domingo, 6 de fevereiro de 2022

As duas trombetas de Deus: São Francisco e São Domingos – 2

Santos Dominicanos
Santos Dominicanos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post: As duas trombetas de Deus: São Francisco e São Domingos – 1


Sobre os passos de São Domingos, deste santo atleta da Fé, deste coadjutor do Lavrador eterno , precipita-se, primeiro, o Bem-Aventurado Jourdain, digno de ser seu primeiro sucessor, como Geral de sua Ordem; depois São Pedro de Verona decorado pelo título de Mártir por excelência, e que, assassinado pelos hereges, escrevia sobre a terra com o sangue de suas chagas, as primeiras palavras do Símbolo (Credo) cuja verdade proclamava com o preço de sua vida.

Depois, São Jacinto e Ceslau, seu irmão, esses jovens e fortes poloneses que o encontro com São Domingos em Roma foi suficiente para fazer renunciar a todas as grandezas terrenas, a fim de levar essa nova luz à sua pátria, de onde ela deveria se espalhar com rapidez na Lituânia, Moscóvia e Prússia.

Depois, São Raimundo de Peñafort, que Gregório IX escolheu para coordenar a legislação da Igreja, autor das Decretais e sucessor de São Domingos; enfim, este Teobaldo Visconti, que deveria presidir os destinos da Igreja sobre a terra, com o nome de Gregório X, antes de ter eternamente direito às suas orações, como Bem-Aventurado no Céu.

São Alberto Magno, Santa Maria dell'Anima, Roma
São Alberto Magno, Santa Maria dell'Anima, Roma
Ao lado desses homens cuja santidade a Igreja consagrou, uma multidão de outros traziam-lhe o tributo de seus talentos e estudos: Santo Alberto Magno, esse colosso do saber, pregador de Aristóteles e mestre de São Tomás; Vicente de Beauvais, autor da grande enciclopédia da Idade Média; o Cardeal Hugo de Sant-Cher, que fez a primeira Concordância das Escrituras; o grande Cardeal Henrique de Suze, autor da “Suma Dourada”.

E, acima de todos, pela santidade como pela ciência, o grande São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, pensador gigantesco, em quem parece resumir-se toda a ciência dos séculos da fé, e cuja grandiosa síntese não pôde ser igualada por nenhuma tentativa posterior; o qual, inteiramente absorto na abstração, não é, por isso, menos um admirável poeta, e merece ser escolhido por São Luís como conselheiro íntimo nos casos mais espinhosos de seu reino.

“Escreveste bem sobre Mim, diz-lhe Cristo um dia, que recompensa Me pedes?” – “Vós mesmo”, responde o santo . Toda sua vida, todo seu século está nesta palavra.

O exército de São Francisco não marchava ao combate sob chefes menos gloriosos. Em vida de São Francisco, doze de seus primeiros filhos foram colher a palma do martírio entre os infiéis. O Bem-Aventurado Bernardo, o Beato Egídio, o Beato Guido de Cortona.

Toda essa companhia de Bem-aventurados, companheiros e discípulos do santo fundador, sobrevivem-lhe e conservam o depósito inviolável desse espírito de amor e de humildade que o havia inflamado.

Tão logo o serafim foi tomar sua posição diante do trono de Deus, seu lugar na veneração e no entusiasmo dos povos é ocupado por aquele que todos proclamavam seu primogênito: Santo Antônio de Pádua, célebre como seu pai espiritual por este império sobre a natureza, que lhe valeu o cognome de Taumaturgo, aquele que o Papa Gregório IX chamou a Arca dos dois testamentos; que tinha o dom das línguas como os Apóstolos; que, depois de ter edificado a França e a Sicília, passa seus últimos anos pregando a paz e a união às cidades lombardas, obtém dos paduanos o privilégio da cessão de bens para os devedores desafortunados, ousa sozinho censurar ao feroz Ezzelin sua tirania, fá-lo tremer, segundo seu próprio depoimento, e morre aos trinta e seis anos, no mesmo que Santa Isabel.

Mais tarde, Rogério Bacon reabilita e santifica o estudo das ciências, e prevê, se não as leva a termo, as maiores descobertas dos tempos modernos. Duns Scoto disputa a São Tomás o império das escolas; e este grande gênio encontra um rival e um amigo em São Boaventura, o Doutor Seráfico, o qual, quando seu ilustre rival, o Doutor Angélico, perguntou-lhe de que biblioteca tirava sua surpreendente ciência, mostrou silenciosamente seu crucifixo, e que lavava a louça de seu convento quando lhe foi trazido o chapéu de Cardeal.

São Domingos de Gusmão
São Domingos de Gusmão
São Domingos introduziu uma reforma fecunda na regra das esposas de Cristo, e abriu uma nova via às suas virtudes. Mas não foi senão mais tarde, em Margarida da Hungria, Inês de Monte-Pulciano, Catarina de Siena, que este ramo da Ordem dominicana deveria produzir os prodígios de santidade que foram depois tão numerosos. Francisco, mais feliz, encontra desde o início uma irmã, uma aliada digna dele.

Ao mesmo tempo que ele, pobre filho de comerciante, começava sua obra com alguns outros humildes burgueses de Assis, Clara Sciffi, nesta mesma cidade, filha de um conde poderoso, sente-se tomada de um zelo semelhante.

Um dia, aos dezoito anos, num Domingo de Ramos, enquanto as palmas que os outros fiéis levam vão secando e fanando, a sustentada por sua jovem mão refloresce e reverdece subitamente.

É para ela um preceito e uma advertência do alto. Na mesma noite, foge da casa paterna, penetra na Porciúncula, ajoelha-se aos pés de Francisco, recebe de suas mãos a corda, o vestido de grossa lã, e condena-se com ele à pobreza evangélica.

Em vão seus parentes a perseguem, sua irmã e inumeráveis virgens vêm juntar-se a ela, e rivalizar com ela em privações e austeridades.

Em vão os Soberanos Pontífices suplicam-lhe de moderar seu zelo, de dignar-se possuir alguma coisa de fixo, posto que uma severa clausura proíbe às monjas sair, como os Irmãos Menores, a implorar a caridade dos fiéis, e a reduz a esperá-la do acaso.

Ela resiste obstinadamente, e Inocêncio IV concede-lhe enfim o ‘privilégio da pobreza perpétua’, o único, dizia ele, que ninguém jamais pediu: “Mas Aquele, acrescentava, que alimenta os passarinhos, que vestiu a terra de verdura e de flores, saberá bem sustentar-vos até o dia em que Ele dar-Se-á a Si mesmo como alimento eterno a vós, quando, com Sua destra vitoriosa, vos abraçará em Sua glória e beatitude”.

São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
Três Papas e uma multidão de outros santos e nobres personagens vêm junto a esta humilde virgem procurar luzes e consolações. Em poucos anos, ela vê todo um exército de mulheres piedosas, com rainhas e princesas à frente, surgir e estabelecer-se na Europa sob a regra de Francisco de Assis, e sob a direção e o nome dela, o de pobres Claras ou clarissas.

Mas no meio desse império de almas, sua modéstia é tão grande, que não foi vista, a não ser uma única vez, levantar as pálpebras para pedir ao Papa sua bênção, e somente então se pôde conhecer a cor de seus olhos. Os sarracenos vêm sitiar seu mosteiro: doente e acamada, levanta-se, toma em mãos o ostensório, caminha para a frente deles e os põe em fuga.

Após quatorze anos de uma santa união com São Francisco, ela o perde; então, entregue ela mesma às mais cruéis enfermidades, morre, depois de ter ditado um testamento sublime; e o Soberano Pontífice, que a tinha visto morrer, a propõe à veneração dos fiéis, proclamando-a Clara entre todas as claridades, luz resplandecente do templo de Deus, princesa dos pobres, duquesa dos humildes .

Como São Francisco em Santa Clara, Santo Antônio de Pádua encontrou na Bem-Aventurada Helena Ensimelli uma amiga e uma irmã.





continuará no post As duas trombetas de Deus: São Francisco e São Domingos – 3


GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 30 de janeiro de 2022

As duas trombetas de Deus: São Francisco e São Domingos – 1

Encontro de São Francisco e São Domingos, Benozzo Gozzoli
Encontro de São Francisco e São Domingos, Benozzo Gozzoli
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




À vista de São Francisco de Assis e de São Domingos de Gusmão, o século compreendeu que estava salvo, que um sangue novo seria instilado em suas veias; inúmeros discípulos alistam-se sob esses estandartes arrebatadores; eleva-se um longo brado de entusiasmo e de simpatia que se estende através dos séculos, que ressoa por toda parte, nas constituições dos Soberanos Pontífices como nos cantos dos poetas.

“Quando o Imperador, que reina sempre - diz Dante -, quis salvar seu exército comprometido, enviou em socorro de Sua Esposa estes dois campeões; seus atos, suas palavras, restabeleceram o povo desgarrado”.

“Estas duas Ordens – diz o Papa Sisto IV em 1479, depois de dois séculos e meio de experiência – como os dois primeiros rios do Paraíso de Delícia, irrigaram a terra da Igreja universal por sua doutrina, suas virtudes e seus méritos, e a tornam cada dia mais fértil; são os dois serafins que, elevados pelas asas de uma contemplação sublime e de um angélico amor, acima de todas as coisas da terra, pelo canto assíduo dos louvores divinos, pela manifestação dos benefícios imensos que o supremo artífice, que é Deus, conferiu ao gênero humano, trazem sem cessar aos celeiros da Santa Igreja os feixes abundantes da pura colheita das almas resgatadas pelo Precioso Sangue de Jesus Cristo.

“São as duas trombetas das quais se serve o Senhor Deus para chamar os povos ao banquete de Seu Santo Evangelho!”.
Ss Domingos e Francisco em primeiro plano.
Coroação de Nossa Senhora, Beato Angélico
Tão logo nasceram as Ordens, que deviam merecer tão magníficos elogios, já sua propagação e seu poder tornam-se um dos fatos históricos mais importantes da época.

A Igreja vê-se de repente senhora de dois exércitos numerosos, ágeis e sempre disponíveis, que começam incontinenti a invadir o mundo.

Em 1277, meio século após a morte de São Domingos, sua Ordem tinha já quatrocentos e dezessete conventos em toda a Europa.

São Francisco, em vida, reúne um dia cinco mil de seus monges em Assis; e trinta e cinco anos mais tarde, em Narbonne, constata-se ao enumerar as forças da Ordem seráfica, que existiam já, em trinta e três províncias, oitocentos mosteiros e pelos menos vinte mil religiosos.

Um século mais tarde, existiam cento e cinqüenta mil. A evangelização das nações pagãs recomeça: franciscanos, enviados por Inocêncio IV e São Luis, penetram no Marrocos, em Damasco, até entre os mongóis.

Mas eles ocupam-se sobretudo em vencer as paixões do paganismo no coração das nações cristãs, espalham-se pela Itália dilacerada por tantas discórdias, tentando por toda parte reconciliar os partidos, desarraigar os erros, colocando-se como os árbitros supremos, julgando unicamente segundo a lei do amor.

Vê-se, em 1235, percorrer toda a Península com cruzes, incenso, ramos de oliveira, cantando e pregando a paz, censurando às cidades, aos príncipes, aos próprios chefes da igreja, suas faltas e ressentimentos.

Os povos, pelo menos por um tempo, inclinam-se ante essa mediação sublime; a nobreza e o povo de Piacenza reconciliam-se à voz de um franciscano; Pisa e os Visconti, de um dominicano; e na planície de Verona vê-se duzentas mil almas apinharem-se junto ao Bem-Aventurado João de Vicenza, frade pregador, encarregado pelo Papa de apaziguar todas as discórdias da Toscana, da Romagna, da Marca Trevisana. Naquela ocasião solene, toma por texto essas palavras:

Encontro de São Domingos com São Francisco, Fra Angelico
“Eu vos dou a paz, Eu vos deixo a Minha paz”; e, antes de terminar, uma explosão de soluços e de lágrimas mostra-lhe que todos aqueles corações estavam tocados, e os chefes das casas rivais de Este e Romano dão, abraçando-se, o sinal da reconciliação universal.

Tão felizes resultados não duravam muito tempo, é verdade; mas o mal estava ao menos vigorosamente combatido, e a seiva de cristianismo estava reavivada nas almas, uma imensa luta dava-se a cada dia e por toda parte em nome da equidade contra a letra morta da lei, em nome da caridade contra os maus pendores do homem, em nome da graça e da fé contra a secura e a pobreza dos arrazoados científicos.

Nada se subtraia a essa influência nova que movia os camponeses dispersos pela campanha, que partilhava o império das universidades, que atingia até os reis em seus tronos.

Joinville nos ensina como, no primeiro lugar onde São Luís desembarcou, voltando da Cruzada, foi acolhido por um franciscano, que lhe disse que “nenhum reino se perde, a não ser por falta de justiça, e que cuidasse de fazer bem direito e diligente a seu povo, o que o rei jamais esqueceu”.

Sabe-se como ele tentou esquivar-se de sua esposa tão ternamente amada, de seus mais próximos, de seus conselheiros, para renunciar à coroa que portava tão gloriosamente, e ir mendigar, como São Francisco.

Mas teve que se limitar a tornar-se penitente da Ordem Terceira; porque em seu exército conquistador os franciscanos tinham lugar para todos.

Ao lado desses batalhões de monges, numerosos mosteiros abriam-se para as virgens que aspiravam à honra de se imolarem a Cristo, e as vastas associações conhecidas pelo nome de Ordens Terceiras ofereciam um lugar aos príncipes, guerreiros, esposos, pais de família, numa palavra a todos os fiéis de ambos sexos que quisessem associar-se, ao menos indiretamente, à grande obra da regeneração da Cristandade.

Nossa Senhora dá o Rosario a São Domingos que tem junto S. Francisco.
Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Tiradentes
A tradição conta que os dois gloriosos patriarcas dessa regeneração tiveram, em certo momento, o projeto de unir seus esforços e suas Ordens, em aparência tão semelhantes.

Mas a inspiração celeste que os guiava revelou-lhes que nelas havia lugar para duas forças diferentes, para dois gêneros de guerra contra as invasões do mal.

Eles parecem ter dividido sua sublime missão, ao mesmo tempo que o mundo moral, de modo a reconduzir ao seio da Igreja e a nele conciliar o amor e a ciência, esses dois grandes rivais que não poderiam entretanto existir um sem o outro; e essa conciliação foi operada por eles como não o havia sido jamais até então.

Enquanto o amor que devorava e absorvia a alma de São Francisco valeu-lhe em todo tempo na Igreja o nome de Serafim de Assis, não seria quiçá temerário atribuir, com Dante, a São Domingos, a força e a luz dos Querubins .

Seus filhos mostraram-se fiéis a essa tendência diversa, que terminava na mesma unidade eterna; e, tendo em conta algumas brilhantes exceções, pode-se dizer que a partir dessa época, na História da Igreja, o papel mais especialmente atribuído à Ordem seráfica foi o de espalhar em grandes ondas os tesouros do amor, as misteriosas alegrias do sacrifício; enquanto que o dos Pregadores foi, como seu próprio nome indica, o de propagar a ciência da verdade, defendê-la e arraigá-la.

Nem um nem outro falhou à sua missão; e ambos, desde a adolescência, e no decurso desse meio século do qual falamos (o primeiro do século XIII), geraram para a Igreja, talvez, mais santos e doutores do que em tão curto intervalo, Ela não tinha tido desde os primeiros séculos de sua existência.





GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS

Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Menino-Deus adorado por Reis dotados de conhecimentos astronômicos pasmosos: cena sagrada que encantou os medievais

Adoração dos Reis Magos. Beato Angelico
Adoração dos Reis Magos. Beato Angelico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em 6 de janeiro, desde os primeiros séculos, a Igreja celebra a festa da Epifania, ou seja, a visita dos Reis, também chamados de Magos ou Sábios, que foram adorar o Menino Deus.

Epifania, em grego, significa manifestação, ou também revelação esplendorosa.

De início, a festa celebrava-se no próprio dia de Natal. O mais antigo registro dela é do historiador romano Ammianus Marcellinus no ano 361.

Foi na Idade Média, precisamente no ano de 534, que a Igreja separou as duas festas para comemorá-las com mais pompa, e fixou o dia 6 de janeiro como da Epifania ou da Adoração dos Magos

A visita significou a manifestação de Nosso Senhor não somente aos judeus, mas a todas as nações da Terra, representados pelos Reis Magos.

Segundo a tradição seus nomes eram Melchior, Gaspar e Balthazar (habitualmente representado como preto). Segundo São Mateus, eles vieram do Leste de Jerusalém, o que leva a pensar que fossem patriarcas, ou reis, vindos da área cultural da Caldéia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A Imaculada Conceição e a estratégia apostólica de Pio IX face a adversários e católicos moles

Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição, Franceso Podesti (1800–1895), Sala dell'Immacolata, Museus Vaticano
Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição,
Franceso Podesti (1800–1895), Sala dell'Immacolata, Museus Vaticano
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Não é fácil ter uma ideia da devastação que o racionalismo e o modernismo fizeram nos católicos no decurso do século XIX.

O espírito deles vinha sendo infiltrado por materialistas e revolucionários de todos os matizes, ardendo de revolta contra o sobrenatural.

Esses católicos desfibrados alegavam a precedência do “social” e até se ufanavam em se dizerem “católicos sociais”.

Na prática, sob vago véu de religião, repeliam tudo quanto não caísse diretamente sob a ação e o controle dos sentidos.

Por isto mesmo, a integridade do catolicismo, no qual o sobrenatural é visível e autêntico, foi posta de quarentena pela mídia e pelos governos secretados pela Revolução Francesa que iam derrubando as monarquias ainda impregnadas de tradição católica.

Todos os espíritos procuravam libertar-se da crença na ordem sobrenatural que não se enquadrava rigorosamente dentro das leis da natureza proclamadas por Marx, Darwin e Freud, entre outros.

domingo, 21 de novembro de 2021

Milagre de Nossa Senhora em Covadonga (Astúrias) impediu a conquista de Espanha pelos mouros

Nossa Senhora de Covadonga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Sob a proteção de Nossa Senhora de Covadonga se iniciou a Reconquista da Espanha, com o milagre que Ela realizou socorrendo o Rei Don Pelayo e os pouquíssimos cavaleiros que estavam com ele nas montanhas das Astúrias, no monte Auseba.

Deu-lhes uma grandiosa vitória sobre os maometanos, justamente quando pareciam perdidos, premiando assim seu denodo, seu heroísmo e sua fé.

Em 718 estava D. Pelayo rodeado por duzentos mil homens do exército de Alkamah, lugar-tenente do Wali Helor.

O Bispo Dom Opas, que já havia pactuado, se adiantou para tentar convencê-lo da inutilidade de resistir e da conveniência de seguir seu exemplo.

Invocando o auxílio de Deus e da Virgem, que tinha como seguros, D. Pelayo rechaçou indignado a proposta traidora, dispondo-se a batalhar até o fim contra os inimigos da Fé.

domingo, 14 de novembro de 2021

Milagre de Covadonga parou invasão muçulmana

Gruta de Covadonga: local do milagre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No ano 722, em Covadonga começou a reconquista da Espanha invadida pelos árabes muçulmanos.

Foi ali que, segundo as crônicas, Pelayo (primeiro rei das Astúrias), derrotou aos seguidores de Maomé, com o auxílio miraculoso de Nossa Senhora.

Aquela vitória milagrosa deu início a 800 anos de Cruzada nos quais se constituiu a Espanha católica.

Cangas de Onís foi a capital do novo Reino de Astúrias até o ano 774.

Nela se estabeleceu o rei Don Pelayo, e desde ela empreendeu com seus homens diversas campanhas no norte da Espanha.

Cangas de Onís ficou com seu heroico rei como único foco de resistência ao expansionismo muçulmano até então invicto.

domingo, 7 de novembro de 2021

Convertido por uma Ave-Maria

Nossa Senhora, marfim

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O Bem-aventurado João Haroldo narra a história de um homem que vivia continuamente em pecado mortal.

Sua mulher, pessoa de angélica piedade, não podendo conseguir que ele mudasse de vida, obteve, à força de pedidos e súplicas, que rezasse uma Ave-Maria cada vez que encontrasse na estrada uma imagem da Santíssima Virgem. Mais por agradar do que por devoção, aquele desgraçado prometeu e cumpriu sua promessa.

Um dia, quando ia para uma orgia, viu brilhar uma luz a pouca distância. Aproximou-se, como que impelido por mão invisível e misteriosa, e logo se lhe deparou uma estátua de Maria com Jesus nos braços.

Segundo o seu costume, rezou a Ave-Maria. Mas quando ia acabar, reparou que o Menino Jesus estava coberto de feridas, das quais o sangue corria abundantemente. E pensou:
— Ai de mim! São meus pecados que abriram estas chagas em meu divino Redentor.

Estas reflexões arrancaram-lhe dos olhos lágrimas amargas. Mas o Menino Jesus desviou dele seu olhar. Então o pecador, com grande vergonha e confusão, dirigiu-se a Maria:
— Mãe de misericórdia, vosso Filho me rejeita. Intercedei por mim, pois vós sois meu único refúgio.
— Oh! Pecador ingrato! — respondeu-lhe Maria. — Chamais-me de mãe de misericórdia e me tornais a mais miserável das mães, renovando a Paixão de meu Filho e as angústias que nela sofri.

Contudo, como Maria não pode despedir ninguém sem consolação, pôs-se a pedir a seu Filho por aquele pecador contrito. Jesus mostrava-se pouco disposto a perdoar. Então a Virgem compassiva, depondo o Menino Jesus no chão e ajoelhando-se a seus pés, disse:

— Oh! Meu Filho! Não me levantarei enquanto não houver obtido o perdão para este infeliz.
— Minha Mãe, nada posso negar-vos. Que este pecador chegue-se mais perto e venha beijar minhas chagas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Comemoração dos fiéis defuntos: profundidade e grandeza da morte

Dominicanos visitam túmulo
Dominicanos visitam túmulo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O dia dos Fiéis Defuntos, ou Finados, é o dia no qual rezamos por todos os fiéis e por todas as almas que morreram e que porventura estejam no Purgatório.

É também o dia em que a Igreja nos recorda a realidade da morte.

Ela abre um precipício debaixo de nossos pés e nos faz ver uma multidão de almas que se encontram em estado de pena, de sofrimento.

domingo, 31 de outubro de 2021

Por que o culto a Todos os Santos?

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O culto de todos os Santos envolve o culto a todas as almas que estão no Céu, ainda que sejam almas não canonizadas.

Porque qualquer alma que se tenha salvo e que esteja no Céu é uma alma santa.

Ela está na presença de Deus, vê Deus face a face e agrada a Deus inteiramente.

Naturalmente o número de pessoas que estão no Céu é um número incontável.

Com esta festa a Igreja tem a possibilidade de cultuar adequadamente todos os Santos que Ela canonizou.

Mas, sobretudo, de cultuar um número enorme de almas que estão no Céu e às quais não se pode dedicar uma liturgia individual, porque de fato não se sabe se elas estão salvas ou não, mas espera-se que gozem da presença de Deus.

Por todas estas almas nós temos razões para rezar.

Nós também temos razões para pedir a proteção delas.

domingo, 24 de outubro de 2021

Reinado de Cristo Rei na Terra prefigura o Reino dos Céus

Cristo Rei, vitral da igreja dos Santos Felipe e Tiago, Oxford Fundo regiao de formacao de estrelas na Nuvem de Magellhaes, foto Hubble Space LaboratoryCristo Rei, vitral da igreja dos Santos Felipe e Tiago, Oxford Fundo regiao de formacao de estrelas na Nuvem de Magellhaes, foto Hubble Space Laboratory
Cristo Rei, vitral da igreja dos Santos Felipe e Tiago, Oxford
Fundo formação de estrelas na Nuvem de Magalhães,
foto Hubble Space Laboratory
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No último domingo de outubro a Igreja comemora a Cristo Rei (em 2021 é dia 28) e é muito proveitoso fazermos alguma reflexão a respeito.

Foi o Santo Padre Pio XI [então] gloriosamente reinante que instituiu essa solenidade a fim de reavivar entre os fiéis a lembrança da soberania de Jesus Cristo sobre as pessoas e os povos.

A verdade ensinada por Sua Santidade na Encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925 não é mais do que a reprodução do que a Igreja sempre ensinou e praticou.

Pio XI veio reafirmar em pleno século XX a tradição observada sempre pela Igreja, já no tempo em que o Papa Leão III coroava Carlos Magno Imperador do Ocidente.

As realidades terrestres nos foram dadas para considerarmos as celestes.

E, para melhor conhecermos o Reinado de Cristo no Céu, devemos imaginá-lo como é na Terra. Assim consideraremos melhor o reinado glorioso e eterno de Nosso Senhor Jesus Cristo no Céu.

Também as coisas erradas foram permitidas por Deus para conhecermos as certas por oposição.

Olhando bem o contrário do Reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo, teremos ideia do que é o verdadeiro reinado Cristo na Terra e, em consequência, do glorioso reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo no Céu.

domingo, 17 de outubro de 2021

Como, estando enferma, Santa Clara foi miraculosamente transportada, na noite de Natal, à igreja de São Francisco e aí assistiu ao ofício

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Estando uma vez Santa Clara gravemente enferma, tanto que não podia ir dizer o oficio na igreja com as outras freiras, chegando a solenidade da Natividade de Cristo, todas as outras foram a Matinas.

E ela ficou sozinha no leito, malcontente por não poder juntamente com as outras ir e ter aquela consolação espiritual.

Mas Jesus Cristo, seu esposo, não querendo deixá-la assim desconsolada, fê-la miraculosamente transportar à igreja de São Francisco e assistir a todo o ofício e à missa da meia-noite.

domingo, 3 de outubro de 2021

O violinista pobre de Cracóvia

A igreja de São Salvador, em Cracóvia, Polônia.
A igreja de São Salvador, em Cracóvia, Polônia.

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A igreja de São Salvador, no bairro de Zwierzyniec de Cracóvia, existe há 900 anos.

Ela teria sido construída pelo príncipe soberano Piotr Wlast, fundador legendário de 77 igrejas.

O arcebispo de Cracóvia lhe havia predito que ele recuperaria a visão, caso fundasse sete igrejas e três conventos.

Cheio de presunção, o soberano decidiu construir 70 igrejas e 30 conventos, dez vezes mais do que pediu o arcebispo. Porém, não recuperou a vista.

Ele recapitulou o que tinha feito e compreendeu seu pecado de orgulho.

E começou então a construir as sete igrejas e três mosteiros ordenados, entre os quais a igreja de São Salvador, fundada por volta do ano 1148.

Lá há um velho quadro que representa a Crucifixão. O singular é que o Crucificado está vestido com longas roupagens suntuosas e calçado com ricas sandálias.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

São Miguel Arcanjo: modelo do perfeito cavaleiro e do perfeito contemplativo

São Miguel Arcanjo. Gérard David (1460 – 1523). Kunsthistorisches Museum, Viena
São Miguel Arcanjo. Gérard David (1460 – 1523).
Kunsthistorisches Museum, Viena
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






São Miguel é o chefe que comandou a luta contra o demônio e o precipitou no inferno.

Ele é o chefe dos Anjos da Guarda dos indivíduos e das instituições.

E é, ele mesmo, o Anjo da Guarda da mais alta das instituições, que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Ele tem, portanto, uma função tutelar derrubando no inferno os que se levantam contra Deus Nosso Senhor, de um lado.

E protegendo a Igreja e aos homens nesse vale de lágrimas que é a vida, de outro lado.

Essas duas missões se concatenam.

Deus quis servir-se dele como de seu escudo, contra o demônio.

Deus quer que ele seja o escudo dos homens contra o demônio; e o escudo da Santa Igreja Católica contra o demônio.

domingo, 26 de setembro de 2021

A milagrosa história da imagem da Mãe do Bom Conselho de Genazzano - 2

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs










Estava confirmada a visão da Beata Petruccia. Tornava-se manifesto que a Santíssima Virgem desejava a conclusão das obras.

E a população, que acorrera, enlevada para prestar culto à Imagem, haveria de contribuir generosamente, de então em diante, para a construção da igreja.

Esta não tardou em ser concluída. E, enquanto nela os fiéis veneram o quadro da Virgem e do Menino, maravilhosamente transportado de Scútari pelos anjos, nela também dormem o sono da paz os restos mortais da Beata Petruccia, à espera da ressurreição final.

Os dois albaneses, que haviam ficado desconcertados pelo desaparecimento de sua tão querida Imagem, ignoravam o aparecimento desta última em Genazzano.

E andavam sem rumo pela Itália, na vã procura de seu tesouro perdido.

Quando lhes chegou aos ouvidos a notícia do ocorrido no lugarejo em que residia Petruccia, para lá se dirigiram.