domingo, 30 de junho de 2019

A Ladainha Lauretana: significados pouco conhecidos

Nossa Senhora do Rosário, México
Nossa Senhora do Rosário, México
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A palavra ladainha vem do grego e significa súplica.

Mas desde o início da Igreja ela foi utilizada para indicar as rezadas em conjunto pelos fiéis em procissão às diversas igrejas.

Há numerosas ladainhas, dependendo do que é pedido nas diversas procissões.

Quando a Santa Casa na qual morou Nossa Senhora em Nazareth foi transportada milagrosamente para a cidade de Loreto (Itália), em 1291, a feliz novidade deu início a numerosas peregrinações.

Uma série de súplicas a Nossa Senhora foi sendo composta pelos peregrinos que A invocavam por seus principais títulos de glória.

Posteriormente essa ladainha era cantada diariamente no Santuário, e os peregrinos que de lá voltavam a popularizaram em todo o orbe católico.

Chama-se lauretana por ter sua origem em Loreto.

Algumas invocações foram acrescentadas pelos Papas e outras foram agregadas para honrar a proteção de Nossa Senhora a alguma Ordem religiosa.

Assim fazem os carmelitas que rezam a ladainha lauretana carmelitana, com quatro invocações a mais.

Mas o corpo central das ladainhas permanece o mesmo.

Composição da Ladainha

No início da Ladainha Lauretana, as invocações não se dirigem a Nossa Senhora, mas a Nosso Senhor e à Santíssima Trindade.

Rezamos “Senhor, tende piedade de nós, Jesus Cristo, ouvi-nos”, etc. Depois invocamos o Padre Eterno, o Filho e o Espírito Santo. Por quê?

Tudo em Nossa Senhora nos conduz a seu divino Filho, e por meio dEle à Santíssima Trindade.

Isto os protestantes não entendem ou não querem entender: Maria Santíssima é o melhor caminho para se chegar a Deus.

Após essa introdução, seguem-se três invocações, nas quais lembramos os principais privilégios de Nossa Senhora: o ser Mãe de Deus e Virgem das virgens.

A seguir, com 13 invocações honramos a Maternidade de Nossa Senhora, e com outras seis sua Virgindade.

A seguir, 13 figuras simbólicas; quatro invocações de sua misericórdia e, finalmente, 12 invocações dEla enquanto Rainha gloriosa e poderosa.

As 13 invocações simbólicas contêm as maiores dificuldades de compreensão.

Nossa civilização fechou-se para o simbolismo, e aquilo que poderia ser até evidente em outras épocas, hoje ficou obscurecido pelo espírito prático.

A própria vida contemporânea contribui para isto.

O ritmo de vida corrida e excitante não favorece a meditação ou a contemplação das maravilhas da criação.

Alguns significados

Vejamos então o significado destas 13 invocações simbólicas.

Espelho de Justiça — Justiça, aqui, entende-se em seu sentido mais amplo de santidade.

Nossa Senhora é chamada assim, porque Ela é um espelho da perfeição cristã.

Toda perfeição pode ser admirada nEla, do mesmo modo como podemos admirar uma luz refletida na água.

Sede da Sabedoria — Nosso Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria que tudo sabe e tudo conhece.

Ora, Nossa Senhora durante nove meses encerrou dentro de si seu divino Filho.

Ela foi, portanto, a sede da Sabedoria.

E continua a sê-lo, pois é nEla que encontramos infalivelmente a Nosso Senhor.

Causa de Nossa Alegria — a verdadeira alegria não é o riso. Rir muito nem sempre significa felicidade.

É muito mais feliz a mãe carregando amorosamente seu filho do que um papalvo que ri à-toa.

E a maior alegria que um homem pode ter é a de salvar-se e estar com Deus por toda a eternidade.

Ora, antes da vinda de Nosso Senhor, o Céu estava fechado para nós.

Foi o sacrifício do Calvário que nos reconciliou com o Criador e nos proporcionou a verdadeira e eterna felicidade.

Como foi por meio de Nossa Senhora que o Redentor da humanidade veio à Terra, Maria Santíssima é, pois, a causa de nossa maior alegria.

Vaso Espiritual — Nada tem mais valor do que a verdadeira Fé.

Na Paixão e Morte de Nosso Senhor, quando até os Apóstolos duvidaram e fugiram, foi Nossa Senhora quem recolheu como num vaso sagrado, o tesouro da Fé inabalável.

Vaso Honorífico — Em nossa época, a honra quase não é considerada. Pelo contrário, muitas vezes a falta de caráter e a sem-vergonhice são louvadas.

Mas a honra e a glória, na realidade, valem muito.

E Nossa Senhora guardou cuidadosamente em sua alma todas a graças recebidas, e manteve a honra do gênero humano decaído.

Se não tivesse existido Nossa Senhora, ficaria faltando na criação quem representasse a perfeição da criatura, fiel até o extremo heroísmo.

Vaso Insigne de Devoção — Devoto quer dizer dedicado a Deus.

A criatura que mais se dedicou e viveu em função de Deus foi Nossa Senhora, tendo-o realizado de forma tal, que melhor é impossível.

Rosa Mística — A rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor.

Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Torre de Davi — O rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos jebuseus e edificou a cidade em torno dela.

“E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi” (Paralipômenos, 11-7).

O rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição.

A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora.

Ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa.

Por isso, nesta invocação honramos a Nossa Senhora reconhecendo que nunca houve, nem haverá, quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela.

Torre de Marfim — O marfim tem caraterísticas raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro.

Igualmente Nossa Senhora é muito forte espiritualmente, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza alvíssima.

Assim Ela contraria a ideia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros.

Casa de Ouro — O ouro é o mais nobre dos metais. Por isso, se tivéssemos que receber o próprio Deus, procuraríamos fazê-lo numa casa in superável, uma casa de ouro.

E a Virgem Santíssima é a casa de ouro que acolheu Nosso Senhor quando veio ao mundo.

Arca da Aliança — Na Arca da Aliança ficavam guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés e um punhado do maná recebido milagrosamente no deserto.

Nossa Senhora é, no Novo Testamento, a Arca da Aliança que protege o povo eleito da Igreja Católica e lembra as infinitas misericórdias de Deus.

Porta do Céu — Por meio de Nossa Senhora Jesus Cristo veio à Terra, e é por Ela que nos vêm todas as graças, que nos levam à nossa morada eterna.

Assim, Ela favorece nossa entrada no Céu, como a porta favorece a entrada num local.

Estrela da Manhã — Pouco antes de nascer o sol, aparece no horizonte uma estrela de maior luminosidade.

Quando as outras estrelas desaparecem, ela ainda permanece.

Assim foi Nossa Senhora, pois seu nascimento significava que logo nasceria o Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E quando a Fé se perdia até entre o povo eleito, Ela continuava a acreditar e esperar.

Ela é o modelo da perseverança na provação e o anúncio da Luz que virá.

Temos assim, resumidamente, algumas explicações das invocações da Ladainha Lauretana. Esperemos que a compreensão delas nos ajude a rezar com maior fervor tão meritória oração.


Ver mais em: A Ladainha Lauretana


(Fonte: André Damino, “Na escola de Maria”, Ed. Paulinas, 4ª edição, São Paulo, 1962).







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