Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro de Vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os vossos Santos, por todos os séculos dos séculos. Amém. VEJA MAIS E OUÇA
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Uma pequena cela de um monge, transformada em monumental basílica, é hoje o santuário mais visitado da Europa Central. Peregrinos recorrem à milagrosa imagem de Nossa Senhora desse santuário da Áustria.
Foi no ano de 1157 que o abade Otker, do mosteiro beneditino de São Lamberto, enviou Magno, um de seus monges, para pregar num dos rincões de sua vasta jurisdição. Magno preparou-se para a missão. Havia ainda naquelas longínquas plagas muitos pagãos, ao longo dos sombrios vales entre altas montanhas. Magno temia o desamparo, uma vez em missão.
Surgindo dificuldades, com quem se aconselharia? A quem pediria socorro? Por isso levou, com licença superior, uma pequena imagem de Nossa Senhora, talhada em madeira de tília.
O milagre de Mariazell
Aproximando-se o Natal, dirigiu-se Magno a um povoado, onde desejava pregar "aos que viviam em cego paganismo" e dar também assistência espiritual aos cristãos. A aldeia ficava mais longe do que ele pensava. Viajava o santo religioso vários dias, sem viva alma encontrar.
Estaria perdido? O rumo que havia tomado era correto? Seus mantimentos chegavam ao fim. Impossível retornar ao ponto de partida, onde deixara conhecidos. Não havia estradas nem caminhos batidos, naquele tempo. Numa senda pedregosa escurecida pela floresta, íngreme subida estreita e perigosa.
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A palavra ladainha é grega em sua origem, e significa uma súplica séria e cordial. [...]
Santo Irineu, discípulo de São Policarpo, testemunha que as ladainhas já estavam em uso em seu tempo, e as denomina uma súplica.
Santo Ambrósio faz retroceder sua origem aos tempos apostólicos e corrobora sua opinião com a autoridade de São Paulo escrevendo a Timóteo (I, 2-1):
Conjuro-vos antes de tudo que se façam súplicas, orações, petições e ações de graças por todos os homens. Isto era sancionar as ladainhas e exortar vivamente a recitá-las. [...]
A história não nos dá certeza alguma quanto ao autor das ladainhas.
Podemos dizer que são mais antigas que o mais antigo dos autores, porque pretendemos que Deus mesmo é seu autor.
* * *
Os frutos e a utilidade das ladainhas na Igreja de Deus são inumeráveis. Serviram para destruir os males da alma e do corpo; para fazer cessar as chuvas demasiado abundantes, as tormentas, os terremotos; para livrar da fome e da seca, da guerra, dos assédios; para obter a abundância dos frutos da terra; para apartar outros vários males e para alcançar numerosos benefícios. [...]
“Entende-se por ladainha uma fórmula santa de orações dirigidas a Deus por meio da invocação dos santos.
Antes de tudo, roga-se a Deus e à Santíssima Trindade, como Autor e Pai das misericórdias.
Pede-se em seguida, muito especialmente, a intercessão da Virgem.
Depois, como nas ladainhas dos Santos, suplica-se a todos, nominalmente ou em geral, que roguem por nós”.
Se me perguntais por que foi consagrada especialmente uma ladainha à Santa Mãe de Deus, e por que a enriqueceram com privilégios, responder-vos-ei que isto foi, primeiro, por causa da dignidade especial da Mãe de Deus; segundo, por causa do amor especial da Igreja para com Ela; terceiro, por causa de seu favor e patrocínio, também especiais; e, quarto, para excitar maior devoção aos fiéis. [...]
Com efeito, se bem que os ouvidos dos santos estejam abertos sempre para todos os desgraçados, a Bem-aventurada Virgem nos é mais especialmente propícia, como mais próxima de Deus, a fonte do amor; primeira em dignidade, superior em méritos e, sob todos aspectos, mais amável.
É, pois, mui digno e mui justo que a honremos com um culto especial e com uma devoção maior, como à Patrona de uma dignidade e de um poder também maiores.
Interior da Santa Casa onde aconteceu a Anunciação do Anjo e a Encarnação do Verbo.
A ladainha da Bem-aventurada Virgem Maria é comumente cantada em todas as igrejas, e sem embargo, mas é conhecida como lauretana em lembrança da igreja de Loreto.
A causa está em que a Santa Casa de Loreto sobrepujou todas as basílicas construídas em honra da Mãe de Deus, não só na Itália, como também nos demais locais.
Nenhuma, no universo, é mais augusta, mais antiga, mais santa ou mais célebre. [...]
Esta augusta Casa, em que habitou a Santíssima Virgem, Mãe de Deus, permaneceu em Nazaré até o ano de 1291.
Quando os cristãos foram expulsos da Síria e a cidade de Trípoli destruída, os habitantes do país e os estrangeiros deixaram de render à santa Casa as homenagens que lhe eram devidas; então ela foi arrancada de seus fundamentos, pelo ministério dos Anjos, e transportada através das terras e dos mares, da Galiléia à Dalmácia; atravessando assim uma distância de dois milhões de passos, foi depositada em uma montanha que separa as cidades de Tersat e Fiume.
Quatro anos depois, a Itália recebeu uma honra inestimável, que foi uma mostra brilhante da proteção divina: a Santa Casa de Nazaré foi transportada da Dalmácia à Itália.
A este assunto temos dedicado dois extensos posts do nosso blog:
A ladainha da Santíssima Virgem contém três categorias de louvores. Primeiro, invoca-se e louva-se o nome de Maria: Santa Maria.
Em segundo lugar, recordam-se sua missão e seu título de Mãe de Deus, suas virtudes, suas nobres qualidades e seus benefícios; e isto de duas maneiras: por palavras próprias e sob a imagem das metáforas.
Loreto: entrada da Basílica que custodia a Casa da Sagrada Família.
Pelas palavras próprias, a missão e o título de Maria, suas qualidades e suas virtudes, são celebrados nestes termos: Santa Mãe de Deus, Santa virgem das virgens, Mãe de Cristo, Mãe da divina graça, Mãe puríssima, Mãe castíssima, sempre Virgem Mãe, Mãe imaculada, Mãe amável, Mãe admirável, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Virgem prudentíssima, Virgem venerável, Virgem digna de todo louvor, Virgem poderosa, Virgem clemente, Virgem fiel.
Sob a imagem das metáforas, Ela é louvada nestes termos: Espelho de justiça, Trono de sabedoria, Causa de nossa alegria, Vaso cheio dos dons do Espírito Santo, Vaso de honra, Vaso insigne de devoção, Rosa mística, Torre de David, Torre de marfim, Casa de ouro, Arca da aliança, Porta do Céu, Estrela da manhã.
Os benefícios para sempre memoráveis de Maria são assim celebrados: Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consolo dos aflitos, Auxílio dos cristãos.
Em terceiro lugar, a grandeza da Bem-aventurada Virgem Maria é celebrada com os títulos de Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha das Virgens, Rainha de todos os Santos.
A Ladainha de Loreto é um breviário e resumo engenhosíssimo dos títulos e glórias da Rainha dos céus.
(Autor: P. Justino de Miechow, O.P. (1594-1640), Excertos de Conferencias sobre las Letanías de la Santíssima Virgem, Madrid, 1881, tomo I, pp. 5 e ss.)
Em face do drama em que se encontra a Santa Igreja, muitas almas procuram, então, assumir uma posição de indiferença, parecida com a de numerosos contemporâneos de Nosso Senhor, que acreditavam que Ele era Homem-Deus, mas que, durante a Via Sacra, vendo-O passar, em vez de se compadecer por seus lancinantes sofrimentos, achavam entretanto melhor não considerá-los, mas pensar em outras coisas.
A evidência dos fatos deixa patente que a partir do Concílio Vaticano II penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás”, de que falou Paulo VI, a qual se foi dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gazes.
Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição, a que aludiu aquele mesmo Pontífice, em Alocução de 7 de dezembro de 1968.
A História narra os inúmeros dramas que a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana sofreu nos vinte séculos de sua existência.
Quando pensamos em um santo, talvez num primeiro momento não consideramos que essa pessoa seja ousada, empunhe um machado, um martelo ou que derrube árvores como os carvalhos.
Entretanto, existe um santo assim: é São Bonifácio.
Este santo nasceu na Inglaterra por volta do ano 680.
Ingressou em um monastério beneditino antes de ser enviado pelo Papa para evangelizar os territórios que pertencem a atual a Alemanha. Primeiro foi como um sacerdote e depois como bispo.
Sob a proteção do grande Charles Martel, Bonifácio viajou por toda a Alemanha fortalecendo as regiões que já tinham abraçado o catolicismo e levou a luz de Cristo àqueles que ainda não o conheciam.
O escritor Henry Van Dyke o descreveu assim, em 1897, em seu livro The First Christmas Tree (A primeira árvore de natal):
“Que pessoa tão boa! Que boa pessoa! Era branco e magro, mas reto como uma lança e forte como um cajado de carvalho.
“Seu rosto ainda era jovem; sua pele suave estava bronzeada pelo sol e pelo o vento.
“Seus olhos cinzas, limpos e amáveis, brilhavam como o fogo quando falava das suas aventuras e das más ações dos falsos sacerdotes aos quais enfrentou”.
Iniciou-se a celebrar a festa de todos os santos até em Roma desde o século IX.
Uma única festa para todos os Santos, ou seja, para a Igreja gloriosa intimamente unida à Igreja ainda peregrina e sofredora.
Hoje é uma festa de esperança: “a assembleia festiva dos nossos irmãos” representa a parte eleita e seguramente exitosa do povo de Deus.
Chama-nos atenção para o nosso fim e para a nossa vocação verdadeira: a santidade, à qual todos nós somos chamados, não por meio de obras extraordinárias, mas com o cumprimento fiel da graça do batismo.
Do ‘Discursos’ de São Bernardo, abade
A que serve, então, o nosso louvor aos santos, a que serve o nosso tributo de glória, a que serve esta mesma nossa solenidade?
Porque a eles as honras desta mesma terra quando, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste os honra? Para que, então, nossas homenagens a eles?
Os santos não precisam de nossas honras e nada vem para eles do nosso culto.
É claro que, quando veneramos a memória deles, operamos em nosso benefício, não no deles!
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A oração do Ângelus é uma meditação que também fala a respeito do Natal, feita através de três pontos essenciais, com muita brevidade. Ela é eminentemente lógica e bem construída.
Porém, em todas as coisas da Igreja, por cima de uma estrutura lógica e coerente, resplandece um universo de imponderáveis de unção e sacralidade que é uma verdadeira beleza, e que formam um todo com essa estrutura lógica e racional.
Vejamos como a História do Natal está contida no Ângelus:
1º ponto: O Anjo do senhor anunciou a Maria, e Ela concebeu do Espírito Santo;
2º ponto: Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Sua vontade;
3º ponto: O Verbo Divino se encarnou e habitou entre nós.
A Anunciação "e o Anjo anunciou a Maria".
Ambrogio Lorenzetti (c. 1290 – 1348), Pinacoteca Nazionale de Siena, Itália.
São três aspectos fundamentais para o Natal vndouro. O primeiro glorifica a mensagem angélica. O segundo, a atitude de Nossa Senhora de inteira obediência a essa mensagem.
O terceiro glorifica o fato do Verbo não só se ter encarnado, mas ter habitado entre nós.
Nesses três pontos está condensada toda a História do Natal que virá depois de uma forma tão sintética, breve, lógica e densa, que não se devia acrescentar nada.
Cada ponto é seguido da recitação de uma Ave-Maria, que é uma glorificação de Nossa Senhora, por esse aspecto daquela verdade que o anjo anunciava.
Esse é o maior fato da História da humanidade, e a maior honra para o gênero humano é o Verbo se ter encarnado e habitado entre nós.
Por isso, se tornou hábito na piedade católica, pela aurora, ao meio-dia e depois, pelo crepúsculo, recitar o Ângelus.
Nas três etapas principais do dia, repetir essas verdades e louvar Nossa Senhora a respeito dessas verdades, e pedindo-lhe graças a propósito dessas verdades.
Como fica bonito o Ângelus rezado pela manhã, no meio-dia e no fim do trabalho às 6 horas da tarde!
São Gabriel, o Anjo da Anunciação. Gérard David (c. 1460 — 1523). Metropolitan Museum of Art New York
Tem-se a impressão de um vitral que vai mudando de colorido, o Angelus também vai mudando de matizes: como é diferente entre o Ângelus rezado ao meio-dia, quando o ritmo de trabalho é intenso, e o Ângelus rezado no crepúsculo, quando tudo se reveste de uma suavidade, de uma espécie de começo de recolhimento.
A Igreja criou essa joia, que é o Angelus, e a promove nas várias horas do dia, para tirar dela toda a beleza.
As coisas católicas são todas construídas na Fé com uma espécie de instinto do Espírito Santo para se fazer bem feitas. Nelas se encontra um mundo de harmonias.
No Ângelus há a harmonia admirável entre a maior clemência, simplicidade, profundeza de conceitos, e uma beleza indefinível que tem enfeites poéticos, literários, que não entra em choque com a Fé, mas, pelo contrário, são um complemento dela.
Imaginem que o Ângelus tivesse sido encomendado por um ministro ou presidente da República: decreto nº X mil e tanto: componha-se uma oração para ser recitada de manhã, ao meio-dia e à tarde de todos os dias, todos os anos, todos os séculos. Viria uma oraçãozinha relâmpago, com uma bobagem qualquer, vazia, seca. Poderia aparecer tudo, mas não apareceria o Ângelus.
Exatamente falta ao homem de hoje essa plenitude de espírito por onde as coisas se ordenam na linha da lógica, da coerência, da beleza com tanta naturalidade que a gente nem percebe o que está por detrás disso de bem pensado, de bem sentido, de bem realizado, de bem rezado e, sobretudo, de bem acreditado.
Cântico de Vésperas, convento dominicano de Blackfriars, Oxford.
Procuremos, então, o espírito da Igreja Católica em todas as coisas da vida. Dos bons tempos da Igreja, da tradição da Igreja.
E sujeitando tais coisas a uma análise racional, saem sóis de dentro, saem belezas umas depois das outras, que é, exatamente, a riqueza inexaurível do espírito católico.
Então, qualquer coisa simples se mostra uma verdadeira maravilha.
O Ângelus rezado pelo camponês, pelo padre, pelo cruzado, pelo guerreiro da Reconquista da Espanha, pelo trapista: cada um dá um dos mil coloridos de um vitral. É tão simples, tão fácil, tão normal que, por isso mesmo, é uma verdadeira joia.
Isso nos deve levar a ser cada vez mais devotos do Ângelus, não o omitindo em nenhuma ocasião, lembrá-lo em nossa oração matinal, lembrando de tudo quanto existe no Ângelus.
Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 1º/3/1965, texto sem revisão do autor.
Este santo, vingador das santas imagens contra os ímpios iconoclastas, foi condenado por Leão Isauro a ter a mão direita decepada.
Logo depois dessa bárbara execução, João foi prostrar-se diante da imagem de Maria, seu recurso ordinário, com o fim de oferecer a Deus, por Maria, seus sofrimentos.
Confiado no seu poderosíssimo auxilio, disse a Maria:
“Sabeis, ó Virgem Santa, qual foi o motivo por que me cortaram a mão. Ela era sagrada a vosso serviço. Ó Rainha dos anjos e dos homens, se não for contrário à vontade de Deus, vossa intercessão me pode restituir de novo a minha mão, a qual, mais do que antes, será vossa”.
Enquanto assim rezava, sentiu as dores diminuírem de intensidade até desaparecerem. Durante um sono reparador, Maria restituiu-lhe a mão, pedindo-lhe que escrevesse sempre em defesa da Igreja.
Ao redor do pulso, ficou apenas uma simples linha vermelha, como para servir de testemunho da autenticidade do milagre.
Tal prodígio, Maria o fez em favor de um homem que, pelas suas palavras e por seus escritos, defendia o culto das santas imagens.
A Via Sacra ‒ também conhecida como Via Crucis, Estações da Cruz ou Via Dolorosa ‒ é uma devoção que consiste numa peregrinação feita em oração e ajudada por uma série de quadros ou imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.
A Via Sacra mais conhecida hoje é a rezada no Coliseu de Roma, na Sexta-Feira santa, com a participação do próprio Papa.
As imagens representando as cenas da Paixão podem ser de pedra, madeira ou metal, pinturas ou gravuras.
Elas estão dispostas a intervalos nas paredes ou nas colunas da igreja.
Mas, às vezes podem se encontrar ao ar livre, especialmente nas estradas que conduzem a uma igreja ou santuário.
Uma Via Sacra muito conhecida é a do santuário de Lourdes, França.
Nos mosteiros as imagens são muitas vezes colocadas nos claustros.
Os medievais tinham uma devoção encantada pelos Reis Magos. Essa devoção tem seu fundamento nos Evangelhos, mas eles a desenvolveram com uma força que chega até nossos dias.
Quis a Providência que o Menino Jesus recebesse a visita de três sábios — que segundo uma venerável tradição eram também reis — e alguns pastores.
Precisamente os dois extremos da escala humana dos valores.
Pois o rei está de direito no ápice do prestígio social, da autoridade política e do poder econômico, e o sábio é a mais alta expressão da capacidade intelectual.
Na escala dos valores o pastor se encontra, em matéria de prestígio, poder e ciência, no grau mínimo, no rés-do-chão.
Ora, a graça divina, que chamou ao presépio os Reis Magos do fundo de seus longínquos países, chamou também os pastores do fundo de sua ignorância.
A graça nada faz de errado ou incompleto. Se ela os chamou e lhes mostrou como ir, há de lhes ter ensinado também como apresentar-se ante o Filho de Deus.
E como se apresentaram eles? Bem caracteristicamente como eram.
Os pastores lá foram levando seu gado, sem passar antes por Belém para uma “toilette” que disfarçasse sua condição humilde.
Os Magos se apresentaram com seus tesouros — ouro, incenso e mirra — sem procurar ocultar sua grandeza que destoava do ambiente supremamente humilde em que se encontrava o Divino Infante.
A piedade cristã, expressa numa iconografia abundantíssima, entendeu durante séculos, e ainda entende, que os Reis Magos se dirigiram para a gruta com todas as suas insígnias.
Quer isto dizer que ao pé do presépio cada qual se deve apresentar tal qual é, sem disfarces nem atenuações.
Pois há lugar para todos, grandes e pequenos, fortes e fracos, sábios e ignorantes.
É questão apenas, para cada qual, de conhecer-se, para saber onde se pôr junto de Jesus.
Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Catolicismo, dezembro/1955