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domingo, 10 de novembro de 2024

São Jacinto e o milagre eucarístico de Legnice:
para médicos, hóstia é tecido humano

São Jacinto foge de Kiev em chamas salvando a Eucaristia e a imagem de Nossa Senhora. Leandro Bassano (1557-1622), igreja de São João e São Paulo, Veneza
São Jacinto foge de Kiev em chamas salvando a Eucaristia e a imagem de Nossa Senhora.
Leandro Bassano (1557-1622), igreja de São João e São Paulo, Veneza
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



São Jacinto (1185-1257), chamado de “Apóstolo do Norte”.

O santo foi um religioso dominicano polonês do século XIII, grande pregador da Eucaristia e da Adoração do Santíssimo Sacramento.

Em 1240, hordas de mongóis pagãos invadiram o mundo eslavo em fase de conversão, devastando cidades, campos e pilhando as igrejas.

Atacaram então a cidade de Kiev, hoje capital da Ucrânia, onde São Jacinto rezava diante do Santíssimo Sacramento.

Percebendo que a cidade iria cair nas mãos dos bárbaros, ele tirou do sacrário o cibório contendo as sagradas hóstias do sacrário com a intenção de fugir e assim salvar as sagradas espécies.

Nessa hora o santo ouviu uma voz, proveniente de uma imagem de Nossa Senhora feita em alabastro:

– “Jacinto, você vai fugir e deixar-me sozinha? Leve-me com você”.

– “Querida Mãe, sua estátua é muito pesada, como poderei levá-la?”, disse ele.

– “Meu Filho vai torná-la ligeira, leve-me”, replicou Nossa Senhora.

E, com efeito, a estátua ficou leve como uma pluma. São Jacinto colocou então o cibório com o Santíssimo Sacramento e a estátua da Virgem sob a sua capa dominicana.

São Jacinto, vitral da igreja de Santo Domingo, Washington, D.C..
São Jacinto, vitral da igreja de Santo Domingo, Washington, D.C..
Acompanhado por outros religiosos, conseguiu milagrosamente cruzar o grande rio Dnieper que corta a cidade e atravessar o acampamento dos bárbaros mongóis sem ser detectado.

São Jacinto fundou mosteiros dominicanos na Ucrânia e na sua Polônia natal, onde faleceu na cidade de Cracóvia.

Mas sua influência não se esgotou nos tempos medievais.

Três séculos depois, quando os protestantes apareceram para negar a Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia e se revoltarem furiosamente contra a devoção a Nossa Senhora, o nome e as imagens do religioso, cujo processo de canonização ainda estava em andamento em Roma, multiplicaram-se piedosa e assombrosamente em ícones, pinturas e esculturas.

Foi então que os Papas aprovaram a difusão de sua devoção. Ele foi canonizado no dia 17 de abril de 1594 pelo Papa Clemente VIII. O Papa Inocêncio XI nomeou-o padroeiro da Lituânia.

Ele é apresentando com uma grande estátua da Virgem numa mão e um belo ostensório eucarístico na outra, atravessando miraculosamente o rio e o acampamento dos bárbaros.

Os devotos de São Jacinto sublinham que a aprovação de recente milagre eucarístico na Polônia tenha acontecido no dia 17 de abril de 2016, aniversário da canonização do santo.

São Jacinto é mundialmente cultuado pelos seus milagres e pelo exemplo heroico de arriscar sua vida para não permitir que a Eucaristia fosse objeto de sacrilégio ou profanação por aqueles que não são dignos.

Por isso também é significativo que o mais recente milagre eucarístico proclamado pela Igreja tenha acontecido no santuário a ele consagrado em seu país natal.

A hóstia que devia se dissolver começou a transudar sangue e formar tecido (foto acima). Embaixo ampliação.
A hóstia que devia se dissolver começou a transudar sangue
e formar carne com aparência de humana (foto acima).
Embaixo ampliação.
Com efeito, o bispo de Legnica, na Polônia, Mons. Zbigniew Kiernikowski, proclamou oficialmente um prodígio do Santíssimo Sacramento acontecido na igreja de São Jacinto dessa cidade.

O bispo autorizou os fiéis venerarem a hóstia ensanguentada que, segundo o decreto episcopal, “tem as características que definem um milagre eucarístico”, informou o site “Religión en Libertad”.

A cidade de Legnica (em alemão: Liegnitz, em polonês: Legnicy) fica na região da Baixa Silésia, no sudoeste da Polônia.

O milagre aconteceu na Missa de Natal de 2013, quando uma hóstia consagrada caiu no chão durante a distribuição da Sagrada Comunhão no santuário de San Jacinto.

A hóstia foi recolhida e colocada num recipiente com água (“vasculum”) para se dissolver, como mandam as sapienciais normas canônicas nesses casos, nem muitas vezes respeitadas nos dias de hoje.

Porém, uma vez na água, apareceu na hóstia uma mancha vermelha de textura singular, que fazia pensar em tecido humano.

O então bispo de Legnica, Mons. Stefan Cichy, instituiu uma comissão para investigar o acontecido com a sagrada forma.

Em fevereiro de 2014, com a permissão da diocese, um fragmento da hóstia com aspecto de tecido ensanguentado foi retirado e colocado sobre um corporal. Depois foram recolhidas amostras para serem analisadas em laboratórios de diferentes institutos forenses.

Os médicos dos Departamentos de Medicina Legal consultados verificaram que os fragmentos recolhidos contêm células de músculo estriado transversal semelhantes às do músculo cardíaco.

O bispo de Legnice proclama o milagre eucarístico no santuário de São Jacinto.
O bispo diocesano proclama o milagre eucarístico
no santuário de São Jacinto.
Segundo o “Catholic Herald”, os testes foram realizados no Departamento de Medicina Legal, em Wroclaw (em alemão: Breslau), no início de 2014.

Outro estudo foi realizado posteriormente pelo Departamento de Medicina Legal da Universidade de Medicina da Pomerania, em Szczecin (em alemão: Stettin, em português: Estetino), acrescentou a revista britânica.

Esse laboratório concluiu que “na imagem histopatológica, nos fragmentos (da Hóstia) foram achadas partes fragmentadas de músculo estriado transversal. É mais semelhante ao músculo cardíaco.

“Os testes também determinaram que o tecido é de origem humana, e verificou-se nele sinais de agonia”.

Considerando a relevância dos pareceres médico legais, em janeiro de 2016 D. Kiernikowski encaminhou o caso ao Vaticano, submetendo-o à consideração teológica da Congregação para a Doutrina da Fé.

Essa importantíssima Congregação vaticana declarou-se favorável à exposição da hóstia miraculosa à veneração pública, e recomendou que se explicassem bem os fatos aos fiéis.

A hóstia fica exposta numa capela do santuário de São Jacinto sob a responsabilidade do pároco, Pe. Andrzej Ziombrze.

No documento de proclamação do milagre, o bispo afirma: “Espero que isso sirva para aprofundar a adoração da Eucaristia e tenha um impacto inconfundível na vida das pessoas que se aproximam da relíquia. Vemos isso como um exemplo maravilhoso, uma expressão particular da bondade e do amor de Deus”.

Médicos forenses tiraram amostras, analisaram em laboratórios e concluíram 'é tecido muscular humano' como o de um coração de um homem em agonia.
Médicos forenses tiraram amostras, analisaram em laboratórios
e concluíram: 'é tecido muscular humano'
como o de um coração de um homem em agonia.
O texto completo do decreto do bispo, vertido para o inglês, pode ser lido AQUI:

A esperança do bispo é de grande importância para a nossa época, quando se pretende entregar a Eucaristia a pecadores públicos, esquecendo que n’Ela estão verdadeira, real e substancialmente presentes o Corpo, o Sangue, a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

No site da paróquia onde ocorreu o milagre há mais fotos e explicações, mas só em língua polonesa.

Obedecendo às instruções do bispo, um livro aberto recolhe no santuário o testemunho das graças recebidas e “outros eventos milagrosos”.


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domingo, 19 de novembro de 2023

O Milagre Eucarístico de Turim (ano 1453)

Placa com a narração do milagre onde esse aconteceu, basílica do Corpus Domini, Turim
Placa com a narração do milagre onde esse aconteceu, basílica do Corpus Domini, Turim
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Basílica de Corpus Christi de Turim encontra-se uma grade de ferro que protege o lugar onde ocorreu o primeiro milagre eucarístico daquela cidade, em 1453.

No chão, atrás da grade, está escrito como ocorreu o milagre:

“Eis o lugar onde caiu prostrado o jumento que transportava o Corpo Divino. O lugar onde a Sagrada Hóstia, saindo de uma bolsa, elevou-se sozinha, descendo com clemência nas mãos dos cidadãos de Turim. Eis o lugar santificado pelo Milagre. Recordando-o e rezando ajoelhado, presta-lhe veneração com santo temor”. (6 de junho de 1453)
A igrejinha de Exilles onde foi perpetrado o roubo sacrílego
A igrejinha de Exilles onde foi perpetrado o roubo sacrílego
A história começou na cidade piemontesa de Exilles, na região de Alto Val Susa, fronteira com a França.

As tropas francesas de Renato d’Anjou lutavam contra as milícias italianas do duque Ludovico de Savóia.

Os franceses saquearam o vilarejo e entraram na igreja.

Um dos soldados forçou a porta do Tabernáculo e roubou o Ostensório com a Hóstia consagrada, envolvendo-a numa bolsa.

Montou depois num jumento e partiu para a cidade de Turim com a intenção de vendê-la.

Ele ingressou dissimuladamente na cidade no dia 6 de junho, quando se comemorava o Corpus Christi.

Na praça principal, perto da então igreja de São Silvestre, hoje do Espírito Santo – onde futuramente seria erguida a Basílica de Corpus Christi – o jumento empacou e caiu no chão.

Então a bolsa se abriu e o Ostensório com a Hóstia se elevou sobre as casas vizinhas para maravilhamento do povo.

Entre os presentes estava o padre Bartolomeu Coccolo, que foi correndo avisar o bispo Ludovico, da família dos marqueses de Romagnano.

O bispo, acompanhado por um cortejo formado pelo povo e pelo clero, se dirigiu à praça, prostrou-se em adoração e rezou com as palavras dos discípulos de Emaús “Permanecei conosco, Senhor”.

Afresco representando o milagre eucarístico de Turim
Afresco representando o milagre eucarístico de Turim
Naquele mesmo momento se verificou outro milagre: o Ostensório caiu no chão, deixando livre a Hóstia consagrada, que reluzia como o sol.

O bispo elevou o cálice que tinha nas mãos, e lentamente a Hóstia consagrada começou a descer, pousando dentro do cálice.

A devoção ao Milagre Eucarístico de 1453 foi imediatamente difundida por toda a cidade.

Turim promoveu a construção de um nicho no lugar onde ocorreu o fato sobrenatural.

Posteriormente, o nicho foi substituído pela Igreja dedicada ao Corpo de Cristo.

A atual Basílica do Corpus Domini construída para perpetuar a lembrança do milagre
A atual Basílica do Corpus Domini
construída para perpetuar a lembrança do milagre
O milagre foi comemorado especialmente nas solenidades organizadas por ocasião do cinquentenário e do centenário do milagre (1653-1703;1753-1853; e parcialmente em 1903).

São muitos os documentos que relatam o milagre.

Os mais antigos são três Atos Capitulares dos anos de 1454, 1455 e 1456, bem como alguns documentos da prefeitura de Turim.

No ano de 1853, o Beato Papa Pio IX celebrou solenemente o IV centenário do milagre.

Na cerimônia participaram São João Bosco e o Padre São Miguel Rua.

Para essa ocasião, Pio IX aprovou o Ofício e a Missa própria do milagre para a diocese de Turim.

No ano de 1928, Pio XI elevou a Igreja do Corpus Christi à dignidade de Basílica Menor.

A hóstia do milagre foi conservada até o século XVI.

Nesse século a Santa Sé ordenou consumi-la “para não forçar Deus a fazer um milagre eterno mantendo incorrupta, como estiveram até aquele momento, as próprias espécies eucarísticas”.





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domingo, 10 de julho de 2022

O milagre eucarístico de Lanciano
segundo o cientista que comprovou sua autenticidade

Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Luis Dufaur
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O doutor Edoardo Linoli afirma que portou em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco, ao analisar anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos.

O fato miraculoso se remonta ao século VIII.

Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies após a consagração.

Nesse momento, o sacerdote viu como a sagrada hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Na festa de Corpus Christi, o hino “Ave Verum”
(“Salve, ó verdadeiro corpo”)

Luis Dufaur
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Na Idade Média foram compostas muitas músicas e poesias religiosas em louvor do Santíssimo Sacramento.

Esta grande devoção teve, aliás, imenso incremento no período medieval.

Podemos então dizer que ela ‒ aperfeiçoada pela Contra-Reforma ‒ chegou até nós impregnada do perfume da Idade Média.

A presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia está fundamentada nas próprias palavras de Cristo na Última Ceia: “Este é meu corpo, esta é minha sangue”.

A Fé na presença real de Cristo na Eucaristia foi professada universalmente por toda a Igreja desde sua fundação.

Só com o protestantismo que apareceram contestações, aliás mais próximas da chicana do que qualquer outra coisa. 
 
Foram sobejamente refutadas pelos Doutores e notadamente pelo Concílio de Trento.

Na crise da fé no século XX, reapareceram falsos teólogos que pretenderam reviver os erros protestantes com outro nome.

É o malfadado progressismo, que tem menos fundamento na verdade que os próprios protestantes. 
 
Todos esses erros acabarão ficando à margem da História, como já ficaram os de Calvino, Zwinglio, Melanchton ou Lutero.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Origen de Corpus Christi e a solene procissão em Toledo

Santissimo Sacramento na procissão
Luis Dufaur
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Na Idade Média, o Papa Urbano IV (1195 — 1264) instituiu a festa de Corpus Christi após o portentoso milagre eucarístico de Bolsena.

Agindo assim atendeu o apelo insistente de muitas almas que ardiam de devoção pelo Ssmo. Sacramento.

Sobre como aconteceu a instituição da festa de Corpus Christi, veja embaixo: “Origem da Festividade de Corpus Christi”.

Esta festa, uma das mais solenes da Igreja, é marcada por grandes procissões eucarísticas, inclusive nos nossos tão conturbados dias de abandono da fé, em que se contraria o que a Igreja Católica ensina.

Apresentamos a seguir uma descrição por Felipe Barandiarán de uma das mais belas procissões nesta magna festa. Ela acontece todos os anos na cidade de Toledo (Espanha).

domingo, 12 de janeiro de 2020

Rimini: onde a mula se ajoelhou ante a Eucaristia

Santo Antonio de Pádua e o milagre da mula, Joseph Heintz o jovem (1600-1678)
Basilica dei Santi Giovanni e Paolo, Veneza
Luis Dufaur
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Santo Antônio de Pádua (1195 — 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas.

A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, segundo lembrou a agência Zenit.

Entre esses opositores militavam hereges cátaros, patarines e valdenses.

Na cidade italiana de Rimini, o líder do erro cátaro, de nome Bonovillo, foi particularmente insultante.

Por volta do ano 1227 ele desafiou a Santo Antônio que provasse com um milagre a presença real do Corpo de Cristo na Eucaristia.

A provocação resultou no famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou “milagre da mula”, acontecido nessa capital da Emília-Romagna.

O desafio e o milagre conseguinte ficaram consignados em vários livros históricos – entre os quais o Benignitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulouse e em Bourges.

domingo, 25 de agosto de 2019

Daroca: um milagre eucarístico
na guerra contra os islâmicos

A missa antes da batalha, azulejo do milagre de Daroca
A missa antes da batalha, azulejo do milagre de Daroca
Luis Dufaur
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No dia 23 de fevereiro de 1239, as tropas católicas de Daroca, Teruel e Calatayud, reino de Aragão, empreenderam o assalto do castelo de Chío, perto de Luchente, do qual os muçulmanos tinham se apossado, segundo evocou Aleteia.

Tratava-se de mais um episódio da guerra de Reconquista que durou oito séculos para recuperar a península ibérica invadida a sangre e fogo pelos fanáticos islâmicos.

Momentos antes da batalha, o capelão de Daroca celebrava uma Missa, em que consagrou seis hóstias para a Comunhão de cada um dos capitães das tropas.

Os Corporais de Daroca com o Sangue das hóstias
Os Corporais de Daroca com o Sangue das hóstias
Mas um ataque surpresa dos maometanos obrigou o sacerdote a interromper a Missa.

O capelão saiu correndo com as hóstias embrulhadas nos corporais [pequena peça de pano usada na liturgia antiga] e as escondeu em um monte.

Afastados os assaltantes árabes, os comandantes pediram ao sacerdote que lhes desse a Comunhão.

Quando o padre foi buscar as hóstias no esconderijo, encontrou as seis manchadas de sangue e grudadas nos corporais.

Os comandantes entenderam aquilo como um sinal de Jesus de que eles seriam vencedores.

Então fizeram com que o sacerdote encabeçasse a batalha, levantando os corporais com as hóstias ensanguentadas como estandarte.

Os muçulmanos foram derrotados.

Uma versão parecida contavam mouros de mais de sessenta anos que ouviram de pais e avós terem recebido ordem de cercar ao nobre Berenguer de Entenza que cavalgava pelo reino de Valência com homens de Calatayud, Daroca y Teruel.

Berenguer se sentiu rodeado e encomendou uma missa a um clérigo de Daroca. Esse, após a consagração depositou o Corpo de Cristo nos Sagrados Corporais, panos litúrgicos do altar.

Instantaneamente a hóstia consagrada com forma de pão ficou visível como carne embebida em verdadeiro sangue.

Altar onde estão expostos os Corporais em Daroca.
Altar onde estão expostos os Corporais em Daroca.
Diante de tão grande sinal da transubstanciação que confirmava a fé, o exército católico marchou por cima dos mouros.

Eles avançavam atrás do sacerdote que, paramentado de vermelho, montava numa mula branca e levantava bem alto os sagrados corporais.

Foi assim que com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, “obtiveram grande vitória contra os mouros”, segundo reza antiga crônica.

Após os últimos choques e consolidada a sorte da batalha, os chefes católicos disputaram para saber qual cidade teria a honra de guardar os corporais.

Três universidades – a de Teruel, a de Daroca e a de Calatayud –desejavam possuir a Sagrada Relíquia e jogaram o caso à sorte.

E as três vezes deu Daroca.

Porém, para afastar a desconfiança de alguma manobra para adulterar o resultado, Daroca consentiu que os Corporais ficariam no local em que parasse uma mula branca sobre a qual seria levada a relíquia.

Sobre dita mula branca iria o sacerdote com os Corporais, precedido pela multidão dos fiéis.

A mula viajou durante 12 dias e passou sem se imutar por Teruel.

Corporais levados na procissão de Corpus Christi em Daroca.
Corporais levados na procissão de Corpus Christi em Daroca.
Na passagem pela estrada de Luchente a Daroca, aconteceram vários milagres.

Em Játiva, ouviu-se um coro de vozes celestiais.

Perto de Alcira, uma mulher possessa foi libertada dos demônios. Em Jérica, dois ladrões, que estavam perto de matar um comerciante, se arrependeram e devolveram os bens roubados.

Mas, chegando perto da cidade de Daroca “fincó aquí los genillos por voluntad de Ihesu Cristo”, “fincou ali os joelhos por vontade de Jesus Cristo” e morreu diante da igreja de São Marcos (hoje Igreja da Trindade).

Os fiéis viram nisso um sinal divino de que os Corporais deviam ficar nessa igreja.

Posteriormente foram trasladados para a igreja de Santa Maria construída maior para que os Sagrados Corporais pudessem ser vistos por todo o mundo.

É a atual igreja de Santa Maria Colegiada desde onde, na festa de Corpus Christi, a cidade leva em procissão os Santos Corporais para fora das muralhas e os exibe aos numerosos peregrinos.

Daroca se converteu em grande centro de peregrinação a partir do século XIV com a visita de reis e personalidades importantes.

Por causa da afluência de devotos, a festa de Corpus Christi chegou a se estender durante quase um mês. Cfr. Espacio Xiloca,



Celebração do Corpus Christi diante dos Corporais de Daroca 2018






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