domingo, 18 de junho de 2023

A advertência não atendida de Nossa Senhora de Akita

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Em 1973, Nossa Senhora se manifestou no Japão à Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, que então tinha 42 anos de idade, no convento das Servas da Ssma. Eucaristia na localidade de Yuzawadai, perto de Akita, província de Tohoku.

Quer dizer na região mais atingida pelo terremoto que acaba de causar formidáveis danos no Japão.

Akita fica na mesma latitude do epicentro do colossal abalo sísmico, porém do lado ocidental da ilha, a uma distância de 150 kms de Sendai, a cidade mais atingida, e que fica no lado oriental do arquipélago do Sol Nascente.

As imagens das pavorosas ruínas da cidade de Sendai e vizinhanças estão em todos os jornais, TVs e em sites da Internet.

Akita foi atingida pelo terremoto, mas não pelo devastador tsunami. O santuário de Akita não sofreu danos relevantes.

O terremoto e o tsunami trouxeram de volta à memória a solenes advertências de Nossa Senhora ao clero e ao mundo em 1973. Desde aquela data, a imagem de Nossa Senhora chorou lágrimas, segundo testemunhas, mais de uma centena de vezes e verteu sangue em outras ocasiões.

O fenômeno místico foi analisado pela hierarquia eclesiástica.

Igreja de Nossa Senhora de Akita, Yuzawadai, Sendai
Em abril de 1984, Dom João Shojiro Ito, Bispo de Niihata, Japão, após anos de exaustiva investigação, declarou que os acontecimentos de Akita são de origem sobrenatural e autorizou para a diocese inteira a veneração da Santa Mãe de Deus de Akita.

Em junho de 1988, o Cardeal Ratzinger, Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, deu julgamento definitivo sobre os acontecimentos e mensagens de Akita e os declarou dignos e merecedores de fé.

O mesmo Cardeal Ratzinger ‒ hoje Bento XVI ‒ segundo publicou a revista italiana Jesus em 11 de novembro de 1984, comentou que as mensagens de Fátima e de Akita são “essencialmente a mesma”.

As concordâncias com a mensagem completa de La Salette são também de tal maneira evidentes para os leitores deste blog que também nos sentimos dispensados de qualquer paralelismo.

Aqueles que lembram as gravíssimas advertências de Nossa Senhora no Japão e, sugestivamente, na região hoje sinistrada, ficaram impressionados pela similitude do profetizado em 1973 com o hoje acontecido.

Nossa Senhora de Akita
Mais ainda, ficaram estarrecidos com o que pode vir.

Porque Nossa Senhora preanunciou em Akita castigos ainda mais terríveis do que este enorme terremoto, se o clero católico e o mundo não se arrependiam e mudavam de vida.

Nossa Senhora não foi ouvida, é doloroso constatá-lo. Mais ainda, sua maternal intervenção foi esquecida.

Este é um momento extraordinariamente oportuno para voltarmos para ela e lhe dar a atenção e obediência que merece, com toda a confiança posta na inesgotável misericórdia da Mãe de Deus.

Mas, o que disse e o que pediu Nossa Senhora em Akita?

O jornal “The Wanderer”, em 17 de fevereiro de 1994, publicou substanciosa matéria baseada no “Official Akita Book” (“O livro oficial de Akita”), de autoria do Pe. Teiji Yasuda, O.S.V.

É dali que extraímos a seguinte matéria de tal maneira eloqüente que qualquer comentário pode parecer supérfluo.

Uma das mensagens mais impressionantes de Nossa Senhora de Akita foi feita a 13 de outubro de 1973. Nela, a Santíssima Virgem afirmou:

“Se os homens não se arrependerem e não melhorarem, o Pai infligirá um terrível castigo para a humanidade. Será uma punição maior do que o dilúvio, nunca vista antes.

Fogo cairá do céu e destruirá grande parte da humanidade, tanto os bons quanto os maus, não poupando nem sequer aos sacerdotes ou fiéis. Os sobreviventes se acharão de tal maneira desolados que terão inveja dos mortos.

“As únicas armas que restarão serão o Rosário e o Sinal deixado pelo meu Filho. Todo dia recite as orações do Rosário. Com o Rosário, reze pelo Papa, pelos bispos e padres.

A obra do demônio se infiltrará até mesmo dentro da Igreja de tal modo que veremos Cardeais se opondo a Cardeais, bispos contra bispos.

“Os padres que Me veneram serão escarnecidos, menosprezados e combatidos pelos seus confrades (outros padres).

Igrejas e altares serão pilhados.

A Igreja estará cheia daqueles que aceitam compromissos e o demônio afligirá muitos padres e almas consagradas a deixarem o serviço do Senhor.

“O demônio será particularmente implacável contra as almas consagradas a Deus. A idéia da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza.

“Se os pecados aumentarem em número e gravidade, em breve não haverá perdão para eles.

“Reze muito as orações do Rosário. Só eu poderei salvá-los das calamidades que se aproximam.

Aqueles que colocam sua confiança em Mim serão salvos”.


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domingo, 11 de junho de 2023

São Germano de Auxerre não afastou os ladrões porque estava combatendo

Batalha de Bouvines
Batalha de Bouvines
Luis Dufaur
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Nossos pais acreditavam que os santos padroeiros dos povoados – João o ‘Silenciário’, Domingos o ‘encouraçado’, Tiago o ‘Interciso’ , Paulo o Simples, Basílio o Eremita, e tantos outros – não foram alheios ao triunfo das armas pelo qual as colheitas foram protegidas.

No próprio dia da batalha de Bouvines, ladrões se introduziram, em Auxerre, em um convento sob a invocação de São Germano, e subtraíram os vasos sagrados.

São Germano de Auxerre
São Germano de Auxerre
O sacristão apresentou-se diante do relicário do bem-aventurado bispo, e lhe diz, gemendo: “Germain, onde estava quando esses bandidos ousaram violar teu santuário?”.

Uma voz saindo do relicário respondeu:

“Eu estava próximo de Ciseing, não distante da ponte de Bouvines; com outros santos, ajudei os franceses e seu rei, a quem uma vitória brilhante foi dada por nosso socorro!”: “Cui fuit auxilio victoria praestita nostra”




(Autor: François René Chateaubriand, « Mémoires d’outre-tombe », Librairie Générale Française, 1973, Tomo I, pp. 339-340).



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domingo, 28 de maio de 2023

O fim do mundo no Canto da Sibila e no Dies Irae

Canto da "profecía" da Sibila na Espanha
Luis Dufaur
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Ainda hoje, nas catedrais e igrejas de Mallorca e Alguer, cidade da Sardenha, costuma-se entoar na Missa de Galo o Canto da Sibila. Trata-se de um drama litúrgico de melodia gregoriana.

O Canto da Sibila é uma tradição oriunda da Baixa Idade Média e tem muitas versões.

Sibila é uma personagem da mitologia grega e romana – dizia ser uma profetiza inspirada por Apolo, e que conhecia e anunciava o futuro.

De fato, houve diversas sibilas (ou adivinhas) pagãs que moravam em grutas ou perto de mananciais, com as quais consultavam os supersticiosos pagãos.

Elas falavam sempre em estado de transe, utilizando muitas anfibologias (=frases com duplo sentido) e em hexâmetros gregos que se transmitiam por escrito.

Em espanhol existe este ditado: “En brujas no se debe creer, pero que las hay, las hay” (“Nas bruxas não se deve acreditar, mas que as há, as há”). E as sibilas, por vezes iluminadas por potencias infernais, podiam dar a conhecer fatos que depois se verificavam.

Na mitologia pagã, a Sibila teria profetizado o fim do mundo. Essa profecia dizia coisas que se assemelhavam com a escatologia bíblica relativa ao fim dos tempos e ao Juízo Final.

Sibila representada na catedral de Amiens
Em pleno Império Carolíngio, um primeiro manuscrito em latim do Mosteiro de São Marcial, em Limoges (França) faz menção dela.

Evocando sempre sua remota e fantasiosa origem, o Canto da Sibila ilustrava os fiéis de que os espantosos acontecimentos que acompanharão o Fim do Mundo e o Juízo Final não são uma mera construção cristã.

Mas também é uma realidade incrustada em muitos povos pagãos, a qual até ministros do diabo anunciam por meio de seus obscuros profetas.

O nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo deu início à fase final da História humana: o Novo Testamento.

Esta fase terminará com a segunda vinda do Salvador como Rei e Juiz Universal para julgar toda a humanidade e separar os bons dos maus.

Foi para lembrar essa grande verdade que em catedrais e paróquias começou a se cantar o Canto da Sibila no Natal.

Sibila: canto na catedral de Mallorca
Essa prática piedosa teve muita aceitação no sul da Europa, em particular na Espanha, na França, na Itália e em Portugal.

Uma das versões mais famosas é a que se canta até hoje na catedral de Mallorca. O manuscrito com o texto é o mais antigo, conservado em latim, edos anos entre 1360 e 1363.

Entre 1463 e 1468, o Canto da Sibila era cantado em latim ou numa língua local por um sacerdote ou por um jovem. Hoje é por um cantor. Ele está voltando a ser cantado em muitas regiões, na Espanha notadamente.

O Canto da Sibila aproxima-se muito do conhecido hino Dies Irae (“Día da ira”), do século XIII, atribuído ao franciscano Tomás de Celano (1200-1260), amigo e biógrafo de São Francisco de Assis. Também é atribuído ao Papa São Gregório Magno e a São Bernardo de Claraval.

O Dies Irae descreve o dia do Juízo Final, com o som da trombeta convocando os mortos para comparecerem diante o trono de Deus.

Operar-se-á então a ressurreição da carne, verdade de fé que professamos no Credo. Todos os mortos hão de ressuscitar para ouvirem o justo juízo de Deus. Todos os eleitos serão salvos e reinarão eternamente no Céu. Todos os réprobos serão jogados nas chamas inextinguíveis do inferno.

Cantado nas Igrejas, o Dies Irae faz um paralelismo entre os anúncios feitos a respeito por David, profeta de Deus, e pela Sibila, profetiza dos infernos.

Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Testemunham David e Sibila!


Juízo Universal no Fim do Mundo
Os dois cânticos preparam as almas para esse grande momento final da história humana em que “os Céus se enrolarão como um pergaminho”.

Nessa hora, o triunfo final do plano salvífico de Nosso Senhor ficará definitivo e sem apelação pelos séculos dos séculos.

SIBILA LATINA

Sinal do Juízo, a terra encharcar-se-á de suor.

Do céu descerá o Rei Sempiterno,
verdadeiramente presente em corpo e sangue, para julgar o mundo.

Os homens então rejeitarão as fantasias e qualquer tesouro,

o fogo vai queimar a Terra, correndo pela terra e pelo mar.

Romper-se-ão as portas do tenebroso inferno.

Mas toda a luz liberada será comunicada ao corpo dos santos.

O brilho do sol desaparecerá e as esferas do céu perderão sua alegria.

O céu ficará conturbado e o brilho da lua morrerá.

Todos os reis comparecerão perante o Tribunal do Senhor.

Fogo cairá do céu e um rio de enxofre.


Diz o católico hino Dies Irae, Dies illa

1 Dia da Ira, aquele dia em que os séculos se desfarão em cinzas, testemunham David e Sibila!

2 Quanto terror é futuro, quando o Juiz vier, para julgar a todos irrestritamente !

Juízo Final, Van-Eyck
3 A trompa esparge o poderoso som pela região dos sepulcros, convocando todos ante o Trono.

4 A morte e a natureza se aterrorizam ao ressurgir a criatura para responder ao Juiz.

5 o Livro escrito aparecerá e tudo que há no mundo será julgado.

6 Quando o Juiz se assentar o oculto se revelará, nada haverá sem castigo!

7 Que direi eu, pobre miserável? A que Paráclito rogarei, quando só os justos estão seguros ?

8 Rei de tremenda Majestade, que ao salvar salva pela Graça, salva-me, fonte Piedosa.

9 Recordai-vos, piedoso Jesus, de que sou a causa de Vossa Via; não me percais nesse dia.

10 Resgatando-me, sentistes lassidão, me redimistes sofrendo a Cruz; que tanto trabalho não tenha sido em vão.

11 Juiz Justo da Vingança Divina, dai-me a remissão dos meus pecados, antes do dia Final.

12 Clamo, como condenado, a culpa enrubesce meu semblante suplico a Vós, ó Deus!

13 Ao que perdoou a Madalena, e ouviu à súplica do ladrão, dai-me também esperança.

14 Minha oração é indigna, mas, pela Vossa Bondade, não me deixeis perecer cremado no Fogo Eterno.

15 Colocai-me com as ovelhas. Separai-me dos cabritos. Ponde-me à Vossa direita;

16 Condenai os malditos, lançai-os nas flamas famintas, chamai-me aos benditos.

17 Oro-Vos, rogo-Vos de joelhos, com o coração contrito em cinzas, cuidai do meu fim.

18 Lacrimoso aquele dia no qual, das cinzas, ressurgirá, para ser julgado, o homem réu.

19 Perdoai-os, Senhor Deus, Piedoso Senhor Jesus, dai-lhes descanso eterno, Amém!


Vídeo: o canto da Sibila



Vídeo: Dies Irae, dies illa (gregoriano)




domingo, 14 de maio de 2023

Santo Rosário: devoção que Nossa Senhora deu contra os hereges

Nossa Senhora da o terço a São Domingos de Gusmão, Orações e milagres medievais
Nossa Senhora entrega o terço a São Domingos de Gusmão
Luis Dufaur
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O Rosário é uma série de orações, acompanhadas de meditação em honra da Santíssima Virgem.

Chama-se Rosário porque é como uma coroa de rosas que se oferece a Maria. A oração principal do Rosário é a Ave Maria.

O Rosário tem por autor S. Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores ou Dominicanos, cuja forma final recebeu de Nossa Senhora.

O uso de honrar a Maria rezando repetidas vezes o Padre Nosso, a Ave Maria e o Glória Patri foi inaugurada no século V por Santa Brígida, abadessa de um mosteiro de beneditinas na Irlanda.

Para facilitar tal prática, sujeitando a uma ordem invariável as orações que a compunham, Santa Brígida serviu-se de contas de diferentes tamanhos, enfileiradas em forma de coroa.

São Domingos, aperfeiçoando esse terço de acordo com as indicações de Maria, formou o Rosário tal qual hoje existe.

No século XV, tendo decaído o uso do Rosário, pela desgraça dos tempos, Deus suscitou o Bem-aventurado Alain de la Roche, dominicano bretão, para restabelecê-lo em todo o seu brilho.

Segundo vários documentos pontifícios, S. Domingos teve sobre o Rosário uma revelação particular de Maria, por volta do ano 1206.

Nossa Senhora da o terço a São Domingos de Gusmão, Orações e milagres medievais
Nossa Senhora entrega o terço a São Domingos de Gusmão
Os albigenses eram assim chamados porque eram numerosíssimos na parte da província do Languedoc chamada Albi.

Formavam uma seita na qual se praticavam monstruosidades morais.

Admitiam dois princípios, o bem e o mal, não acreditavam nas Escrituras, nem no batismo das crianças, nem no matrimônio; não queriam nem templos, nem bispos nem padres, e negavam a verdade do sacrifício da Missa.

Seus costumes eram corruptos, e sua ignorância extrema.

Animados pelo Conde de Tolosa e por grande número de nobres, os albigenses quebravam as cruzes, queimavam as igrejas, matavam sacerdotes e revoltavam-se contra qualquer autoridade eclesiástica.

Para conter essa torrente devastadora, a Igreja tratou de converter à Fé essas almas transviadas e mandou-lhes missionários, entre outros Dom Diego, Bispo de Osma (na Velha Castela), e seu arcebispo Domingos de Gusmão, tão célebre depois sob o nome de São Domingos.

Esses homens apostólicos puseram mãos à obra, com ardor, mas seu zelo teve pouco êxito. Aflitíssimo pela esterilidade de seus esforços, Domingos dirigiu-se à Mãe de Deus, que tinha o poder de destruir as heresias.

Suplicou, conjurou até com lágrimas, para que esta boa Mãe o auxiliasse e lhe inspirasse o meio de vencer a obstinação desses fanáticos.

Nossa Senhora do Rosário, na igreja de San Domenico, Bolonha
Maria ouviu a oração de seu servo e lhe apareceu. De acordo com a tradição, a aparição se deu em Castelnauday, numa aldeia chamada Prouille.

Ela o consolou e lhe disse: "Meu filho Domingos, aprenda isto: o meio empregado pela Santíssima Trindade para reformar o mundo foi a Saudação Angélica.

Portanto, se quiser converter esses corações empedernidos, pregue-a segundo o modo que vou ensinar-lhe". Indicou então a organização do Rosário, composto de 3 terços, ou 15 dezenas, a cada qual corresponde um mistério de nossa Fé.

Com esta poderosíssima arma Domingos pregou outra vez, com novo ardor. Ensinou a Fé, propagou a devoção do Rosário, e os frutos da conversão se multiplicaram com prodigiosa rapidez.

Os progressos dessa devoção foram tais, que cinqüenta anos depois da aparição de Maria milhares de hereges tinham voltado para o seio da Igreja e milhares de pecadores tinham abraçado a penitência.

Durante a sua vida, o próprio São Domingos converteu mais de cem mil almas, segundo dizem autores do tempo.

Tal é a origem da preciosa devoção do Rosário, baseada em tantos testemunhos, autorizada por tantos milagres, honrada pela Igreja com tantos privilégios e continuamente aprovada pelo Céu com um sem número de graças, que Deus gosta de distribuir entre os que a praticam.



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