domingo, 5 de dezembro de 2010

São Nicolau padroeiro dos navegantes, inimigo do diabo e da idolatria

São Nicolau salva os marinheiros, Museu de San Marco, Florenca
continuação do post anterior

CERTO DIA, alguns marinheiros que estavam em perigo, dirigiram-lhe por entre lágrimas esta oração:

‒ Nicolau, servo de Deus, se é verdade o que ouvimos a teu respeito, faz que agora o experimentemos.

Imediatamente lhes apareceu alguém parecido com ele, que lhes disse:

‒ Eis-me aqui, pois me chamastes!

E começou a ajudá-los nos mastros, nos cabos e nos outros aparelhos da nau, e logo a tempestade cessou. Depois, quando foram à sua igreja, reconheceram-no, embora nunca o tivessem visto nem alguém lho indicasse. Então deram graças a Deus e a ele pela sua salvação; o Santo, porém, ensinou-os a atribuir o milagre à misericórdia divina e à fé que haviam demonstrado, mas não aos seus méritos.

HOUVE TEMPO em que toda a região de São Nicolau foi assolada por uma fome tão grande que todos ficaram sem alimentos. Quando o homem de Deus ouviu que estavam no porto uns barcos carregados de trigo, foi logo lá e pediu aos marinheiros que lhe dessem, ao menos, cem moios [antiga unidade de medida] por cada nave, para matar a fome aos que estavam em perigo. Eles responderam-lhe:

‒ Pai, a isso não nos atrevemos, porque temos de entregar nos armazéns do Imperador o que foi medido em Alexandria.

‒ Agora, fareis o que vos digo ‒ disse-lhes o Santo ‒, pois, em nome de Deus, vos prometo que não tereis nenhuma diminuição quando chegardes junto do recebedor.

São Nicolau, inimigo das falsas religiões, Lübeck, Annenmuseum.
Tendo feito como ele dizia e entregado aos servos do Imperador a mesma medida que tinham recebido em Alexandria, contaram o milagre e, com grande louvor, atribuíram-no a Deus por intermédio do seu servo.

O homem de Deus distribuiu o trigo segundo a indigência de cada um, de modo que miraculosamente, durante dois anos, não só bastou para viverem, mas foi suficiente para as sementeiras.

NAQUELA REGIÃO prestava-se culto aos ídolos e o povo honrava sobretudo a nefanda Diana, a ponto de, até ao tempo do homem de Deus, terem sido muitos os camponeses que serviram essa execrável religião, fazendo determinados ritos dos gentios debaixo de certa árvore consagrada à deusa.

O homem de Deus baniu esse rito para fora das suas fronteiras e mandou cortar a árvore. Irado com isto, o antigo adversário fabricou um óleo mágico ‒ que, contra a natureza, arde na água e nas pedras ‒ e, transformando-se numa mulher religiosa, foi ao encontro de uns navegantes que a ele se dirigiam; então lhes falou assim:

‒ Gostaria de ir convosco ao Santo de Deus, mas não posso. Por isso, peço-vos que leveis este óleo para a sua igreja e que, em minha memória, unjais com ele as suas paredes.

E logo desapareceu. Mas avistaram um barquinho com pessoas honestas, entre as quais havia um muitíssimo parecido com São Nicolau que lhes perguntou:

‒ Olhai! Que vos terá dito ou vos deu aquela mulher?

Então eles contaram-lhe tudo do princípio ao fim. Disse-lhes ele:

‒ Esta é a impudica Diana; e para que vejais que falei verdade, atirai esse óleo ao mar.

Mal eles o atiraram, acendeu-se um grande fogo e, contra a natureza, viu-se arder no mar durante muito tempo. Quando chegaram junto do servo de Deus, disseram:

‒ Na verdade, tu és aquele que nos apareceu no mar e nos livraste das insídias do diabo.

continua no próximo post

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