domingo, 18 de abril de 2010

Santo Antônio e o dissoluto-futuro mártir

Sempre que encontrava na rua um certo homem de vida dissoluta, Santo Antonio de Pádua tirava o chapéu, fazia uma genuflexão e o saudava respeitosamente.

Aborrecido com a cena que assim se repetia, o crápula um dia tirou da bainha a espada e gritou para o Santo:

— Pare com essa palhaçada, ou então vou lhe mostrar a força desta arma!
Com profundo respeito, Santo Antonio respondeu:

— Glorioso mártir do Senhor, lembre-se de mim quando estiver sendo atormentado.

A resposta foi uma gargalhada, pois o comentário parecia provir de um louco.

Anos depois, em viagem comercial à Palestina, foi tocado pela graça divina, converteu-se e passou a pregar a fé cristã aos sarracenos, sendo então martirizado.

(Fonte: NAIR LACERDA - Grandes Anedotas da História - Cultrix, SP, 1977, 301 p.)

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domingo, 4 de abril de 2010

As dores da Paixão compraram o triunfo da Igreja

Durante sua Paixão, Nosso Senhor fez esta pergunta, e foi um dos maiores sofrimentos d’Ele: Quae utilitas in sanguine meo? (“Que utilidade houve no meu sangue?”)

Em última análise, “do que adianta o meu sangue?”

Ele pensou em tantas almas que haveriam de pisar no sangue d’Ele.

Levianamente, estupidamente, por uma ninharia, por uma bagatela.

Por uma risada de criada, como no caso de São Pedro.

Por trinta dinheiros, como Judas.

Por preguiça, por vontade de dormir, como os outros Apóstolos.

Por medo, por oportunismo, por sensualidade, por quantas coisas as almas haveriam de rejeitá-lo!

Nosso Senhor teve em vista a nossa época, e Nossa Senhora também.

Ele teve em vista todas as traições de nossos tempos, todos os abandonos, tudo quanto as almas sacerdotais O fizeram sofrer.

Se o pecado de qualquer homem tanto fez Nosso Senhor sofrer, quanto o faria sofrer o pecado dos próprios membros da Santa Igreja?

David, no Livro dos Salmos, tem esta queixa em relação a um que lhe fez mal:


“Se o ultraje viesse de um inimigo, eu o teria suportado; se a agressão partisse de quem me odeia, dele me esconderia. Mas eras tu, meu companheiro, meu íntimo amigo, com quem me entretinha em doces colóquios; com quem, por entre a multidão, íamos à casa de Deus”. (Sl 54, 13-15).

Tudo de nossa época foi visto por Ele, mas visto também com amor.

Pelo fruto desse sangue infinitamente precioso, haveria de brotar uma graça especial para alguns que são tão ruins quanto os outros — e às vezes piores do que os outros, mas que, por essa graça especial, foram chamados para serem fiéis nessa hora de infidelidade – para serem aqueles que estão junto à cruz, como São João Evangelista, junto à ortodoxia, junto à verdadeira doutrina, na hora em que todo o mundo a abandona.

São aqueles que compreendem o martírio da Igreja, a tragédia da Igreja corroída internamente pelo progressismo e entregue aos seus piores adversários.