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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Como os anjos compuseram o “Regina Coeli”

São Miguel atende as súplicas do Papa São Gregório Magno
São Miguel atende as súplicas do Papa São Gregório Magno
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O Regina Cœli ou Regina Cæli (em português “Rainha do Céu”) é um hino dedicado a Nossa Senhora que se reza às 6h00, 12h00 e às 18h00, durante o Tempo Pascal.

Ele substitui a oração do Angelus, feita nos outros dias do ano, nos mesmos horários.

Não se conhece autor humano. Ele teria sido composto pelos anjos segundo atesta imemorial tradição.

Era o ano 590, em Roma. Já devastada por um transbordamento do Tibre, que havia alagado a cidade reduzindo-a à fome, irrompeu uma terrível peste.

Para aplacar a cólera divina, o Papa S. Gregório Magno ordenou uma litania septiforme.

São Miguel atende as súplicas do Papa São Gregório Magno, detalhe
São Miguel atende as súplicas do Papa São Gregório Magno, detalhe
Isto é, uma procissão geral do clero e da população romana, formada por sete cortejos que confluíram para a Basílica Vaticana.
 
Enquanto a grande multidão caminhava pela cidade, a pestilência chegou a um tal furor, que no breve espaço de uma hora oitenta pessoas caíram mortas ao chão.

Mas S. Gregório não cessou um instante de exortar o povo para que continuasse a rezar, e que diante do cortejo fosse levado o quadro da Virgem que chora, da igreja de Ara Coeli, pintado pelo evangelista São Lucas.

Fato maravilhoso: à medida que a imagem avançava, a área se tornava mais sã e limpa à sua passagem, e os miasmas da peste se dissolviam.

Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”, ao qual S. Gregório respondeu: “Ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nasceu o Regina Coeli.

São Miguel atende as súplicas do Papa São Gregório Magno, detalhe
São Miguel atende as súplicas do Papa São Gregório Magno, detalhe
Após o canto, os anjos se colocaram em círculo em torno do quadro. São Gregório Magno, erguendo os olhos, viu sobre o alto do castelo um anjo exterminador que, após enxugar a espada, da qual escorria sangue, colocou-a na bainha, como sinal do cessamento do castigo.

Como recordação, o castelo ficou conhecido com o nome de Sant’Angelo. Em sua mais alta torre foi posta a célebre imagem de São Miguel, o anjo exterminador.

(Fonte: “Lepanto”, Roma, set/out 83)



Eis o texto em português e, depois, em latim:

Castel Sant'Angelo em iluminura medieval
Castel Sant'Angelo em iluminura medieval
V.: Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia!

R.: Porque quem merecestes trazer em vosso seio. Aleluia!

V. :Ressuscitou como disse! Aleluia!

R.: Rogai a Deus por nós! Aleluia!

V.: Exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria! Aleluia!

R.: Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia.

Conclui-se com a seguinte oração:

V.: Oremos:

Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo, Senhor Nosso.

R.: Amém!

V.: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

R.: Como era no princípio, agora e sempre, Amém. (três vezes)


Regina Caeli: partitura, gregoriano simples.   Em Latim
Regina Caeli: partitura, gregoriano simples.


Em Latim

V.: Regina coeli, laetare, Alleluia:

R.: Quia quem meruisti portare, Alleluia:

V.: Resurrexit, sicut dixit, Alleluia:
Regina Caeli: partitura, gregoriano solene.
Regina Caeli: partitura, gregoriano solene.
R.: Ora pro nobis Deum, Alleluia.

V.: Gaude et laetare, Virgo Maria! Alleluia!

R.: Quia surrexit Dominus vere! Alleluia!

V.: Oremus:

Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R.: Amen



Clique aqui para ouvir




Regina Coeli (Reza-se em lugar do Angelus, durante o Tempo Pascal)



Regina Caeli, laetare. Polifônico. Tomás Luis de Victoria, (Ávila, 1548 - Madrid, 1611)





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domingo, 12 de julho de 2020

A cartuxa de Montalegre

Cartuxa de Montalegre, Catalunha, Espanha

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Dois jovens estudantes, Juan de Nea e Tomás de Zarzana, voltavam de Barcelona, onde estudavam, para sua cidade natal.

Próximo de Barcelona, pararam num formoso lugar, onde depois se instalou a Cartuxa de Montalegre, que hoje está em ruínas.

Pararam e contemplaram a paisagem, que naquele lugar é uma maravilha. Tomás de Zarzana disse que quando chegasse a ser Papa, fundaria naquele local uma Cartuxa, já que parecia um panorama ideal para a oração e meditação.

Juan de Nea respondeu-lhe, brincando, que se faria monge dessa Cartuxa.

domingo, 8 de setembro de 2019

Como nasceu a oração do ‘Anjo do Senhor’ (Angelus)?

Anunciação, Konrad von Soest, c 1422
Anunciação, Konrad von Soest, c 1422
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Angelus (também escrito Ângelus) foi inicialmente uma oração da noite ensinada por São Boaventura (1221 – 1274).

Ele chamava com uma campainha os religiosos e os habitantes do entorno a recitar “três Ave ao som do sino”, depois das Completas.

Foi o precursor do Angelus.

Porém, o Angelus, apropriadamente chamado, nasceu no século XI.

O Papa Urbano II em 1090, no início da primeira cruzada, ordenou que toda a cristandade, quando tocar três vezes o sino, de manhã e à tarde, recite três vezes a Saudação Angélica para apoiar a marcha dos Cruzados.

O papa estava convencido de que, se todos os cristãos rezassem pela mesma intenção, ela seria atendida.

A vontade do Papa suscitou o entusiasmo dos fiéis em toda parte! O Angelus nasceu! Bem antes do rosário e para um propósito específico: a Cruzada.

No século XIII, o papa Gregório IX reviveu o Angelus face aos ataques à autoridade da Igreja feitos pelo imperador Frederico II.

Como a cidade de Saintes se distinguia por seu zelo na recitação do Angelus, o papa João XXII a parabenizou com um Breve.

E numa Bula de 13 de outubro de 1318, universalizou a recitação do Angelus enriquecida de indulgências.

Os primeiros inícios foram com São Boaventura (1221 – 1274)
Os primeiros inícios foram com São Boaventura (1221 – 1274)
O papa ficou impressionado por um milagre espetacular atribuído ao Angelus e acontecido na cidade de Avignon.

Monsenhor Gaume conta:

“A justiça da cidade condenou dois criminosos a serem queimados vivos na véspera da Anunciação da Bem-Aventurada Virgem Maria.

“A pira já estava acesa. Ao se aproximar, um dos culpados continuou implorando à Santíssima Virgem, lembrando-A do Angelus que rezava três vezes ao dia.

“Os verdugos o jogaram no fogo.

“Mas, milagre! Ele sai como os hebreus da fornalha da Babilônia: são e salvo e suas roupas intactas! Enquanto que seu companheiro foi devorado pelas chamas num instante!

“Não foi suficiente. E, mais uma vez, o miraculado foi jogado na fogueira!

“Mas saiu de novo sem queimaduras e cheio de vida, como da primeira vez!

“Foi-lhe concedido o perdão e foi conduzido em triunfo à igreja da Santíssima Virgem, para dar graças à sua libertadora”.

E a recitação do Angelus do meio dia?

O rei Luís XI em 1472, ordenou que todo o seu reino estendesse o Angelus ao meio-dia.

Esta prática do Angelus do meio-dia foi indulgenciada em 1475 pelo papa Sisto IV, que favoreceu particularmente o culto litúrgico da Imaculada Conceição.

No entanto, em 1455, o Papa Calixto III já havia prescrito o sino do meio-dia.

Luís XI só aplicou à França as decisões sábias do Papa assaz mais precisas: o terrível Maomé II acabara de tomar Constantinopla (1453).

E enquanto seu cavalo comia aveia no altar-mor da catedral Santa Sofia, jurou que faria o mesmo no altar-mor de São Pedro!

Rezar pelo triunfo das Cruzadas foi um grande motivo dos Papas
Rezar o Angelus pelo triunfo das Cruzadas foi um grande motivo dos Papas
Seu formidável exército de mais de 300.000 homens, seus canhões de 12 metros e sua lendária crueldade eram de um conquistador arrogante.

Foi contra esta praga, que Calixto III teve a inspiração de criar o triplo Angelus. Mas, na aparência ninguém se mexeu! Nem mesmo a França de Luís XI.

Porém, de repente, em 1481, Maomé II foi atingido por um mal desconhecido, aos 49 anos de idade.

Alessandro VI reviveu o Angelus contra a heresia luterana. E o Papa São Pio V definiu o Angelus completo, como é recitado desde então, na edição oficial do Pequeno Ofício da Santíssima Virgem.

João XXII aprovou a prática do Angelus da noite, observada em Saintes.

O Papa Leão XII concedeu indulgência plenária à recitação contínua por um mês.

Assim, a pequena oração do Angelus deve ser dita de manhã às 7 da manhã, depois ao meio-dia e finalmente à noite às 19h na França e 18h alhures.

Quase todos os sinos da igreja tocam a estas horas para nos sinalizar o Angelus!

Infelizmente, esta poderosa oração está ficando esquecida.

O Angelus é a oração contra todos os perigos que ameaçam a Igreja, os cristãos e a Cristandade.

O que é que aconteceria se os católicos passassem a reza-lo todos os dias e em massa, três vezes diariamente?

Motivações não faltam, aliás são mais imperiosas do que nunca.

Sozinho, em família, no carro ou caminhando! O resto Nossa Senhora fará.



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domingo, 29 de julho de 2018

Como o Papa São Leão Magno domou a cólera de Átila

O Papa São Leão Magno. Fresco em Subiaco, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Átila, chefe dos bárbaros hunos vinha saqueando a Itália toda.

As autoridades de Roma imploraram ao Papa São Leão que fosse dissuadir o temível bárbaro.

São Leão Magno foi revestido dos paramentos pontificais.

“Como um leão que não conhece medo nem tardança, este varão se apresentou para falar ao rei dos hunos em Peschiera, pequena cidade próxima de Mantua, e moveu o vencedor a voltar”, diz um cronista da época.

Átila prometeu a paz, fez cessar as hostilidades, e retornou à sua terra atravessando os Alpes.

Os bárbaros perguntaram a seu chefe por que, contra seu costume, havia mostrado tanto respeito para com o Papa.

Átila respondeu que “não foi a palavra daquele que veio me encontrar que me inspirou um medo tão respeitoso; mas eu vi junto a esse Pontífice um outro personagem, de um aspecto muito mais augusto, venerável por seus cabelos brancos, que se mantinha em pé, em hábito sacerdotal, com uma espada nua na mão, ameaçando-me com um ar e um gesto terríveis, se eu não executasse fielmente tudo o que me era pedido pelo enviado”.

Esse personagem era o Apóstolo São Pedro. Segundo outra tradição, o Apóstolo São Paulo estava também presente.