domingo, 16 de dezembro de 2018

Simbolismo do bói e do asno no Presépio de Natal

Afresco na catedral de Spoleto, Fra Filippo Lippi (1406 - 1469)
Afresco na catedral de Spoleto, Fra Filippo Lippi (1406 - 1469)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Uma das figuras que mais impressionam simpaticamente as almas que contemplam o Menino Jesus no presépio de Belém é a presença muito próxima de um asno e de um boi.

Os Evangelhos não fazem nenhuma referência a essa presença. Mas as razões de grande beleza moral trazem um ensino espiritual profundo.

Elas vêm do fundo do Antigo Testamento.

E nada mais e nada menos que de uma predição de Isaías (765 a.C. e 681 a.C. aprox.) o profeta que mais falou da futura vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e o mais referido nos Evangelhos.

Ele diz no capítulo I:

3. O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono; mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento.

4. Ai da nação pecadora, do povo carregado de crimes, da raça de malfeitores, dos filhos desnaturados! Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, e lhe voltaram as costas. (Isaías 1, 3)

O boi e o asno ajoelhados, presépio da escola de Fra Angelico, Metropolitam Museum of Art
O boi e o asno ajoelhados, presépio da escola de Fra Angelico, Metropolitam Museum of Art
Sim, o asno, ou mula, e o boi simbolizam a indiferença de Israel em relação a seu Messias.

Frieza que chegou ao ponto que o Menino Jesus teve que nascer numa gruta para animais porque ele não era verdadeiramente aguardado pelo seu povo amado!

São Justino mártir, um dos primeiros apologistas da Igreja, no século II (c. 100/114 – 162/168), mandou incluir o asno e o boi na representação do presépio.

Ele quis tornar visível que a profecia de Isaías tinha se realizado.

Na hora do magno acontecimento de Natal, Israel não reconheceu seu Salvador e nem estava preparado para faze-lo posta sua grande decadência moral, religiosa e também política e militar.

Por isso a representação da mula e do boi não está nos Evangelhos, mas sim no livro de Isaías.

A Tradição da Igreja desde São Justino no século II vem os representando no sentido.

Essa Tradição é inconteste, inclusive na nossa época em que predomina o vício de contestar e achincalhar tudo.

O então porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola, Mons. Juan Antonio Martínez Camino, bispo auxiliar de Madrid e ex-secretário de dita Conferência Episcopal, respondeu aos jornalistas quando interrogado sobre a não inclusão nos Evangelhos da presença de animal algum no presépio.

Vitral na igreja de São Domingos em Londres
Vitral na igreja de São Domingos em Londres
Mons. Martínez Camino estudou muito o tema e explicou num pregão natalino para “belenistas” [montadores ou fabricantes de presépios] de Oviedo.

“Há dois mil anos que quem quer que seja lendo os Evangelhos percebe que ali não aparece a mula e o boi. O Papa [Bento XVI] explica que apareceram na arte, em virtude do capítulo primeiro de Isaías: “O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono; mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento”.

São Justino interpreta que Israel conheceu o Redentor embora com menos fé que esses animais no presépio.

Na pintura românica catalana do século XII eles são apresentados com os olhos grandes como pratos, olhando para o Menino Jesus, e também no presépio que criou São Francisco de Assis na Idade Média.

Os dois animais representam também a humanidade toda que diante da aparição humilde de Deus no estábulo, chega ao conhecimento enlevado e adorador de seu Salvador.

Na pobreza do nascimento divino, a humanidade fiel recebe a Luz de Cristo que a todos ensina a ver.

Por tudo isso, nenhuma representação do presépio pode prescindir do boi e do jumento.




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Um comentário:

  1. Infelizmente no meu presépio tive de omitir alguns animais por falta de espaço na gruta. No próximo ano já vou tentar fazer diferente.

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