domingo, 21 de fevereiro de 2010

São Lopo, arcebispo de Sens

São Lopo, nasceu em Orléans num berço de sangue real. Resplandeciam nele todas as virtudes quando foi escolhido para arcebispo de Sens.

Ele doava quase tudo aos pobres, e um certo dia em que ele tinha invitado muitas pessoas para comerem, no meio da refeição verificou-se que não havia vinho para todos; ele disse ao funcionário que lhe avisava da falta:

“Eu acredito que Deus que alimenta os passarinhos, virá em auxílio de nossa caridade.” No ato apresentou-se um mensageiro que anunciou trazer cem garrafas de vinho e que estavam na porta.

Os cortesãos difamavam-no vivamente dizendo que ele amava sem medida uma moça virgem serva de Deus. Na presença de seus detratores, ele abraçou essa virgem dizendo: “As palavras alheias não atingem aquele cuja consciência nada lhe reprocha” Com efeito, como ele sabia que essa virgem amava Deus ardorosamente, ele a amava com uma intenção muito pura.

Clotário, rei dos francos, entrou na Borgonha e enviou seu senescal até Sens com a missão de sitiar a cidade. São Lopo entrou na catedral de São Estevão e fez revoar os sinos. Ouvindo o som, os inimigos ficaram tomados de um pânico tão grande que acharam que o único modo de se salvarem da morte, era fugir.

Por fim, após tomar conta de toda a Borgonha, o rei enviou mais um senescal a Sens. Porém, São Lopo não foi a vê-lo levando presentes. O senescal, então, ficou louco de raiva e difamou-o ante o rei que acabou enviando-o para o exílio. No exílio, São Lopo brilhou pela sua doutrina e por seus milagres.

Entrementes, os habitantes de Sens mataram um bispo usurpador da cátedra de São Lopo e pediram ao rei que chamasse de volta o santo exilado. Quando o rei viu chegar um homem tão mortificado, Deus permitiu que ele mudasse de opinião a seu respeito, a ponto de se prosternar aos pés do santo bispo pedindo perdão. O rei encheu-o de presentes e restabeleceu-o na sua diocese.

Voltando uma vez por Paris, um grande número de prisioneiros viu que as portas de suas cárceres se abriam e que eles ficavam livres de seus grilhões, indo todos logo a vê-lo em reconhecimento.

Um domingo, enquanto celebrava a Missa, uma pedra preciosa caiu do céu no seu santo cálice. O rei guardou-a junto com outras relíquias.

O rei Clotário ouvindo os sons admiravelmente doces do sino da catedral Santo Estevão de Sens, ordenou que fosse transportado a Paris, para ouví-lo com mais freqüência. Mas isso desgostou a São Lopo, e ela perdeu o badalo assim que saiu de Sens. Sabendo disto, o rei mandou que fosse restituída imediatamente à cidade.



Uma noite, enquanto rezava, o demônio lhe fez sentir uma sede extraordinária; o santo homem mandou trazer água fria, mas percebendo que era um artifício do inimigo ele prendeu o diabo na taça, onde passou a noite toda berrando e uivando. Na manha seguinte, aquele que escolheu as trevas para tentar o santo, fugiu sob a luz do sol totalmente confundido.

Outra vez, enquanto voltava de visitar as igrejas da cidade, como era sua costume, ele ouviu clérigos que brigavam porque queriam fazer mal a certas mulheres. Ele então entrou numa igreja, rezou por eles, e na hora, o aguilhão da tentação cessou absolutamente de atormentá-los. Eles, então, foram procurá-lo e pediram perdão.

Após ter se ilustrado na prática de muitas virtudes, São Lopo repousou em paz, no ano do Senhor de 610, no tempo de Heráclito, imperador de Bizâncio.

(Fonte: Beato Jacques de Voragine, « La Légende Dorée », http://www.abbaye-saint-benoit.ch/voragine/tome02/129.htm)


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