domingo, 22 de março de 2020

São Sebastião: o vencedor das epidemias

São Sebastião, vencedor das epidemias. Igreja de Sant'Agostino, San Gimignano, Itália (detalhe).
São Sebastião, vencedor das epidemias.
Igreja de Sant'Agostino, San Gimignano, Itália (detalhe).
Luis Dufaur
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São Sebastião, o famoso mártir nasceu em Narbonne (atualmente na França) no ano 256 da era cristã, foi educado em Milão, norte da Itália, de onde era sua mãe.

Seu pai era militar e ele ingressou como soldado no exército do Império de Diocleciano e logo tornou-se primeiro capitão da guarda.

Nesta época, a Igreja e os cristãos sofriam duras perseguições por parte do imperador, que queria aniquilar o cristianismo.

Porém, Sebastião confortava os cristãos presos e os exortava ao heroísmo servindo-se do prestígio de sua condição de oficial.

Acabou sendo denunciado e conduzido à presença do imperador.

Sebastião venceu todo medo e com grande sabedoria e inspirado pelo Espírito Santo increpou o imperador.

quinta-feira, 19 de março de 2020

A peste, a fita de Nossa Senhora e o milagre

A peste era um flagelo contra o qual a medicina ainda não tinha encontrado remédio. Enterro de vítimas da peste negra em Tournai, Bélgica. Iluminura de 1353
A peste era um flagelo contra o qual a medicina ainda não tinha encontrado remédio.
Enterro de vítimas da peste negra em Tournai, Bélgica. Iluminura de 1353
Luis Dufaur
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Com os progressos da medicina moderna, não temos ideia do pavor que despertava antigamente a palavra peste.

O conhecimento do que são as bactérias causadoras da peste, como se propagam e como podem ser combatidas era praticamente nulo, e saber que a peste começou numa cidade era de apavorar.

No ano de 1008, na cidade de Valenciennes, norte da França, o pavor tinha razão de ser, pois em poucos dias morreram cerca de 8.000 pessoas!

Saber que a morte está por perto, sempre torna as pessoas mais religiosas.

Além disso, na França, as pessoas dessa época eram real e sinceramente religiosas. Por isso nada estranha que elas se tenham voltado ao Céu para pedir que as protegesse da peste mortal.

Havia perto da cidade um eremita de nome Bertelain, o qual também pediu à Virgem proteção para os habitantes.

domingo, 8 de março de 2020

Teófilo, o clérigo que vendeu a alma ao diabo

Nossa Senhora enxota o demônio e salva o clérigo Teófilo
Nossa Senhora enxota o demônio
e salva o clérigo Teófilo. Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
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Encravados nas modernas cidades europeias, erguem-se autênticos gigantes de pedra desafiando o tempo.

São as catedrais medievais, construídas por almas fervorosas que quiseram ver sua fé imortalizada através dos séculos.

Contemplando no silêncio o correr de eras históricas, constituem elas um ensinamento vivo da sabedoria da Igreja Católica.

Em suas esculturas de pedra e delicados vitrais coloridos espelha-se uma ordem ideal do universo.

A catedral foi por isso chamada "Bíblia dos pobres".

Algumas estátuas constituem verdadeiras obras-primas, tanto da escultura românica quanto da gótica.

Nesta "Bíblia de pedra e de cristal", os artistas de outrora esculpiram inúmeras parábolas, que ensinam de modo vivo as virtudes que o fiel católico deve praticar.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

“Alegrai-vos católicos”: Hino ao Apóstolo Santiago de Compostela

Luis Dufaur
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Autor: Mestre Alberto de Paris, falecido em 1177.

É a mais antiga partitura polifônica conhecida na Europa. Faz parte do Liber Sancti Jacobi, também referido como Codex Calixtinus ou Códice Calixtino, conservado na catedral de Compostela.

Este hino foi composto para ser cantado pelos peregrinos indo a Compostela.

A Escola de Polifonia de Notre Dame nasceu pela metade do século XII com cânticos religiosos, mas não litúrgicos, para serem cantados pelos operários enquanto construiam a catedral de Notre Dame de Paris.

Também eram cantados pelo povo nas procissões.

Por isso, o polifônico medieval é tido como o correspondente musical do espírito gótico que fez Notre Dame. Os primeiros autores ficaram no anonimato.



domingo, 9 de fevereiro de 2020

São Martinho de Tours e a capa que sacralizou a Cristandade

São Martinho de Tours divide sua capa com o pobre que resultaria ser Jesus Cristo. Museu de Cluny. Paris
São Martinho de Tours divide sua capa com o pobre que resultaria ser Jesus Cristo.
Museu de Cluny. Paris
Luis Dufaur
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No ano 316, na cidade de Sabária/Savária (atual Szombathely), antiga província romana de Panónia, atual Hungría, num tempo em que a Hungria não havia sido invadida pelos húngaros, a oeste do rio Danúbio, nascia Martinho no nobre berço do tribuno romano.

A família de Martinho obviamente não era cristã e adorava os falsos deuses greco-romanos, mas ele haveria de ser um dos promotores da maior e mais rápida cristianização da Europa.

Sua estirpe o conduziu a oficial das legiões romanas, então dominadoras da Europa. Logo ficou centurião (comandante de cem homens).

Porém, a graça tocou o coração do romano Martinho.

Apenas com vinte anos, chefes e soldados tinham um muito alto conceito do oficial pela sua coragem e generosidade.

Certa feita, perto das portas da cidade de Amiens, reparou um pobre miserável que morria de fio. Ninguém se incomodava impregnados como estavam dos duros costumes pagãos romanos.

Martinho então se despojou de sua prestigiosa capa de oficial e a cortou pela metade com a espada que havia usado no campo de batalha contra os inimigos do poder imperial.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Nossa Senhora é a alma da Cristandade
segundo um perspicaz ... protestante!

Catedral de Laon, França
Catedral de Laon, França



Plinio Maria Solimeo
Blog da Família




Segundo renomado historiador protestante, portanto insuspeito, a Santíssima Virgem sempre esteve no centro da vida medieval, sendo a alma da Cristandade



Durante séculos se criou uma legenda negra a respeito da Idade Média, tachando-a de uma época obscurantista e primitiva.

Isso se deveu sobretudo ao ódio de muitos ao papel exercido pela religião nesse tempo, assim descrito por Leão XIII em sua famosa encíclica Immortale Dei, de 1885:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados.

“Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil.

“Então, a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças aos favores dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. [...]

“Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”.

(Fonte: S.S. Leão XIII, Encíclica “Immortale Dei”, de 1º-XI-1885, "Bonne Presse", Paris, vol. II, p. 39).

domingo, 12 de janeiro de 2020

Rimini: onde a mula se ajoelhou ante a Eucaristia

Santo Antonio de Pádua e o milagre da mula, Joseph Heintz o jovem (1600-1678)
Basilica dei Santi Giovanni e Paolo, Veneza
Luis Dufaur
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Santo Antônio de Pádua (1195 — 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas.

A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, segundo lembrou a agência Zenit.

Entre esses opositores militavam hereges cátaros, patarines e valdenses.

Na cidade italiana de Rimini, o líder do erro cátaro, de nome Bonovillo, foi particularmente insultante.

Por volta do ano 1227 ele desafiou a Santo Antônio que provasse com um milagre a presença real do Corpo de Cristo na Eucaristia.

A provocação resultou no famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou “milagre da mula”, acontecido nessa capital da Emília-Romagna.

O desafio e o milagre conseguinte ficaram consignados em vários livros históricos – entre os quais o Benignitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulouse e em Bourges.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Os Reis Magos e a Estrela de Belém, segundo o maior dos exegetas católicos

Adoração dos Reis Magos, igreja do Santíssmo Sacramento, Buenos Aires.









Os varões privilegiados

Os varões privilegiados, conhecidos pela Cristandade como Três Reis Magos, foram escolhidos para estar entre os primeiros — depois de Nossa Senhora, São José e os pastores — a adorar o Divino Infante na gruta de Belém.

Quem foram eles?

E o que foi propriamente a radiosa estrela que os conduziu pelas áridas montanhas da Judéia, para se colocarem junto ao Salvador?

Cornélio a Lapide (1567-1637) no-lo explica em seus comentários sobre o trecho do Evangelho de São Mateus onde o episódio é narrado:

“Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, nos dias do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo:

‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo’”(Mt 21, 12).

Judá significa aqui a tribo de Judá, à qual a tribo de Benjamim aderiu após o cisma das dez tribos, provocado pelo rei Jeroboão. Essas duas tribos formaram o reino de Judá.

São Mateus acrescenta a referência a Judá para distinguir Belém da cidade de mesmo nome situada na tribo de Zebulão, na Galileia (cf. Josué, 19, 15).

Assim também comenta São Jerônimo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: ensinamentos sobre a glória de Nossa Senhora

Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência,
Rio de Janeiro
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma




O dogma da Imaculada Conceição ensina que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser.

Ela em momento algum teve qualquer nódoa do pecado original.

A lei inflexível pela qual todos os descendentes de Adão e Eva, até o fim do mundo, teriam o pecado original, se suspendeu em Nossa Senhora.

E naturalmente na humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora não ficou sujeita às misérias a que estão sujeitos os homens.

Não ficou sujeita aos impulsos, inclinações e tendências más que os homens tem.

Tudo nEla corria harmonicamente para a verdade, para o bem; tudo nEla era o movimento para Deus.

Nossa Senhora foi exemplo perfeito da liberdade da razão iluminada pela fé.

Ela queria inteiramente tudo o que era perfeito e não encontrava em si nenhuma espécie de obstáculo interior.

Ela era cheia de graça. De maneira que o ímpeto do ser dela se voltava só para a verdade, o bem, de modo verdadeiramente indizível.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma

O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição. Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.
Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
Luis Dufaur
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Em 8 de dezembro de 1854 rodeado o bem-aventurado Papa Pio IX se levantou para definir o dogma da Imaculada Conceição no esplendor da basílica de São Pedro.

Nesse momento o Santo Padre sobre quem teria descido um discreto mas perceptível raio de luz sobrenatural proclamou com voz solene e cadenciada:


domingo, 17 de novembro de 2019

A viagem milagrosa de Nossa Senhora das Vitórias, protetora de Bruxelas

Nossa Senhora das Vitórias
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A devoção a Nossa Senhora das Vitórias de Sablon começou no século XIV com um fato miraculoso.

Havia na cidade vizinha de Antuérpia uma imagem milagrosa conhecida como Notre Dame à la Branche (Nossa Senhora no Galho), que fora protetora daquela cidade e que estava na catedral.

Em 1348, Nossa Senhora apareceu duas vezes em sonho a Beatriz Soetkens, moradora de Antuérpia, ordenando-lhe levar a estátua em um barco até Bruxelas.

O translado teve algo de maravilhoso.

Em Bruxelas a imagem foi recebida pelo duque de Brabante e pela confraria dos besteiros – guerreiros da cidade – que havia sido avisada do prodígio.

Tendo recebido o nome de Nossa Senhora das Vitórias, a imagem foi instalada em uma pequena capela pertencente aos besteiros, localizada em um local ermo chamado Sablon (literalmente = areia fininha).

Desde então ela se tornou uma padroeira de Bruxelas, sua sentinela contra os perigos externos e guardiã de sua autonomia, sendo por isso proibido removê-la para fora de seus muros.

Em lembrança de sua milagrosa chegada no ano de 1348 foi instituída uma solene procissão conhecida popularmente como “Ommegang” (que no dialeto local significa procissão), a qual se realizava no domingo antes do Pentecostes.

domingo, 3 de novembro de 2019

“Glória, louvor e honra a Ti”: hino glorioso e, ao mesmo tempo, pesaroso

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São Teodulfo de Orleans (Zaragoza? 750 ‒ Angers, 821), monge beneditino, foi proposto para bispo de Orleans pelo imperador Carlos Magno em 794.

Quando ainda vivia no mosteiro compôs o hino “Gloria laus et honor” ‒ “Glória, louvor e honra a Ti”, que a liturgia católica canta no Domingo de Ramos.

São Teodulfo assumiu a direção da abadia de Fleury, ou Saint-Benoît sur Loire, onde fez guardar as relíquias de São Bento, o fundador dos beneditinos.

Hoje é um local de romaria.

As relíquias de São Bento estavam em Montecassino na Itália, mas a ameaça da invasão muçulmana levou a transladá-las a local mais seguro.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Indulgências na visita aos defuntos e "Os corpos dos santos repousam em paz"

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Indulgências na visita ao cemitério na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, ou DIA DE FINADOS (2 de novembro)


Segundo o “Manual das Indulgências – normas e concessões”, Enchiridion Indulgentiarum (3ª ed., maio de 1986. Tradução CNBB. Revisão Edson Gracindo)


13.Visita ao cemitério

Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório.

Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias do ano será parcial


domingo, 20 de outubro de 2019

Oração litúrgica ao Beato Carlos Magno: imperador cultuado em diversas dioceses

São Leão III instituiu o Sacro Império Romano Alemão no Natal de 800
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Em Carlos Magno, rei dos francos o Papa São Leão III instituiu o Sacro Império Romano Alemão.

O histórico fato aconteceu na noite de Natal do ano 800.

Na basílica de São Pedro, no Vaticano, conserva-se no chão a pedra sobre a qual deu-se a coroação.

Carlos Magno é cultuado como Bem-Aventurado em diversas dioceses antigas e prestigiosas da Europa.

Nessas dioceses as imagens do Beato Carlos Magno se encontram nos altares.

No dia de sua festa, há missa e ofício próprios.

Por isso, o avalizado Dom Guéranger, no seu famosíssimo Année Liturgique inclui a seguinte oração litúrgica ao grande Beato Carlos Magno:

domingo, 6 de outubro de 2019

Inexplicável: foi “pela intercessão da Santíssima Virgem e da devoção ao Santo Rosário”

A vitória humanamente inexplicável contra os inimigos da Fé
A vitória humanamente inexplicável contra os inimigos da Fé
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Milagre do Santo Rosário na batalha naval de Manila



Na primeira batalha que seria seguida de mais quatro, após cinco horas de combate, quando a fumaça se dissipou, a frota protestante estava em retirada.

Ela sumiu na escuridão da noite com dois barcos a menos. O lado espanhol-filipino só sofreu danos menores, registrou poucos feridos e nenhum morto. A primeira batalha tinha terminado.

Uma outra esquadra holandesa de sete galeões de guerra foi instruída a interceptar galeões provenientes do México que poderiam trazer reforços.

Na procura dessas naus foi dar sem saber com as “duas galinhas molhadas”, o “Encarnación” e o “Rosario”.

Foi assim que no dia 29 de julho acabou se livrando a segunda batalha de Manila. No fim de um intenso combate, os protestantes partiram em retirada acusando consideráveis danos e baixas.

As “duas galinhas molhadas” acertavam com uma pontaria e facilidade que surpreendia aos artilheiros que bradavam '“Ave Maria”
As “duas galinhas molhadas” acertavam com uma pontaria e facilidade surpreendente
no momento que os artilheiros bradavam '“Ave Maria!”
A “Encarnación” só lamentou dois feridos e a “Rosario” perdeu cinco homens, embora a batalha foi das mais sangrentas.

Logo depois aconteceu a terceira batalha.

Foi no dia 31 de julho, festa de São Inácio de Loyola.

Os marinheiros espanhóis e filipinos das “duas galinhas molhadas” notaram com surpresa que seus canhões e mosquetes funcionavam com incrível precisão.

De terço na mão um canhoneiro garantia ter acertado 19 disparos continuados sem erro e bradava “Viva La Virgen!”

Quando a nave capitã holandesa afundou, a tripulação da “Encarnación” clamava “Ave Maria!” e “Viva la Fe, Cristo y la Virgen Santisima del Rosario!”

Os oficiais espanhóis acharam miraculosa a vitória e a atribuíram a Nossa Senhora do Santíssimo Rosário.

O General Orella “caiu de joelhos diante de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e deu graças publicamente pela vitória atribuindo-a à Sua intercessão”.

A frota holandesa se retirou para reparações e a espanhola voltou a Manila onde os tripulantes foram a pé até o santuário de “La Naval” para cumprir suas promessas.

Nossa Senhora do Rosário, 'la Naval de Manila'.
Nossa Senhora do Rosário, 'la Naval de Manila'.
Mas novos atos de pirataria confirmaram que os holandeses não tinham desistido.

No meio tempo, uma galera com 100 marinheiros e uma escolta de 4 brigantins reforçaram as “duas galinhas molhadas”.

Na quarta batalha, acontecida em 15 de setembro, essa esquálida frota localizou a armada protestante na costa da ilha Mindoro.

Após troca de fogo a longa distância, a “Rosario” foi rodeada por barcos inimigos no início da noite não podendo ser auxiliada.

A um certo momento parou de disparar e os protestantes holandeses se aproximaram para liquidá-la.

Mas foi um estratagema, quando estavam perto todos os canhões católicos dispararam à uma e os holandeses tiveram que se retirar.

A quinta batalha aconteceu quando os navios holandeses em retirada comunicaram ao resto da frota que os espanhóis estavam com pouca pólvora e munição.

Os holandeses então num esforço supremo se lançaram sobre a nave insígnia “Encarnación” cujo capitão os deixou se avizinhar sem reagir.

A “Encarnación” usou a mesma estratagema da “Rosário” na batalha anterior.

Os marinheiros filipinos e espanhóis ficaram escondidos.

Quando a nau holandesa encostou para a abordagem surgiram de surpresa disparando à uma seus mosquetes e arcabuzes.

As perdas protestantes foram muito pesadas e o inimigo fugiu às presas.

O almirante Francisco de Estevar lançou sua galera movida a remo e os marinheiros remando ao ritmo da “Ave Maria”.

Só tinha um canhão na proa e algumas colubrinas, mas quase afundou um galeão de guerra, pôs o inimigo em pânico.

Esse fugiu perseguido pelas “duas galinhas molhadas” até desaparecer no horizonte.

Nunca mais voltaram.

No dia 20 de janeiro de 1647, a cidade comemorou a vitória decisiva com solene procissão, Missa e parada.

Ao ritmo do Ave Maria, a galera a remo investiu o galeão artilhado e o pôs em fuga
Ao ritmo do Ave Maria, a galera a remo investiu o galeão artilhado e o pôs em fuga
Desde então, a festa de Nossa Senhora do Santíssimo Rosário La Naval de Manila é celebrada no segundo domingo de outubro.

As circunstâncias excepcionais da vitória levaram a arquidiocese de Manila a encomendar um inquérito eclesiástico conduzido pelo procurador geral da Ordem Dominicana, Frei Diego Rodrigues, O.P.

Após um consciencioso exame, ouvidas as testemunhas, “o venerável Decano e o Capítulo da Arquidiocese de Manila declarou milagrosas as vitórias obtidas pelos defensores da religião nas Filipinas contra os holandeses, no ano de 1646.”

A declaração eclesiástica oficial datada em 9 de abril de 1652 registra para a História:

“Devemos declarar e declaramos que as cinco batalhas descritas nos testemunhos, em que dois galeões sob as insígnias católicas venceram inimigos holandeses foram e devem ser cridas como miraculosas, e que foram obtidas pela Soberana Majestade de Deus por meio da intercessão da Santíssima Virgem e da devoção ao Santo Rosário”.



Inexplicável: foi “pela intercessão da Santíssima Virgem e da devoção ao Santo Rosário” (espanhol)









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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Milagre de Nossa Senhora do Rosário na batalha naval de Manila

Nossa Senhora do Rosário de La Naval de Manila fez milagre comparado ao de Lepanto
Nossa Senhora do Rosário de La Naval de Manila fez milagre comparado ao de Lepanto
Luis Dufaur
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O milagre de cinco vitórias navais consecutivas contra invasores protestantes holandeses muito mais poderosos se deveu à intercessão de Nossa Senhora do Rosário, mais conhecida como Nuestra Señora de La Naval de Manila. Cfr. “Batalla de La Naval de Manila”,

Em 9 de abril de 1652, as sucessivas vitórias contra um adversário esmagadoramente maior em número e armamento foram declaradas milagre pela arquidiocese de Manila após minuciosa investigação canônica.

As cinco batalhas sucessivas foram livradas em águas filipinas em 1646, durante a Guerra dos Oitenta Anos que opôs a Holanda protestante insurgida contra seu rei Felipe II da Espanha.

As forças católicas espanholas incluído muitos voluntários filipinos contavam no auge do conflito apenas com três antigos galeões provenientes de Acapulco, México, uma galera e quatro bergantins.

A frota protestante atacante dispunha de dezenove naus de guerra, divididas em três corpos.

As Filipinas estavam sendo evangelizadas por missionários espanhóis e mexicanos. A capital Manila era o centro de um ativo comercio marítimo que atraia a cobiça da pirataria de várias potências.

A primeira esquadra holandesa que atacou as Filipinas foi comandada por Oliverio van Noort. Em 14 de dezembro de 1600 foi desfeita pela frota espanhola.

Novo assalto foi repelido em 1609 e concluiu na batalha de Playa Honda, donde morreu o comandante protestante François de Wittert.

Em outubro de 1616 uma outra frota holandesa de dez galeões comandado por Joris van Spilbergen (Georges Spillberg) foi derrotada na “segunda batalha de Playa Honda”.

Galeão de guerra holandês
Galeão de guerra holandês
Nos anos subsequentes a frota holandesa se limitou a operações de pirataria com escasso ou nulo sucesso.

Juan de los Ángeles, sacerdote dominicano feito prisioneiro dos protestantes escreveu que eles “não falavam de outra coisa senão de como conquistar Manila”.

Para esse fim concentraram uma força naval formidável nos portos de Jacarta na Indonésia e em Formosa.

Segundo as testemunhas reuniram mais de cento cinquenta barcos de diversos tamanhos bem equipados de marinheiros, soldados, artilharia e fornecimentos necessários. Também dispunham de sampanas ou barcaças com muçulmanos dispostos a pilhar e massacrar a população católica.

Em sentido contrário, as Filipinas passavam por uma situação desesperadora.

Uma série de erupções vulcânicas entre 1633 e 1640 devastaram Manila e circunvizinhanças matando grande número da população.

As aldeias dos nativos também foram arrasadas; grandes rachaduras e até abismos apareceram nos campos; os rios alagaram cidades e povoados.

A falta de alimentos paralisou a capital e os muçulmanos de Mindanao liderados pelo sultão Kudarat se revoltaram em diversas ocasiões.

Os piratas holandeses atacavam os barcos que levavam socorros ou mercadorias até as Filipinas provenientes do México e da China.

O novo governador geral, Diego Fajardo Chacón encontrou o país sem força naval. O novo arcebispo de Manila, D. Fernando Montero de Espinosa morreu por febres hemorrágicas assim que chegou.

Em 1646, os protestantes realizaram um grande conselho em Nova Batávia (Jacarta), e acharam o momento propício para lançar um ataque decisivo. Cfr. Our Lady of La Naval de Manila

O momento humanamente angustiante foi a hora de “La Gran Señora de Filipinas, Nuestra Señora del Santísimo Rosario - La Naval de Manila”, ou simplesmente “La Naval” como os filipinos falam de sua Padroeira.

Os católicos lhe atribuem uma intervenção tão decisiva quanto a de Nossa Senhora do Rosário na batalha de Lepanto em 1571.

Por isso, o Papa São Pio X ordenou sua coroação canônica no dia 5 de outubro de 1907.

Ela está faustosamente adornada especialmente após 310.000 fiéis liderados pelos professores da Universidade de Santo Tomás, doarem suas joias, pedras preciosas, ouro e prata para dita coroação, que se somaram ao rico tesouro que já tinha.

Nossa Senhora do Rosário de La Naval de Manila
A imagem é de madeira de lei mas seu rosto, mãos e o Menino Jesus são de marfim.

Também os papas Leão XIII, Pio XII, Paulo VI e João Paulo II a honraram com específicos atos pontifícios.

Durante os bombardeios da II Guerra Mundial, por precaução, a imagem foi transferida a um santuário dominicano na cidade de Quezon onde é venerada até o dia de hoje. Cfr. Nobility.org

Os primeiros missionários dominicanos chegaram às Filipinas em 1587 e logo difundiram a devoção ao terco e a uma imagem de Nossa Senhora do Rosário que tinham trazido do México.

Naturalmente a imagem do Rosário “La Naval” foi confiada aos padres dominicanos.

O artista chinês que fez as partes em marfim acabou se convertendo ao catolicismo. Ela possui um inequívoco ar oriental embora o modelo seja os das imagens espanholas.

A devoção atingiu uma extraordinária expansão nas ilhas.

Mas, em fevereiro de 1646, as informações chegaram alarmantes: barcos holandeses estavam tomando posições nas ilhas visando o ataque contra a capital Manila.

O governador geral só dispunha de dois velhos galeões comerciais aportados do México, que ele adaptou com alguns canhões tirados dos fortes.

Os oficiais navais que comandavam os dois galões, sem falar um com o outro, fizeram voto de ir ao santuário de Nossa Senhora do Rosário com seus homens em sinal de gratidão caso obtivessem a vitória.

Os velhos galões foram rebatizados “Encarnación” e “Rosario”. Os frades dominicanos pregaram e confessaram a oficiais e marinheiros. Também cobraram deles que rezassem vocalmente o rosário durante o combate naval.

O governador-geral Fajardo Chacón mandou que o Santíssimo Sacramento ficasse exposto permanentemente na capela real e em todas as igrejas da capital.

E partiu para encontrar a frota protestante em Bolinao no golfo de Lingayen no dia 15 de março de 1646.

À vista daqueles decrépitos galões, os protestantes caíram na gargalhada e os apelidaram de “as duas galinhas molhadas”.



A vitória só possível para o milagre e a Fé