domingo, 16 de junho de 2019

A Santa Casa de Loreto (2)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O lugar onde se acha o santuário da Santa Casa de Loreto fica no meio do caminho que conduz ao porto de Recanati.

O outeiro sobre o qual pousou foi depois nivelado, e se acha agora no centro da cidade que ali se ergueu, e que tomou o nome de Loreto.

As múltiplas transladações da santa casa de Nossa Senhora não fizeram senão despertar cada vez mais a curiosidade e a devoção dos fiéis, não somente das províncias próximas, mas até dos países mais remotos, enriquecendo-se este augusto santuário com os mais preciosos donativos.

Quatro anos depois deste último e maravilhoso acontecimento, o concurso dos romeiros, já tão prodigioso, tornou-se ainda maior na ocasião do primeiro jubileu do ano santo, que se realizou em Roma em 1300.

A santa casa de Loreto foi depois encerrada em uma magnífica igreja, começada por Paulo II e concluída pelos seus sucessores.

O Papa Leão X imaginou os magníficos relevos em mármore branco, com os quais estão cercadas as paredes da santa casa.

Sixto V fez gravar na fachada, em caracteres de ouro, esta breve mas sublime inscrição: "Casa da Mãe de Deus. Onde o Verbo se fez Carne".

Pode-se dizer, sem contradição, que este santo lugar se tornou um dos mais privilegiados do mundo.

A igreja forma uma cruz latina, cujo centro é coroado por uma magnífica cúpula ornada de uma lanterna, que o peregrino saúda de muitas léguas, como o navegador saúda o farol que o vai dirigir para o porto.

Tudo quanto no Velho e Novo Testamento se refere ao Batismo, se acha representado ali.

Quatro estatuazinhas, de um lavor delicado, estão nos quatro cantos da pia batismal. A primeira representa a Fé, com esta divisa: "Ela não pode ser enganada".

A segunda, a Esperança, com estas palavras: "Ela não pode ser abalada".

A terceira, a Caridade: "Ela não pode ser dividida". A quarta, a perseverança: "Ela não pode ser quebrada". Eis aí os maravilhosos efeitos do batismo e os grandes caracteres do cristão.

A santa casa tem 8,9 metros de comprimento por 3,8 metros de largura. As paredes não são de tijolos, mas de pedras duras de cor avermelhada, sobre as quais serpenteiam pequenos veios amarelos.

Nenhum alicerce sustenta a casa, cujas paredes descansam sobre a terra nua, e até, por causa de desigualdade do terreno, de um lado não tocam no chão.

O antigo telhado já não existe, as suas telhas foram colocadas debaixo do pavimento atual.

Uma peça do vigamento primitivo está ao nível do pavimento, onde, apesar de continuamente trilhada pelos pés dos peregrinos, não se estraga.

À esquerda da santa casa acha-se o santo armário. Ali se conservam duas pequenas tigelas que serviram, com várias outras, para os usos da Sagrada Família.

São de barro cozido, de uma cor esbranquiçada, listradas de vermelho.

Atrás do altar há uma pequena cômoda chamada "il santo camino", por causa da antiga chaminé colocada no fundo.

Ali se conserva uma terceira tigela que, por um feliz privilégio, escapou à espoliação francesa de 1797.

Está coberta de lâminas de ouro, sobre as quais estão gravados os dois mistérios da Anunciação e da Natividade do Senhor.

Se bem que o tesouro, esvaziado pelas guerras e pelas pilhagens, tenha sofrido grandes desfalques, ainda tem com que surpreender.

Nele se vê multidão inumerável de corações de ouro e de prata, de estofos preciosos, cálices, pérolas, diamantes, quadros, castiçais, relógios, anéis, cruzes, estátuas, vasos, custódias, coroas, colares, rosetas, lâmpadas e outros objetos preciosos.

É um belo espetáculo, o de todas essas riquezas oferecidas pelos pontífices e pelos reis, pelos príncipes e pelos cristãos de todos os países, ao Deus feito pobre para nos salvar, e à doce Virgem, nossa Mãe e dispensadora de todos os tesouros do Céu.


("Maria ensinada à mocidade" - Livraria Francisco Alves, 1915)


Vídeo: A Santa Casa de Loreto






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domingo, 9 de junho de 2019

De joelhos, sozinho, na meia luz e no silêncio ante o Santíssimo Sacramento


Luis Dufaur
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Neste ano a festa de Corpus Christi se comemora o dia 20 de junho.



O maná que Deus enviou para alimentar os judeus durante a travessia do deserto, após abandonar o Egito sob a direção do profeta Moisés rumo à Terra Prometida, mudava de gosto.

Por causa disso diante do Santíssimo Sacramento exposto, antes de dar a bênção, o padre ajoelhado usando uma muito bonita capa pluvial cantava: Panem de caelo, prestistis eis alelluia, Vós destes a eles pão do Céu, aleluia. Quer dizer, o maná.

O coro respondia: Omne delectamentum in se habentem, alelluia, Que tinha em si todos os sabores aleluia.

Isso fazia parte daquela distinção, daquela classe, daquela categoria, de uma bênção do Santíssimo Sacramento bem dada.

Com o Santíssimo resplandecente dentro de um sol de ouro, a interlocução entre o oficiante e o povo representado pelo coro, era esta: vós destes a eles um pão do Céu.

E o coro respondia: que contém em si todos os sabores.

domingo, 2 de junho de 2019

A Santa Casa de Loreto (1)

Luis Dufaur
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A santa casa de Loreto é a casa que testemunhou o grande mistério da Encarnação, quando o Arcanjo, resplandecente de luz, foi enviado do Céu à terra para trazer ao gênero humano a maior e mais consoladora nova.

Naquela casa morava uma donzela humilde e modesta; provavelmente nela nascera, era a casa de seus pais. Era virgem, e chamava-se Maria.

Foi ali que Jesus Cristo habitou, submisso a José e Maria, durante os trinta primeiros anos de sua vida mortal.

A casa foi milagrosamente transportada pelos anjos, no fim do século XIII.

A piedosa imperatriz Santa Helena fizera encerrar a santa casa de Nazaré num magnífico templo, conservando intacta a casa preciosa na qual a Sagrada Família habitara.

Em todos os tempos essa casa foi um santuário visitado pelos mais ilustres e santos personagens, entre os quais a História faz menção de São Luís IX, rei de França, que ali recebeu a sagrada comunhão, com extraordinárias consolações, no dia Anunciação de 1252.

Pouco depois, os muçulmanos do Egito irromperam no território da Palestina e destruíram o magnífico templo no qual se achava a santa casa de Nazaré, que assim ficou exposta a todas as profanações.

Deus subtraiu ao furor dos ímpios esse precioso santuário, por meio de um dos maiores prodígios de que a História faça menção.

E também atraiu, mais do que nunca, a atenção de toda a cristandade sobre um monumento tão digno de nosso respeito e veneração.

A primeira transladação se deu no dia 10 de maio de 1291.

Viu-se de repente perto de Terçado, na Dalmácia, uma pequena casa situada sobre um outeiro, onde jamais se tinha visto nem a mais simples choupana.

Mas a surpresa foi ainda maior quando se ouviram algumas pessoas afirmarem ter visto essa casa suspensa no ar, antes de pousar sobre o outeiro.

Espalhando-se a notícia deste prodígio, o povo acudiu de todas as partes, examinou o edifício de perto, e notou com espanto que estava assentado sobre um terreno desigual, sem alicerces.

Além disso, à medida que penetravam no interior, novos objetos lhes excitavam a curiosidade: um altar, uma cruz, uma estátua de cedro representando Maria Santíssima com o Menino Jesus.

Entretanto, aí chega de repente nesse santuário o pároco do lugar, por nome Alexandre de Georgio, que se achava doente havia três anos, quase sem esperança de sarar.

Contou ele que lhe apareceu Maria Santíssima, que o curou e lhe disse que a casa recém-chegada no seu país era a mesma casa de Nazaré, onde, por obra do Espírito Santo, concebera o Verbo de Deus.

Não é fácil dar uma ideia da alegria do povo, vendo seu pastor repentinamente curado e ouvindo a narração da revelação que lhe fora feita por Maria Santíssima a respeito da excelência do Santuário com que todos foram favorecidos.

Nossa Senhora de Loreto
O governador da Dalmácia, Nicolau Frangipani, veio também visitar a santa casa. Admirado de tão maravilhosa transladação, mandou a Nazaré quatro comissários encarregados de verificar:
1) se de fato desaparecera a casa de Maria;
2) se alguém a tirou;
3) se os alicerces dela ali estavam;
4) se as dimensões dessas bases concordavam com as das paredes da casa transportada;
5) afinal, se a pedra de que era feita era a mesma.

Os delegados, chegados a Nazaré, adquiriram plena certeza de que a casa venerada na Dalmácia era realmente a de Maria e de José.

Não sabemos por que a Dalmácia perdeu tão depressa este precioso monumento. A transladação milagrosa para a Dalmácia não era senão o princípio dos prodígios que Deus queria fazer para atrair a atenção do mundo cristão sobre um objeto tão digno de veneração.

No dia 10 de dezembro de 1294, três anos e meio depois de ter aparecido na Dalmácia, a santa casa se elevou de novo nos ares.

Atravessando o mar Adriático, foi colocar-se no meio de um bosque de loureiros, a pouca distância da cidade de Recanati, na Marca de Ancona, três dias antes que o soberano pontífice Celestino V renunciasse à dignidade augusta de chefe da Igreja.

O bosque de loureiros no qual foi pousar a santa casa parece ser a origem do nome que lhe deu, de Nossa Senhora de Loreto.

Os primeiros chamados para contemplar este novo prodígio foram, como no nascimento do Salvador, simples pastores que velavam durante a noite, guardando seus rebanhos.

Uma luz extraordinária, que rodeava a santa casa, inspirou-lhes o desejo de ver de perto a causa do fenômeno.

Aproximando-se, ficaram admirados à vista de uma casa desconhecida e dos objetos religiosos que encerrava.

Cheios de profunda veneração, passaram o resto da noite em oração naquele lugar sagrado.

A fama deste acontecimento espalhou-se logo e atraiu grande número de espectadores e piedosos romeiros.

Em breve, este primeiro movimento da fé foi poderosamente favorecido pelos milagres e graças extraordinárias que ali se recebiam.

Enquanto uma multidão de piedosos fiéis acorreu a esta nova fonte de graças, o inimigo do gênero humano se esforçava para as tornar inúteis, infestando aqueles lugares com os furtos e as rapinas, por cuja causa ia diminuindo o concurso dos piedosos fiéis.

Deus, porém, remediou bem depressa este inconveniente com uma terceira transladação.

Oito meses depois da sua chegada ao bosque dos loureiros, a santa casa transportou-se de repente sobre um outeiro situado também a pouca distância da cidade de Recanati, lugar pertencente a dois irmãos de uma nobre família.

Mas como estes dois irmãos se armassem um contra o outro, excitados pela cobiça das ricas ofertas que ali se faziam, pouco faltou que banhassem com o próprio sangue aquela terra santificada com a presença da augusta habitação de Maria Santíssima.

Deus, porém, que não detesta menos as dissensões fraternas do que a cobiça, removeu ainda uma vez a santa casa para transportá-la a pequena distância, sobre um outeiro mais elevado.

Esta última transladação deu-se quase no fim de 1295, quatro meses depois que a santa casa havia chegado sobre o outeiro dos dois irmãos.



continuará em próximo post: A Santa Casa de Loreto (2)


Vídeo: A Santa Casa de Loreto






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domingo, 19 de maio de 2019

O milagre de Nossa Senhora de Nazaré
e o retorno da imagem fugitiva

O milagre
Luis Dufaur
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A origem da devoção a Nossa Senhora de Nazaré se prende a um fato ocorrido por volta do ano de 1150 em Portugal.

“Estando um jovem e vistoso cavalheiro português Dom Fuas Roupinho à caça de um veado entre intensa neblina vê-se subitamente no alto de um rochedo à beira-mar, e se seu cavalo não houvesse estancado, ter-se-ia precipitado ao mar.

“Cheio de terror e considerando o perigo, agradeceu ao Senhor de toda alma a sua salvação.

“Mas o perigo não passara de todo, pois o cavalo não podia avançar nem recuar sem precipitar-se no abismo.

“Procurando uma saída, nota o cavaleiro uma imagem de Nossa Senhora numa caverna do rochedo.

“E cheio de fé, lança-se aos seus pés implorando socorro.

“Ao tomar a imagem nas mãos nota um pequeno pergaminho preso a ela que narra ter sido venerada essa imagem já em Nazaré, há muito tempo - portanto em Nazaré da Palestina.

domingo, 5 de maio de 2019

O Anjo do Senhor: mais uma oração do tempo das cruzadas


Luis Dufaur
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Outrora, ao som das Ave-Marias, todos se ajoelhavam para rezar o “Anjo do Senhor”.

São Carlos Borromeu não se acanhava de descer da carruagem para recitá-lo de joelhos na rua, muitas vezes na lama.

A recitação do Angelus data do tempo das cruzadas, e foi prescrita pelo Papa Urbano II em memória da Anunciação de Maria — cuja festa é celebrada a 25 de março — verdadeiro início dos novos tempos de graça e reconciliação da humanidade com Deus.

Em alguns países (Itália e Alemanha) começaram os fiéis a recitá-lo também de manhã. A forma atual do “Anjo do Senhor” valia por uma profissão de fé.

Quem não o rezasse ao toque das Ave-Marias ficava suspeito de ser protestante ou herege.




domingo, 7 de abril de 2019

Nossa Senhora de Avioth:
reanimadora das crianças mortas sem batismo

Nossa Senhora de Avioth: ranimava as crianças mortas sem batismo
Luis Dufaur
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A fé pode mover montanhas, e Nossa Senhora não fica alheia aos esforços das pessoas cheias de fé.

É o que nos mostra a história desta devoção mariana na França

O contraste não poderia ser mais notório: uma igreja enorme, para uma cidadezinha muito pequena.

Os 125 habitantes de Avioth, vila francesa a poucos quilômetros da fronteira com a Bélgica, podem entrar todos juntos na igreja e ainda sobra muito, mas muito espaço mesmo.

A primeira pergunta que ocorre ao espírito é se a cidadezinha já foi bem maior e, sei lá por que motivos, hoje mora pouca gente no local.

Mas não é isso. A resposta está ligada à história da imagem de Nossa Senhora de Avioth.

No ano de 1100 os lavradores descobriram uma imagem num matagal de espinhos, no local chamado “d’avyo”, que com o tempo se transformou em Avioth.

Passada a surpresa, decidiram levá-la à igreja de Saint Brice, a dois quilômetros dali. Mas na manhã seguinte a imagem tinha voltado ao exato local de onde a tinham tirado.

Resultado: decidiram deixá-la no lugar e venerá-la ali mesmo.

Análises mostram que a imagem foi esculpida em madeira, antiga de uns 900 anos. Nossa Senhora tem um cetro na mão e segura o Menino Jesus.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O misterioso barrilzinho do ermitão corajoso e o impenitente

BA catedral de Bayeux, Normandia, na bruma
A catedral de Bayeux, Normandia, na bruma
Luis Dufaur
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Havia nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.

De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.

Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.

Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.

Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:
— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.
— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.
— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.
— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.
— Vinde ao menos fazer-nos companhia.
— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.

domingo, 18 de novembro de 2018

Desde o Céu as almas vêem o que acontece e interferem na nossa terra

Luis Dufaur
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Para os medievais, esta terra não tinha um teto fechado e um chão de chumbo que confina os homens.

Pelo contrário, para cima eles tinham certeza que o mundo das almas que se salvaram agia e participava nesta nossa vida.

E que era possível pela oração se comunicar com esse mundo imerso na glória divina. E vice-versa, acreditavam e experimentavam também que o inferno se agita e vive espalhando caos.

Não era uma mera crendice. Esses horizontes superiores e inferiores têm plena justificação na mais estrita teologia católica.

Eis como explica essa interação o famoso teólogo dominicano Reginald Garrigou Lagrange O.P.:



Os bem-aventurados veem também em Deus, in verbo, a humanidade santa que o Filho único assumiu para sempre a fim de nos salvar.

Contemplam nela a graça da união hipostática, a plenitude da graça, da glória e da caridade da alma santa de Jesus, o valor infinito dos seus atos, o valor infinito de cada Missa, a vitalidade sobrenatural de todo o corpo místico da Igreja triunfante, padecente e militante.

Contemplam admirados as prerrogativas de Cristo como Sacerdote eterno, como Juiz dos vivos e dos mortos, como Rei universal de todas as criaturas e como Pai dos pobres.

domingo, 4 de novembro de 2018

A devoção a Nossa Senhora e o senso da honra

Nossa Senhora na abadia de St-Denis, Paris. Provém da arrasada abadia de Cluny.
Nossa Senhora na abadia de St-Denis, Paris. Provém da arrasada abadia de Cluny.
Luis Dufaur
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A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

domingo, 23 de setembro de 2018

Na festa de São Miguel Arcanjo : 29 de setembro


Luis Dufaur
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Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

E o Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

São Miguel é comumente designado como Arcanjo.

Entretanto, tal qualificação pode ser genérica e não significar que ele pertença ao oitavo coro de Anjos (os Arcanjos).

domingo, 9 de setembro de 2018

“Rorate Caeli”: sublime oração para nossos dias

Rorate caeli, miniatura em antifonario medieval
Rorate caeli, miniatura em antifonario medieval
Luis Dufaur
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No Advento, o tempo litúrgico de preparação para a vinda do Salvador, a Igreja canta o “Rorate Caeli”.

É uma das mais belas e sublimes composições na história do catolicismo.

Ela também cantada em todas as épocas do ano, sobre tudo nos momentos de compunção em que desejamos implorar a graça com intensidade especial.

Seu refrão é tirado do livro do profeta Isaías que suplica:

“Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho, que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e ao mesmo tempo faça germinar a justiça!

Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso”. (Isaias, 45, 8).

O “Rorate Caeli” implora com compunção e fé a vinda do Messias, fazendo penitência e pondo a confiança na Redenção que se avizinha.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

A segunda parte da Ave Maria


Luis Dufaur
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A primeira parte da Ave Maria, ou Saudação Angélica, foi recitada pela primeira vez pelo Arcanjo São Gabriel no momento da Anunciação da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Até o século XV, a Ave-Maria não incluía a jaculatória que começa com “Santa Maria”, e terminava com as palavras “Jesus Cristo. Amém”.

Daí em diante ajuntou-se-lhe: “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores. Amém”.

domingo, 29 de julho de 2018

Como o Papa São Leão Magno domou a cólera de Átila

O Papa São Leão Magno. Fresco em Subiaco, Itália
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Átila, chefe dos bárbaros hunos vinha saqueando a Itália toda.

As autoridades de Roma imploraram ao Papa São Leão que fosse dissuadir o temível bárbaro.

São Leão Magno foi revestido dos paramentos pontificais.

“Como um leão que não conhece medo nem tardança, este varão se apresentou para falar ao rei dos hunos em Peschiera, pequena cidade próxima de Mantua, e moveu o vencedor a voltar”, diz um cronista da época.

Átila prometeu a paz, fez cessar as hostilidades, e retornou à sua terra atravessando os Alpes.

Os bárbaros perguntaram a seu chefe por que, contra seu costume, havia mostrado tanto respeito para com o Papa.

Átila respondeu que “não foi a palavra daquele que veio me encontrar que me inspirou um medo tão respeitoso; mas eu vi junto a esse Pontífice um outro personagem, de um aspecto muito mais augusto, venerável por seus cabelos brancos, que se mantinha em pé, em hábito sacerdotal, com uma espada nua na mão, ameaçando-me com um ar e um gesto terríveis, se eu não executasse fielmente tudo o que me era pedido pelo enviado”.

Esse personagem era o Apóstolo São Pedro. Segundo outra tradição, o Apóstolo São Paulo estava também presente.

domingo, 22 de julho de 2018

“Adoro te devote” (“Adoro-Vos devotamente”)
hino a Jesus Sacramentado

Igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
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Adoro te devote é um dos cinco hinos que Santo Tomas de Aquino compôs em louvor de Jesus presente no Santíssimo Sacramento incluídos em el Missale Romanum de 1570 após o Concilio de Trento (1545–1563).

As circunstâncias em que foram escritos são famosas. O Papa Urbano IV instituiu para a Igreja a festa solene de Corpus Christi com a bula Transiturus em 8 de setembro de 1264, impulsionado definitivamente pelo Milagre de Bolsena.

Na ocasião o Papa estava em Orvieto quando numa pequena cidade vizinha chamada Bolsena, ocorreu o Milagre. Um sacerdote que duvidava da transubstanciação na Santa Missa, no momento de partir a Sagrada Hóstia, saiu dEla sangue em tal abundância que empapou o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa) e se derramou pelo chão do altar.

O padre correu a Orvieto para contar ao Papa o acontecido. Urbano IV mandou conferir o fato e ante as evidências irrefutáveis instaurou a festa de Corpus Christi.

O corporal empapado do Divino Sangue é esplendidamente conservado na basílica de Orvieto construída para esse efeito e é levado na procissão de Corpus Christi todos os anos.

Em Bolsena é venerado o chão manchado com o mesmo Sangue do Milagre.

O mesmo Papa pediu também a Santo Tomás de Aquino e São Boaventura que se encontravam com ele que compusessem os hinos para a Missa de Corpus Christi.

Quando Santo Tomás de Aquino começou a ler o que tinha composto, São Boaventura rasgou os seus. Os outros hinos e sequências são: