrejas nas quais penetrou a confusão pós-conciliar, o que vai se passar? Qual será a atmosfera?

Como será é tratado o pecado? Será incriminado?

Que ajuda darão essas igrejas ao pecador que cai em si mesmo e se arrepende do mal que fez?

Nada!

Tudo parece intencionado para passar a ideia de que se pode continuar no pecado sugerindo que a ofensa a Deus não tem importância.

Isso já se vê nos domingos quando a igreja está cheia.

As roupas respeitam as leis do pudor, da dignidade?

Na hora da Comunhão em que vai ser distribuído o Pão dos Anjos, toda a Igreja se aproxima para comungar. Serão anjos? É o caso de perguntar: a serem anjos, que anjos?

Todos recebem na mão a Partícula, para depois A por na boca. Comungam e voltam para casa e re-encetar a sua vida de pecado.

As cidades babilônicas estão constituídas sobre a negação da gravidade do pecado.

Se fosse só a negação, ainda seria pouco: é a inversão. A virtude é desprezada, ridicularizada, perseguida; o pecado não é apenas admitido, ele é glorificado. .

Cidades enormes onde as igrejas representam uma unidade física pequena, cidades tristemente orgulhosas e dominadoras por suas riquezas, ou cidades opressas pela miséria de alguns de seus bairros pobres.

Cerimônias penitenciais na Quaresma. Adoração da Santa Cruz na Inglaterra.
Cerimônias penitenciais na Quaresma. Adoração da Santa Cruz na Inglaterra.
Numas e outras se cogita pouco de Deus.

A liturgia da Quarta-feira de Cinzas se foi constituindo, como grande parte da liturgia, na Idade Média.

Alguma coisa ainda se acrescentou nos primeiros séculos dos tempos modernos.

Pensemos numa cidade medieval como aparecem nas pinturas, nas iluminuras, nos pergaminhos que as representam. Cidades pequeninas, ruas estreitas, dentro de muralhas circunscritas, casas apoiadas umas nas outras...

Essas cidades viviam em torno da Igreja. A gente olha a pintura, e vê uma seta enorme, é uma torre, são duas torres, é o campanário da igreja. Em volta dela está a cidade.

Às vezes vários campanários, de várias igrejas, abadias e conventos. Em torno deles se agrupa a população.

Não são os grandes edifícios de cento e tantos andares feitos em honra de Mamon, o deus-dinheiro, para o homem possa gozar os favores de Bios, o deus da carne.

Não! São os prédios feitos para o culto de Deus.

O que se passa dentro da Igreja é fato central na vida da cidade.

Para ela afluia toda a população, e até os pecadores públicos que sabiam o que é a quarta-feira de Cinzas.

Sabiam que começou a Quaresma, quer dizer os 40 dias de penitência e de jejum, e de arrependimento para preparar os homens para as cerimônias da morte sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua gloriosa Ressurreição!

O pecador público é o homem que comete pecados notórios na cidade.

Procissão penitencial em Sevilha na Semana Santa.
Procissão penitencial em Sevilha na Semana Santa.
Um homem que roubou e foi visto se locupletando com o dinheiro das vítimas. Outro homem que blasfemou em público contra Deus e contra a Igreja, e continuou a blasfemar o ano inteiro.

Ou então, um outro homem ou uma outra família que à vista de todos deixou de comparecer às Missas.

Esses que estão pública e notoriamente em estado de pecado são pecadores públicos.

Na Idade Média, a opinião achava-os altamente censuráveis. O homem reto não convive com o pecador. Mantém um trato distante e frio, porque ele é inimigo de Deus, logo, ele é inimigo de cada homem, enquanto não faça penitência.

Esses pecadores compareciam à cerimônia porque achavam que andavam mal pecando. Pesava-lhes pecar e tinham vergonha do pecado cometido.

Mas não havia só pecadores públicos.

Havia aquele que cometeu pecados durante o ano, que os confessou bem ou mal, ou que não confessou.

Seu pecado ninguém conhece, mas Deus sabe. E ele está ali na hora da penitência pedindo o perdão para todos seus pecados.

Os sinos estão tocando, os pecadores públicos e privados olham para igreja que se ergue imponente mas acolhedora, lhes dizendo: “Vinde filhos. Vós pecastes, mas vinde para onde o perdão vos vem. Começai por confessar-vos, começai por arrepender-vos”.

Deus se toma a Si próprio infinitamente a sério; e Ele acompanha as ações dos homens com essa seriedade.

O pecado é profundamente sério. É execrável, é gravíssimo!

Um ricaço que cometeu um só pecado está numa situação incomparavelmente pior do que Jó no seu monturo.

O pecador pode ser punido por Deus de uma hora para outra, com penas nesta vida, desgraças inopinadas podem desabar sobre ele.

Como tudo isso é trágico!

O inferno ou o purgatório o aguardam. Uma mentira, um pecado leve: ele vai para o purgatório onde poderá ficar anos queimando.


Vídeo: Cântico dos salmos da hora Completas, Ofício Parvo de Nossa Senhora



E o inferno? As trevas eternas onde o fogo queima e não ilumina, onde os piores tormentos atazanam continuamente a criatura, e não tem mais remédio, está tudo perdido!

Então o pecador tem a noção viva do mal que ele fez, e teme. E por causa disso ele vai na igreja, pede perdão e quer fazer penitência.

O que é essa penitência, o que é esse perdão? São coisas distintas.

A Igreja não pratica confissão pública. O fiel não vai dizer diante dos outros o mal que ele fez. Mas Igreja o estimula a que ele tenha a noção da gravidade do seu pecado.

Deus, em lugar de exterminar o pecador, cochicha no ouvido dele o modo para pedir perdão!

É como um juiz que recebe o réu com uma majestade infinita, com aparato de força e de severidade tremendos, mas ao mesmo tempo manda alguém entregar ao réu um bilhete que diz: “Se pedires ao juiz assim na sinceridade de tua alma, o juiz te atenderá!”

E o réu caminha para Deus Juiz com oração ditada pelo mesmo Deus Juiz!

Maior misericórdia não se pode imaginar. Deus fala por meio dos profetas do Antigo Testamento, Ele dá palavras por onde o homem reconhece o seu pecado, e pede perdão.

Então, do fundo da Igreja, se arrastando, vem o mísero cortejo dos pecadores oficiais entoando o Salmo 50:

Frade dominicano rezando
Frade dominicano rezando
“Tende compaixão de mim ó Deus, segundo a Vossa grande misericórdia; e segundo a multitude de Vossas bondades, apagai a minha falta. Porque eu conheço o mal que eu fiz, o meu pecado está de pé continuamente contra mim”...

Eles rezam pedindo perdão alentados pela oração que o Juiz lhe ensinou. “Reze assim! Meu filho, sinta isto, que eu me tornarei teu amigo!”

A penitência é jejuar, passar a pão e água, fazer coisas duras como forma de expiação.

Quando o pecador compreende o mal de seu pecado, e vê quanto Deus odeia o seu pecado, ele percebe a pureza de Deus. E percebendo a pureza infinita de Deus, como pode ele não se entusiasmar?

Na quarta-feira de Cinzas devemos pedir o horror aos nossos pecados e o amor reverente transido pela execração que Deus tem aos nossos pecados.

Devemos pedir a Deus o ódio ao nosso pecado. Devemos pedir a Deus que nos conceda a misericórdia, sem a qual nós na presença dEle não somos capazes de nos manter.

Assim nós nos aproximamos da misericórdia.

O fecho do que eu estou dizendo, tem um nome, e esse nome é Maria!

O homem não obtém nada disso se Maria Santíssima não pedir por ele. Nada.

Por vontade de Deus, Ela é a Medianeira necessária de todas as nossas orações até Ele, e de todas as graças que baixam dEle para nós.

Se nós temos arrependimento de nossos pecados, foi Ela que pediu.

Se nós temos vontade de fazer penitência, foi Ela que pediu.

Se nós tivermos força para executar a penitência que devemos, é Ela que nos pedirá essa força.

No fim, feita a penitência, nós nos sentiremos reconciliados com Deus.

Ela é o sorriso de Deus para nós. Como filhos de Nossa Senhora nós devemos terminar essa reflexão, rezando: “Salve Rainha Mãe de Misericórdia...!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 2.3.1984 sem revisão do autor)


Vídeo: Salmo penitencial 50 Miserere Senhr Deus! Tende piedade de nós



Musicado pelo Pe. Gregorio Allegri (Roma, 1582 — Roma, 1652)



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domingo, 28 de janeiro de 2018

Anima Christi: uma oração dificilmente superável

Origem
Luis Dufaur
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Esta famosa oração apareceu na primeira metade do século XIV e foi enriquecida com indulgências pelo Papa João XXII em 1330.

Não se tem certeza sobre a autoria, tal vez seja do próprio João XXII.

Entretanto, é geralmente atribuída a Santo Inácio de Loyola (1491-1556, muito posteior) pois o grande santo colocava-a sempre no início de seus “Exercícios Espirituais” e referia-se com freqüência a ela.

O texto mais antigo foi achado no British Museum de Londres datado de 1370.

Em Avignon, França, conserva-se um livo de orações do Cardeal Pedro de Luxemburgo falecido em 1387. Nele encontra-se o Anima Christi na forma que o rezamos hoje.

Esta oração era tão famosa no tempo de Santo Inácio que o santo a citava como sendo conhecida por todos. Cfr. verbete ANIMA CHRISTI, na Enciclopedia Católica (em inglês)

domingo, 3 de dezembro de 2017

Nossa Senhora de Riom e o sorriso medieval

Luis Dufaur
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Pode-se dizer que cada século ou era histórica tem um rosto ou uma expressão fisionômica e de alma que o diferencia dos demais.

E a Idade Média, na sua longa duração e na sua riquíssima variedade de eventos nunca perdeu um traço distintivo. E esse foi o sorriso.

E um sorriso leve e espiritual que só a Idade Média foi capaz de fazer e comunicar.

E nos difícil ver essa atitude de alma em nossos tempos.

Entretanto, ela ficou impresa em inúmeros testemunhos medievais.

Um desses é a estátua de “La Vierge à l’Oiseau” (Nossa Senhora com o Menino Jesus e Este com um pequeno pássaro), no exterior da igreja Nossa Senhora de Marthuret, em Riom (França).



“A primeira impressão que causa essa imagem é da relação de alma extraordinária entre os dois (o Menino Jesus e Nossa Senhora), de maneira tal que mais do que fotografar só uma alma, se fotografa as duas.

O que está extraordinariamente bem apanhado na escultura, é esta relação de alma entre os dois.

Relação de alma que tem isso de extraordinário que pega um desses momentos de familiaridade entre Mãe e Filho, em que a mãe brinca um pouquinho com o filho e este brinca um pouco com a mãe.

Sem o que a relação mãe e filho não pode ser compreendida.

Se ela nunca desfechasse num sorriso e numa brincadeira, não seria possível haver relação mãe-filho.

Por que razão?

Porque o Menino tem qualquer coisa de débil que faz sorrir a Mãe.

Mas, por outro lado, a debilidade dEle pede que a Mãe apareça, para estar na proporção dEle, de vez em quando sorrindo.