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domingo, 27 de julho de 2025

A espada encravada na rocha de Montesiepi

Detalhe da espada encravada na roca, @Fabio Gismondi-Flickr
Detalhe da espada encravada na roca, @Fabio Gismondi-Flickr
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Na Toscana, Itália, há uma espada introduzida numa pedra de modo inexplicável. Ela foi fincada no rochedo por um santo no momento de sua conversão e até hoje se estuda esse mistério.


Em 1148 nascia em Chiusdino, uma vila na província de Siena, Galgano Guidotti, filho de um nobre senhor feudal.

Quando jovem, ele se mostrou um cavaleiro implacável, entregue a uma vida de devassidão, arrogância, egoísmo e violência.

Até que, em 1180, o Arcanjo São Miguel lhe apareceu e pediu que contemplasse o cume de uma colina.

Galgano viu então Jesus e Maria em pé, no interior de um templo, cercados pelos 12 Apóstolos. A presença do próprio Deus parecia envolvê-los.

Atônito, o jovem sentiu uma força invisível empurrando-o em direção ao cume do Monte Montesiepi.

San Galgano Guidotti, Pietro di Giovanni d'Ambrogio, 'Il Sassetta'  (1410–1449)
San Galgano Guidotti, 
Pietro di Giovanni d'Ambrogio, 
'Il Sassetta'  (1410–1449)
Ao chegar lá, a visão se desvaneceu e uma voz, identificada com o Arcanjo São Miguel, se dirigiu a ele novamente, dizendo: “Renuncia a todos os bens e prazeres terrenos”.

Diante desse pedido radical, Galgano se mostrou cético. O príncipe dos Arcanjos lhe fez sentir que ele tinha toda uma vida de pecado incompatível com a nobreza, pelo que ele devia expiar com penitência.

Galgano respondeu que mudar de vida ser-lhe-ia tão difícil como atravessar uma pedra com sua espada.

E para dar força ao que acabava de dizer, sacou sua espada da bainha e a cravou numa pedra próxima.

Mas eis que, em vez de a lâmina se quebrar, afundou até o cabo na rocha como se fosse manteiga...

O cavaleiro ficou tão comovido que jurou colocar uma cruz no local da aparição do Arcanjo.

De fato, o gládio afundara tanto, que só ficou sobressaindo a empunhadura, formando uma cruz.

Ele caiu de joelhos, entregou-se a Deus, renunciou a seus títulos e posses, e se retirou para uma caverna no topo do Montesiepi.

Depois construiu uma cabana ao lado da espada cravada na pedra.

Ali, pelo resto de sua curta vida, se converteu num santo ermitão dedicado a Deus e às visões que testemunhou, não sem causar espanto a seus entes queridos.

Morreu um ano depois, em 3 de dezembro de 1181, aos 33 anos.

Em 1185, pouco depois da morte de Galgano Guidotti, o Papa Lúcio III declarou-o santo.

Para preservar a espada, a Igreja construiu ao redor dela uma Capela de forma circular, que se tornou local de peregrinação, onde viajantes, peregrinos e curiosos afluíam em massa para contemplar a espada milagrosamente cravada na pedra.

Prodigioso fato confirmado


Capela de Montesiepi
Capela de Montesiepi
O gládio continua no local para ser visto e venerado por quem quiser. Porém, em nossa época revolucionária, aumentaram não os crentes, mas os céticos, que põem em dúvida fato tão maravilhoso.

Então, em 2001, padres da Capela de Montesiepi solicitaram a cientistas da Universidade de Pavia estudar o prodígio, visando confirmar ou não os rumores de que não passava de uma lenda ou crendice medieval.

Foi escolhido para essa tarefa o químico Luigi Garlaschelli, “investigador do oculto”, que se destacou espalhando palhaçadas a respeito do Santo Sudário de Turim, até ser desmentido por cientistas sérios.

Primeiramente Garlaschelli descobriu, para seu espanto, que o estilo da espada correspondia àquelas feitas no final do século XII, época do milagre, fato confirmado pela datação por carbono.

Portanto, a espada não é uma falsificação nem uma réplica moderna.

Para espanto ainda maior, verificou que várias pessoas já tinham tentado retirar a espada da pedra.

Na década de 1960, um homem havia conseguido puxar parte da espada, e em 1991 outro homem fez o mesmo.

Após essas tentativas, os sacerdotes prenderam a espada com concreto ou chumbo, para garantir que o gládio não fosse quebrado.

Isso levou algumas pessoas a acreditarem que não era mais a mesma espada original e que alguém a havia substituído por uma falsa, ou que a metade inferior da espada não existia.

Mas quando o químico Garlaschelli removeu a metade superior da espada, a linha de quebra se encaixou perfeitamente, e a metade inferior da lâmina permaneceu na rocha.

Radar geológico ratifica o prodígio


A pedra com a espada no centro da capela
A pedra com a espada no centro da capela
Graças aos documentos oficiais vaticanos de canonização de São Galgano, bem como a uma série de biografias escritas por autores posteriores, a historicidade do santo está muito mais bem atestada do que a de muitas figuras históricas.

Muitos relatos contemporâneos da vida do nobre cavaleiro evocam sua vida virtuosa após a conversão e as inumeráveis graças obtidas por sua intercessão após a morte.

Cientistas da Universidade de Pavia constataram com um radar geológico que a espada estava de fato profundamente cravada na rocha e que a lâmina havia penetrado sem se quebrar.

Não puderam explicar como isso foi possível. O radar também permitiu identificar uma cavidade sob a rocha, suficiente grande para ser um túmulo, possivelmente contendo os restos mortais de São Galgano.

Os moradores acreditavam desde remotos séculos que o corpo do santo está enterrado perto da pedra, mas ninguém sabe exatamente onde.

Segundo a tradição, lobos defenderam São Galgano, já eremita, devorando um ladrão que queria roubar a espada.

As mãos do bandido ficaram exibidas na capela como um aviso a potenciais ladrões.

Até hoje se exibem, na capela de Montesiepi, as duas mãos mumificadas.

Com base na datação por carbono, determinou-se que ambas também datam do século XII.


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sábado, 26 de abril de 2025

A milagrosa história da imagem da Mãe do Bom Conselho de Genazzano - 1

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Na Albânia, no século XV, a religião corria grave risco: de um lado, o fervor da população católica estava em declínio; de outro lado, assaltavam-na com crescente furor as hordas dos invasores maometanos, cujo objetivo era destruir até à raiz a Fé católica em território albanês.

Para evitar a catástrofe, a Providência suscitara um herói comparável, pelo destemor e pela Fé, aos pares de Carlos Magno e aos batalhadores mais salientes das Cruzadas e da Reconquista luso-hispânica: Scanderbeg.

Enquanto ele viveu, a Albânia resistiu.

Ele morto, em seguida a feitos heróicos e gloriosos, a resistência albanesa se esboroou.

Explicável castigo para uma população atolada na tibieza.

Além de Scanderbeg ‒ e quão superior a ele ‒ havia na Albânia outro pilar da Cristandade abalada.

Era a Imagem ‒ um afresco ‒ de Nossa Senhora então chamada “dos Bons Ofícios” (invocação análoga à de Nossa Senhora Auxiliadora, hoje generalizada em todo o mundo católico).

domingo, 3 de setembro de 2023

Nossa Senhora da Vitória deu Málaga aos exércitos católicos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em 1487 iniciou o rei católico Fernando o sítio de Málaga com um exército imponente.

Uma vez estabelecido na proximidade, procurou persuadir seus habitantes a que lhe entregassem a praça, para evitar as destruições de um sítio.

O tirano que dominava a cidade, Hamet el Zegrí, mandou degolar os que participavam das tratativas, e então o Rei intimou a cidade a se render, mas ela se recusou.

Deu início então ao sítio, instalando diante dos muros de Málaga seus efetivos, e em meio a eles uma espécie de templo, onde mandou pôr uma imagem da Virgem, que sempre levava consigo.

Começou uma luta duríssima, em que a artilharia tinha muita parte.

Antes de continuar a destruição da cidade, ainda foi feita uma segunda intimação a Zegrí, que a rechaçou mandando degolar uma comissão de muçulmanos que quis mostrar-lhe o perigo de prolongar um sítio sem esperanças de vitória.

Obstinou-se na luta, apesar das muitas derrotas, praticando crueldades contra os seus.

Depois do fracasso de uma sortida, fechou-se numa torre-fortaleza fora da cidade, abandonando-a à sua própria sorte.

Ao se verem livres do jugo de Zegrí, os mouros pediram ao Rei que os deixasse voltar para a África ou viver em Castela, o que lhes foi recusado.

Declararam então os da cidade sitiada que, se não obtivessem isso, enforcariam nas ameias quinhentos cristãos cativos, ateariam fogo à cidade, exterminando suas famílias, e tratariam de morrer matando.

Estavam assim as coisas quando, a 18 de agosto, de improviso se rendeu a praça.

Nela entraram imediatamente as tropas castelhanas, pondo a cruz nas torres do forte. Diante dele se ajoelharam os reis católicos e foi cantado o Te Deum.

Isabel e Fernando atribuíram esse triunfo a um milagre da Santíssima Virgem.

Para perpétua memória, em ação de graças mandaram edificar um templo no local em que estava a santa imagem que levavam.

Desde então recebeu o nome de Nossa Senhora da Vitória, com o qual até hoje é venerada como padroeira de Málaga.



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domingo, 6 de agosto de 2023

O milagre de Tolbiac e a conversão da França

A battalha de Tolbiac Vitral da catedral de Laon
A battalha de Tolbiac Vitral da catedral de Laon
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No ano 496, Clóvis I, rei dos Francos, devia enfrentar uma confederação de tribos dos alamanos dirigidos não se sabe ao certo por quem.

Antes mesmo da guerra, Clóvis foi visitar o túmulo de São Martinho de Tours, onde fez a promessa de que se faria católico se ganhasse a guerra.

O local da batalha é conhecido como “Tolbiac”, ou “Tulpiacum”, nome que se refere mais provavelmente a Zülpich, na Renânia do Norte – Vestefália, Alemanha.

Pouco se sabe do desenvolvimento da batalha, salvo que Clóvis viu seus guerreiros caírem um depois do outro e a derrota cada vez mais próxima.

No momento da degringolada geral, em prantos e com o remorso no coração, o rei bradou ao Deus de sua mulher, Santa Clotilde.

São Gregório, Bispo de Tours (538 – 594) e o maior historiador daquela época, registrou da seguinte forma a oração de Clóvis no capítulo II, 30-31, de sua História dos Francos:
“Ó Jesus Cristo, Vós que Clotilde me disse serdes filho do Deus Vivo, Vós que enviais vosso auxílio àqueles que estão em perigo, e concedeis a vitória aos que confiam em Vós, eu procuro a glorificação de vossa devoção com vossa assistência: se Vós me concederdes a vitória sobre estes inimigos, e se eu experimentar os milagres que o povo que cultua vosso nome diz ter acontecido, Eu crerei em Vós, e eu serei batizado em vosso nome.

Clóvis no desespero invoca o Deus de Santa Clotilde Paul-Joseph Blanc (1846-1904), Panteon, Paris
Clóvis no desespero invoca o Deus de Santa Clotilde
Paul-Joseph Blanc (1846-1904), Panteon, Paris
“Mais ainda, eu invoquei meus deuses, e estou vendo que eles falharam na hora de me ajudar, fato que me faz acreditar que eles não têm poderes, que eles não vêm em ajuda daqueles que os servem. É a Vós que brado novamente, eu quero acreditar em Vós, mas só se eu for salvo de meus adversários.”

Tendo dito estas palavras, os alamanos começaram a fugir. E quando viram seu chefe cair morto, submeteram-se a Clóvis, dizendo:

“Não permitais que o povo siga morrendo, nos vos rogamos; nós agora somos vossos”. Clóvis mandou parar o combate e exortou os derrotados a se retirarem em paz e disse à rainha que ele teve o mérito de obter a vitória invocando o nome de Cristo. Isto aconteceu no ano décimo quinto de seu reinado”.

São Gregório de Tours foi o primeiro a descrever esta batalha, fazendo um paralelismo direto com a conversão do imperador romano Constantino, o Grande, antes da batalha de Ponte Mílvia (312).

O santo historiador acrescenta que a rainha consultou São Remígio, Bispo de Reims, para ir ver Clóvis secretamente e apressá-lo a entrar no reino da salvação. E o bispo foi secretamente e começou a instá-lo a acreditar no Deus verdadeiro, criador do Céu e da Terra, e a deixar de adorar ídolos incapazes de se ajudarem a eles próprios, e tanto menos aos outros.

O batismo de Clóvis, por São Remígio, Reims, França
Porém, o rei respondeu: “Eu vos ouço comprazido, santíssimo padre; mas fica uma coisa: o povo que me segue não consegue abandonar seus deuses; mas eu irei até eles e falarei, transmitindo vossas palavras”.

Clóvis reuniu-se com seus seguidores, porém antes que ele conseguisse falar, o poder de Deus se antecipou e todo o povo bradava conjuntamente: “Ó piedoso rei, nós rejeitamos nossos deuses mortais, e nós estamos prontos a seguir o Deus imortal que prega Remígio”.

Isto foi relatado ao bispo, que ficou grandemente regozijado e mandou preparar a pia batismal. As praças ficaram recobertas com toldos feitos de tapeçarias, as igrejas foram adornadas com cortinas brancas, o batistério foi ordenadamente arranjado, o aroma do incenso se espraiava, as velas odoríferas ardiam brilhantemente, e todo o prédio do batistério ficou cheio de uma fragrância divina; e o Senhor concedeu uma tal graça aos que ali estavam, que eles começaram a achar que se encontravam em meio aos perfumes do paraíso. E o rei foi o primeiro a pedir para ser batizado pelo bispo. Foi assim que um novo Constantino se aproximou da pia batismal”.

Santa Clotilde
Santa Clotilde
Clóvis – ou Chlodovechus em latim – foi o primeiro rei dos Francos, pois conseguiu a obediência de todas as tribos francas.

Fundador da dinastia merovíngia, que reinou durante duas décadas, ele inaugurou a história da França na pia batismal.

Quando jovem, Clóvis chegou a ser comandante da província militar romana Belgica Secunda.

Porém, ele se voltou contra os chefes romanos, e na batalha de Soissons (486) pôs fim ao domínio do Império Romano fora da Itália.

Posteriormente derrotou os turíngios, aliou-se aos ostrogodos, e após vencer os alamanos, instalou sua capital em Paris, onde fundou a abadia dedicada aos Santos Pedro e Paulo, no Quartier Latin.

Guerreou depois contra o reino dos borguinhões, derrotou os visigodos, expulsando-os para sempre da Gália, e conquistou a Aquitânia.

Ele codificou a lei sálica franca incluindo grandes partes do Direito Romano, pelo que o código ficou conhecido como “Código Romano”.

Clóvis e sua mulher Santa Clotilde foram enterrados na Abadia de Santa Genoveva, em Paris.

Posteriormente os restos dos dois foram transferidos para a Abadia de Saint-Denis, túmulo dos reis da França, onde hoje repousam.



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domingo, 23 de julho de 2023

Bebe a água de São Vicente!

São Vicente Ferrer O. P. (1350 — 1419)
São Vicente Ferrer O. P. (1350 — 1419)
Luis Dufaur
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São Vicente Ferrer, santo espanhol canonizado em 1458 fazia tantos milagres que o prior proibiu-lhe continuar a faze-los, porque já era demais.

E São Vicente obedeceu.

Mas um dia andando pela rua viu um operário que caia do alto de uma obra.

Imediatamente mandou-lhe parar no ar e foi correndo até o prior para lhe pedir com profunda humildade que intercedesse para salvar o homem.

O prior não acreditou na história.

Saiu correndo para o local e descobriu o homem pairando no ar sem acabar de cair.

Então, reconheceu a santidade de frei Vicente e lhe permitiu acabar de salvar o homem.

*

São Vicente Ferrer, retábulo mexicano anônimo.
São Vicente Ferrer,
retábulo mexicano anônimo.
Certa feita, chegou até São Vicente Ferrer uma mulher que se lamentava de seu marido.

Ele era tão irascível e tão mal-humorado que a convivência tinha ficado impossível.

Pediu então a São Vicente um conselho para restaurar a paz na família.

— “Vai até o convento”, disse o santo, “e fala ao porteiro para te dar um pouco da água da fonte”.

“Quando teu marido volte a casa, engole um pouco, mas não a tragues.

“Conserva-a na boca e verás o milagre que acontecerá”.

A mulher fez o que o santo tinha dito.

No fim da tarde, quando o marido voltou a casa, nervoso como sempre, a mulher engoliu a água miraculosa e fechou os lábios.

E, em verdade, o milagre aconteceu: após poucos minutos o marido ficou tranquilo, e a tempestade na família acabou passando.

Nos dias sucessivos, a mulher fez uso desse remédio.

E toda vez a água provocou o mesmo efeito milagroso.

São Vicente Ferrer, Convento de São Domingos, Buenos Aires, Argentina
São Vicente Ferrer, Convento de São Domingos, Buenos Aires, Argentina
O marido não ficava mais mal-humorado, até que pelo contrário tinha voltado a ser como fora anteriormente.

Sussurrava-lhe palavras tenras e afetuosas e louvava a paciência e a doçura dela.

A mulher ficou tão feliz com esta mudança do marido que acorreu até o santo para lhe contar o milagre operado por aquela água tão especial.

— “Não foi a água da fonte que fez esse milagre”, lhe disse São Vicente sorrindo:

“mas somente teu silêncio.

“Antes, tuas objeções constantes enfureciam teu marido.

“Mas teu silêncio, pelo contrário, o deixou de novo tenro e afetuoso”.

Ainda hoje na Espanha existe a frase: “Bebe a água de São Vicente!”

Quem sabe se também nós, de vez em quando, bebêssemos algum gole! O que aconteceria?







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