domingo, 30 de julho de 2017

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro: fortaleza para enfrentar a adversidade

Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Nossa Senhora do Perpetuo Socorro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A imagem original de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro é um ícone venerado na igreja dos agostinianos em Roma, muito perto da Basílica de Santa Maria Maggiore, desde o fim do século XV.

Naquele século, ele chegou procedente da ilha de Creta no Mar Mediterrâneo.

É muito difícil atribui-lhe uma data de criação. Para alguns ele é dos séculos X ou XI, e para outros do início do século XV. Sua festa se comemora em 27 de junho.

No ícone contemplamos a Nossa Senhora com o Menino Jesus. Na iconografia católica, o Menino nos braços de Nossa Senhora costuma estar olhando para Ela ou para os fiéis que Lhe estão rezando ou recebendo favores.

Porém, o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro reproduz uma cena inusual.

O Menino Jesus observa os arcanjos São Miguel e São Gabriel que lhe mostram os instrumentos de sua futura Paixão e se segura fortemente com as duas mãos em sua Mãe Santíssima.

A cena nos fala profundamente do papel de Nossa Senhora junto a Jesus como corredentora do gênero humano.

A Redenção foi operada exclusivamente por Nosso Senhor Jesus Cristo com sua Paixão e Morte no alto do Calvário.

Mas o papel de Nossa Senhora na Redenção foi tão grande que grandes santos, mestres e doutores não hesitam em qualifica-la de “corredentora” do gênero humano.

Nossa Senhora conhecia e meditava em seu coração as palavras dos profetas. Ele sabia que o Messias prometido a Israel haveria de padecer um Sacrifício perfeito para pagar a culpa de nossos primeiros padres e atrair do Céu as graças para nossa salvação.

Tudo isso estava presente em sua alma virginal quando São Gabriel lhe fez o anúncio da Encarnação.

Menino Jesus segura as mãos de sua Mãe compreendendo a tremenda mensagem angélica
Menino Jesus segura as mãos de sua Mãe compreendendo a tremenda mensagem angélica
Num só relance Ela percebeu todas as dores da Redenção que se abateriam sobre seu Filho Santíssimo e também sobre Ela, porque é sua Mãe. Mas Ela disse sim a esse oceano vindouro de dores.

E a gente deve entender a maravilhosa vida da Santa Família também sob esse prisma: Nossa Senhora contribuindo a preparar seu divino Filho para o sacrifício perfeito do Calvário.

Nosso Senhor, ainda criança, tinha conhecimento acabado de tudo o que haveria de acontecer com Ele.

Se, já adulto, no Monte das Oliveiras suou gotas de sangue na iminência da Paixão e chegou a exclamar: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice!” (São Lucas, 22-42), então podemos imaginar como esse preanuncio impressionava a Jesus Menino.

Perspectiva essa que aparece no ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro com os anjos trazendo os instrumentos da Paixão.

E Ele então pega com força nas mãos de Sua Mãe como que para receber socorro, apoio e consolo e realizar, como realizou, a sua divina missão.

Histórico da imagem

Numa tabuleta muito antiga que está junto ao ícone veio uma informação sobre a imagem. Ela teria sido pintada na ilha de Creta, no mar Egeu.

Um mercador roubou o ícone de uma igreja, o escondeu em sua equipagem e embarcou para outro país.

Mas, durante a travessia se desencadeou uma grande tempestade. Os passageiros invocaram a Deus e à Santíssima Virgem. E logo a seguir veio a calmaria e a nau aportou em local seguro.

O comerciante prosseguiu até Roma com o ícone. Após desavenças na sua família, o ícone foi entregue à igreja de São Mateus, dos padres agostinianos.

Isto aconteceu no fim da Idade Média, no ano de 1499, sob o pontificado do Papa Alexandre VI.

Na igreja de São Mateus o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro permaneceu trezentos anos.

Nesse período, os testemunhos escritos atribuem à imagem grande número de milagres. O auge da devoção e fenômenos extraordinários se verificou no século XVII.

Furacão satânico revolucionário e recuperação do ícone


São Miguel traz a lança e a esponja, instrumentos da Paixão
São Miguel traz a lança e a esponja, instrumentos da Paixão
Uma tempestade negra, desta vez não feita de nuvens, mas de influências revolucionárias e/ou preternaturais, se abateu sobre a Cidade Eterna em fevereiro de 1798.

As tropas de Napoleão Bonaparte invadiram a Itália trazendo em suas mochilas as ideias facinorosas da Revolução Francesa. Só em Roma o exército napoleônico destruiu mais de trinta igrejas. Entre essas se perdeu a de São Mateus.

Os religiosos agostinianos conseguiram salvar o milagroso ícone e o esconderam numa capelinha. Ali ficou escondido, e o culto popular acabou caindo no esquecimento.

Em 1855, os padres redentoristas compraram uns terrenos conhecidos como Villa Caserta onde outrora estava a igreja de São Mateus.

O Pe. Miguel Marchi descobriu em 1865 o precioso ícone. Então, em 11 de dezembro de 1865, os redentoristas, filhos espirituais de Santo Alfonso Maria de Ligório, solicitaram ao Papa reinante, o Beato Pio IX, a concessão de recomeçar o culto de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Em 19 de janeiro de 1866 a imagem voltou a ser cultuada publicamente no mesmo local onde já o tinha sido durante três séculos.

A antiga igreja não existia mais, mas havia sido substituída por uma mais esplêndida: a igreja de Santo Alfonso, onde é venerada até hoje.

O bem-aventurado Papa Pio IX em audiência ao superior general dos Redentoristas, em 11 de dezembro de 1865, lhe ordenou uma grande tarefa: “Dai-a a conhecer a todo o mundo”.

Simbolismos do ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro

No ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro cada personagem está identificado com uma inscrição grega abreviada.

Nossa Senhora e representada só em meio corpo, revestida por uma túnica vermelha e um manto azul marino que cobre também a cabeça. As joias como estrelas e coroas de ouro e pedras preciosas são presentes do Capítulo vaticano.

Mas o Menino Jesus está de corpo inteiro apelando ao Socorro de sua Santíssima Mãe enquanto observa os instrumentos da Paixão que lhe mostram os arcanjos Miguel e Gabriel.

O Arcanjo São Gabriel lhe exibe a Cruz com dupla trave como é costume em Oriente e os quatro pregos com que seria cravado nela.

O Arcanjo São Miguel traz a lança com que o centurião romano lhe atravessaria o coração e a esponja que os algozes encheram de vinagre e lhe puseram nos lábios no auge da Crucificação.

São Gabriel vem trazendo a Cruz e os pregos da Paixão
São Gabriel vem trazendo a Cruz e os pregos da Paixão
As abreviaturas gregas inscritas sobre o ícone significam:

“Madre de Deus” na parte superior do quadro;

“O Arcanjo Miguel”, lado superior esquerdo;

“O Arcanjo Gabriel”, lado superior direito; e

“Jesus Cristo”, ao lado do Menino Jesus.

A visão é dramática e o Menino com rápido movimento procura socorro nas mãos da Mãe que Ele pega com todas suas forças infantis.

O susto e o movimento brusco se patenteiam também na contorção de suas perninhas, nas pregas do manto e na sandália que se desprende de um de seus pés.

Quantas vezes se repete a cena em nossas vidas, embora em diminuta proporção, mas de modo lancinante para nossas escassas forças!

Os sofrimentos que nos assaltam, aqueles que prevíamos, os que prevíamos mal, ou aqueles que não queríamos prever por moleza ou otimismo infundado!

Mas, ali está Nossa Senhora do Perpetuo Socorro para ser nosso socorro e proteção nessas horas.

E, se as dores se abaterem sobre nós, ali está Ela nos acompanhando, participando nos nossos padecimentos, nos animando a imitar o sublime exemplo de seu Divino Filho.

Quando o mundo parece desabar, quando o caos invade todos os recantos da sociedade, da família, do trabalho, do lar, quando nos voltando para as autoridades do Brasil e da Igreja nos parece ver não nosso auxílio mas como que outros algozes que contribuem à desolação e à desordem geral, ali está Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Bem presos nEla passaremos por tudo e com sua intercessão onipotente um dia veremos seu Filho na vida eterna.


(Fonte: Wikipedia)



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