domingo, 28 de outubro de 2012

As duas trombetas de Deus: São Francisco e São Domingos – 2

Santos Dominicanos
Santos Dominicanos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior

Sobre os passos de São Domingos, deste santo atleta da Fé, deste coadjutor do Lavrador eterno , precipita-se, primeiro, o Bem-Aventurado Jourdain, digno de ser seu primeiro sucessor, como Geral de sua Ordem; depois São Pedro de Verona decorado pelo título de Mártir por excelência, e que, assassinado pelos hereges, escrevia sobre a terra com o sangue de suas chagas, as primeiras palavras do Símbolo (Credo) cuja verdade proclamava com o preço de sua vida; depois, São Jacinto e Ceslau, seu irmão, esses jovens e fortes poloneses que o encontro com São Domingos em Roma foi suficiente para fazer renunciar a todas as grandezas terrenas, a fim de levar essa nova luz à sua pátria, de onde ela deveria se espalhar com rapidez na Lituânia, Moscóvia e Prússia; depois, São Raimundo de Peñafort, que Gregório IX escolheu para coordenar a legislação da Igreja, autor das Decretais e sucessor de São Domingos; enfim, este Teobaldo Visconti, que deveria presidir os destinos da Igreja sobre a terra, com o nome de Gregório X, antes de ter eternamente direito às suas orações, como Bem-Aventurado no Céu.


São Alberto Magno, Santa Maria dell'Anima, Roma
São Alberto Magno, Santa Maria dell'Anima, Roma
Ao lado desses homens cuja santidade a Igreja consagrou, uma multidão de outros traziam-lhe o tributo de seus talentos e estudos: Santo Alberto Magno, esse colosso do saber, pregador de Aristóteles e mestre de São Tomás; Vicente de Beauvais, autor da grande enciclopédia da Idade Média; o Cardeal Hugo de Sant-Cher, que fez a primeira Concordância das Escrituras; o grande Cardeal Henrique de Suze, autor da “Suma Dourada”; e, acima de todos, pela santidade como pela ciência, o grande São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, pensador gigantesco, em quem parece resumir-se toda a ciência dos séculos da fé, e cuja grandiosa síntese não pôde ser igualada por nenhuma tentativa posterior; o qual, inteiramente absorto na abstração, não é, por isso, menos um admirável poeta, e merece ser escolhido por São Luís como conselheiro íntimo nos casos mais espinhosos de seu reino.

“Escreveste bem sobre Mim, diz-lhe Cristo um dia, que recompensa Me pedes?” – “Vós mesmo”, responde o santo . Toda sua vida, todo seu século está nesta palavra.

O exército de São Francisco não marchava ao combate sob chefes menos gloriosos. Em vida de São Francisco, doze de seus primeiros filhos foram colher a palma do martírio entre os infiéis. O Bem-Aventurado Bernardo, o Beato Egídio, o Beato Guido de Cortona.

Toda essa companhia de Bem-aventurados, companheiros e discípulos do santo fundador, sobrevivem-lhe e conservam o depósito inviolável desse espírito de amor e de humildade que o havia inflamado.

Tão logo o serafim foi tomar sua posição diante do trono de Deus, seu lugar na veneração e no entusiasmo dos povos é ocupado por aquele que todos proclamavam seu primogênito: Santo Antônio de Pádua, célebre como seu pai espiritual por este império sobre a natureza, que lhe valeu o cognome de Taumaturgo, aquele que o Papa Gregório IX chamou a Arca dos dois testamentos; que tinha o dom das línguas como os Apóstolos; que, depois de ter edificado a França e a Sicília, passa seus últimos anos pregando a paz e a união às cidades lombardas, obtém dos paduanos o privilégio da cessão de bens para os devedores desafortunados, ousa sozinho censurar ao feroz Ezzelin sua tirania, fá-lo tremer, segundo seu próprio depoimento, e morre aos trinta e seis anos, no mesmo que Santa Isabel.

Mais tarde, Rogério Bacon reabilita e santifica o estudo das ciências, e prevê, se não as leva a termo, as maiores descobertas dos tempos modernos. Duns Scoto disputa a São Tomás o império das escolas; e este grande gênio encontra um rival e um amigo em São Boaventura, o Doutor Seráfico, o qual, quando seu ilustre rival, o Doutor Angélico, perguntou-lhe de que biblioteca tirava sua surpreendente ciência, mostrou silenciosamente seu crucifixo, e que lavava a louça de seu convento quando lhe foi trazido o chapéu de Cardeal.

São Domingos de Gusmão
São Domingos de Gusmão
São Domingos introduziu uma reforma fecunda na regra das esposas de Cristo, e abriu uma nova via às suas virtudes. Mas não foi senão mais tarde, em Margarida da Hungria, Inês de Monte-Pulciano, Catarina de Siena, que este ramo da Ordem dominicana deveria produzir os prodígios de santidade que foram depois tão numerosos. Francisco, mais feliz, encontra desde o início uma irmã, uma aliada digna dele.

Ao mesmo tempo que ele, pobre filho de comerciante, começava sua obra com alguns outros humildes burgueses de Assis, Clara Sciffi, nesta mesma cidade, filha de um conde poderoso, sente-se tomada de um zelo semelhante.

Um dia, aos dezoito anos, num Domingo de Ramos, enquanto as palmas que os outros fiéis levam vão secando e fanando, a sustentada por sua jovem mão refloresce e reverdece subitamente.

É para ela um preceito e uma advertência do alto. Na mesma noite, foge da casa paterna, penetra na Porciúncula, ajoelha-se aos pés de Francisco, recebe de suas mãos a corda, o vestido de grossa lã, e condena-se com ele à pobreza evangélica.

Em vão seus parentes a perseguem, sua irmã e inumeráveis virgens vêm juntar-se a ela, e rivalizar com ela em privações e austeridades.

Em vão os Soberanos Pontífices suplicam-lhe de moderar seu zelo, de dignar-se possuir alguma coisa de fixo, posto que uma severa clausura proíbe às monjas sair, como os Irmãos Menores, a implorar a caridade dos fiéis, e a reduz a esperá-la do acaso.

Ela resiste obstinadamente, e Inocêncio IV concede-lhe enfim o ‘privilégio da pobreza perpétua’, o único, dizia ele, que ninguém jamais pediu: “Mas Aquele, acrescentava, que alimenta os passarinhos, que vestiu a terra de verdura e de flores, saberá bem sustentar-vos até o dia em que Ele dar-Se-á a Si mesmo como alimento eterno a vós, quando, com Sua destra vitoriosa, vos abraçará em Sua glória e beatitude”.

São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
São Francisco. Vicente Carducho (1576 ou 1578 - 1638)
Três Papas e uma multidão de outros santos e nobres personagens vêm junto a esta humilde virgem procurar luzes e consolações. Em poucos anos, ela vê todo um exército de mulheres piedosas, com rainhas e princesas à frente, surgir e estabelecer-se na Europa sob a regra de Francisco de Assis, e sob a direção e o nome dela, o de pobres Claras ou clarissas.

Mas no meio desse império de almas, sua modéstia é tão grande, que não foi vista, a não ser uma única vez, levantar as pálpebras para pedir ao Papa sua bênção, e somente então se pôde conhecer a cor de seus olhos. Os sarracenos vêm sitiar seu mosteiro: doente e acamada, levanta-se, toma em mãos o ostensório, caminha para a frente deles e os põe em fuga.

Após quatorze anos de uma santa união com São Francisco, ela o perde; então, entregue ela mesma às mais cruéis enfermidades, morre, depois de ter ditado um testamento sublime; e o Soberano Pontífice, que a tinha visto morrer, a propõe à veneração dos fiéis, proclamando-a Clara entre todas as claridades, luz resplandecente do templo de Deus, princesa dos pobres, duquesa dos humildes .

Como São Francisco em Santa Clara, Santo Antônio de Pádua encontrou na Bem-Aventurada Helena Ensimelli uma amiga e uma irmã.




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